| Luis
Ernesto Rodriguez Tapia (1) |
| Edmar
Henrique Dairell Davi (2) |
RESUMO
Estudo a respeito da contribuição teórico metodológica
da fenomenologia analítica existencial para a psicologia
contemporânea. Formula-se a tese de estudo de que o mundo
existencial do paciente na sua significação global:
a) orgânica, b) social e c) mental, afetado pelo transtorno
na vida do paciente se constitui em objeto de autêntica preocupação
do psicólogo enquanto profissional da saúde/ saúde
mental. Como fundamentação são apresentados
os conceitos existenciais: analítica existencial (Daseinsanalytik),
ser-no-mundo, definidos na obra magna heideggeriana Ser e Tempo
(Sein und Zeit). O conceito de análise existencial psiquiátrica
(Daseinsanalyse) também é apresentado. Inclui-se amostra
sucinta de produção bibliográfica em saúde
mental na perspectiva fenomenológico existencial. Num esboço
de um estudo interdisciplinar sobre as alterações
na experiência de tempo é formulada a hipótese
de trabalho de que as alterações na experiência
de tempo estariam fundadas no fenômeno existencial da temporalidade
(Zeitlichkeit), inclusive em temos cronobiológicos. Os zeitgebers
são preliminarmente considerados dos pontos de vista da psicologia
fenomenológica, da psiquiatria clínica e das neurociências
básicas. Conclui-se que a tese principal do estudo apresenta
base teórica e evidência histórico fatual.
UNITERMOS: psicologia fenomenológica ; existencialismo; história
da psicologia.
CONTEMPORAY
PSYCHOLOGY: CONTRIBUTION OF THE EXISTENTIAL
ANALYTIC PHENOMENOLOGY
SUMMARY: Study on the theoretical and methodological contribution
of the existential analytic phenomenology to contemporay psychology.
It is formulated the study thesis that the existential world of
the psychology patient in an integral: a) organic, b) mental, c)
social meaning, affected by the mental disturbance in the whole
life of the patient, constitutes an object of genuine care for the
psychologist as a health/ mental health professional. As bases are
exhibited existential concepts like: existential analytic of Dasein
(Daseinsanalytik), being- in-the-world (In-der-Welt-sein), temporality
(Zeitlichkeit) determined in heideggerian magnum opus Being and
Time (Sein und Zeit). The psychiatric concept of existential analysis
(Daseinsanalyse) it is also exhibited. Succinct sample of bibliographic
production in mental health phenomenological/existentially oriented
is included. In order to outline an interdisciplinary study concerning
disturbances of the experience of time is formulated the work hypothesis
that disturbances of the experience of time are grounded on the
existential phenomenon of temporality (Zeitlichkeit) even on chronobiological
basis. Zeitgebers are preparatory considered from phenomenological
psychology, clinical psychiatry and from basic neurosciences point
of views. It is concluded that the main study thesis shows theoretical
base and factual historical evidence.
UNITERMS:
phenomenological psychology; existentialism; history of psychology.
1 INTRODUÇÃO
O estudo visa assinalar a compatibilidade do instrumental teórico
metodológico analítico-existencial na atuação
do psicólogo no contexto dos desafios da realidade brasileira
contemporânea.
Num histórico sucinto sobre o movimento existencial em psicologia
toma-se por referência a contribuição de May
(14) a respeito.
Sócrates (436-336 A? C), com seus diálogos maiêuticos
, representaria um protótipo existencialista na busca da
verdade; cunhou a expressão: “conhece-te a ti mesmo”.
Santo Agostinho (354-430 D.C) realiza auto-análises psicológicas
profundas. Teria formulado a expressão: “não
desejes escapar, volta a ti mesmo; a verdade habita no homem interior
“, citado por Husserl (10).
Pascal (1623-1662), se esforça por encontrar um lugar para
“as razões do coração que a razão
não conhece”; vive a transição da Idade
Média para a Renascença.
Kierkegaard (1813-1855) escreve sobre a angústia existencial,
a depressão e o desespero produzidos pela alienação
do indivíduo; contribui sobre a paixão, a entrega,
e o compromisso de interesse numa ulterior psicologia dinâmica.
Nietzche (1844-1900) escreve sobre a dinâmica do ressentimento,
da culpabilidade, a repressão das forças emocionais,
a desintegração psicológica e emocional do
homem ante a perda da dignidade.
Também desenvolve a tese de que o altruísmo e a moralidade
resultam do rancor e hostilidade reprimidos, geradores da má
consciência. Idéias depois denominadas respectivamente
de repressão e formação reativa pela psicanálise
Husserl (1889-1938) fundador da fenomenologia, base da fenomenologia
existencial. Formula a idéia da psicologia fenomenológica
baseada na intencionalidade da consciência. Temas chaves de
interesse psicológico: descrição fenomenológica,
intuição essencial, epoqué, redução
fenomenológica, e mundo-vida (Lebenswelt) dentre outros.
Heidegger (1889-1976) considerado o filósofo mais original
do século XX, obra magna Ser e Tempo (Sein und Zeit originalmente
publicada em 1927, traduzida em português em 1988). Temas
chaves de interesse psicológico: descrição
fenomenológica, analítica existencial, Dasein, ser-no-mundo,
propriedade e impropriedade, cotidianidade, medianidade, angústia
existencial, preocupação, temporalidade, ser-para-a-morte,
dentre outros.
Na evolução do movimento existencial em psicologia
May (13) situa em finais do século XIX que essa concepção
se produziu em diversas partes da Europa e no interior de várias
escolas envolvendo pensadores criativos.
Entre eles figuram: Eugene Minkowski em Paris, V.E. Von Gebsatel,
Erwin Straus na Alemanha e depois em USA, representariam a face
fenomenológica.
A face existencial estaria representada por Ludwig Binswanger, A.
Storch, Medard Boss, G. Bally, Ronald Kuhn na Suíça,
H. Van Den Berg e F.J. Buytendijk na Holanda, K. Jaspers na Alemanha.
Em USA entre os teóricos que preparam o caminho para a psicologia
humanista tem-se Abraham Maslow, Carl Rogers e Rollo May. Em 1961
foi publicado o Journal of Humanistic Psychology, em 1963 é
fundada a Association of Humanistic Psychology (AHP).
Um histórico sucinto é obviamente incompleto. Tampouco
puderam ser incluídos nomes de autores do movimento existencial
na arte, na literatura, na teologia, sociologia, dentre outras áreas
de conhecimento.
No que segue, este estudo centra-se em parte das idéias de
Heidegger, May, Binswanger, Boss e Straus principalmente.
2 TESE DO ESTUDO
Formula-se a tese de estudo de que o mundo existencial do paciente
na sua significação global: a) orgânica, b)
social e c) mental, afetado pelo transtorno na vida do paciente
se constitui em objeto de autêntica preocupação
do psicólogo enquanto profissional da saúde mental.
hipótese a ser fundamentada em termos teóricos e de
evidência fatual.
Numa descrição conceptual prévia “mundo”
significa a maneira de ser própria do ser humano em relação:
1) mundo ambiente ou circundante, 2) mundo das inter-relaçoes
sociais, 3) mundo próprio, mundo interno. A idéia
inspira-se na concepção analítico- existencial
de mundo a ser ulteriormente explicitada. Mundo-vida (Lebens-welt),
homem-circunstâncias, ambiente seriam expressões próximas.
3 FENOMENOLOGIA ANALITICA-EXISTENCIAL (DASEINSANALITIK)
3.1 O tema da analítica existencial
Segundo Heidegger (6) nós mesmos somos o ente (Dasein) a
ser analisado. Esse ente se importa com seu ser e se comporta em
relação ao mesmo. O ser de tal ente é sempre
“em cada caso o meu próprio”. Isso implica em
duas conseqüências.
Primeira conseqüência, a essência do ser-aí
(Dasein) está na sua existência (Existenz); mas, não
no sentido como se fosse uma mesa, uma casa ou uma árvore.
Dasein é expressão composta de Da (aí) e sein
(ser), indicando que o homem é o ser que está aí,
presente, capaz de saber que está aí e de adotar uma
atitude em relação a esse fato. O homem pode ser consciente
e portanto responsável pela sua existência.
Segunda conseqüência, o ser de que se importa o Dasein,
é sempre “em cada caso o meu próprio”.
Porque o Dasein é essencialmente sua própria possibilidade,
pode autenticamente escolher-se a si mesmo e ganhar-se, ou perder-se
e não ganhar-se nunca, ou ganhar-se só na aparência.
Propriedade e impropriedade enquanto modos de ser fundam-se no fato
do Dasein estar sempre caracterizado pelo “mim mesmo”.
O Dasein existe num desses modos, ou no modo da indiferenciação
entre eles.
O Dasein ao determinar-se a si mesmo, sempre o faz a partir da possibilidade
que ele é e da compreensão que dispõe de si
mesmo. Isto caracteriza a constituição existencial
do Dasein.
Por isso, não se pode interpretar o Dasein a partir de um
modo diferenciado de existência; mas deve-se tentar descobri-lo
no modo indiferenciado que “de início e na maior parte
das vezes” se dá, denominado cotidianidade.
Esse modo indiferenciado da cotidianidade do Dasein tem um sentido
positivo. É a partir e retornando a ele que todo modo de
existir se dá, denominado de medianidade.
Todos os esclarecimentos da analítica existencial são
obtidos da estrutura existencial do Dasein. Por isso, suas características
essenciais são denominadas de existenciálias, e devem
ser expressamente distinguidas das “categorias” ou características
dos entes que não o Dasein.
A analítica existencial, seria anterior a psicologia, antropologia
ou biologia, modos em que o Dasein pode também ser investigado.
Isto, sugere a natureza interdisciplinar do ente a ser estudado.
3.2 O ser-no-mundo.
Segundo Heidegger( 7) os modos da propriedade e impropriedade, nos
quais o Dasein existe adquirem um caráter definido. Devem
ser compreendidos como estando fundados na condição
essencial do Dasein enquanto ser-no-mundo (In-der-Welt-sein); “mundo”,
significa o “onde” o Dasein fatual “vive.
De acordo com May (12) os analistas existenciais distinguem três
mundos ou aspectos simultâneos que caracterizam a existência
de cada ser-no-mundo.
1) “Mundo ambiente” (Umwelt) ou mundo dos objetos que
nos rodeiam, o mundo natural. Seria o mundo das leis da natureza,
dos seus ciclos, de sono vigília, do nascer e morrer, das
apetências e satisfações, do finito e do determinismo
biológico, o mundo em que estamos lançados (Geworfenheit).
2) “Mundo-com” (Mitwelt), das inter-relações
sociais entre os homens.
3)”Mundo próprio” (Eigenwelt), da autoconsciência,
auto-relação, intrínseca aos seres humanos.
3.3
Temporalidade
Definiu-se
cotidianidade como o modo indiferenciado de existência do
Dasein que “de início e na maior parte das vezes”
se dá. Ora explicita-se que o acréscimo: “de
início e na maior parte das vezes”, assinala o sentido
temporal da cotidianidade ou temporalidade.
A temporalidade (Zeitlichkeit) reúne: o futuro (Zukunft),
o haver sido (Gewesenheit) e o presente (Gegenwart); Heidegger (8).
Dimensões temporais a partir das quais o Dasein pode ser
interpretado em termos de: ser si próprio, ser mortal, de
decisão e consciência moral, de preocupação/solicitude,
temporalidade e historicidade.
4 ANÁLISE EXISTENCIAL PSIQUIÁTRICA (DASEINSANALYSE)
Binswanger (2) um dos psiquiatras fundadores do movimento existencial
em psiquiatria e psicologia, formula a idéia da análise
existencial (Daseinsanalyse) psiquiátrica, análise
científica empírico-fenomenológica das formas
e modos de existir do ser humano. Diferente do esclarecimento filosófico-fenomenológico
da analítica existencial (Daseinsanalitik) de Heidegger;
mas fundamentado na mesma.
Binswanger (4) descreve a análise existencial como uma ciência
empírico-fenomenológica, com seu método próprio
e ideal particular de exatidão. Análise aplicável
por exemplo, no conhecimento de um conteúdo ou estilo estético,
conteúdo literário de um poema, de um drama, da relação
eu-mundo num teste de Rorschach, ou de uma forma psicótica
de existência.
Boss (5) vê nessa análise existencial psiquiátrica
uma demonstração da fecundidade e originalidade da
analítica existencial heideggeriana. E que a concepção
de homem como “subjetividade” permite a representação
prática da estrutura anímico-corporal da subjetividade
e das relações com o mundo.
4
PERSPECTIVA METODOLÓGICA
4.1
Compreensão e interpretação
Segundo
Heidegger (9) a fenomenologia do Dasein, é hermenêutica
no sentido original de interpretação. Toda interpretação
para contribuir à compreensão, deve ter previamente
compreendido aquilo a interpretar. Configura-se uma estrutura circular
intrínseca.
Mas, o círculo pertence à essência do sentido,
fenômeno constitutivo do ser-aí (Dasein) no seu compreender
interpretativo. Pois, o compreender ao mostrar o aí atinge
a totalidade do ser-no-mundo do Dasein. De modo que todo compreender
a respeito da própria existência, também o mundo
é compreendido e vice-versa.
Por sua vez para Binswanger (3), também no procedimento de
compreensão psicológica do material da experiência
o normal é que primeiro tenha que ser interpretado para depois
poder ser compreendido.
De modo que o interpretar já começa com a ordenação
e agrupamento sistemático científico do material de
experiência conforme temas racionais ou coerências de
sentido (segundo temas oníricos, conteúdos de sintomas,
conteúdos objetivos de significação de uma
ação, etc.).
Esta fase prévia da interpretação não
é ainda uma atitude psicológica, porque tem que tratar
com coerências racionais de sentido ou significado. A interpretação
psicológica começa somente quando colocamos vida anímica
dentro do material antes ordenado.
Mas nesse agrupamento não basta somente o material de experiência,
também precisamos de um complemento da experiência
mediante conclusões na base da analogias, comparações,
hipóteses e teorias; na base portanto de um saber obtido
de outras experiências e de teorias sobre esse saber.
Assim, origina-se o círculo hermenêutico inerente a
toda interpretação, pois interpretamos o individual
na base de um todo já pressuposto que obtemos, por sua vez,
a partir do individual. Daí as relações recíprocas
entre análise e síntese, entre indução
e dedução em toda interpretação.
4.2 Uma aplicação: perspectiva terapêutica e
de pesquisa em saúde mentals
A
seguir faz-se referência a amostra de produção
bibliográfica não exaustiva, ilustrativa de experiência
inicial numa perspectiva terapêutica e de pesquisa em saúde
mental de orientação fenomenológico existencial.
A experiência em si é obviamente limitada; visa-se
antes mostrar operativamente um esboço ou perspectiva de
trabalho.
Amostra de produção bibliográfica:
Tapia
L E R. Grupo de reflexão em bases analítico existenciais:
uma hipótese de trabalho. In: Oliveira Jr JF. (Org.). Grupos
de reflexão no Brasil: grupos e educação. São
Paulo: Taubaté, SP: Cabral; 2002, p. 109-116.
RESENHA: Formula-se a hipótese de que existe compatibilidade
conceptual entre aspectos teóricos dos grupos de reflexão
e conceitos fenomenológico existenciais aplicados à
assistência em saúde mental. Procede-se a fundamentação
da hipótese de trabalho em quatro passos. 1) grupo de reflexão
e epoqué fenomenológica: o grupo de reflexão
trabalha com as funções egóicas de percepção,
pensamento, conhecimento e comunicação; na epoqué
fenomenológica dá-se uma dinâmica de envolvimento
vivencial e distanciamento reflexivo face ao tema de preocupação.
2) microcosmos social e mundo existencial: na interação
no grupo terapêutico ou de trabalho as pessoas tendem a criar
o mesmo tipo de mundo interpessoal que habitam exteriormente ao
grupo, competição por atenção, lutas
por domínio e status, tensões sexuais, distorções
sobre experiências de vida tornam-se manifestos; itens do
mundo existencial: “mundo ambiente ou circundante”,
“mundo das relações interpessoais” e “mundo
próprio” ou interno das pessoas tornam-se manifestos
no grupo. 3) fatores da dinâmica do grupo de reflexão
e itens da concepção existencial de mundo, exemplos:
a) setting grupal e demais especificações de dia,
local, horário, número de participantes, disposição
espacial se relacionam ao “mundo ambiente”; b) recomposição
do grupo familiar, fazer novas identificações, compartir
novo código de valores, dizem respeito ao “mundo das
relações interpessoais”; c) cargas projetivas,
vivências de problemas de comunicação pessoal,
identidade profissional se relacionam ao “mundo próprio
ou interno” da pessoa. 4) grupo de reflexão e preocupação
existencial: pessoas que trabalham nas helping professions: medicina,
enfermagem, psicologia, serviço social, entre outras, e/ou
em settings clínicos carregam consigo a carga adicional de
enfrentarem questões contínuas de perda, cronicidade,
deformações e morte, isso envolve preocupações
de ordem existencial; a experiência de grupal tem-se tornado
parte de programas de treinamento de aprendizagem; por sua vez,
a expressão “preocupação existencial
envolve basicamente dois significados: a) retirar a preocupação
do outro, substituindo-o na sua responsabilidade afastando-o da
sua posição, para que depois de atendido possa encontrar
o assunto já pronto e ser dispensado do que era seu encargo;
o outro torna-se dependente e dominado, mesmo quando essa dominação
permaneça encoberta; b) preocupação que se
antepõe ao outro na sua potencialidade, não para retirar-lhe
sua própria responsabilidade, mas para autenticamente devolver-lhe
sua preocupação; isto ajuda-o efetivamente a tornar-se
transparente para si próprio; o grupo de reflexão
estaria em sintonia com este segundo significado de preocupação
existencial.
Inclui-se descrição e interpretação
da fábula da Preocupação (citada na obra magna
hedeggeriana) com a participação dos deuses(as) Preocupação,
Júpiter, Terra, Saturno, e a criatura “homo”
tema de conflito e resolução em “grupo de reflexão”;
compara-se a funcionalidade do grupo dos deuses com um grupo operativo
ou terapêutico com os mortais médico, enfermeiro, assistente
social, psicólogo clínico e terapeuta ocupacional.
Fábula também citada em outra referência, desta
amostra de produção bibliográfica.
Tapia,
LER. Elaboração de projetos de investigação
científica: guia para pesquisadores em formação
inicial e avançada. São Paulo: Cid Editora; 1999.
RESENHA: No capítulo 1 relaciona-se projeto de investigação
científica a projeto existencial daquele que faz pesquisa.
No capítulo 2 estrutura-se quadro de perguntas básicas
na elaboração de um projeto de investigação
científica: a) Qual o assunto do estudo?, Qual o objetivo?,
Por que o estudo é necessário?, O que a literatura
científica diz a respeito?, b) Qual o problema específico
de estudo?, Qual a resposta?, c) Qual a base teórica do estudo?,
d) Qual a metodologia? Qual o material de pesquisa, instrumentos
e procedimentos?, e) Qual a base empírica ou evidências
do estudo?, f) Qual a conclusão?. No capítulo 3 a
partir das perguntas anteriores é organizada uma estrutura
típica de projeto de investigação científica.
No capítulo 4 procede-se operacionalmente a definir, desenvolver
e ilustrar cada item da estrutura típica de projeto; inclui-se
nomenclatura técnico científica oficial mais usada
na formulação de projetos de investigação
científica. No capítulo 5 retoma-se a questão
da investigação científica e da conversão
existencial para a pesquisa enquanto tarefa de vida.
Tapia
LER. História psiquiátrica e compreensão histórica:
interpretação existencial. Jornal Existencial On Line,
Rio de Janeiro, 2001; http://www.existencialismo.org.br.
RESUMO: Estudo teórico a respeito da relação
conceptual entre descrição e análise de uma
história clínico psiquiátrica e compreensão
histórico historiográfica. Formula-se a tese de que
de que existe sintonia conceptual entre: a) descrição
e análise numa história psiquiátrica e b) aspectos
da compreensão histórico historiográfica. Procede-se
à descrição e interpretação de
itens estruturais de uma história psiquiátrica em
relação a aspectos da compreensão histórico
historiográfica em bases analítico existenciais. Conclui-se
que a tese do estudo mostra fundamentação adequada.
Ribeiro
BOL,Tapia LER, Contel JOB. Re-educação social de pacientes:
experiência de comunidade terapêutica em hospital dia
psiquiátrico. In: 8º Cíclo de Estudos em Saúde
Mental; 2000, Ribeirão Preto. Resumo. Ribeirão Preto
: São Francisco Gráfica e Editora; 2000. p. 82-84.
RESUMO: Estudo da experiência de reeducação
social de pacientes em comunidade terapêutica em hospital
dia psiquiátrico. Utiliza-se instrumento de entrevistas semi-estruturadas
com pacientes um mês depois da sua internação
para tratamento no Hospital Dia/FMRP-USP, no período de abril
a junho de 1999. A análise de resultados sugere que a experiência
de comunidade terapêutica operacionalizada pela equipe multiprofissional
promove formas de aprendizagem e/ou re-aprendizagem social dos pacientes,
facilitadoras do processo de reinserção social dos
mesmos.
Tapia
LER, Ribeiro BOL, Contel JOB. Grupo de apoio multifamiliar e avaliação
do funcionamento social de pacientes em hospital-dia psiquiátrico
universitário. Jornal Brasileiro de Psiquiatria, Rio de Janeiro,
2000; 49(10-12):395-398.
Tapia LER, Contel JOB. Experiência terapêutica grupal
em hospital dia psiquiátrico: sentido existencial. In: 6º
Ciclo de Estudos em Saúde Mental 1998, Ribeirão Preto.
Resumo. Ribeirão Preto : São Francisco Gráfica
e Editora, 1998. p. 85.
RESUMO: PROBLEMA DE ESTUDO: “Qual o sentido da experiência
terapêutica grupal em relação ao mundo do paciente
num HD psiquiátrico?”. TESE: “a experiência
terapêutica grupal num HD psiquiátrico envolve um legitimo
sentido existencial”. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA:
Concepção existencial de mundo, HEIDEGGER (1962) distingue
três itens básicos: 1) “mundo ambiente”
ou “mundo circundante” , 2) “mundo público”,
“mundo-com” das inter-relações sociais,
3) “mundo próprio”, mundo interno. METODOLOGIA:
a) material de pesquisa: transcrições textuais de
07 sessões semanais de grupos de agenda durante 07 semanas
no HD/FMRP-USP, b) procedimento de análise: com base nas
transcrições faz-se: 1) lista exaustiva de assuntos,
2) identificação de temas invariantes, 3) hierarquização
dos temas, 4) interpretação e categorização
dos temas face aos itens da concepção existencial
de mundo. RESULTADOS: temas do “mundo ambiente” (23;
16,55%): olhar para as coisas em volta; estar atento ao que está
em volta; saber o nome do remédio que toma; ter pensamento
prático; fazer as coisas; ficar ativo em casa; comprar seu
pão; pagar as contas; cortar o cabelo; arrumar emprego; ganhar
tempo; organizar-se para o dia seguinte; exercitar a memória;
2) temas do “mundo público”(55;39,57%): influência
dos outros; preocupar-se demais com os outros; ter autonomia em
relação aos outros; aproveitar o grupo; integrar-se
à comunidade; comunicar-se; botar para fora; aprender a conversar;
isolamento social; 3) temas do “mundo próprio”
(61; 43,88%): coordenar o pensamento; organizar a cabeça;
organizar a vida; prestar atenção; cair em si; reconhecer
seu problema; rever soluções; enfrentar a doença;
vontade de vencer; sair-se por cima; preparar-se para desafios;
assiduidade ao tratamento; querer morrer; ilusão de mundo.
DISCUSSÃO: Destaca a hierarquia dos temas das sessões:
1º lugar “mundo próprio”; 2º lugar
“mundo público” (55; 39,57%) ; 3º lugar
“mundo ambiente” (23; 16,55%). Manifestamente, a experiência
terapêutica grupal ao promover a recuperação
de potencialidades próprias, envolve um legitimo sentido
existencial em relação ao “mundo” de cada
paciente. CONCLUSÃO: A tese do estudo apresenta fundamentação
teórica e evidência fatual.
Tapia
LER, Contel JOB, Campos MA. Visão de mundo em hospital dia
psiquiátrico: exegese existencial de textos científicos
da equipe terapêutica. Jornal Brasileiro de Psiquiatria; Rio
de Janeiro, 1997; 46(4): 223-226.
RESUMO: Estudo exegético da visão de mundo expressa
em textos científicos da equipe terapêutica em hospital
dia psiquiátrico. Formula-se a tese de que a visão
de mundo expressa nos textos da equipe terapêutica teria tendência
humanista. Procede-se a: 1) identificação e hierarquização
de temas sob a palavra-chave “hospital dia” ou sinônimo
em textos científicos da equipe terapêutica do Hospital
Dia/FMRP-USP período 1975- 1995; 2) exegese de palavras-chave
em relação à época histórica
de origem desses temas. Conclui-se que: 1) a documentação
analisada representa referência histórica de consolidação
de uma experiência de comunidade terapêutica e identifica
a equipe terapêutica como “colégio invisível;
2) a tese do estudo mostra base teórica e fatual.
Tapia
LER, Contel JOB . Experiência terapêutica grupal e reconstrução
existencial de mundo do paciente: casuística em hospital
dia. Jornal Brasileiro de Psiquiatria, Rio de Janeiro, 1996; 45(10):
581-584.
RESUMO: Estudo do sentido existencial da experiência terapêutica
grupal em hospital dia. Sustenta-se a tese de que a experiência
terapêutica grupal tem o sentido de reconstrução
existencial de mundo do paciente. Procede-se à análise
interpretativa de material de dados da rotina diária de atividades
terapêuticas e logísticas da equipe multiprofissional
do hospital dia/FMRP-USP. Conclui-se que: 1) a concepção
existencial de mundo envolve uma visão teórica de
homem em sociedade a ser ainda explorada no empenho de reabilitação
psicossocial; 2) essa visão teórica de homem sugere-se
axiológicamente compatível com preceitos éticos
contemporâneos de assistência à saúde
mental; 3) a tese do estudo teria adequada fundamentação
teórica e legítima ilustração fatual.
Tapia
LER. Princípios para assistência à saúde
mental e o mundo do usuário: interpretação
existencial. In: 9ª Semana Científica da Medicina; 1996,
Uberlândia. Anais. Uberlândia : UFU, 1996. p. 82.
RESUMO: Estudo exegético existencial da visão de mundo
implícita no texto oficial dos princípios para a assistência
à saúde mental no País. Visa-se subsidiar uma
prática assistencial humanista. Formula-se a tese de que
a visão de mundo implícita no texto oficial teria
tendência humanista. Nas bases MEDLINE, LILACS, PsyLIT e UNIBIBLI
não foi detectado tema análogo no período 1975-1995.
Procede-se a: 1) identificação e agrupamento de conteúdos
no texto oficial (Resolução do Conselho Federal de
Medicina N.1407 de 08/06/1994), 2) interpretação existencial
em relação ao mundo do usuário. Evidencia-se
manifesta sintonia entre preceitos éticos oficiais e itens
do mundo existencial do usuário de serviços de assistência
à saúde mental. Conclui-se: a) pela relevância
humanístico social do texto analisado, b) pela validade da
concepção analítico existencial de mundo a
ser ainda explorada na formação acadêmica e
na prática profissional em psiquiatria, c) a tese do estudo
apresenta base teórica e fatual.
Tapia
LER. Fatores existenciais na experiência terapêutica
grupal de reabilitação psicossocial. In: 15º
Congresso Brasileiro de Psiquiatria; 1996, Belo Horizonte. Temas
livres, 1996. p. 11.
RESUMO: Estudo da importância terapêutica dos fatores
existenciais da vida do paciente no processo de reabilitação
psicossocial em hospital dia psiquiátrico. Sustenta-se a
tese de que os fatores existenciais na vida do paciente exercem
decisiva influência no processo grupal de reabilitação
psicossocial em hospital dia psiquiátrico. Procede-se à
descrição e análise interpretativa de material
de expressão verbal de pacientes e terapeutas registrado
em sessão grupal em hospital dia psiquiátrico.
Tapia
LER. Mundo existencial do paciente psiquiátrico: perspectiva
de atuação do assistente social em saúde mental.
In: 2º Congresso de Ciências Humanas, Letras e Artes;
1995, Uberlândia. Anais. Uberlândia : UFU, 1995. p.
326.
RESUMO: Estudo a respeito do mundo existencial do paciente psiquiátrico
enquanto tema de preocupação do assistente social.
Após caracterização do estado do conhecimento
no tema do serviço social no hospital psiquiátrico
é formulada a tese de que o mundo existencial do paciente
psiquiátrico na sua significação global: a)
mental, b) orgânico, c) social afetado pelo transtorno na
vida do paciente constitui-se em objeto de autêntica preocupação
do assistente social enquanto profissional da saúde mental.
Como fundamento apresenta-se a concepção existencial
de “mundo”, “ser-com” e “preocupação”.
Faz-se descrição de material histórico sócio
familial de dados registrados em prontuários nos casos de
distimia (1), transtorno bipolar (1), esquizofrenia simples (1),
e descrição e análise de caso de depressão
maior (1) dentre a clientela de pacientes crônicos atendidos
em enfermaria psiquiátrica HC-UFU. Conclui-se que a conceituação
existencial envolve uma concepção filosófica
de homem em sociedade a ser ainda explorada na formação
escolar e na orientação da atividade profissional
do assistente social e que a tese do estudo estaria epistemológica
e cientificamente fundamentada.
Tapia
LER. Duas fases da angústia existencial: anulação
e reconstrução de mundo. Tempo Saúde Medicina
Odontologia Psicologia, Itumbiara, 1995; 1(3):6.
RESUMO: Estudo a respeito da vivência de anulação
e reconstrução de mundo na experiência de “angústia
existencial”. Procede-se à análise interpretativa
de extratos de depoimentos relativos a casuística de: 1)
aborto forçado em primeira gravidez, 2) morte de filho primogênito
de tenra idade, 3) tentativa de suicídio em crise familial,
4) desilusão de vida e conversão religiosa. Conclui-se
que na fase da anulação de mundo dá-se uma
tendência temporal regressiva de retrospecção
de vida e redescoberta da própria individualidade; na fase
da reconstrução de mundo ter-se-ia uma projeção
temporal futural. Ambas fases seriam essenciais à reestruturação
e decisão mudança de projeto de existência no
“mundo”.
Tapia LER, Coelho MO. O mundo da criança traumatizada: caracterização
existencial. Informação Psiquiátrica, Rio de
Janeiro 1994; 13(2): 56-58,.
RESUMO: Estudo psicológico-clínico do caso de criança
traumatizada, de 10 anos de idade, paraplégica, vítima
de acidente de trânsito envolvendo a morte dos pais e de uma
irmã, internada em unidade pediátrica do HC/UFU. Procede-se
à descrição e análise de material de
expressão verbal e não verbal registrado durante a
assistência psicológica e da aplicação
do protocolo das fábulas de Düss. Evidenciam-se sentimentos
de solidão, ameaça, ansiedade, entre outros, a morte
é vista como elemento sobrenatural, efeito da intervenção
maligna, dando-se um choque em termos emocionais e existenciais.
Conclui-se que: 1) a assistência psicológica é
indispensável à saúde mental da criança
traumatizada, 2) a sensibilidade humana no trabalho hospitalar é
necessária.
Tapia
LER. Para entender a preocupação. Tempo Saúde
Medicina Odontologia Psicologia, Itumbiara, 1994; 1(1):8.
RESUMO: Estudo a respeito do fenômeno existencial da preocupação
enquanto fundada no “ser-com” constitutivo do ser-no-mundo.
Visa-se subsidiar a prática terapêutica integrada na
equipe hospitalar, na perspectiva de uma atuação em
serviço social. Haveria duas formas básicas de preocupação,
a primeira centrada na forma apressada em retirar a preocupação
do outro, substituindo-o na sua responsabilidade, afastando-o da
sua posição, dispensado-o do que seria o seu encargo;
o outro torna-se dependente, dominado. A outra forma seria a preocupação
que se antepõe ao outro na sua potencialidade, não
para retirar-lhe sua responsabilidade, mas para autenticamente devolver-lhe
sua preocupação. Isto, ajuda efetivamente o outro
a tornar-se transparente para si mesmo. Conclui-se que as dimensões
orgânica, psíquica e social em relação
ao ser humano do paciente mostram-se de fato indissociáveis
na preocupação terapêutica da equipe hospitalar.
Daí a utilidade de uma visão teórica integrada
no empenho social terapêutico, como a sugerida nos conceitos
existenciais de “ser-no-mundo” e “preocupação”.
Tapia
LER. Mundo existencial do paciente psiquiátrico: perspectiva
de atuação do assistente social em saúde mental.
(Monografia de conclusão de curso, Graduação
em Serviço Social) Centro Universitário de Triângulo
(UNITRI), 1994.
Tapia
LER, Silveira RCMP. Fim do ser-no-mundo: concepção
analítico existencial da morte. Informação
Psiquiátrica, Rio de Janeiro, 1993; 12(3):95-98,
RESUMO: Descrição psicológica analítico-existencial
da atitude em relação ao problema da morte. A partir
da apresentação de dados quantitativos de mortalidade
procede-se à análise de material psicológico
de relato e entrevista no caso de um paciente que registra internação
e alta em UTI do HC-UFU, testemunha no estudo. Conclui-se que o
material apresentado ilustra característica existencial inerente
ao ser humano de fuga da morte. Evidencia-se, também a necessidade
de se ver o ser humano enquanto ser-no-mundo que em situações
existenciais limites procura a assistência da equipe hospitalar.
Isto é valido, independentemente da natureza orgânica,
mental ou social do problema de saúde do paciente.
Tapia
LER. Fábula da preocupação original: exegese
analítico existencial. Informação Psiquiátrica,
Rio de Janeiro, 1992;11 (2): 60-62.
RESUMO: Estudo exegético existencial da fábula sobre
a origem da natureza humana enquanto “preocupação”,
citada na obra magna heideggeriana. Procede-se à descrição
e interpretação da sua simbologia relacionando-a aos
conceitos existenciais de projeto e cotidianidade. Conclui-se pela
riqueza significativa da fábula, especialmente em relação
ao trabalho terapêutico na sua significação
de cuidado e/ou dedicação.
Fábula:
“Certo dia quando Preocupação atravessava um
rio, viu argila; pensativa apanhou um pedaço e começou
a dar-lhe forma. Enquanto pesava no que tinha feito chegou Júpiter.
Preocupação pediu-lhe que desse espírito à
forma, no que ele concordou com prazer. Mas quando Preocupação
quis colocar-lhe seu próprio nome, Júpiter proibiu
e ao invés disso exigiu que fosse colocado o nome dele. Enquanto
Preocupação e Júpiter disputavam, apareceu
Terra querendo que seu nome fosse dado à criatura já
que ela a tinha provido com parte do seu corpo. Eles pediram a Saturno
para ser o Juiz, ele proferiu a seguinte sentença, que pareceu
ser justa: Visto que tu Júpiter, lhe destes espírito,
receberás esse espírito em sua morte; e uma vez que
tu Terra, lhe destes seu corpo, tu receberás seu corpo. Mas,
já que Preocupação formou primeiro esta criatura,
a possuirá enquanto viva. E por causa da disputa que neste
momento existe entre vocês quanto ao nome, seja chamada de
“homo” devido a que é feita de humus (terra)”.
Tapia LER. A questão do saber poético em bases analítico
existenciais. Revista Musas Gregas Academia de Letras de Uberlândia,
Uberlândia, 1992; 1(1):11-12.
RESUMO: Estudo exegético existencial de fragmentos da elegia
Brot und Wein de Hölderlin citado no escrito heideggeriano
“Para que ser poeta?”. Procede-se a explicitação
de itens estruturais na formulação da questão
e da resposta citadas no escrito. Conclui-se pela viabilidade e
necessidade do diálogo poético-filosófico contemporâneo.
Tapia
LER. Dimensão existencial no texto clássico do canto
das sereias. Revista Musas Gregas Academia de Letras de Uberlândia,
Uberlândia, 1992;1(0):16-17.
RESUMO: Exegese analítico-existencial do texto clássico
do canto das sereias. Procede-se à explicitação
da sua simbologia relacionando-a a necessidades humanas dos seus
principais personagens. Conclui-se pela importância significativa
do canto em relação a necessidade existencial de mitos
manifesta na história e na cotidianidade do ser humano.
Tapia
LER. Édipo sujeito: notas para uma reflexão axiológica
a respeito do fenômeno humano. Educação e Filosofia,
Uberlândia, 1989; 4(7): 51-57.
RESUMO: Pela descrição fenomenológica da história
do personagem Édipo da mitologia grega, manifesta-se uma
preocupação em refletir a respeito da problemática
axiológica de interesse em psicologia, educação
e outras ciências humanas.
Tapia
LER, Oliveira CM. Quantidade ou qualidade: dilema da ciência
psiquiátrica. Jornal Brasileiro de Psiquiatria, Rio de Janeiro,
1991; 40(5): 263-266.
Oliveira
CM, Tapia LER. Enurese infantil e perturbação distímica
nos adultos. Revista Brasileira de Neurologia, Rio de Janeiro, 1989;
25(6):179-182.
RESUMO: Estudo quantitativo e qualitativo a respeito dos sintomas
caracterizadores da perturbação distímica nos
pacientes adultos que tiveram enurese na infância. Procedeu-se
a estudar noventa e seis casos casos clínicos com diagnóstico
de perturbação distímica, através de
anamnese médico-psiquiátrica e da escala de depressão
de Hamilton. Dessa população foi selecionado um grupo
de 30 pacientes, o qual foi subdivido em dois subgrupos numericamente
iguais, sendo que um deles foi constituído de ex-enuréticos.
Foi feita análise quantitativa e qualitativa entre os subgrupos.
Conclui-se pela necessidade de tratar, precocemente, as crianças
enuréticas enquanto medida preventiva de depressões
mais acentuadas no futuro. (Artigo publicado em destaque).
Tapia
LER , Oliveira CM. Psicose senil: um fenômeno humano.. Jornal
Brasileiro de Psiquiatria, Rio de Janeiro, 1988; 37(5):257-260.
RESUMO: Estudo psicológico clínico de caracterização
da psicose senil. Procedeu-se à caracterização
conceitual das principais tipologias e à ilustração
clínica pelo estudo do caso de uma paciente psiquiátrica
de 81 anos de idade, diagnosticada de psicose senil arteriosclerótica.
Utilizou-se material clínico obtido em entrevista exploratória
com a paciente. A psicose senil evidenciou-se ser um fenômeno
complexo, que envolve aspectos interdisciplinares, e reitera sua
dimensão humana.
Oliveira
CM, Tapia LER. Uma proposta terapêutica para a criança
enurética. Pediatria Moderna, São Paulo, 1988; 23(10):533-542.
Oliveira
CM, Tapia LER. Aspectos subjetivos na criança enurética.
Pediatria Moderna, São Paulo, 1987; 22(3): 109-115.
RESUMO: O propósito precípuo deste estudo é
explicitar a influência do mundo das relações
familiais no surgimento de distúrbios emotivo-afetivos na
criança enurética. Conclui que o mundo familial é
vivenciado como opressor, punitivo, contraditório e ambíguo
pela criança com o problema da enurese.
Tapia
LER. Esboço de um estudo das formas de cognição
em psicologia: fundamentos para uma disciplina acadêmica aplicada.
Psicologia e Trânsito, Uberlândia, 1985; 2(2): 29-32.
RESUMO: Esboço de um estudo teórico a respeito de
formas de cognição em psicologia. Duas formas fundamentais
de cognição, cognição fatual e cognição
essencial caracterizam a gênese do conhecimento nessa área.
Este comporta implicações de interesse em termos de
metodologia de pesquisa científica e de sistematização
conceitual.
Tapia
LER. Uma descrição fenomenológica da experiência
de crise existencial ou angústia. (Tese, Doutorado em Psicologia
Clínica); Pontifícia Universidade Católica
de São Paulo; 1984.
RESUMO: Estudo fenomenológico da estrutura essencial do fenômeno
crise existencial ou angústia. Com o propósito metodológico
de contribuir para uma psicologia voltada para a compreensão
do existir humano como uma totalidade não segmentada procedeu-se
a evidenciar a estrutura essencial do fenômeno crise existencial,
através da análise interpretativa de depoimentos escritos
sobre experiências vividas. A estrutura essencial do fenômeno
crise existencial, caracterizou-se como experiência de uma
situação de totalidade de conformidade com o modo
peculiar de ser-no-mundo e como experiência de revelação
e individualização.
Tapia
LER. Método em fenomenologia. Revista da Pontifícia
Universidade Católica de São Paulo, São Paulo,
1984; 102(103):79-85.
Tapia
LER . Método em fenomenologia. Acta - AWHO, São Paulo,
1984; 3(2): 3-5.
Tapia LER. Uma revisão do método vigente na pesquisa
em psicologia educacional. Revista Portuguesa de Filosofia, Braga-
Portugal, 1982; 38(2):396-403.
RESUMO: Tentativa de explicitação dos fundamentos
ontológicos constituintes do método vigente na pesquisa
em psicologia educacional. Através da pergunta; ‘O
que é isto o método vigente em psicologia educacional?”
Procede-se a uma revisão deste método, primeiramente
enunciando e explicitam suas principais etapas assim como os pressupostos
subjacentes a estas, assumidos nas atitude habitual da pesquisa,
tendo sempre co-presente o domínio psicologia educacional.
Em seguida é feita uma alteração de significados
que vem possibilitar a recuperação dos fundamentos
ontológicos daquele método, envolvendo necessariamente
a mudança da atitude habitual da pesquisa.
Tapia
LER . Uma re-visão do método vigente na pesquisa em
psicologia educacional.. Leopoldianum Revista de Estudos e Comunicações,
Santos, 1982; 9(25):69-89.
RESUMO:
Estudo dos fundamentos da metodologia preponderantemente usada (“método
vigente” na pesquisa em psicologia da educação.
O estudo procede no movimento de explicitação (“revisão”)
que parte dos critérios metodológicos, expressamente
admitidos e remonta aos pressupostos filosóficos implícitos
nesses critérios. O pressuposto básico da metodologia
analisada radica na atitude de pesquisa da ciência natural
(“atitude natural’). Aponta-se para a necessidade da
mudança dos significados assumidos na “atitude natural”
a fim de possibilitar a recuperação do sentido humano
da atividade de pesquisa científica. O trabalho inspira-se
na crítica da fenomenologia husserliana ao naturalismo e
na problemática ente/ser levantada pela ontologia hedeggeriana.
4.3
Alterações na experiência de tempo: proposta
de um estudo interdisciplinar e uma hipótese de trabalho
Foi
antes definido que a temporalidade (Zeitlichkeit) reúne:
o futuro (Zukunft), o haver sido (Gewesenheit) e o presente (Gegenwart),
Heidegger (8). Onde o modo indiferenciado de existência do
Dasein “de início e na maior parte das vezes”
se dá.
O estudo das alterações na experiência de tempo
poderia ser um ponto de partida de um estudo interdisciplinar envolvendo
psicologia, psiquiatria e neurociências, conforme visualizado
a seguir.
Straus(15), no âmbito da psicologia fenomenológica,
em estudo sobre desordens do tempo pessoal de pacientes em estados
depressivos, relata as queixas:
1) sobre o futuro:
“Para mim, o futuro está longe. Não tenho esperanças.
Antes podia olhar para o futuro, mas agora não posso. Há
algo que não me permite”;
“Quero recuperar algo que parece que foi embora da minha mente;
para me deixar ver o presente e o futuro ao invés de ficar
olhando para o passado. Há em mim uma espécie de rotina
que não me permite encarar o futuro
2) do passado:
“Tudo parece ter acontecido há séculos”;
“Esta manhã ao levantar-me, senti que o havia esquecido”;
“Não consigo lembrar a manhã que acaba de passar;
ontem me parece tão remoto quanto os acontecimentos de anos
atrás”;
“Tudo o que fiz me parece ter acontecido há muito tempo;
quando chega o entardecer e penso no dia transcorrido, me parece
que tivesse acontecido há três anos”.
3) sobre presente:
“O tempo não parece avançar em absoluto”;
“Não posso explicá-lo. Tudo é atemporal,
sem mudança, irremediável”;
“Não tenho a sensação de tempo. Para
mim, o tempo não é nada”;
“Me rodeia uma rigidez absoluta”.
Em
estudo de caso em psiquiatria clínica sobre psicose senil,
Tapia e Oliveira (17) também relatam achados de sintomas
de perturbações da temporalidade. Paciente de 81 anos
de idade, diagnosticada de psicose arteriosclerótica diz
estar grávida, que casou com Santo Antônio apóstolo
de Jesus.
À pergunta de quanto tempo faz que está grávida
responde “são dois sábados e duas terças
feiras”. À pergunta de quando nasce o nenê, refere
“dentro de uns três meses”. Interrogada a respeito
de quanto tempo leva uma criança para nascer, sustenta: “demora
nove meses”. Diz que está com 50 ou 65 anos de idade;
reitera que é moça, que vai casar. Perguntada sobre
o que fará no futuro, diz que só vai rezar, que não
tem medo da morte.
Espacialidade, religiosidade, psicossexualidade, memória,
dinâmica familiar interna, associadas a experiência
de tempo, não foram ora incluídas.
Em estudo em saúde mental sobre a temporalidade na angústia
existencial Tapia (16) distingue duas fases temporais: anulação
e reconstrução de mundo. Na primeira dá-se
uma tendência temporal regressiva de retrospecção
de vida e redescoberta da própria individualidade. Na segunda,
ter-se-ia uma projeção temporal futural. Ambas fases
temporais seriam essenciais à reestruturação
e decisão mudança de projeto de existência no
“mundo”.
Antes foi definido que a temporalidade (Zeitlichkeit) reúne
as dimensões temporais: o futuro, o haver sido e o presente.
Ora formula-se a hipótese de trabalho de que alterações
na experiência de tempo, estariam fundadas no fenômeno
existencial da temporalidade (Zeitlichkeit), inclusive em temos
cronobiológicos.
Os ritmos biológicos, no dizer dos psiquiatras Kaplan, Sadock
e Grebb (11) são ajustados tanto por forças internas
quanto externas, denominadas zeitgebers (indicadores cronológicos,
cronomarcadores, sincronizadores). Etimologia: Zeitgebers = Zeit
(tempo)+ gebers (doadores).
Os núcleos supraquiasmáticos do hipotálamo
seriam o principal zeitgeber endógeno. O ciclo claro-escuro,
horários de refeições, turnos de oito horas
de trabalho exemplificariam zeitgebers exógenos.
Segundo esses autores, um sintoma psiquiátrico mais comumente
associado com perturbações dos ritmos biológicos,
é a depressão. Formulam a hipótese que a depressão
ocorre em algumas pessoas quando a fase sensível ao sono
do sistema circadiano avança das primeiras horas da manhã
para as últimas horas de sono. Pesquisas têm indicado
que nas alterações do ciclo claro-escuro, a exposição
do paciente à luz artificial ou a mudança do ciclo
de sono-vigília, podem aliviar os sintomas.
Por sua vez neurocientistas Bear, Connors e Paradiso (1) também
denominam de zeitgebers informações do tempo ambiental:
luz e escuridão, variações na temperatura e
na umidade. Na presença de zeitgebers, animais seriam obrigados
a manter um ritmo de atividade de 24 (vinte e quatro) horas.
Face à pergunta: “Como fazem os neurônios do
núcleo supraquiasmático para precisar o tempo?”
esses autores afirmam que cada célula do NSQ seria um “minúsculo
relógio”.
A experiência de remover neurônios do NSQ de ratos,
e colocá-los numa placa de cultura de tecido, tem mostrado
que as freqüências de disparo de potenciais de ação
continuam a variar em ritmos de aproximadamente de 24 (vinte e quatro)
horas.
Na experiência de se aplicar tetrodoxina (TTX), bloqueador
de canais de cálcio às células do NSQ, bloqueia-se
os potenciais de ação. Mas ao ser retirada a TTX,
os potenciais de ação reassumem as freqüências
de disparo originais de 24 (vinte e quatro) horas. O “relógio”
do NSQ continuaria a funcionar mesmo sem potenciais de ação.
A hipótese de trabalho de que alterações na
experiência de tempo, como as descrita acima estariam fundadas
no fenômeno existencial da temporalidade (Zeitlichkeit), inclusive
em temos cronobiológicos, faz sentido.
Alterações na experiência de tempo envolvendo
zeitgebers endógenos e exógenos poderia ser ponto
de partida numa proposta de estudo interdisciplinar. Aspectos neurológicos,
psiquiátricos, psicológicos e/ou psicossociais poderiam
ser complementarmente elucidados.
Isto, também depõe a favor da tese principal de estudo
de que o mundo existencial do paciente na sua significação
global: a) orgânica, b) social e c) mental, afetado pelo transtorno
na vida do paciente se constitui em objeto de autêntica preocupação
do psicólogo enquanto profissional da saúde/ saúde
mental.
5
DISCUSSÃO
Naturalmente
que uma teoria em si não exaure seu objeto de estudo, condição
de possibilidade para a produção de conhecimento.
Interessaria então destacar a necessidade da sintonia: teoria-
método-objeto.
A teoria seria uma maneira de ver seu objeto de estudo ou preocupação.
No caso da concepção analítico existencial
de homem (Dasein) enquanto ser-no-mundo, sugere-se compatível
com visão contemporânea de homem como unidade bio-psico-social
na área da saúde mental
Uma
teoria a respeito de um objeto de estudo ou preocupação,
implica numa metodologia de acesso a esse objeto. A perspectiva
metodológica da compreensão e interpretação
existencial, funda-se na questão sentido, constitutiva do
ser-aí (Dasein), também sugere-se compatível
ao estudo psicológico do “objeto” ser humano.
Na amostra de produção bibliográfica de orientação
fenomenológico existencial acima referida procurou-se manter
a sintonia: teoria- método-objeto.
Quanto a proposta de um estudo interdisciplinar e sua hipótese
de trabalho de que as alterações na experiência
de tempo estariam fundadas no fenômeno existencial da temporalidade
(Zeitlichkeit), inclusive em temos cronobiológicos, sugere-se
ponto de partida para a reflexão sobre os desafios do psicólogo
contemporâneo.
6
CONCLUSÃO
Conclui-se
que a tese de que o mundo existencial do paciente na sua significação
global: a) orgânica, b) social e c) mental, afetado pelo transtorno
na vida do paciente se constitui em objeto de autêntica preocupação
do psicólogo enquanto profissional da saúde/ saúde
mental, apresenta fundamentação teórica e de
evidência fatual e histórica.
7
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1.
Bear FB, Connors BW, Paradiso MA. Os ritmos do encéfalo.
In: Bear FB, Connors BW, Paradiso MA. Neurociências: desvendando
o sistema nervoso. Porto Alegre: Artes Médicas; 2001, p.628-633.
2. Binswanger L. Analítica existencial y psiquiatria. In:
Binswanger L. Artículos y
conferencias escogidas. Madrid: Gredos; 1973, p.436-7.
3. Binswanger L. Experimentar, compreender, interpretar en el psicoanálisis.
In: Binswanger L. Artículos y conferencias escogidas. Madrid:
Gredos; 1973, p.255-6.
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In: May R, Angel E, Ellenberger HF. Eds. Existencia: nueva dimensión
en psiquiatría y psicología. Madrid: Gredos; 1977,
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5. Boss M. Culpa, angústia e libertação. São
Paulo: Duas Cidades;1977, 128-9.
6. Heidegger M. Being and Time. New York: Harper & Row; 1962,
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7. Heidegger M. Being and Time. New York: Harper & Row; 1962,
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8. Heidegger M. Being and Time. New York: Harper & Row; 1962,
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Kaplan HI, Sadock BJ, Grebb JA. Compêndio de psiquiatria:
ciências do comportamento e psiquiatria clínica. Porto
Alegre: Artes Médicas; p.149.
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R, Angel E, Ellenberger HF. Editores. Existencia: nueva dimensión
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13. May R. Orígenes y significados del movimiento existencial
en psicologia. In: M May R, Angel E, Ellenberger HF. Editores. Existencia:
nueva dimensión en psiquiatría y psicología.
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14. May R. Orígenes y significados del movimiento existencial
en psicologia. In: M May R, Angel E, Ellenberger HF. Editores. Existencia:
nueva dimensión en psiquiatría y psicología.
Madrid: Gredos; 1977, p.28-38.
15. Straus EW. Desordenes del tiempo personal en los estados depresivos.
In: Straus EW. Psicología fenomenológica. Buenos Aires:
Paidos; 1966, p.294.
16. Tapia LER. Duas fases da angústia existencial: anulação
e reconstrução de mundo. Tempo Saúde Medicina
Odontologia Psicologia, Itumbiara, 1995; 1(3):6.
17. Tapia LER , Oliveira CM. Psicose senil: um fenômeno humano.
Jornal Brasileiro de Psiquiatria, Rio de Janeiro, 1988; 37(5):257-260.
7 NOTAS
1 Luis Ernesto Rodriguez Tapia é Doutor
em Psicologia Clínica/PUC-SP, Pós-Doutorado em Psiquiatria/ FMRP-USP,
Assistente Social, Professor Titular Depto. de Clínica Médica/ Faculdade
de Medicina, Universidade Federal de Uberlândia.
2 Edmar Henrique Dairell DaviMestre em História
pela Universidade Federal de Uberlândia, Professor de História
da Psicologia no Curso de Psicologia/Faculdade de Ciências
Aplicadas de Minas/UNIMINAS
Inscreva-se
nos Cursos à Distância da SAEP:
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de Introdução ao Existencialismo
Curso
Diálogo Maiêutico e Psicoterapia Existencial
Estude
sem sair de casa
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