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EDIÇÃO ESPECIAL Caderno de Psicologia Desportiva

 

Artigo

 

Por que o Futebol Exerce tão Forte Atração?
 
Est. de Psicologia Renata da Veiga Magina

A preferência pelo futebol em detrimento de outros esportes não acontece apenas no Brasil. Na Europa e em outros países da América Latina, também observa-se muita popularidade desse esporte entre crianças e adolescentes. Mesmo nos Estados Unidos, onde algumas regras mudam, o futebol é um dos esportes mais populares ao lado do beisebol.
Um artigo muito interessante foi publicado em 06 de agosto de 1972, em "O Estado de São Paulo", escrito pelo Padre Carlos Beraldo, sobre atração pelo futebol. Dizia o seguinte:

"A originalidade e a intensidade do prazer associado ao futebol estão ligadas à reação surpreendente da bola, devido à grande elasticidade do ar nela comprimido. Quando um objeto daquele tamanho, com um simples chute (como se diz na gíria dos comentaristas), dá um pulo de 30-40 metros ou mais, então qualquer pigmeu, qualquer rapazinho, experimenta a ilusão de ser um gigante.

O futebol é um jogo físico de competição. Esta dimensão aviva nele uma relação interpessoal e multiplica os elementos de agrado.

Há competições de caráter hostil. Nelas os contendores, movidos pela cobiça ou pela vingança, procuram a própria afirmação por meio do mal adversário.

No futebol não há nada disso. O futebol é uma competição que podemos chamar promocional. Aí, a confrontação de forças ou de habilidades tem por objetivo estabelecer padrões, mais elevados e mais perfeitos de determinados exercícios (performances).

Há competições não simultâneas que consistem na execução de testes para conseguir um "Record". Há competições simultâneas paralelas, em que os "concorrentes" agem independentemente uns dos outros (corridas, etc.), enfim, competições antagônicas, nas quais se emprega força contra força, habilidade contra habilidade. O futebol pertence a esta última categoria. O antagonismo exige, em geral, nos jogos físicos, esforço intenso, que muitas vezes se designa como "violência". Há não só uma violência a que todo jogador deve submeter suas próprias capacidades, seus próprios músculos como também a violência que se dirige contra algo externo. Em determinadas formas de competição esta última atinge diretamente o adversário e pode chegar à crueldade e ao sadismo (Box, gladiadores antigos): violência direta.

No futebol, a violência dirige-se à bola, não ao adversário; assim, ficam excluídos os graves inconvenientes da viol6encia direta.

Nos jogos de competição, além do esforço, entram também como elementos indispensáveis, as "regras"e a técnica. As regras evitam que a competição degenere numa rixa descontrolada, sem graça e sem honra. A técnica serve para aprimorar as habilidades e o seu exercício prático.

Esforço, regras e técnica pareceriam tirar ao futebol seu caráter de exercício espontâneo e agradável, empolgando não só pelo prazer das pernas (que nos jogadores sustentam a parte pior!), mas toda a pessoa. Os ponteiros do interesse lúdico deslocam-se da relação simples de "jogador-bola" para uma relação mais complexa de "equipe para equipe" e para o flutuar das asas da vitória entre um e outro lado dos competidores."

Não conheci o Padre Carlos Beraldo, mas é inegável que foi um grande apreciador de esportes e um excelente observador.

Renata da Veiga Magina
Estudante de Psicologia do IBMR/RJ
Editora Responsável do Caderno de Psicologia Desportiva do Jornal Existencial On Line


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