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Uma publicação da SAEP Sociedade de Análise Existencial e Psicomaiêutica | |
| EDIÇÃO ESPECIAL | Página atualizada em 16 de novembro de 2000 | |
| Caderno de Psicologia Desportiva |
| Futebol e Psicologia | |||
Os anos 90 decretaram uma nova postura nos grandes times de futebol através do surgimento dos clubes-empresa. Em decorrência desse tipo de patrocínio, está sendo possível viabilizar uma nova "filosofia" organizacional , onde um dos itens mais importantes deveria ser o reconhecimento da necessidade de um psicólogo atuante e presente para garantir um rendimento positivo e estável das equipes. Dar aos jogadores respaldo psicológico é tão importante quanto lhes dar uma alimentação balanceada, programada por nutricionistas. Afinal, o corpo físico e o mental são as duas faces de uma mesma unidade e merecem a igual atenção. Cuidar do corpo significa também percebê-lo como um todo unificado, do qual fazem parte as emoções e as estruturas mentais. O papel do psicólogo responsável pela saúde psíquica de um time se desenvolve a partir de uma abordagem das emoções que os jogadores vivenciam em sua rotina de trabalho. A cada novo jogo, uma quantidade se sensações são mobilizadas e, quando não existe assistência psicológica, essas sensações não elaboradas tendem a se acumular levando, em muitos casos, os jogadores a realizar atos impensados -- que podem prejudicar a si próprio e ao grupo do qual faz parte. Atualmente, são inúmeras as discussões sobre a violência presente nas praças de futebol. Sabe-se que ela não se restringe à torcida e que, entre os jogadores, o descontrole é cada vez mais freqüente. O que fazer, efetivamente, para solucionar esta questão. Estatisticamente, os jogadores brasileiros, em sua maioria, pertencem à uma camada socio-econômica menos favorecida. Mas curiosamente são eles que, quando atingem o sucesso, recebem salários mais altos do que a maioria da população com curso superior. A meu ver, a grande contribuição do psicólogo é auxiliar o jogador na percepção de sua realidade e na tentativa de compreender a eventual problemática que esteja ocorrendo em sua vida pessoal e profissional, alertando-o sobre uma série de outros entraves: problemas de relacionamento dentro do grupo, desentendimentos, acusações e divergências de idéias, fatos tão corriqueiros na rotina de um time de futebol. E não há dúvida que o efeito cumulativo desses fatores afeta negativamente o rendimento do grupo. A realidade é que muitos times de futebol não sabem que atitude tomar frente a um atleta que, eventualmente, demonstre dificuldades de atuação sem perceber que disso pode advir um comprometimento da performance-- que poderia ser evitado se o indivíduo em questão tivesse uma assistência a nível psíquico. Cada jogador , assim como cada ser
humano independente da sua profissão, é um ser humano
único, universo particular sujeito a oscilações,
dúvidas e conflitos que determinam seu comportamento.
Mas o jogador de futebol, especificamente, enfrenta
problemas básicos diante dos quais nem sempre sabe se
posicionar : Não quero aqui defender a idéia de que o psicólogo ocupe o lugar de curandeiro ou de mágico . Evidencio apenas a extrema utilidade da atuação de um profissional da área psi para dar aos atletas , através de um necessário suporte, as armas adequados para que eles lidem satisfatoriamente com as dificuldades acima citadas. Além delas, outra questão importante é o comportamento do jogador frente às pressões exercidas pela torcida e pela mídia em geral. A cobrança, muitas vezes indevida e inclemente, pode significar um obstáculo a mais dentro do conjunto de dificuldades às quais ele é submetido. No caso dos times de futebol, o psicólogo somaria suas forças com as de outros profissionais igualmente importantes para o bom desempenho da equipe. Caberia a ele , especificamente, ser um facilitador das inter-relações do grupo. Para isso, seriam necessárias sessões de dinâmica de grupo, acompanhamento individual. Palestras e reuniões informativas sobre temas atuais complementariam o trabalho, permitindo dar aos atletas uma visão mais abrangente do mundo e de sua responsabilidade como cidadão. Manter um bom estado emocional dos jogadores, procurando fazer com que eles percebam sua real função e momento de vida , foi sempre uma tarefa atribuída aos treinadores. Peço licença ao leitor para citar aqui uma frase questionadora de Nelson Rodrigues: "... mas o que entende de alma um treinador de futebol " A pergunta, mais do que pertinente, nos remete à fatídica decisão da Copa do Mundo de 1950 cuja final no Maracanã entre Brasil e Uruguai provocou o maior silêncio do mundo. A prematura comemoração da vitória foi prejudicial para a concentração e o rendimento dos atletas brasileiros durante o jogo, favorecendo a vitória do Uruguai, um time que até então havia feito apresentações inferiores às da seleção do Brasil. Se, na boca do túnel, nos momentos que antecederam a grande final, junto ao treinador Flávio Costa estivesse presente um profissional capacitado a administrar o "ôba ôba do já ganhou", hoje seríamos penta-campeões mundiais de futebol. Um longo caminho ainda deverá ser
trilhado para garantir um espaço de atuação
psicológica nos esportes, principalmente no futebol,
mais resistente a esta inovação do que o tênis, o
vôlei e a natação. Alguns obstáculos se mantêm
intransponíveis, sendo que o principal deles é a
mentalidade primitiva e a postura conservadora dos
dirigentes, que devem ser desafiadas e combatidas. Só
assim os atletas poderão receber a totalidade dos
benefícios que lhes são devidos. Inscreva-se no Curso à Distância: Curso de Introdução ao Existencialismo via Internet ou Correio |
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