EDIÇÃO ESPECIAL
Caderno de Psicoterapia Existencial

 

ARTIGO

 

PSICOLOGIA CONTEMPORÂNEA: CONTRIBUIÇÕES DA FENOMENOLOGIA ANALITICO-EXISTENCIAL
Luis Ernesto Rodriguez Tapia (1)
Edmar Henrique Dairell Davi (2)

RESUMO

Estudo a respeito da contribuição teórico metodológica da fenomenologia analítica existencial para a psicologia contemporânea. Formula-se a tese de estudo de que o mundo existencial do paciente na sua significação global: a) orgânica, b) social e c) mental, afetado pelo transtorno na vida do paciente se constitui em objeto de autêntica preocupação do psicólogo enquanto profissional da saúde/ saúde mental. Como fundamentação são apresentados os conceitos existenciais: analítica existencial (Daseinsanalytik), ser-no-mundo, definidos na obra magna heideggeriana Ser e Tempo (Sein und Zeit). O conceito de análise existencial psiquiátrica (Daseinsanalyse) também é apresentado. Inclui-se amostra sucinta de produção bibliográfica em saúde mental na perspectiva fenomenológico existencial. Num esboço de um estudo interdisciplinar sobre as alterações na experiência de tempo é formulada a hipótese de trabalho de que as alterações na experiência de tempo estariam fundadas no fenômeno existencial da temporalidade (Zeitlichkeit), inclusive em temos cronobiológicos. Os zeitgebers são preliminarmente considerados dos pontos de vista da psicologia fenomenológica, da psiquiatria clínica e das neurociências básicas. Conclui-se que a tese principal do estudo apresenta base teórica e evidência histórico fatual.
UNITERMOS: psicologia fenomenológica ; existencialismo; história da psicologia.

CONTEMPORAY PSYCHOLOGY: CONTRIBUTION OF THE EXISTENTIAL
ANALYTIC PHENOMENOLOGY

SUMMARY: Study on the theoretical and methodological contribution of the existential analytic phenomenology to contemporay psychology. It is formulated the study thesis that the existential world of the psychology patient in an integral: a) organic, b) mental, c) social meaning, affected by the mental disturbance in the whole life of the patient, constitutes an object of genuine care for the psychologist as a health/ mental health professional. As bases are exhibited existential concepts like: existential analytic of Dasein (Daseinsanalytik), being- in-the-world (In-der-Welt-sein), temporality (Zeitlichkeit) determined in heideggerian magnum opus Being and Time (Sein und Zeit). The psychiatric concept of existential analysis (Daseinsanalyse) it is also exhibited. Succinct sample of bibliographic production in mental health phenomenological/existentially oriented is included. In order to outline an interdisciplinary study concerning disturbances of the experience of time is formulated the work hypothesis that disturbances of the experience of time are grounded on the existential phenomenon of temporality (Zeitlichkeit) even on chronobiological basis. Zeitgebers are preparatory considered from phenomenological psychology, clinical psychiatry and from basic neurosciences point of views. It is concluded that the main study thesis shows theoretical base and factual historical evidence.

UNITERMS: phenomenological psychology; existentialism; history of psychology.

1 INTRODUÇÃO

O estudo visa assinalar a compatibilidade do instrumental teórico metodológico analítico-existencial na atuação do psicólogo no contexto dos desafios da realidade brasileira contemporânea.
Num histórico sucinto sobre o movimento existencial em psicologia toma-se por referência a contribuição de May (14) a respeito.
Sócrates (436-336 A? C), com seus diálogos maiêuticos , representaria um protótipo existencialista na busca da verdade; cunhou a expressão: “conhece-te a ti mesmo”.
Santo Agostinho (354-430 D.C) realiza auto-análises psicológicas profundas. Teria formulado a expressão: “não desejes escapar, volta a ti mesmo; a verdade habita no homem interior “, citado por Husserl (10).
Pascal (1623-1662), se esforça por encontrar um lugar para “as razões do coração que a razão não conhece”; vive a transição da Idade Média para a Renascença.
Kierkegaard (1813-1855) escreve sobre a angústia existencial, a depressão e o desespero produzidos pela alienação do indivíduo; contribui sobre a paixão, a entrega, e o compromisso de interesse numa ulterior psicologia dinâmica.
Nietzche (1844-1900) escreve sobre a dinâmica do ressentimento, da culpabilidade, a repressão das forças emocionais, a desintegração psicológica e emocional do homem ante a perda da dignidade.
Também desenvolve a tese de que o altruísmo e a moralidade resultam do rancor e hostilidade reprimidos, geradores da má consciência. Idéias depois denominadas respectivamente de repressão e formação reativa pela psicanálise
Husserl (1889-1938) fundador da fenomenologia, base da fenomenologia existencial. Formula a idéia da psicologia fenomenológica baseada na intencionalidade da consciência. Temas chaves de interesse psicológico: descrição fenomenológica, intuição essencial, epoqué, redução fenomenológica, e mundo-vida (Lebenswelt) dentre outros.
Heidegger (1889-1976) considerado o filósofo mais original do século XX, obra magna Ser e Tempo (Sein und Zeit originalmente publicada em 1927, traduzida em português em 1988). Temas chaves de interesse psicológico: descrição fenomenológica, analítica existencial, Dasein, ser-no-mundo, propriedade e impropriedade, cotidianidade, medianidade, angústia existencial, preocupação, temporalidade, ser-para-a-morte, dentre outros.
Na evolução do movimento existencial em psicologia May (13) situa em finais do século XIX que essa concepção se produziu em diversas partes da Europa e no interior de várias escolas envolvendo pensadores criativos.
Entre eles figuram: Eugene Minkowski em Paris, V.E. Von Gebsatel, Erwin Straus na Alemanha e depois em USA, representariam a face fenomenológica.
A face existencial estaria representada por Ludwig Binswanger, A. Storch, Medard Boss, G. Bally, Ronald Kuhn na Suíça, H. Van Den Berg e F.J. Buytendijk na Holanda, K. Jaspers na Alemanha.
Em USA entre os teóricos que preparam o caminho para a psicologia humanista tem-se Abraham Maslow, Carl Rogers e Rollo May. Em 1961 foi publicado o Journal of Humanistic Psychology, em 1963 é fundada a Association of Humanistic Psychology (AHP).
Um histórico sucinto é obviamente incompleto. Tampouco puderam ser incluídos nomes de autores do movimento existencial na arte, na literatura, na teologia, sociologia, dentre outras áreas de conhecimento.
No que segue, este estudo centra-se em parte das idéias de Heidegger, May, Binswanger, Boss e Straus principalmente.


2 TESE DO ESTUDO

Formula-se a tese de estudo de que o mundo existencial do paciente na sua significação global: a) orgânica, b) social e c) mental, afetado pelo transtorno na vida do paciente se constitui em objeto de autêntica preocupação do psicólogo enquanto profissional da saúde mental. hipótese a ser fundamentada em termos teóricos e de evidência fatual.
Numa descrição conceptual prévia “mundo” significa a maneira de ser própria do ser humano em relação: 1) mundo ambiente ou circundante, 2) mundo das inter-relaçoes sociais, 3) mundo próprio, mundo interno. A idéia inspira-se na concepção analítico- existencial de mundo a ser ulteriormente explicitada. Mundo-vida (Lebens-welt), homem-circunstâncias, ambiente seriam expressões próximas.


3 FENOMENOLOGIA ANALITICA-EXISTENCIAL (DASEINSANALITIK)

3.1 O tema da analítica existencial

Segundo Heidegger (6) nós mesmos somos o ente (Dasein) a ser analisado. Esse ente se importa com seu ser e se comporta em relação ao mesmo. O ser de tal ente é sempre “em cada caso o meu próprio”. Isso implica em duas conseqüências.
Primeira conseqüência, a essência do ser-aí (Dasein) está na sua existência (Existenz); mas, não no sentido como se fosse uma mesa, uma casa ou uma árvore.
Dasein é expressão composta de Da (aí) e sein (ser), indicando que o homem é o ser que está aí, presente, capaz de saber que está aí e de adotar uma atitude em relação a esse fato. O homem pode ser consciente e portanto responsável pela sua existência.
Segunda conseqüência, o ser de que se importa o Dasein, é sempre “em cada caso o meu próprio”. Porque o Dasein é essencialmente sua própria possibilidade, pode autenticamente escolher-se a si mesmo e ganhar-se, ou perder-se e não ganhar-se nunca, ou ganhar-se só na aparência.
Propriedade e impropriedade enquanto modos de ser fundam-se no fato do Dasein estar sempre caracterizado pelo “mim mesmo”. O Dasein existe num desses modos, ou no modo da indiferenciação entre eles.
O Dasein ao determinar-se a si mesmo, sempre o faz a partir da possibilidade que ele é e da compreensão que dispõe de si mesmo. Isto caracteriza a constituição existencial do Dasein.
Por isso, não se pode interpretar o Dasein a partir de um modo diferenciado de existência; mas deve-se tentar descobri-lo no modo indiferenciado que “de início e na maior parte das vezes” se dá, denominado cotidianidade.
Esse modo indiferenciado da cotidianidade do Dasein tem um sentido positivo. É a partir e retornando a ele que todo modo de existir se dá, denominado de medianidade.
Todos os esclarecimentos da analítica existencial são obtidos da estrutura existencial do Dasein. Por isso, suas características essenciais são denominadas de existenciálias, e devem ser expressamente distinguidas das “categorias” ou características dos entes que não o Dasein.
A analítica existencial, seria anterior a psicologia, antropologia ou biologia, modos em que o Dasein pode também ser investigado. Isto, sugere a natureza interdisciplinar do ente a ser estudado.

3.2 O ser-no-mundo.
Segundo Heidegger( 7) os modos da propriedade e impropriedade, nos quais o Dasein existe adquirem um caráter definido. Devem ser compreendidos como estando fundados na condição essencial do Dasein enquanto ser-no-mundo (In-der-Welt-sein); “mundo”, significa o “onde” o Dasein fatual “vive.
De acordo com May (12) os analistas existenciais distinguem três mundos ou aspectos simultâneos que caracterizam a existência de cada ser-no-mundo.
1) “Mundo ambiente” (Umwelt) ou mundo dos objetos que nos rodeiam, o mundo natural. Seria o mundo das leis da natureza, dos seus ciclos, de sono vigília, do nascer e morrer, das apetências e satisfações, do finito e do determinismo biológico, o mundo em que estamos lançados (Geworfenheit).
2) “Mundo-com” (Mitwelt), das inter-relações sociais entre os homens.
3)”Mundo próprio” (Eigenwelt), da autoconsciência, auto-relação, intrínseca aos seres humanos.

3.3 Temporalidade

Definiu-se cotidianidade como o modo indiferenciado de existência do Dasein que “de início e na maior parte das vezes” se dá. Ora explicita-se que o acréscimo: “de início e na maior parte das vezes”, assinala o sentido temporal da cotidianidade ou temporalidade.
A temporalidade (Zeitlichkeit) reúne: o futuro (Zukunft), o haver sido (Gewesenheit) e o presente (Gegenwart); Heidegger (8).
Dimensões temporais a partir das quais o Dasein pode ser interpretado em termos de: ser si próprio, ser mortal, de decisão e consciência moral, de preocupação/solicitude, temporalidade e historicidade.

4 ANÁLISE EXISTENCIAL PSIQUIÁTRICA (DASEINSANALYSE)

Binswanger (2) um dos psiquiatras fundadores do movimento existencial em psiquiatria e psicologia, formula a idéia da análise existencial (Daseinsanalyse) psiquiátrica, análise científica empírico-fenomenológica das formas e modos de existir do ser humano. Diferente do esclarecimento filosófico-fenomenológico da analítica existencial (Daseinsanalitik) de Heidegger; mas fundamentado na mesma.
Binswanger (4) descreve a análise existencial como uma ciência empírico-fenomenológica, com seu método próprio e ideal particular de exatidão. Análise aplicável por exemplo, no conhecimento de um conteúdo ou estilo estético, conteúdo literário de um poema, de um drama, da relação eu-mundo num teste de Rorschach, ou de uma forma psicótica de existência.
Boss (5) vê nessa análise existencial psiquiátrica uma demonstração da fecundidade e originalidade da analítica existencial heideggeriana. E que a concepção de homem como “subjetividade” permite a representação prática da estrutura anímico-corporal da subjetividade e das relações com o mundo.

4 PERSPECTIVA METODOLÓGICA

4.1 Compreensão e interpretação

Segundo Heidegger (9) a fenomenologia do Dasein, é hermenêutica no sentido original de interpretação. Toda interpretação para contribuir à compreensão, deve ter previamente compreendido aquilo a interpretar. Configura-se uma estrutura circular intrínseca.
Mas, o círculo pertence à essência do sentido, fenômeno constitutivo do ser-aí (Dasein) no seu compreender interpretativo. Pois, o compreender ao mostrar o aí atinge a totalidade do ser-no-mundo do Dasein. De modo que todo compreender a respeito da própria existência, também o mundo é compreendido e vice-versa.
Por sua vez para Binswanger (3), também no procedimento de compreensão psicológica do material da experiência o normal é que primeiro tenha que ser interpretado para depois poder ser compreendido.
De modo que o interpretar já começa com a ordenação e agrupamento sistemático científico do material de experiência conforme temas racionais ou coerências de sentido (segundo temas oníricos, conteúdos de sintomas, conteúdos objetivos de significação de uma ação, etc.).
Esta fase prévia da interpretação não é ainda uma atitude psicológica, porque tem que tratar com coerências racionais de sentido ou significado. A interpretação psicológica começa somente quando colocamos vida anímica dentro do material antes ordenado.
Mas nesse agrupamento não basta somente o material de experiência, também precisamos de um complemento da experiência mediante conclusões na base da analogias, comparações, hipóteses e teorias; na base portanto de um saber obtido de outras experiências e de teorias sobre esse saber.
Assim, origina-se o círculo hermenêutico inerente a toda interpretação, pois interpretamos o individual na base de um todo já pressuposto que obtemos, por sua vez, a partir do individual. Daí as relações recíprocas entre análise e síntese, entre indução e dedução em toda interpretação.


4.2 Uma aplicação: perspectiva terapêutica e de pesquisa em saúde mentals

A seguir faz-se referência a amostra de produção bibliográfica não exaustiva, ilustrativa de experiência inicial numa perspectiva terapêutica e de pesquisa em saúde mental de orientação fenomenológico existencial. A experiência em si é obviamente limitada; visa-se antes mostrar operativamente um esboço ou perspectiva de trabalho.
Amostra de produção bibliográfica:

Tapia L E R. Grupo de reflexão em bases analítico existenciais: uma hipótese de trabalho. In: Oliveira Jr JF. (Org.). Grupos de reflexão no Brasil: grupos e educação. São Paulo: Taubaté, SP: Cabral; 2002, p. 109-116.
RESENHA: Formula-se a hipótese de que existe compatibilidade conceptual entre aspectos teóricos dos grupos de reflexão e conceitos fenomenológico existenciais aplicados à assistência em saúde mental. Procede-se a fundamentação da hipótese de trabalho em quatro passos. 1) grupo de reflexão e epoqué fenomenológica: o grupo de reflexão trabalha com as funções egóicas de percepção, pensamento, conhecimento e comunicação; na epoqué fenomenológica dá-se uma dinâmica de envolvimento vivencial e distanciamento reflexivo face ao tema de preocupação. 2) microcosmos social e mundo existencial: na interação no grupo terapêutico ou de trabalho as pessoas tendem a criar o mesmo tipo de mundo interpessoal que habitam exteriormente ao grupo, competição por atenção, lutas por domínio e status, tensões sexuais, distorções sobre experiências de vida tornam-se manifestos; itens do mundo existencial: “mundo ambiente ou circundante”, “mundo das relações interpessoais” e “mundo próprio” ou interno das pessoas tornam-se manifestos no grupo. 3) fatores da dinâmica do grupo de reflexão e itens da concepção existencial de mundo, exemplos: a) setting grupal e demais especificações de dia, local, horário, número de participantes, disposição espacial se relacionam ao “mundo ambiente”; b) recomposição do grupo familiar, fazer novas identificações, compartir novo código de valores, dizem respeito ao “mundo das relações interpessoais”; c) cargas projetivas, vivências de problemas de comunicação pessoal, identidade profissional se relacionam ao “mundo próprio ou interno” da pessoa. 4) grupo de reflexão e preocupação existencial: pessoas que trabalham nas helping professions: medicina, enfermagem, psicologia, serviço social, entre outras, e/ou em settings clínicos carregam consigo a carga adicional de enfrentarem questões contínuas de perda, cronicidade, deformações e morte, isso envolve preocupações de ordem existencial; a experiência de grupal tem-se tornado parte de programas de treinamento de aprendizagem; por sua vez, a expressão “preocupação existencial envolve basicamente dois significados: a) retirar a preocupação do outro, substituindo-o na sua responsabilidade afastando-o da sua posição, para que depois de atendido possa encontrar o assunto já pronto e ser dispensado do que era seu encargo; o outro torna-se dependente e dominado, mesmo quando essa dominação permaneça encoberta; b) preocupação que se antepõe ao outro na sua potencialidade, não para retirar-lhe sua própria responsabilidade, mas para autenticamente devolver-lhe sua preocupação; isto ajuda-o efetivamente a tornar-se transparente para si próprio; o grupo de reflexão estaria em sintonia com este segundo significado de preocupação existencial.
Inclui-se descrição e interpretação da fábula da Preocupação (citada na obra magna hedeggeriana) com a participação dos deuses(as) Preocupação, Júpiter, Terra, Saturno, e a criatura “homo” tema de conflito e resolução em “grupo de reflexão”; compara-se a funcionalidade do grupo dos deuses com um grupo operativo ou terapêutico com os mortais médico, enfermeiro, assistente social, psicólogo clínico e terapeuta ocupacional. Fábula também citada em outra referência, desta amostra de produção bibliográfica.

Tapia, LER. Elaboração de projetos de investigação científica: guia para pesquisadores em formação inicial e avançada. São Paulo: Cid Editora; 1999.
RESENHA: No capítulo 1 relaciona-se projeto de investigação científica a projeto existencial daquele que faz pesquisa. No capítulo 2 estrutura-se quadro de perguntas básicas na elaboração de um projeto de investigação científica: a) Qual o assunto do estudo?, Qual o objetivo?, Por que o estudo é necessário?, O que a literatura científica diz a respeito?, b) Qual o problema específico de estudo?, Qual a resposta?, c) Qual a base teórica do estudo?, d) Qual a metodologia? Qual o material de pesquisa, instrumentos e procedimentos?, e) Qual a base empírica ou evidências do estudo?, f) Qual a conclusão?. No capítulo 3 a partir das perguntas anteriores é organizada uma estrutura típica de projeto de investigação científica. No capítulo 4 procede-se operacionalmente a definir, desenvolver e ilustrar cada item da estrutura típica de projeto; inclui-se nomenclatura técnico científica oficial mais usada na formulação de projetos de investigação científica. No capítulo 5 retoma-se a questão da investigação científica e da conversão existencial para a pesquisa enquanto tarefa de vida.

Tapia LER. História psiquiátrica e compreensão histórica: interpretação existencial. Jornal Existencial On Line, Rio de Janeiro, 2001; http://www.existencialismo.org.br.
RESUMO: Estudo teórico a respeito da relação conceptual entre descrição e análise de uma história clínico psiquiátrica e compreensão histórico historiográfica. Formula-se a tese de que de que existe sintonia conceptual entre: a) descrição e análise numa história psiquiátrica e b) aspectos da compreensão histórico historiográfica. Procede-se à descrição e interpretação de itens estruturais de uma história psiquiátrica em relação a aspectos da compreensão histórico historiográfica em bases analítico existenciais. Conclui-se que a tese do estudo mostra fundamentação adequada.

Ribeiro BOL,Tapia LER, Contel JOB. Re-educação social de pacientes: experiência de comunidade terapêutica em hospital dia psiquiátrico. In: 8º Cíclo de Estudos em Saúde Mental; 2000, Ribeirão Preto. Resumo. Ribeirão Preto : São Francisco Gráfica e Editora; 2000. p. 82-84.
RESUMO: Estudo da experiência de reeducação social de pacientes em comunidade terapêutica em hospital dia psiquiátrico. Utiliza-se instrumento de entrevistas semi-estruturadas com pacientes um mês depois da sua internação para tratamento no Hospital Dia/FMRP-USP, no período de abril a junho de 1999. A análise de resultados sugere que a experiência de comunidade terapêutica operacionalizada pela equipe multiprofissional promove formas de aprendizagem e/ou re-aprendizagem social dos pacientes, facilitadoras do processo de reinserção social dos mesmos.

Tapia LER, Ribeiro BOL, Contel JOB. Grupo de apoio multifamiliar e avaliação do funcionamento social de pacientes em hospital-dia psiquiátrico universitário. Jornal Brasileiro de Psiquiatria, Rio de Janeiro, 2000; 49(10-12):395-398.

Tapia LER, Contel JOB. Experiência terapêutica grupal em hospital dia psiquiátrico: sentido existencial. In: 6º Ciclo de Estudos em Saúde Mental 1998, Ribeirão Preto. Resumo. Ribeirão Preto : São Francisco Gráfica e Editora, 1998. p. 85.
RESUMO: PROBLEMA DE ESTUDO: “Qual o sentido da experiência terapêutica grupal em relação ao mundo do paciente num HD psiquiátrico?”. TESE: “a experiência terapêutica grupal num HD psiquiátrico envolve um legitimo sentido existencial”. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: Concepção existencial de mundo, HEIDEGGER (1962) distingue três itens básicos: 1) “mundo ambiente” ou “mundo circundante” , 2) “mundo público”, “mundo-com” das inter-relações sociais, 3) “mundo próprio”, mundo interno. METODOLOGIA: a) material de pesquisa: transcrições textuais de 07 sessões semanais de grupos de agenda durante 07 semanas no HD/FMRP-USP, b) procedimento de análise: com base nas transcrições faz-se: 1) lista exaustiva de assuntos, 2) identificação de temas invariantes, 3) hierarquização dos temas, 4) interpretação e categorização dos temas face aos itens da concepção existencial de mundo. RESULTADOS: temas do “mundo ambiente” (23; 16,55%): olhar para as coisas em volta; estar atento ao que está em volta; saber o nome do remédio que toma; ter pensamento prático; fazer as coisas; ficar ativo em casa; comprar seu pão; pagar as contas; cortar o cabelo; arrumar emprego; ganhar tempo; organizar-se para o dia seguinte; exercitar a memória; 2) temas do “mundo público”(55;39,57%): influência dos outros; preocupar-se demais com os outros; ter autonomia em relação aos outros; aproveitar o grupo; integrar-se à comunidade; comunicar-se; botar para fora; aprender a conversar; isolamento social; 3) temas do “mundo próprio” (61; 43,88%): coordenar o pensamento; organizar a cabeça; organizar a vida; prestar atenção; cair em si; reconhecer seu problema; rever soluções; enfrentar a doença; vontade de vencer; sair-se por cima; preparar-se para desafios; assiduidade ao tratamento; querer morrer; ilusão de mundo. DISCUSSÃO: Destaca a hierarquia dos temas das sessões: 1º lugar “mundo próprio”; 2º lugar “mundo público” (55; 39,57%) ; 3º lugar “mundo ambiente” (23; 16,55%). Manifestamente, a experiência terapêutica grupal ao promover a recuperação de potencialidades próprias, envolve um legitimo sentido existencial em relação ao “mundo” de cada paciente. CONCLUSÃO: A tese do estudo apresenta fundamentação teórica e evidência fatual.

Tapia LER, Contel JOB, Campos MA. Visão de mundo em hospital dia psiquiátrico: exegese existencial de textos científicos da equipe terapêutica. Jornal Brasileiro de Psiquiatria; Rio de Janeiro, 1997; 46(4): 223-226.
RESUMO: Estudo exegético da visão de mundo expressa em textos científicos da equipe terapêutica em hospital dia psiquiátrico. Formula-se a tese de que a visão de mundo expressa nos textos da equipe terapêutica teria tendência humanista. Procede-se a: 1) identificação e hierarquização de temas sob a palavra-chave “hospital dia” ou sinônimo em textos científicos da equipe terapêutica do Hospital Dia/FMRP-USP período 1975- 1995; 2) exegese de palavras-chave em relação à época histórica de origem desses temas. Conclui-se que: 1) a documentação analisada representa referência histórica de consolidação de uma experiência de comunidade terapêutica e identifica a equipe terapêutica como “colégio invisível; 2) a tese do estudo mostra base teórica e fatual.

Tapia LER, Contel JOB . Experiência terapêutica grupal e reconstrução existencial de mundo do paciente: casuística em hospital dia. Jornal Brasileiro de Psiquiatria, Rio de Janeiro, 1996; 45(10): 581-584.
RESUMO: Estudo do sentido existencial da experiência terapêutica grupal em hospital dia. Sustenta-se a tese de que a experiência terapêutica grupal tem o sentido de reconstrução existencial de mundo do paciente. Procede-se à análise interpretativa de material de dados da rotina diária de atividades terapêuticas e logísticas da equipe multiprofissional do hospital dia/FMRP-USP. Conclui-se que: 1) a concepção existencial de mundo envolve uma visão teórica de homem em sociedade a ser ainda explorada no empenho de reabilitação psicossocial; 2) essa visão teórica de homem sugere-se axiológicamente compatível com preceitos éticos contemporâneos de assistência à saúde mental; 3) a tese do estudo teria adequada fundamentação teórica e legítima ilustração fatual.

Tapia LER. Princípios para assistência à saúde mental e o mundo do usuário: interpretação existencial. In: 9ª Semana Científica da Medicina; 1996, Uberlândia. Anais. Uberlândia : UFU, 1996. p. 82.
RESUMO: Estudo exegético existencial da visão de mundo implícita no texto oficial dos princípios para a assistência à saúde mental no País. Visa-se subsidiar uma prática assistencial humanista. Formula-se a tese de que a visão de mundo implícita no texto oficial teria tendência humanista. Nas bases MEDLINE, LILACS, PsyLIT e UNIBIBLI não foi detectado tema análogo no período 1975-1995. Procede-se a: 1) identificação e agrupamento de conteúdos no texto oficial (Resolução do Conselho Federal de Medicina N.1407 de 08/06/1994), 2) interpretação existencial em relação ao mundo do usuário. Evidencia-se manifesta sintonia entre preceitos éticos oficiais e itens do mundo existencial do usuário de serviços de assistência à saúde mental. Conclui-se: a) pela relevância humanístico social do texto analisado, b) pela validade da concepção analítico existencial de mundo a ser ainda explorada na formação acadêmica e na prática profissional em psiquiatria, c) a tese do estudo apresenta base teórica e fatual.

Tapia LER. Fatores existenciais na experiência terapêutica grupal de reabilitação psicossocial. In: 15º Congresso Brasileiro de Psiquiatria; 1996, Belo Horizonte. Temas livres, 1996. p. 11.
RESUMO: Estudo da importância terapêutica dos fatores existenciais da vida do paciente no processo de reabilitação psicossocial em hospital dia psiquiátrico. Sustenta-se a tese de que os fatores existenciais na vida do paciente exercem decisiva influência no processo grupal de reabilitação psicossocial em hospital dia psiquiátrico. Procede-se à descrição e análise interpretativa de material de expressão verbal de pacientes e terapeutas registrado em sessão grupal em hospital dia psiquiátrico.

Tapia LER. Mundo existencial do paciente psiquiátrico: perspectiva de atuação do assistente social em saúde mental. In: 2º Congresso de Ciências Humanas, Letras e Artes; 1995, Uberlândia. Anais. Uberlândia : UFU, 1995. p. 326.
RESUMO: Estudo a respeito do mundo existencial do paciente psiquiátrico enquanto tema de preocupação do assistente social. Após caracterização do estado do conhecimento no tema do serviço social no hospital psiquiátrico é formulada a tese de que o mundo existencial do paciente psiquiátrico na sua significação global: a) mental, b) orgânico, c) social afetado pelo transtorno na vida do paciente constitui-se em objeto de autêntica preocupação do assistente social enquanto profissional da saúde mental. Como fundamento apresenta-se a concepção existencial de “mundo”, “ser-com” e “preocupação”. Faz-se descrição de material histórico sócio familial de dados registrados em prontuários nos casos de distimia (1), transtorno bipolar (1), esquizofrenia simples (1), e descrição e análise de caso de depressão maior (1) dentre a clientela de pacientes crônicos atendidos em enfermaria psiquiátrica HC-UFU. Conclui-se que a conceituação existencial envolve uma concepção filosófica de homem em sociedade a ser ainda explorada na formação escolar e na orientação da atividade profissional do assistente social e que a tese do estudo estaria epistemológica e cientificamente fundamentada.

Tapia LER. Duas fases da angústia existencial: anulação e reconstrução de mundo. Tempo Saúde Medicina Odontologia Psicologia, Itumbiara, 1995; 1(3):6.
RESUMO: Estudo a respeito da vivência de anulação e reconstrução de mundo na experiência de “angústia existencial”. Procede-se à análise interpretativa de extratos de depoimentos relativos a casuística de: 1) aborto forçado em primeira gravidez, 2) morte de filho primogênito de tenra idade, 3) tentativa de suicídio em crise familial, 4) desilusão de vida e conversão religiosa. Conclui-se que na fase da anulação de mundo dá-se uma tendência temporal regressiva de retrospecção de vida e redescoberta da própria individualidade; na fase da reconstrução de mundo ter-se-ia uma projeção temporal futural. Ambas fases seriam essenciais à reestruturação e decisão mudança de projeto de existência no “mundo”.

Tapia LER, Coelho MO. O mundo da criança traumatizada: caracterização existencial. Informação Psiquiátrica, Rio de Janeiro 1994; 13(2): 56-58,.
RESUMO: Estudo psicológico-clínico do caso de criança traumatizada, de 10 anos de idade, paraplégica, vítima de acidente de trânsito envolvendo a morte dos pais e de uma irmã, internada em unidade pediátrica do HC/UFU. Procede-se à descrição e análise de material de expressão verbal e não verbal registrado durante a assistência psicológica e da aplicação do protocolo das fábulas de Düss. Evidenciam-se sentimentos de solidão, ameaça, ansiedade, entre outros, a morte é vista como elemento sobrenatural, efeito da intervenção maligna, dando-se um choque em termos emocionais e existenciais. Conclui-se que: 1) a assistência psicológica é indispensável à saúde mental da criança traumatizada, 2) a sensibilidade humana no trabalho hospitalar é necessária.

Tapia LER. Para entender a preocupação. Tempo Saúde Medicina Odontologia Psicologia, Itumbiara, 1994; 1(1):8.
RESUMO: Estudo a respeito do fenômeno existencial da preocupação enquanto fundada no “ser-com” constitutivo do ser-no-mundo. Visa-se subsidiar a prática terapêutica integrada na equipe hospitalar, na perspectiva de uma atuação em serviço social. Haveria duas formas básicas de preocupação, a primeira centrada na forma apressada em retirar a preocupação do outro, substituindo-o na sua responsabilidade, afastando-o da sua posição, dispensado-o do que seria o seu encargo; o outro torna-se dependente, dominado. A outra forma seria a preocupação que se antepõe ao outro na sua potencialidade, não para retirar-lhe sua responsabilidade, mas para autenticamente devolver-lhe sua preocupação. Isto, ajuda efetivamente o outro a tornar-se transparente para si mesmo. Conclui-se que as dimensões orgânica, psíquica e social em relação ao ser humano do paciente mostram-se de fato indissociáveis na preocupação terapêutica da equipe hospitalar. Daí a utilidade de uma visão teórica integrada no empenho social terapêutico, como a sugerida nos conceitos existenciais de “ser-no-mundo” e “preocupação”.

Tapia LER. Mundo existencial do paciente psiquiátrico: perspectiva de atuação do assistente social em saúde mental. (Monografia de conclusão de curso, Graduação em Serviço Social) Centro Universitário de Triângulo (UNITRI), 1994.

Tapia LER, Silveira RCMP. Fim do ser-no-mundo: concepção analítico existencial da morte. Informação Psiquiátrica, Rio de Janeiro, 1993; 12(3):95-98,
RESUMO: Descrição psicológica analítico-existencial da atitude em relação ao problema da morte. A partir da apresentação de dados quantitativos de mortalidade procede-se à análise de material psicológico de relato e entrevista no caso de um paciente que registra internação e alta em UTI do HC-UFU, testemunha no estudo. Conclui-se que o material apresentado ilustra característica existencial inerente ao ser humano de fuga da morte. Evidencia-se, também a necessidade de se ver o ser humano enquanto ser-no-mundo que em situações existenciais limites procura a assistência da equipe hospitalar. Isto é valido, independentemente da natureza orgânica, mental ou social do problema de saúde do paciente.

Tapia LER. Fábula da preocupação original: exegese analítico existencial. Informação Psiquiátrica, Rio de Janeiro, 1992;11 (2): 60-62.
RESUMO: Estudo exegético existencial da fábula sobre a origem da natureza humana enquanto “preocupação”, citada na obra magna heideggeriana. Procede-se à descrição e interpretação da sua simbologia relacionando-a aos conceitos existenciais de projeto e cotidianidade. Conclui-se pela riqueza significativa da fábula, especialmente em relação ao trabalho terapêutico na sua significação de cuidado e/ou dedicação.

Fábula: “Certo dia quando Preocupação atravessava um rio, viu argila; pensativa apanhou um pedaço e começou a dar-lhe forma. Enquanto pesava no que tinha feito chegou Júpiter. Preocupação pediu-lhe que desse espírito à forma, no que ele concordou com prazer. Mas quando Preocupação quis colocar-lhe seu próprio nome, Júpiter proibiu e ao invés disso exigiu que fosse colocado o nome dele. Enquanto Preocupação e Júpiter disputavam, apareceu Terra querendo que seu nome fosse dado à criatura já que ela a tinha provido com parte do seu corpo. Eles pediram a Saturno para ser o Juiz, ele proferiu a seguinte sentença, que pareceu ser justa: Visto que tu Júpiter, lhe destes espírito, receberás esse espírito em sua morte; e uma vez que tu Terra, lhe destes seu corpo, tu receberás seu corpo. Mas, já que Preocupação formou primeiro esta criatura, a possuirá enquanto viva. E por causa da disputa que neste momento existe entre vocês quanto ao nome, seja chamada de “homo” devido a que é feita de humus (terra)”.

Tapia LER. A questão do saber poético em bases analítico existenciais. Revista Musas Gregas Academia de Letras de Uberlândia, Uberlândia, 1992; 1(1):11-12.
RESUMO: Estudo exegético existencial de fragmentos da elegia Brot und Wein de Hölderlin citado no escrito heideggeriano “Para que ser poeta?”. Procede-se a explicitação de itens estruturais na formulação da questão e da resposta citadas no escrito. Conclui-se pela viabilidade e necessidade do diálogo poético-filosófico contemporâneo.

Tapia LER. Dimensão existencial no texto clássico do canto das sereias. Revista Musas Gregas Academia de Letras de Uberlândia, Uberlândia, 1992;1(0):16-17.
RESUMO: Exegese analítico-existencial do texto clássico do canto das sereias. Procede-se à explicitação da sua simbologia relacionando-a a necessidades humanas dos seus principais personagens. Conclui-se pela importância significativa do canto em relação a necessidade existencial de mitos manifesta na história e na cotidianidade do ser humano.

Tapia LER. Édipo sujeito: notas para uma reflexão axiológica a respeito do fenômeno humano. Educação e Filosofia, Uberlândia, 1989; 4(7): 51-57.
RESUMO: Pela descrição fenomenológica da história do personagem Édipo da mitologia grega, manifesta-se uma preocupação em refletir a respeito da problemática axiológica de interesse em psicologia, educação e outras ciências humanas.

Tapia LER, Oliveira CM. Quantidade ou qualidade: dilema da ciência psiquiátrica. Jornal Brasileiro de Psiquiatria, Rio de Janeiro, 1991; 40(5): 263-266.

Oliveira CM, Tapia LER. Enurese infantil e perturbação distímica nos adultos. Revista Brasileira de Neurologia, Rio de Janeiro, 1989; 25(6):179-182.
RESUMO: Estudo quantitativo e qualitativo a respeito dos sintomas caracterizadores da perturbação distímica nos pacientes adultos que tiveram enurese na infância. Procedeu-se a estudar noventa e seis casos casos clínicos com diagnóstico de perturbação distímica, através de anamnese médico-psiquiátrica e da escala de depressão de Hamilton. Dessa população foi selecionado um grupo de 30 pacientes, o qual foi subdivido em dois subgrupos numericamente iguais, sendo que um deles foi constituído de ex-enuréticos. Foi feita análise quantitativa e qualitativa entre os subgrupos. Conclui-se pela necessidade de tratar, precocemente, as crianças enuréticas enquanto medida preventiva de depressões mais acentuadas no futuro. (Artigo publicado em destaque).

Tapia LER , Oliveira CM. Psicose senil: um fenômeno humano.. Jornal Brasileiro de Psiquiatria, Rio de Janeiro, 1988; 37(5):257-260.
RESUMO: Estudo psicológico clínico de caracterização da psicose senil. Procedeu-se à caracterização conceitual das principais tipologias e à ilustração clínica pelo estudo do caso de uma paciente psiquiátrica de 81 anos de idade, diagnosticada de psicose senil arteriosclerótica. Utilizou-se material clínico obtido em entrevista exploratória com a paciente. A psicose senil evidenciou-se ser um fenômeno complexo, que envolve aspectos interdisciplinares, e reitera sua dimensão humana.

Oliveira CM, Tapia LER. Uma proposta terapêutica para a criança enurética. Pediatria Moderna, São Paulo, 1988; 23(10):533-542.

Oliveira CM, Tapia LER. Aspectos subjetivos na criança enurética. Pediatria Moderna, São Paulo, 1987; 22(3): 109-115.
RESUMO: O propósito precípuo deste estudo é explicitar a influência do mundo das relações familiais no surgimento de distúrbios emotivo-afetivos na criança enurética. Conclui que o mundo familial é vivenciado como opressor, punitivo, contraditório e ambíguo pela criança com o problema da enurese.

Tapia LER. Esboço de um estudo das formas de cognição em psicologia: fundamentos para uma disciplina acadêmica aplicada. Psicologia e Trânsito, Uberlândia, 1985; 2(2): 29-32.
RESUMO: Esboço de um estudo teórico a respeito de formas de cognição em psicologia. Duas formas fundamentais de cognição, cognição fatual e cognição essencial caracterizam a gênese do conhecimento nessa área. Este comporta implicações de interesse em termos de metodologia de pesquisa científica e de sistematização conceitual.

Tapia LER. Uma descrição fenomenológica da experiência de crise existencial ou angústia. (Tese, Doutorado em Psicologia Clínica); Pontifícia Universidade Católica de São Paulo; 1984.
RESUMO: Estudo fenomenológico da estrutura essencial do fenômeno crise existencial ou angústia. Com o propósito metodológico de contribuir para uma psicologia voltada para a compreensão do existir humano como uma totalidade não segmentada procedeu-se a evidenciar a estrutura essencial do fenômeno crise existencial, através da análise interpretativa de depoimentos escritos sobre experiências vividas. A estrutura essencial do fenômeno crise existencial, caracterizou-se como experiência de uma situação de totalidade de conformidade com o modo peculiar de ser-no-mundo e como experiência de revelação e individualização.

Tapia LER. Método em fenomenologia. Revista da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 1984; 102(103):79-85.

Tapia LER . Método em fenomenologia. Acta - AWHO, São Paulo, 1984; 3(2): 3-5.
Tapia LER. Uma revisão do método vigente na pesquisa em psicologia educacional. Revista Portuguesa de Filosofia, Braga- Portugal, 1982; 38(2):396-403.
RESUMO: Tentativa de explicitação dos fundamentos ontológicos constituintes do método vigente na pesquisa em psicologia educacional. Através da pergunta; ‘O que é isto o método vigente em psicologia educacional?” Procede-se a uma revisão deste método, primeiramente enunciando e explicitam suas principais etapas assim como os pressupostos subjacentes a estas, assumidos nas atitude habitual da pesquisa, tendo sempre co-presente o domínio psicologia educacional. Em seguida é feita uma alteração de significados que vem possibilitar a recuperação dos fundamentos ontológicos daquele método, envolvendo necessariamente a mudança da atitude habitual da pesquisa.

Tapia LER . Uma re-visão do método vigente na pesquisa em psicologia educacional.. Leopoldianum Revista de Estudos e Comunicações, Santos, 1982; 9(25):69-89.

RESUMO: Estudo dos fundamentos da metodologia preponderantemente usada (“método vigente” na pesquisa em psicologia da educação. O estudo procede no movimento de explicitação (“revisão”) que parte dos critérios metodológicos, expressamente admitidos e remonta aos pressupostos filosóficos implícitos nesses critérios. O pressuposto básico da metodologia analisada radica na atitude de pesquisa da ciência natural (“atitude natural’). Aponta-se para a necessidade da mudança dos significados assumidos na “atitude natural” a fim de possibilitar a recuperação do sentido humano da atividade de pesquisa científica. O trabalho inspira-se na crítica da fenomenologia husserliana ao naturalismo e na problemática ente/ser levantada pela ontologia hedeggeriana.

4.3 Alterações na experiência de tempo: proposta de um estudo interdisciplinar e uma hipótese de trabalho

Foi antes definido que a temporalidade (Zeitlichkeit) reúne: o futuro (Zukunft), o haver sido (Gewesenheit) e o presente (Gegenwart), Heidegger (8). Onde o modo indiferenciado de existência do Dasein “de início e na maior parte das vezes” se dá.
O estudo das alterações na experiência de tempo poderia ser um ponto de partida de um estudo interdisciplinar envolvendo psicologia, psiquiatria e neurociências, conforme visualizado a seguir.
Straus(15), no âmbito da psicologia fenomenológica, em estudo sobre desordens do tempo pessoal de pacientes em estados depressivos, relata as queixas:
1) sobre o futuro:
“Para mim, o futuro está longe. Não tenho esperanças. Antes podia olhar para o futuro, mas agora não posso. Há algo que não me permite”;
“Quero recuperar algo que parece que foi embora da minha mente; para me deixar ver o presente e o futuro ao invés de ficar olhando para o passado. Há em mim uma espécie de rotina que não me permite encarar o futuro
2) do passado:
“Tudo parece ter acontecido há séculos”;
“Esta manhã ao levantar-me, senti que o havia esquecido”;
“Não consigo lembrar a manhã que acaba de passar; ontem me parece tão remoto quanto os acontecimentos de anos atrás”;
“Tudo o que fiz me parece ter acontecido há muito tempo; quando chega o entardecer e penso no dia transcorrido, me parece que tivesse acontecido há três anos”.
3) sobre presente:
“O tempo não parece avançar em absoluto”;
“Não posso explicá-lo. Tudo é atemporal, sem mudança, irremediável”;
“Não tenho a sensação de tempo. Para mim, o tempo não é nada”;
“Me rodeia uma rigidez absoluta”.

Em estudo de caso em psiquiatria clínica sobre psicose senil, Tapia e Oliveira (17) também relatam achados de sintomas de perturbações da temporalidade. Paciente de 81 anos de idade, diagnosticada de psicose arteriosclerótica diz estar grávida, que casou com Santo Antônio apóstolo de Jesus.
À pergunta de quanto tempo faz que está grávida responde “são dois sábados e duas terças feiras”. À pergunta de quando nasce o nenê, refere “dentro de uns três meses”. Interrogada a respeito de quanto tempo leva uma criança para nascer, sustenta: “demora nove meses”. Diz que está com 50 ou 65 anos de idade; reitera que é moça, que vai casar. Perguntada sobre o que fará no futuro, diz que só vai rezar, que não tem medo da morte.
Espacialidade, religiosidade, psicossexualidade, memória, dinâmica familiar interna, associadas a experiência de tempo, não foram ora incluídas.
Em estudo em saúde mental sobre a temporalidade na angústia existencial Tapia (16) distingue duas fases temporais: anulação e reconstrução de mundo. Na primeira dá-se uma tendência temporal regressiva de retrospecção de vida e redescoberta da própria individualidade. Na segunda, ter-se-ia uma projeção temporal futural. Ambas fases temporais seriam essenciais à reestruturação e decisão mudança de projeto de existência no “mundo”.
Antes foi definido que a temporalidade (Zeitlichkeit) reúne as dimensões temporais: o futuro, o haver sido e o presente.
Ora formula-se a hipótese de trabalho de que alterações na experiência de tempo, estariam fundadas no fenômeno existencial da temporalidade (Zeitlichkeit), inclusive em temos cronobiológicos.
Os ritmos biológicos, no dizer dos psiquiatras Kaplan, Sadock e Grebb (11) são ajustados tanto por forças internas quanto externas, denominadas zeitgebers (indicadores cronológicos, cronomarcadores, sincronizadores). Etimologia: Zeitgebers = Zeit (tempo)+ gebers (doadores).
Os núcleos supraquiasmáticos do hipotálamo seriam o principal zeitgeber endógeno. O ciclo claro-escuro, horários de refeições, turnos de oito horas de trabalho exemplificariam zeitgebers exógenos.
Segundo esses autores, um sintoma psiquiátrico mais comumente associado com perturbações dos ritmos biológicos, é a depressão. Formulam a hipótese que a depressão ocorre em algumas pessoas quando a fase sensível ao sono do sistema circadiano avança das primeiras horas da manhã para as últimas horas de sono. Pesquisas têm indicado que nas alterações do ciclo claro-escuro, a exposição do paciente à luz artificial ou a mudança do ciclo de sono-vigília, podem aliviar os sintomas.
Por sua vez neurocientistas Bear, Connors e Paradiso (1) também denominam de zeitgebers informações do tempo ambiental: luz e escuridão, variações na temperatura e na umidade. Na presença de zeitgebers, animais seriam obrigados a manter um ritmo de atividade de 24 (vinte e quatro) horas.
Face à pergunta: “Como fazem os neurônios do núcleo supraquiasmático para precisar o tempo?” esses autores afirmam que cada célula do NSQ seria um “minúsculo relógio”.
A experiência de remover neurônios do NSQ de ratos, e colocá-los numa placa de cultura de tecido, tem mostrado que as freqüências de disparo de potenciais de ação continuam a variar em ritmos de aproximadamente de 24 (vinte e quatro) horas.
Na experiência de se aplicar tetrodoxina (TTX), bloqueador de canais de cálcio às células do NSQ, bloqueia-se os potenciais de ação. Mas ao ser retirada a TTX, os potenciais de ação reassumem as freqüências de disparo originais de 24 (vinte e quatro) horas. O “relógio” do NSQ continuaria a funcionar mesmo sem potenciais de ação.
A hipótese de trabalho de que alterações na experiência de tempo, como as descrita acima estariam fundadas no fenômeno existencial da temporalidade (Zeitlichkeit), inclusive em temos cronobiológicos, faz sentido.
Alterações na experiência de tempo envolvendo zeitgebers endógenos e exógenos poderia ser ponto de partida numa proposta de estudo interdisciplinar. Aspectos neurológicos, psiquiátricos, psicológicos e/ou psicossociais poderiam ser complementarmente elucidados.
Isto, também depõe a favor da tese principal de estudo de que o mundo existencial do paciente na sua significação global: a) orgânica, b) social e c) mental, afetado pelo transtorno na vida do paciente se constitui em objeto de autêntica preocupação do psicólogo enquanto profissional da saúde/ saúde mental.

5 DISCUSSÃO

Naturalmente que uma teoria em si não exaure seu objeto de estudo, condição de possibilidade para a produção de conhecimento. Interessaria então destacar a necessidade da sintonia: teoria- método-objeto.
A teoria seria uma maneira de ver seu objeto de estudo ou preocupação. No caso da concepção analítico existencial de homem (Dasein) enquanto ser-no-mundo, sugere-se compatível com visão contemporânea de homem como unidade bio-psico-social na área da saúde mental

Uma teoria a respeito de um objeto de estudo ou preocupação, implica numa metodologia de acesso a esse objeto. A perspectiva metodológica da compreensão e interpretação existencial, funda-se na questão sentido, constitutiva do ser-aí (Dasein), também sugere-se compatível ao estudo psicológico do “objeto” ser humano.
Na amostra de produção bibliográfica de orientação fenomenológico existencial acima referida procurou-se manter a sintonia: teoria- método-objeto.
Quanto a proposta de um estudo interdisciplinar e sua hipótese de trabalho de que as alterações na experiência de tempo estariam fundadas no fenômeno existencial da temporalidade (Zeitlichkeit), inclusive em temos cronobiológicos, sugere-se ponto de partida para a reflexão sobre os desafios do psicólogo contemporâneo.

6 CONCLUSÃO

Conclui-se que a tese de que o mundo existencial do paciente na sua significação global: a) orgânica, b) social e c) mental, afetado pelo transtorno na vida do paciente se constitui em objeto de autêntica preocupação do psicólogo enquanto profissional da saúde/ saúde mental, apresenta fundamentação teórica e de evidência fatual e histórica.

7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. Bear FB, Connors BW, Paradiso MA. Os ritmos do encéfalo. In: Bear FB, Connors BW, Paradiso MA. Neurociências: desvendando o sistema nervoso. Porto Alegre: Artes Médicas; 2001, p.628-633.
2. Binswanger L. Analítica existencial y psiquiatria. In: Binswanger L. Artículos y
conferencias escogidas. Madrid: Gredos; 1973, p.436-7.
3. Binswanger L. Experimentar, compreender, interpretar en el psicoanálisis. In: Binswanger L. Artículos y conferencias escogidas. Madrid: Gredos; 1973, p.255-6.
4. Binswanger L. La escuela de pensamiento de análisis existencial. In: May R, Angel E, Ellenberger HF. Eds. Existencia: nueva dimensión en psiquiatría y psicología. Madrid: Gredos; 1977, p.236.
5. Boss M. Culpa, angústia e libertação. São Paulo: Duas Cidades;1977, 128-9.
6. Heidegger M. Being and Time. New York: Harper & Row; 1962, p.67-71.
7. Heidegger M. Being and Time. New York: Harper & Row; 1962, p.78.
8. Heidegger M. Being and Time. New York: Harper & Row; 1962, p.377-378.
9. Heidegger M. Sein und Zeit. Tübingen; Neomarius, p148-153.
10. Husserl E. The Paris lectures. The Hague: Martinus Nijhoff; 1975, p.39.
11. Kaplan HI, Sadock BJ, Grebb JA. O cérebro e o comportamento.In: Kaplan HI, Sadock BJ, Grebb JA. Compêndio de psiquiatria: ciências do comportamento e psiquiatria clínica. Porto Alegre: Artes Médicas; p.149.
12. May R. Contribuciones de la psicoterapia existencial. In: May R, Angel E, Ellenberger HF. Editores. Existencia: nueva dimensión en psiquiatría y psicología. Madrid: Gredos;1977, p.86-92.
13. May R. Orígenes y significados del movimiento existencial en psicologia. In: M May R, Angel E, Ellenberger HF. Editores. Existencia: nueva dimensión en psiquiatría y psicología. Madrid: Gredos; 1977, p.20-21.
14. May R. Orígenes y significados del movimiento existencial en psicologia. In: M May R, Angel E, Ellenberger HF. Editores. Existencia: nueva dimensión en psiquiatría y psicología. Madrid: Gredos; 1977, p.28-38.
15. Straus EW. Desordenes del tiempo personal en los estados depresivos. In: Straus EW. Psicología fenomenológica. Buenos Aires: Paidos; 1966, p.294.
16. Tapia LER. Duas fases da angústia existencial: anulação e reconstrução de mundo. Tempo Saúde Medicina Odontologia Psicologia, Itumbiara, 1995; 1(3):6.
17. Tapia LER , Oliveira CM. Psicose senil: um fenômeno humano. Jornal Brasileiro de Psiquiatria, Rio de Janeiro, 1988; 37(5):257-260.



7 NOTAS

1 Luis Ernesto Rodriguez Tapia é Doutor em Psicologia Clínica/PUC-SP, Pós-Doutorado em Psiquiatria/ FMRP-USP, Assistente Social, Professor Titular Depto. de Clínica Médica/ Faculdade de Medicina, Universidade Federal de Uberlândia.

2 Edmar Henrique Dairell DaviMestre em História pela Universidade Federal de Uberlândia, Professor de História da Psicologia no Curso de Psicologia/Faculdade de Ciências Aplicadas de Minas/UNIMINAS


Inscreva-se nos Cursos à Distância da SAEP:

Curso de Introdução ao Existencialismo

Curso Diálogo Maiêutico e Psicoterapia Existencial

Estude sem sair de casa

LIVROS RECOMENDADOS

 

©1999 - Todos os direitos reservados à SAEP - Sociedade de Análise Existencial e Psicomaiêutica Webmaster: Jadir Lessa: jadirlessa@msm.com.br

 

 Rua Conde de Bonfim, 370 Sala 1005 - Tijuca - Rio de Janeiro - RJ - CEP 20520-054 - Tel. (021) 2567-4420, Telefax (021) 2264-8615 e Celular (021) 9323-2129