| Psicóloga Teresinha
Perez |
Empatia:
Uma das últimas definições de Rogers está no livro "A Pessoa
como Centro". Ela diz que:
"A maneira de ser em relação a outra pessoa denominada empática
tem várias facetas. Significa penetrar no mundo perceptual do outro
e sentir-se totalmente à vontade dentro dele. Requer sensibilidade
constante para com as mudanças que se verificam nesta pessoa em
relação aos significados que ela percebe, ao medo, à raiva, à ternura,
à confusão ou ao que quer que ele/ela esteja vivenciando. Significa
viver temporariamente sua vida, mover-se delicadamente dentro dela
sem julgar, perceber os significados que ele/ela quase não percebe,
tudo isto sem tentar revelar sentimentos dos quais a pessoa não
tem consciência, pois isto poderia ser muito ameaçador. Implica
em transmitir a maneira como você sente o mundo dele/dela à medida
que examina sem viés e sem medo os aspectos que a pessoa teme. Significa
frequentemente avaliar com ele/ela a precisão do que sentimos e
nos guiarmos pelas respostas obtidas. Passamos a ser um companheiro
confiante dessa pessoa pessoa em seu mundo interior. Mostrando os
possíveis significados presentes no fluxo de suas vivênciais, ajudamos
a pessoa a focalizar esta modalidade útil de ponto de referência,
a vivenciar os significados de forma mais plena e a progredir nesta
vivência.
Estar com o outro desta maneira significa deixar de lado, neste
momento, nossos próprios pontos de vista e valores, para entrar
no mundo do outro sem preconceitos."
Comentário:
A forma como Rogers define empatia muitas vezes parece insinuar
que o terapeuta empático é aquele que melhor apreende os conteúdos
afetivos do cliente.
Gostaria de acrescentar que considero esta interpretação um equívoco.
O que existe é uma relação empática em que me torno disponível para
a diferença do outro, respeitando-a, sendo afetado por essa diferença,
num processo de criação e de recriação que afeta terapeuta e cliente.
Podemos lembrar Buber quando fala de Dialogicidade. "O homem
se torna Eu na relação com o Tu". E de Biswanger quando enfoca
o modo de relação mitsein, que significa ser-com (amor dual).
Congruência
Rogers, no livro "De Pessoa para Pessoa", assim define
congruência:
"Em primeiro lugar, a minha hipótese é que o crescimento pessoal
é facilitado quando o conselheiro é que é, quando na relação com
o cliente é autêntico, sem 'máscara' ou fachada, e apresenta abertamente
os sentimentos e atitudes que nele surgem naquele momento. Empregamos
a palavra 'congruência' para tentar descrever esta condição. Com
ela queremos dizer que os sentimentos que o conselheiro está vivenciando
são acessíveis à sua consciência, que é capaz de viver estes sentimentos,
senti-los na relação e capaz de comunicá-los, se isso for adequado.
Significa que entra num encontro pessoal direto com o cliente, encontrando-o
de pessoa para pessoa. Significa que é ele que não se nega. Ninguém
atinge totalmente esta condição; contudo, quanto mais o terapeuta
é capaz de ouvir e aceitar o que ocorre em seu íntimo, e quanto
mais é capaz de, sem medo, ser a complexidade de seus sentimentos,
maior é o grau de sua congruência."
Comentário:
Quando Rogers define congruência, creio que ele quer diferenciar
o terapeuta centrado na pessoa de um técnico que se utiliza de um
certo conjunto de teorias e técnicas na relação com seu cliente.
O terapeuta congruente, genuíno, privilegia o caráter inter-humano
da relação psicoterápica, a visão não objetivante dos fenômenos
psicopatólogicos e a busca da verdade no nível da própria experiência.
Mais do que querer ser congruente, o terapeuta precisa poder ser
congruente. Reafirmo, então, a importância da psicoterapia pessoal
e da supervisão na formação do psicoterapeuta.
Validação Positiva Incondicional
Afonso Lisboa da Fonseca, em seu livro Trabalhando o Legado de Rogers,
apresenta a seguinte definição:
"Se tudo que uma pessoa exprime (verbalmente ou não verbalmente,
direta ou indiretamente) sobre si mesma, me parece igualmente digno
de respeito ou de aceitação, isto é, se não desaprovo nem depreço
nenhum elemento expresso dessa forma, experimento em relação a esta
pessoa uma atitude de consideração positiva incondicional."
(Carl Rogers/G.Marian Kinget)
Comentário:
A Fenomenologia privilegia a experiência viva, pré-reflexiva, pré-conceitual
e busca uma compreensão e não uma explicação do mundo e da existência.
Uma psicoterapia fenomenológica não questiona o direto do outro
à sua subjetividade ao exercício desta. Aceitar incondicionalmente
o outro é reconhecer e confirmar esta subjetividade tão frequentemente
massacrada, sua singularidade, sua autonomia e seu ponto de vista
fenomenal, em sua relação comigo.
Teresinha Perez
Psicóloga e Psicoterapeuta
Coordenadora do GPFE - Grupo Petropolitano de Psicologia Fenomenológica
Existencial
Conheça os Psicoterapeutas Existenciais na Internet
Para incluir seu nome clique
aqui
Psicólogo,
inscreva-se no Curso à Distância:
Curso
de Introdução ao Existencialismo via Internet ou Correio
Estude
sem sair de casa
LIVROS
RECOMENDADOS