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EDIÇÃO ESPECIAL Caderno de Psicologia Desportiva

 

Artigo

 

Porque o Psicodrama no Esporte?
 
Psicóloga Esportiva Gisela Sartori Franco

É com uma bola na mão, com uma raquete ou uma fita de ginástica rítmica, por exemplo, que o esportista poderá ter a oportunidade de Ser e Estar em relação, que o esportista terá a oportunidade de realmente dar margem à sua criatividade dentro do adequado para o seu contexto. Ele se aquece, respira fundo e vai para o seu "palco" mostrar o seu ato criador, servindo-se, para isso, não da palavra, mas sim do seu movimento corporal. Geralmente, depois, senta-se no banco para avaliar seu jogo, seu desempenho, conversando com toda sua equipe técnica.

Semelhanças entre o psicodrama e o esporte:
- Considera o homem, um ser espontâneo e criativo por natureza.
- Acredita que seu desenvolvimento na relação Eu-Tu.
- Utiliza a ação, a energia fluente e dinâmica.
- Valoriza o jogo como forma de aprendizagem.
- Foca, delimita e trabalha com os diferentes papéis que cada um assume nos diferentes contextos.

As semelhanças entre eles estendem-se quando comparamos seus instrumentos:
Psicodrama Esporte:
Palco: Quadra, campo, piscinas, pistas.
Protagonista: Atleta.
Diretor: Técnico.
Egos auxiliares: Assistente técnico e equipe.
Público: Torcida.
(Franco,1993)

E quando relacionamos suas etapas:
Psicodrama: Esporte.
Aquecimento inespecífico: Aquecimento físico.
Aquecimento Específico: Preleção.
Dramatização: Jogo ou competição.
Comentários: Comentários.
(Franco, 1993)

Se na teoria psicodramática o homem é concebido e estudado a partir de suas relações interpessoais, no contexto esportivo os relacionamentos dos atletas e da comissão técnica tornam-se um eixo fundamental. Transpondo para o contexto esportivo, a relação atleta-atleta, atleta-técnico, atleta-torcida, etc. constitui o eixo principal para o desenvolvimento pleno do papel de atleta.

O psicólogo do esporte, que está com o atleta no seu dia-a-dia de treinamento e competições, não pode esquecer que esse esportista trás junto de si o seu sonho. O sonho de ser campeão. E esse sonho precisa ser levado a sério, mesmo que para isso ele precise antes encontrá-lo no faz de conta.
Se na entrada do século XXI o esporte, como um dos grandes fenômenos de expressão, também precisa reformular e redirecionar seus paradigmas, porque não tornarmos o papel do psicólogo mais holístico, mais voltado para os valores essenciais da vida, em que ele não veja o atleta como uma máquina de fazer mais e mais gols ou cestas, mas sim seres humanos que podem, por meio de uma prática esportiva mais consciente, encontrar autonomia, prazer e transcedência?

Os psicólogos que trabalham com intervenção, diretamente com os esportistas, muito mais do que aplicadores de testes ou diagnosticadores, devem ter a capacidade de trabalhar profundamente com os dados obtidos com o emocional efetivamente, enfim, com o atleta por inteiro. E trabalhar profundamente significa trabalhar com discernimento, ética e sabedoria.

Texto da Psicóloga Esportiva Gisela Sartori Franco extraído do livro Psicologia do Esporte de Rubio, Kátia (org.) - São Paulo: Casa do Psicólogo.


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