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| Psicóloga Nina Eiras
Dias de Oliveira |
A educação sexual acontece primordialmente no
contexto da família onde a criança está inserida.
Muitos pais preferem nem tocar no assunto. Outros super
estimulam as crianças, achando engraçadinho ver
crianças de 1, 2, 3 anos beijarem na boca, ao som de
frenéticas risadinhas, ou indagações do tipo:
"Quem é seu namorado?" As meninas vestem micro
saias, ou micro shorts, os meninos são empurrados a
desejar modelos como Tiazinha, Carla Perez, Feiticeira,
etc.
A geração anterior era muitas vezes punida e
repreendida caso mencionasse ou quisesse saber alguma
coisa a respeito de sexualidade. A atual é bombardeada
pela estimulação precoce à erotização.
Há os que acreditam que só estão lidando com a
sexualidade a partir do momento em que ela é falada,
seja através de informações ou explicações a
respeito. Mas onde inicia então esta relação? Quando a
mãe e o pai cuidam do bebê, brincam com este, na
maneira como se relacionam com ele, ao mesmo tempo em que
o casal vive uma relação afetiva, gratificante ou não,
quando os limites de cada papel e relação ficam bem
definidos e marcados, quando a criança pode concluir que
amar é ou não possível, está recebendo educação
sexual.
Quando se pensa em educação sexual na infância,
automaticamente tem que se pensar, também, em
desenvolvimento emocional, isto é, tem que se levar em
conta o nível de maturidade e as necessidades emocionais
da criança.
É importante que as questões da criança tenham espaço
para serem colocadas e respondidas com clareza,
simplicidade, na medida em que esta curiosidade vai se
dando. Ás vezes, alguns pais querem se livrar logo do
assunto e na ansiedade disparam a falar além da
necessidade da criança, na tentativa muitas vezes
frustrada de que nunca mais vão precisar falar sobre o
assunto. Quando uma criança pergunta por exemplo, como o
bebê foi parar na barriga da mãe não quer dizer que
ela queira ou aguente saber detalhes com relação ao ato
sexual dos pais. Responder a criança de maneira simples,
clara e objetiva satisfaz sua curiosidade. A satisfação
dessas curiosidades contribui para que o desejo de saber
seja impulsionado ao longo da vida, enquanto que a não
satisfação ou o excesso de informações gera ansiedade
e tensão.
A sexualidade infantil é diferente da
sexualidade adulta, não contém os mesmos componentes e
interesses. Muitas vezes através da dramatização, a
criança compreende, elabora, vivencia a realidade que
vive. Compreende papéis (mãe, pai, filho, homem,
mulher, etc.), embora muitas vezes já se perceba menino
ou menina e já conheça seus orgãos genitais,
experimenta na brincadeira sexos indiferentemente.
Perdeu-se hoje, de uma forma geral, a noção do que é
pertinente a criança. Vejo com frequência adultos se
dirigirem a criança como se estivessem se dirigindo a
adultos em miniatura. Não sabem como se aproximar delas,
sobre o que falar e de que maneira.
Ao ouvirem uma criança se referir a outra como
sendo seu namorado entendem isto dentro do parâmetro de
adulto, às vezes desesperando-se, às vezes estimulando,
poucos lidam com este dado na dimensão do contexto e por
quem ele é apresentado.
Acompanho no consultório crianças que, super
estimuladas, encontram na erotização a única forma de
se relacionar. O afeto é erotizado e os movimentos, a
vestimenta e a maneira como se comportam, tem o sentido
de provocar uma relação erotizante. Apresentam,
portanto, distorção em sua capacidade de sentir,
pensar, integrar, conhecer e de relacionar, pois são
estimuladas a dar um salto para a sexualidade genital,
que não têm condições emocionais, biológicas e
maturidade de realizar, dispertando, muitas vezes, alto
nível de ansiedade e depressão.
Psicóloga
Nina Eiras Dias de Oliveira Psicoterapeuta Infantil com formação na
Abordagem Centrada na Pessoa Membro do GPFE - Grupo
Petropolitano de Psicologia Fenomenológica Existencial
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