| EDIÇÃO ESPECIAL | Caderno de Temas Existencias | |
| ARTIGO |
| Reflexões Sobre o Encontro na Relação Psicoterapêutica Fenomenológica Existencial | ||
A existência humana é, em seu nível mais fundamental, inerentemente relacional. Por isso, a psicoterapia fenomenológica existencial enfatiza a relação inter-humana, de pessoa a pessoa, um ser frente a outro ser, o encontro. Encontramos referência sobre o encontro na obra de Binswanger através de um dos modos de ser a partir dos quais o Dasein se revela e que se exprimem, para ele, através da dualidade, pluralidade e singularidade. O modo dual "existe no ser-em-relação-de-reciprocidade, tanto no amor como na amizade, uma penetração de um no outro e não somente uma postura de um ao lado do outro. Essa unidade na dualidade é possível porque o princípio organizador que rege a relação entre um e outro é o encontro" (Giovanetti - 1989). Também Medard Boss, ao rejeitar o conceito de transferência, insiste na necessidade da existência de uma relação inter-humana autêntica entre o psicoterapeuta e seu cliente. Que
outro significado ainda podemos dar à palavra encontro? Giovanetti
reserva o termo encontro "para uma situação onde o outro (aquele
com o qual entro em relação) afeta, de alguma maneira, o curso de
minha existência, principalmente na dimensão em que ele (o outro)
me faz crescer. É assim que, na perspectiva existencial, a relação
entre o terapeuta e o "cliente" deve ser vista como um
encontro, pois ela traz no seu bojo, com todas as suas especificidades,
o questionamento do status quo do meu dia-a-dia e desenvolveria
um número imenso de comunicações que provavelmente vão mudar o rumo
da minha vida". Essa definição de encontro especifica a relação
terapêutica, diferenciando-a de outras relações que temos em nosso
cotidiano. Ainda, segundo Giovanetti, "posso ter duas maneiras
de vivenciar um encontro: Estas duas formas de encontro, a primeira a visão do outro como objeto acabado e não como uma estrutura existencial; a segunda, a visão do outro como pessoa, como es-trutura inacabada, que se desvela e se recria, com quem estabeleço uma relação interpessoal, tem uma correspondência com os conceitos EU-ISSO e EU-TU, em Buber. É impossível falar de encontro sem considerar a obra de Martin Buber, filósofo austríaco que pensa o homem como um ser: que se constitui como ser humano através do ''entrar em relação'', que fundamenta sua existência a partir do seu atuar no mundo, que é a expressão da linguagem que usa. Sua grande contribuição à filosofia foi a de ter feito uma ontologia da relação, ocupando-se com o que de essencial acontece entre os seres humanos e entre o homem e Deus. Acredita, ainda, que é através da palavra que o homem se introduz na existência. Buber destaca duas possibilidades do EU revelar-se como humano: através do relacionamento EU-TU e do relacionamento EU-ISSO. Sobre a relação entre eles, diz Buber: ''O ISSO é a crisálida, o TU a borboleta. Porém, não como se fossem sempre estados que se alternam nìtidamente, mas, amiúde, são processos que se entrelaçam confusamente numa profunda dualidade". Eu-Tu e Eu-Isso são chamados por Buber de palavras-princípio e ele ressalva que "não há Eu em si, mas apenas o Eu da palavra-princípio Eu-Tu e o Eu da palavra princípio Eu-Isso." É novamente a afirmação de que o homem é um ser em relação, ser-com o mundo. O
reino do Isso, o domínio do Isso, acontece quando eu percebo, experimento,
quero, sinto, penso em alguma coisa. "O mundo como experiência
diz respeito à palavra-princípio Eu-Isso", diz Buber, acrescentando
que "a palavra princípio Eu-Tu fundamenta o mundo da relação".
Embora Buber, às vezes, se refira ao modo de ser Eu-Tu como relação
plena, imediata e que engloba a totalidade do ser, ressalto que
ambas as palavras-princípio fazem parte da existência humana e são
inseparáveis Quanto à relação psicoterápica, ela deve ser uma busca
permanente do modo de ser Eu-Tu que inclui a afirmação do outro
como pessoa, o reconhecimento que terapeuta e cliente são o mesmo
tipo de ser, além de uma postura fenomenológica que, através da
epoché, propicie uma abstenção de julgamento para que o cliente
possa ser encontrado sem obstáculos, na sua singularidade. Conheça os Psicoterapeutas Existenciais na Internet Para incluir seu nome clique aqui Psicólogo, inscreva-se no Curso à Distância: Curso de Introdução ao Existencialismo via Internet ou Correio |
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