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EDIÇÃO ESPECIAL CADERNO DE EDUCAÇÃO

 

Artigo

 

Teatro para crianças ou teatro infantil?


André Brilhante
Prof. da Educação Artística - Teatro.
Mestrando em Artes Cênicas pela Unirio (Universidade federal do Rio de Janeiro)
brilhanteandre@yahoo.com.br

Terceiro sinal, pequenos olhos atentos esperam por algo a acontecer: vai começar o "teatrinho"!
Ao pesquisar teatro feito para crianças esbarramos numa primeira barreira: o objeto de estudo. Teatro para crianças ou teatro infantil? Segundo dois grandes dicionários da Língua Portuguesa ,o termo infantil é sinônimo para ingênuo e tolo. Será que o teatro feito para os mais jovens merece atributos tão pejorativos?
Muito pelo contrário. Ao pesquisar o teatro destinado às crianças descobrimos que este merece e deve ser feito de maneira tão responsável como um "teatro para adultos". Como afirma o mais respeitado diretor teatral da atualidade, Peter Brook:

As crianças são muito melhores e mais objetivas do que a maioria... elas não têm preconceitos, nem teorias, nem idéias fixas. Chegam querendo se envolver por inteiro no que estão vendo, mas se perderem o interesse não precisam disfarçar a falta de atenção .

Há nessa reflexão de Peter Brook o reconhecimento da dificuldade de apreender a atenção de uma criança, mas, ao mesmo tempo, o quanto envolvente pode se ter numa relação entre palco e platéia nesse espetáculo.
Tecnicamente e artisticamente, a peça deve ser tão ou mais exigente do que para um adulto. O público jovem não tem a menor vergonha de virar-se de costas e abandonar o ator no auge de sua representação. É um desafio colocar-se à frente de uma platéia de crianças e manter as suas atenções no decorrer da história.
A primeira tarefa do teatro para crianças é vencer as barreiras e os preconceitos que contornam o trabalho artístico para este público. Acreditar que a criança é um ser completo, e não um ser incapaz de entender a cena ou que ela é "um adulto em formação ou em processo". Acreditar que com essa platéia é possível estabelecer diálogos, críticas e questões sobre o espetáculo teatral.
Esse desafio é instigante para artistas que se preocupam em trazer a criança para o lugar da fantasia, do jogo, do "faz-de-conta". No palco, como numa brincadeira, deve valer tudo e se dar asas à imaginação. Sapatos virarem carros, lenços virarem reis, atores virarem personagens. Para uma boa apresentação, só depende que esse jogo cênico seja criativo, lúdico e convincente ao nosso exigente espectador.
Com a preocupação da relação do adulto artista com a criança espectadora, há sete anos foi criado o CBTIJ - Centro Brasileiro de Teatro para Infância e Juventude, cuja sede é no Rio de Janeiro. O CBTIJ é filiado à ASSITEJ, instituição internacional que também visa a reflexão no trabalho teatral feito para crianças. Essas duas organizações denotam a necessidade de se pensar num teatro para crianças de qualidade.
O teatro nas crianças tem a capacidade de formar platéias futuras, de educar, de divertir, de jogar, de brincar,... e principalmente, garantir às crianças o seu direito de sonhar.

Palavras-chave: teatro, criança e jogo.

 

 

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