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Explicar
o que somos é tão complicado quanto dizer o que
precisamos para sermos felizes. Somos tanto e queremos
ainda mais. Sem dúvida nós, seres humanos, somos
complicados em essência, por mais simples que sejamos.
Em contrapartida, não se pode fugir dos rótulos e de
certas determinações que são impostas na busca de uma
identidade dentro de um grupo ou até mesmo em termos de
sociedade. Temos que nos enquadrar em algum
"padrão", nos tipificar em algum conjunto. E
tudo isto para compreendermos um pouco mais sobre quem
realmente somos e a partir daí expandirmos nossos
horizontes e metas de vida.
Tentarei neste texto explicar as variantes e variáveis
de um mundo amplo e cheio de enigmas para todos os que de
certa forma se encantam pela sexualidade, ou seja, todos
nós , independentemente do grau de seu interesse.
Tentarei aqui, explicar as muitas facetas dos
Transgêneros.
Tarefa difícil e que levou muitos anos de minha vida em
conversas, bate papos e muita observação dos mais
heterogêneos modos de vida, e principalmente, dos mais
diversos tipos de seres humanos.
Trangêneros são as pessoas que ultrapassam o gênero.
Isto mesmo, as pessoas que estão
"além"-gênero. São indivíduos, homens ou
mulheres, que invertem a sua trajetória biologicamente
"natural" , em busca de alguma(s)
característica(s) secundárias do sexo oposto , que
estão contidas em seu eu interior.
A linha desta busca pode ou não passar pela
exteriorização física; trata-se mais de uma
característica da alma, de um sentir indo ao encontro de
um pedaço importante que se encontra perdido em algum
lugar.
Ao analisarmos esta busca (sofrida, muitas vezes) ,
distinguimos alguns tipos de trangêneros, os quais não
são mais, nem menos: são simplesmente diferentes.
Assim, introduzo aqui algumas questões:
Transexuais (TS):
Indivíduos que possuem o sexo biológico em
não-conformidade com seu sexo psicológico. Temos aqui,
homens que nasceram homens, biologicamente falando, com
genitália e gônodas do sexo masculino, mas possuem
"psique" e alma totalmente femininas. Corpo de
homem, numa mulher. Podemos também ter uma mulher
biologicamente "perfeita", quanto à sua
constituição biológica, mas que encontra dentro de si
e na sua essência,um homem.
Sabe-se que não se pode mudar a cabeça das pessoas, no
sentido do que elas são o que está dentro de seu
"eu interior". Hoje em dia, entretanto, podemos
adequar um pouco o físico ao modo de pensar destoante da
realidade psíquica. E é isto o que é feito, na maioria
das transexuais, que muitas das vezes chegam até à
cirurgia de readequação genital.
Travestis (TV):
São indivíduos que se travestem com vestimentas do sexo
oposto e que além disso exteriorizam os caracteres
secundários, tais como voz, corpo, etc, deste sexo
antagônico.
Os travestis mantém o chamado vínculo com o
sexo de origem. Ou seja, tem algo que os prende ao seu
sexo biológico de nascimento.
Crossdresser (CD):
Trata-se dos mesmos casos dos indivíduos que sendo de um
sexo, se vestem como o do outro. A diferença é que o
CD, não assume publicamente uma identidade social
feminina. Portanto não fará uso de hormônios e e nem
de cirurgias corretivas em seu corpo, pois em sua rotina
diária, tem uma vida condizente com seu sexo biológico.
Os hormônios até poderão fazer parte de sua vida, mas
até o limite em que sua identidade social não seja
afetada. Os crossdressers podem ter tendência hetero,
homo ou bissexual.
Drags:
Podem ser homens (que se vestem de mulher), como é o
caso das "drag queens", ou mulheres (que se
vestem de homem), como é o caso das "drag
kings". O que realça esta particularidade na sua
maioria é o exagero pela figura que busca. A drag queen
realça de maneira exacerbada a forma e o fenótipo
feminino. A drag king, o masculino. Na maioria dos casos,
as drags não buscam parecer-se com o sexo de
"montaria" durante o seu cotidiano.
De uma forma geral, o que quero colocar e acho importante
salientar é que todos somos seres humanos, e na vida
real devemos usar esta diversidade que nos faz tão ricos
e produtivos, em prol de coisas boas; como o
reconhecimento de todos os direitos que nos são
garantidos no nascimento, bem como de um mundo melhor,
onde a oportunidade de emprego, igualdade de justiça e
principalmente direito à vida sejam sempre respeitados e
colocados em primeiro lugar.
© Maite Schneider é Vice-Presidente do Instituto
Paranaense 28 de junho de Direitos humanos
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