| Caderno do Psicodrama |
| PLAYBACK THEATRE: TEATRO ARTE, ESPONTÂNEO E TERAPÊUTICO* | ||
"
'No princípio era o verbo' , dizia João nos Evangelhos.
'No princípio era o feito', exclamava o Fausto de
Goethe. Avancemos mais. 'No princípio era aquele que
fazia, o ator; no princípio era eu, o Criador do
Universo' " ( Moreno ). "Drama" vem do grego, significa ação, acontecimento . Teatro é ação no palco, um contexto "como se"; teatro é a arte de se colocar a vida em ação- a vida externa, "real", e a vida interna, da imaginação. Como
diz a frase "a arte imita a vida", o teatro
espelha a vida como ela é, com todas os matizes do
trágico ao cômico. E, por isso, provoca catarse,
descarga emocional, alívio ou enlevo. Desta forma, segundo teatro cumpre várias funções básicas: de comunicação estética, compreensão, participação e transformação ( 1, p. 39 e 6, p. 60-63 ). " A ação dramática é, em sua essência, heterônima, e para isso exige necessariamente um contexto humano de interações, o que implica sempre pôr em jogo valores de solidariedade e cooperação... também é uma busca do homem, mas destaca-se fundamentalmente como método que tende a promover a compreensão humana compartilhada" ( 6, p. 61 ) . Estamos em fase de transição, entrando no terceiro milênio. O ser humano conseguiu muitos avanços tecnológicos, de uso e controle da natureza, característicos do modelo científico mecanicista - que emergiu na época do renascimento e predominou nos últimos trezentos anos, especialmente no século XX. A Psicologia e a Psicanálise - frutos deste século - têm oferecido instrumentos para o ser humano se conhecer e utilizar suas próprias forças ocultas ou não desenvolvidas. Mas ainda não ocorreu a verdadeira "revolução criadora" almejada por Jacob Levy Moreno, criador do Psicodrama e do Teatro da Espontaneidade. Segundo este autor ( 8 , p. 22-24), o orgulho do Homem- como centro do universo- tem sofrido repetidos abalos nas últimas centenas de anos, desde Copérnico ( a Terra não é o centro do universo), passando por Darwin ( seleção natural e evolução biológica), Marx ( história comandada por movimentos de massa), Mendel (determinação genética), Freud (força do inconsciente ) e ele próprio (leis sociométricas governam as relações interpessoais); "enquanto , no plano tecnológico, é grande a prontidão do Homem para fazer uso de instrumentos tão logo sejam inventados, no plano social esta prontidão encontra-se excessivamente baixa, praticamente nula". Moreno escreveu isto em 1974, na introdução da edição revista de "O Teatro da Espontaneidade" . Concordamos com ele que o ser humano "ainda se encontra num estágio embriônico de desenvolvimento em relação ao seu potencial espontâneo-criativo". Por exemplo, a comunicação interpessoal, direta, de pessoa a pessoa , está ainda primitiva em comparação à comunicação digital e informatizada à distância. Pesquisas revelam que aumenta o tempo das pessoas frente à TV e ao computador, enquanto diminui o tempo de contato direto, interpessoal, "olho no olho". Se
não investirmos mais no resgate e na expansão do nosso
potencial espontâneo-criativo, corremos o risco de
sermos apenas atores coadjuvantes, robôs, clones ou
marionetes manipulados por fenômenos massificadores como
a globalização, a automação e a engenharia genética.
Boal disse em 77 ( 2 , p. 17) e em 96 ( 3 , p. 28) que
todos devem representar; " a alfabetização teatral
é necessária porque é uma forma de comunicação muito
poderosa e útil nas transformações sociais" e
" a profissão teatral, que pertence a poucos, não
deve jamais esconder a existência e permanência da
vocação teatral que pertence a todos." Os
atos mágicos estão sempre imbuídos do conceito mágico
da encarnação e invariavelmente culminam no contágio.
A encarnação mágica tem paralelo no psicodrama, no
desempenho de papéis , de forma geral, e de forma
específica, na técnica do duplo, em que um ego auxiliar
"encarna" uma parte/um aspecto do eu do
protagonista. Diz Moreno " no mundo psicodramático
, o fato da encarnação é central, axiomático e
universal (...) não é mais o senhor, o grande sacerdote
ou o grande terapeuta que encarna Deus. A imagem de Deus
pode tomar forma e ser encarnada por qualquer
pessoa..." ( 7 , p. 14-15 ) Na antiga Grécia, as representações dramáticas dos ritos órficos são outro exemplo do rito mítico: o sentido da participação no ritual era ter acesso aos mistérios, incorporá-los e os compartilhar junto à comunidade de "iniciados". Foi na própria Grécia que surgiu a tragédia como uma forma evoluída e tardia das representações dramáticas míticas; aqui surge a necessidade de manter o fenômeno da catarse ( purificação, ) em sua vertente passiva, para controlar condutas, ou seja, com objetivos ideológicos. A catarse aristotélica ( ver citação que abre esta parte do trabalho) é a catarse trágica, em que o que é eliminado "é sempre uma tendência do herói de violar a lei" , daí a seqüência na tragédia grega - como em alguns filmes de ação americanos : exaltação das próprias culpas trágicas; confissão das culpas; sofrimento e castigo. "Os espectadores se assustam, sofrem a catarse e purificam-se do desejo de transformação... por isto, esta forma de catarse busca adaptar o indivíduo à sociedade" ( 3, p. 82-83 ). Este aspecto ideológico, moralista, que inibe a função transformadora e enfatiza a função estética e de entretenimento do teatro, esteve presente em épocas históricas de maior repressão sócio- política como na Idade Média, no período do puritanismo vitoriano e durante a ditadura militar no Brasil. As representações dramáticas míticas, das primeiras sociedades primitivas tinham uma função ativa de catarse ética, em que todos os participantes "encarnam" e se envolvem diretamente no ritual; é a partir da tragédia grega que surge o "espectador" propriamente dito ( de spectare, contemplar). Aí também é que emerge o papel teatral do protagonista (o que luta e morre) , na figura do celebrante que se destaca do "coro", posicionado junto ao altar dos sacrifícios, atuando "como se" fosse o deus celebrado ( por exemplo, Dioniso ). O Psicodrama , desde sua origem no Teatro Vienense da Espontaneidade, entre 1921 e 1923, vem resgatando a catarse ativa da representação dramática. Moreno ( 8 , p. 9-19 ) , define como tarefa central do Teatro da Espontaneidade "a de produzir uma revolução no teatro", propondo as seguintes mudanças: 1. Eliminação do dramaturgo e do texto teatral por escrito; 2. Participação da audiência, cada um e todos são atores; 3. Atores e platéia são co- criadores; tudo é improvisado- a peça, a ação, o motivo, o diálogo, o encontro e a resolução de conflitos; 4. No lugar do palco tradicional, desponta o palco- espaço, o espaço aberto da própria vida ( ... ) " O estímulo não foi o palco de Shakespeare nem o dos gregos: o modelo, tomei-o de empréstimo à própria natureza ( ...) Minha visão de teatro foi moldada segundo a idéia do self espontaneamente criativo( ... ) O teatro consistia num retiro seguro para uma revolução na surdina, oferecendo possibilidades ilimitadas para a pesquisa de espontaneidade a nível experimental". Nesta época ( até 1925 ), em Viena, Moreno relata que trabalhou com quatro modalidades de -teatro espontâneo: teatro do conflito ou teatro crítico; teatro da espontaneidade ou teatro imediato, teatro terapêutico ou teatro recíproco, e teatro do criador. Seus objetivos eram o resgate e a expansão do potencial espontâneo- criativo de cada um assim como uma pesquisa in statu nascendi dos estados de espontaneidade e criatividade. Por isso ele deixou de enfatizar a estética do espetáculo e a busca da perfeição dos atores pois "sua espontaneidade e criatividade são nossos focos primários de preocupação. Sua integridade e sinceridade significam mais do que seu nível artístico. A catarse se desloca do espectador para o ator e do ator novamente de volta para o espectador" ( 8 , 41 ). A catarse passa a ser "de integração" somato- psíquica como interpessoal, do ator- protagonista com o grupo e entre seus membros. Desta forma Moreno retorna às origens da representação dramática mágica e mítica, enfatizando sua vertente ética e a catarse ativa. Cada vez mais o teatro da espontaneidade de Moreno se torna terapêutico, onde "a pessoa central é o paciente mental, com seu verdadeiro mundo, real ou imaginário" ( 8 , 53 ). Nos E.U.A, para onde Moreno se emigrou em 1925, ele sistematizou os princípios e métodos do Psicodrama, da Psicoterapia de Grupo e da Sociometria e continuou a trabalhar com o Teatro da Espontaneidade e o Sociodrama ( oriundo do "Jornal Vivo"). No Brasil, o Psicodrama se instalou definitivamente a partir da década de 60 e, nos primeiros anos, a prática psicodramática esteve mais voltada para fins terapêuticos, em pequenos grupos ou bipessoal e em contexto dos consultórios, clínicas e hospitais psiquiátricos ( talvez pelo fato de coincidir com o período da ditadura no país ). A
partir da década de 80 a teoria do Psicodrama se
fortaleceu com a publicação de muitos livros,
periódicos e revistas especializadas e a prática
psicodramática vem se expandindo para grandes grupos e
espaços abertos na comunidade. Foram desenvolvidos
muitos métodos e técnicas sociodramáticos aplicáveis
a grandes grupos oriundos da grande matriz moreniana do
Teatro da Espontaneidade. Em
1999 nasceu o "Vida-em-cena - Grupo de Teatro
Espontâneo da SOBRAP-BH", que tem se dedicado
especialmente ao estudo, prática e divulgação do
playback theatre. Os
instrumentos essenciais de uma representação dramática
continuam sendo a mensagem, o ator/atores e o público (
mais ou menos participativo, mas sempre com a função de
"caixa de ressonância afetiva") e a lei
dramatúrgica do como se ( tudo que ocorre no
espaço-tempo da dramatização é ficcão ou
simulação). Este espaço- tempo , concretizado por um
palco, um tablado ou uma área circular central ou um
"canto" demarcado, apresenta, segundo Boal ( 3
, p.32-36 ) além das três dimensões objetivas-
comprimento, largura e altura- mais duas dimensões
subjetivas- afetiva e onírica, proporcionadas pela
memória (retrospectiva) e pela imaginação (
prospectiva). A primeira atua como um poderoso
telescópio, que aproxima o passado
"lá-e-então" e a outra opera como um poderoso
microscópio, que amplifica, maximiza e re-significa cada
gesto, cada movimento , cada palavra. O teatro, dissemos acima, tem, de forma geral, as funções de participação, comunicação estética , compreensão e transformação. O Teatro Espontâneo, por ser interativo e fruto de co-criação, cumpre , de forma específica, ainda segundo Aguiar (1, p. 39-44), as funções socioanalítica, socioterápica, educativa e psicoterápica, que podemos detalhar nos seguintes objetivos: 1º liberação e expansão do potencial espontâneo -criativo, nos níveis individual e coletivo; 2º desenvolvimento do espírito de grupo / equipe - por ser uma interação face a face intensa que exige dos atores solidariedade, disponibilidade, generosidade e harmonia interpessoal; 3º catarse de integração, intrapessoal e intragrupo; 4º auto-consciência e reorganização de papéis sociais e psicológicos ; 5º desvelamento do co-consciente e do co-inconsciente grupal ( conceitos de Moreno ) , fazendo emergir múltiplos sentidos para o grupo e cada um de seus membros , no aqui e agora . Boal
( 3 , p. 27-42 ), ao comentar o sentido terapêutico do
Teatro do Oprimido, lembra que a palavra psique, seja em
grego, inglês ou francês, designa não só " o
conjunto de fenômenos psíquicos que formam a unidade
pessoal, como também um objeto, um espelho no qual uma
pessoa, em pé, pode ver-se por inteiro, ou seja, na
psique o espectador ( spect- ator ) vê sua psique,
vê-se a si mesmo no outro". E cita Shakespeare,
"O teatro é um espelho onde se reflete a
natureza!". Caracteriza-se
por ter um grupo fixo de atores (profissionais e/ou
psicodramatistas) que interpreta , de improviso,
histórias e fatos contados por pessoas da platéia. No
playback theatre, diferentemente do teatro espontâneo
matricial, há clara distinção dos papéis de
direção, atores, platéia e o emergente grupal atua
como "narrador", não representando ele mesmo o
seu drama no palco. Pode-se incluir outros papéis como
músico e iluminador. Há dois pressupostos básicos: 1º Ao ver sua história representada e reinventada no palco, o narrador amplia seu sentido inicial, o que se torna terapêutico , por permitir uma nova visão do mesmo fato; o sujeito- narrador projeta no palco suas lembranças e observa ali fatos acontecidos ou desejados ( dimensão afetiva) e os penetra, "atravessa o espelho", com ele se funde e sonha ( dimensão onírica ). 2º As histórias narradas e encenadas no mesmo espetáculo " vão se encadeando, conversando uma com a outra e dando uma solução para aquele grupo, naquele momento" ( 5 ) com seus conflitos, temores, valores e peculiaridades sociométricas - ou seja, o seu co-consciente e o seu co-inconsciente , daí ser um método sociátrico. Quanto
à sua aplicabilidade - além do prazer estético , o
"Vida-em-cena" tem realizado o playback theatre
com as seguintes finalidades: desenvolvimento pessoal;
diagnóstico de um grupo - institucional, empresarial,
comunitário, profissional ; introdução de programas de
desenvolvimento e de mudanças; integração e reflexão
de temas específicos. O tema geral, escolhido pela Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento- MG e pela Coluna de Recursos Humanos do Jornal Estado de Minas é "Novos tempos, novos valores - potencializando a força humana e empresarial". Diretora, seis atores e dois músicos se apresentam com expressão corporal e verbal, trazendo como estão neste momento, aqui e agora. A diretora fala dos objetivos do playback theatre: é uma modalidade de teatro, onde um elenco fixo de atores transformam fatos, emoções e histórias da platéia em imagens, movimentos , cenas, imediatamente após serem narradas e sem ensaio prévio. O princípio básico é de co-criação espontânea entre participantes, atores e músicos, mediados pela direção. Iniciando a primeira fase , de aquecimento, a diretora estimula os participantes a expressarem os sentimentos daquele momento. À medida que um membro da platéia revela seu sentimento, os atores o transformam em "esculturas fluidas", expressando-o com todo o corpo , com mímica e sons e fala curta, imediatamente após sua comunicação. Sentimentos revelados e representados: curiosidade, estranheza, ansiedade, receio de não dar certo. Reforçando
a co- responsabilidade e compromisso de todos para o
sucesso do espetáculo, a diretora introduz a segunda
etapa, a mais significativa, da dramatização de
histórias contadas ao vivo pelo público. A primeira história neste espetáculo foi sobre a rivalidade entre dois profissionais de Recursos Humanos , marido e mulher trabalhando em firmas concorrentes; discutem em casa sobre o trabalho, ele acha que o casamento não irá durar muito tempo, apesar de gostar muito de sua família, que inclui a sogra e duas filhas. A segunda história, " a verdade que não deu certo", fala de um funcionário, maquinista de trem, atualmente profissional de Recursos Humanos, que foi demitido pelo chefe ao reconhecer a sua parcela de culpa numa colisão de dois trens. O acidente foi provocado por ter recebido informações erradas do setor de controle. Ele guardou muita mágoa e ressentimento do chefe que o demitiu, por não ter levado em conta sua sinceridade e por não ter punido o outro envolvido no acidente. A terceira história, "a mentira que deu certo", foi uma situação muito engraçada de dois amigos que, após uma festa , meio bêbados, se envolveram com duas mulheres a quem deram carona e depois bateram o carro; a mulher de um destes, amigo do narrador, ficou muito zangada. O narrador inventou uma mentira ao amigo: "sua mulher jurou capá-lo com um facão se você 'aprontar' novamente". Na cena mais divertida, o amigo se levanta no meio da noite, após ouvir uns ruídos, e encontra a sua mulher com um facão - ela se levantara antes dele, assustada com um barulho no quintal , e procurou se proteger contra um provável ladrão. O amigo fica apavorado, se ajoelha perante a esposa e promete ser-lhe sempre fiel. E fizeram as pazes. O narrador acrescenta que nunca contara a verdade ( ou seja, que inventara a ameaça ) para o amigo e sua esposa. Após contar sua história , a diretora pede que o narrador escolha os atores para os papéis principais, incluindo o dele próprio. Os atores se caracterizam rapidamente, à vista do público, utilizando recursos do camarim, colocado estrategicamente no fundo do palco. Enquanto o elenco se prepara e se aquece internamente para o desempenho dos papéis , os músicos tocam e cantam músicas relacionadas à história; estas canções também emergem de improviso , de acordo com a sensibilidade e intuição dos músicos, e são oferecidas como presente ao narrador. Geralmente é neste momento que este começa a ficar emocionado, percebendo que ali tem uma mensagem para ele. Tudo é surpresa para todos, inclusive para a diretora e os atores. No momento da representação a diretora não interfere; assiste, ao lado do narrador. A beleza estética e a riqueza simbólica das cenas vão depender da espontaneidade, criatividade e sintonia do grupo. Cada um, em sua função específica, contribui para o espetáculo "dar certo". A direção aquece o público, entrevista o narrador, oferece-lhe apoio sócio-emocional e "garimpa" de sua exposição o que é fundamental e o transforma em cenas, que são repassadas aos atores; e estes as recriam e representam. "São todos atores em cena, todos dependem uns dos outros, a equipe inteira vai à ação. Ora o foco está na direção, ora no público, ora no narrador, ora nos atores, ora nos músicos. A sintonia entre os focos é a grande sacada" ( 5 ). Às 14h30m inicia-se a terceira e última etapa do playback theatre, do compartilhamento e encerramento. A diretora pede que o público comunique os sentimentos que tem agora. De novo os atores expressam com "esculturas fluidas" os sentimentos de surpresa, admiração, alívio, gratidão, respeito, crença no ser humano e na sua incrível capacidade de criar e certeza de que a resposta para os "novos tempos" está dentro de nós, no resgate da espontaneidade criadora. A diretora encerra convidando a uma reflexão: _ "qual foi a grande história contada aqui, hoje, por este grupo de profissionais de Recursos Humanos ? Que significados têm, para este grupo, "as verdades que nem sempre dão certo" ( segunda história) e "as mentiras que dão certo" ( terceira história )? Em todas as histórias foram evidenciadas as relações familiares, as relações afetivas e interpessoais. Continuam sendo os valores a serem preservados nestes novos tempos?". Alguns
profissionais presentes ressaltaram que "só o
desenvolvimento da espontaneidade e da criatividade do
ser humano pode garantir a sua sobrevivência nestes
novos e instáveis tempos". Pelo seu formato, o playback theatre é estruturado como um espetáculo, mas não de forma anárquica como um "happening". Apresenta as características que Moreno define como sendo objetivo do psicodrama e do teatro da espontaneidade ( 8 , p. 10 ), "uma organização genuína da forma, uma auto-realização criativa no ato, uma estruturação de espaço, uma concretização de relacionamentos humanos no âmbito da ação cênica". O playback theatre faz uma síntese feliz entre o teatro como arte - atores fixos que representam para uma platéia - e o teatro espontâneo - co- criação, teatro do momento. Por outro lado consideramos o playback theatre como método sociátrico, da mesma forma como Boal defende o caráter terapêutico do Teatro do Oprimido: "é terapêutico porque este processo teatral de contar no presente, diante de testemunhas coniventes, uma cena vivida no passado, já oferece em si mesmo uma alternativa, permitindo que o narrador se observe a si mesmo em ação" , ao mesmo tempo que compartilha e divide sua dor ou felicidade com outros de sua comunidade. Assim,
concluímos reafirmando o nosso título: o playback
theatre é teatro- arte, teatro espontâneo e teatro
terapêutico. Fazer
teatro é, antes de tudo, um ato de liberdade. Psicóloga
Zoé Margarida Chaves Vale * Esse texto obteve segundo lugar no Concurso de melhor escrito psicodramático no 12º Congresso de Psicodrama da FEBRAP, nov/2000 Inscreva-se nos Cursos à Distância da SAEP: Curso de Introdução ao Existencialismo |
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