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EDIÇÃO ESPECIAL Página atualizada em 27 de novembro de 2000

 

Caderno de Psicologia Desportiva

 

O Trauma do Rebaixamento
 
Psicólogo Marcelo Leuzzi

Rio, 27 de novembro de 2000.

E o pior aconteceu!
Realmente parece que o Fluminense ainda não superou o trauma do rebaixamento, o trauma da 2º e 3º divisões. Como eu esperava, parece que a equipe sentiu esse confronto com o São Caetano. Tenho a impressão de que se o Flu enfrentasse o Goiás, Palmeiras ou o Vasco, ele não sofreria esse impacto mental e, por sua vez, não decepcionaria sua torcida.

Um amigo tricolor me disse que quando soube que enfrentaria o São Caetano teve medo, confessou-me inclusive que estava torcendo para não enfrentar nenhum desses que subiram dos outros módulos. Falei com ele após a desclassificação e ele disse que desde que chegou ao Maracanã teve a sensação de estar disputando a 2º divisão.

Falou também que o comportamento da torcida durante a partida estava estranho. A torcida estava calada, sem vibração, assim como o time dentro de campo. Para ele, a torcida também estava vivendo todas aquelas lembranças ruins de 97/98/99.

Enfrentar o São Caetano no primeiro mata-mata deve ter sido para muitos um grande pesadelo. Pesadelo de voltar a ser tratado como "timinho". E parece que tudo isso cegou, imobilizou e incapacitou a equipe do Fluminense. Esse confronto parece realmente ter trazido à tona aqueles sentimentos de insegurança, vividos naquele período. Para muitos, era a prova dos nove. Era a chance do Fluminense mostrar de uma vez por todas que tinha superado o trauma do rebaixamento e que na verdade era time de primeira e não de segunda.

Não foi vivido como um simples mata-mata que decidiria a classificação para a próxima fase, o que deveria ser. Parece que foi vivido como algo muito maior que isso. E isso acabou pesando demais.

Esse confronto trouxe à tona preocupações que só serviram para atrapalhar o Flu, nesse momento. E para piorar, enfrentou uma equipe guerreira, coesa e de bom nível técnico. Uma equipe que viu nesse confronto uma oportunidade de sucesso, enquanto o Fluminense, parece ter enxergado mais a possibilidade de fracasso.

Sem desconsiderar o mérito da equipe do São Caetano, o Fluminense foi vítima de seus próprios fantasmas. O Fluminense não perdeu por estar mal preparado fisicamente, tecnicamente e muito menos taticamente. O Fluminense simplesmente, como o povo gosta de dizer, "amarelou".

Todo esse processo mental/emocional poderia ter sido revertido se o Fluminense tivesse tido oportunidade de se defrontar com todos esses "fantasmas" antes dessas duas partidas. Para se livrar deles era necessário, primeiramente, percebê-los, reconhecê-los. Somente depois disso é que teriam condições de decidir o que fazer com eles. Ou seja, para não ser vítima das próprias emoções, primeiro é necessário se dar conta delas, pois só assim temos condições de agirmos sobre elas dando um direcionamento melhor e mais positivo.

Os "fantasmas" foram para dentro de campo com a equipe porque não foram "exorcizados" antes.
Isso tudo só serve para nos mostrar o quanto o aspecto emocional é capaz de decidir uma partida, e o quanto é necessário um trabalho de preparação psicológica.

Espero que exemplos como esse, sirvam cada vez mais para que os dirigentes esportivos tomem consciência da importância desse tipo de trabalho.

Psicólogo Clínico e Esportivo Marcelo Leuzzi
Pós-Graduando em Psicologia Aplicada ao Esporte
Psicólogo da Equipe de Futebol do América /Campeonato Carioca-2000
Membro-Fundador do Colégio Brasileiro de Psicologia Esportiva
Membro-Colaborador da Comissão de Psicologia do Esporte do Conselho Regional de Psicologia/RJ
Home-page:
http://orbita.starmedia.com/~leuzzi
E-mail:
leuzzi.psi@zipmail.com.br e marceloleuzzi@ig.com.br


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