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Awi e Jorge Luiz Rodrigues - para
globo.com/olimpiadas2000 |
RIO E SYDNEY. Ele já
foi visto na final de vôlei masculino em Los Angeles-84,
no Stade de France, na decisão da Copa de 98, e agora
deu plantão na Bondi Beach, em Sydney. Alguns
psicólogos esportivos o chamam de "fear of
success". Traduzindo: "medo do sucesso".
Na prática, foi responsável pelas duas medalhas de
prata mais amargas da delegação brasileira até agora,
porque estavam programadas para ser de ouro. Que o digam
as duplas Adriana Behar/Shelda e Zé Marco/Ricardo.
- No vôlei de praia, ficou evidente este medo de vencer
das duas duplas. Na hora de fechar o set, houve uma pane
por medo de arcar com as responsabilidades e com as
exigências que o sucesso traz consigo - analisa o
presidente do Centro de Estudo e Pesquisa da Psicologia
do Esporte, João Ricardo Cozac.
O psicólogo percebeu o problemas não só no vôlei de
praia, mas também no futebol masculino e feminino.
Aliado a este medo, segundo ele, mais um fator
psicológico fundamental impediu o sucesso dos
brasileiros: a pressão pelo fato de o Brasil ainda não
ter ganhado uma medalha de ouro.
- Eles pensaram o tempo todo: "O ouro do Brasil
está nas nossas mãos". E, no caso do futebol, é
claro que os problemas pessoais do Wanderley atrapalharam
- sustenta Cozac, que também se preocupa com a falta de
confiança dos brasileiros diante de delegações mais
vitoriosas, como a dos Estados Unidos.
Para ganhar confiança, os atletas brasileiros tiveram de
pisar em brasas antes das Olimpíadas. O método,
utilizado pelo psicólogo do Comitê Olímpico Brasileiro
(COB), Roberto Shinyashiki, causou polêmica. Há
profissionais que questionam a escolha do COB.
- Ele é um psiquiatra de auto-ajuda. Os dirigentes acham
que psicologia é emergencial. Tem de ser feito um
trabalho a longo prazo - afirma o psicólogo João
Alberto Barreto, especialista em esportistas.
Cozac completa:
- Para mim, pisar em brasas só queima o pé.
Shinyashiki é especialista em livros de auto-ajuda, em
que ensina técnicas de auto-superação na vida, no
trabalho e no amor. Já escreveu, entre outros, "O
sucesso é ser feliz" e "Sem medo de
vencer", ambos os livros freqüentes nas listas dos
mais vendidos. O nadador Fernando Scherer lhe fez muitos
elogios antes do embarque para a Austrália.
Em Sydney, Shinyashiki se eximiu de qualquer
responsabilidade sobre os fracassos no vôlei de praia:
- Especificamente com essas duas duplas (Behar/Shelda e
Zé Marco/Ricardo), eu não trabalhei. Elas estavam em
Bondi Beach e não participaram dos seminários.
De qualquer maneira, ele acredita que as questões
psicológicas não foram o único problema dos atletas:
- Seria uma irresponsabilidade muito grande justificar
por um único fator o resultado de uma final olímpica. O
pessoal do vôlei é acostumado a muitas decisões do
circuito. Há uma série de fatores determinantes para o
resultado.
A psicóloga do futebol masculino, Suzy Fleury, prefere
não fazer comentários mais profundos sobre a cabeça
dos jogadores que foram eliminados por Camarões:
- Ainda vou analisar o que aconteceu. Só posso dizer que
não faltou união ao grupo.
Fellipe Awi e Jorge
Luiz Rodrigues - para globo.com/olimpiadas2000
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