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Uma publicação da SAEP Sociedade de Análise Existencial e Psicomaiêutica | |
| EDIÇÃO ESPECIAL | Caderno de Psicologia Desportiva | |
| Artigo |
| Crianças e Esportes, uma Questão de Entrosamento | |||
RIO DE JANEIRO - Seja para ocupar a vida dos filhos enquanto os pais trabalham, seja para manter os jovens em um ambiente saudável e longe das drogas ou ainda para iniciar a criança em uma atividade física, o esporte se faz cada vez mais presente. Clubes, academias, escolinhas... os locais para a prática e as modalidades oferecidas são tantos que os pais podem se perder na hora da escolha. Mas como matricular seu filho no esporte adequado? Psicólogos alertam para os perigos de obrigar as crianças a fazer o que não querem e sugerem como os pais devem proceder para não forçar a barra. Até porque nem todo mundo vai ser um Ronaldinho, um Gustavo Kuerten, uma Ana Moser, um Fernando Scherer ou uma Hortência. Pode até ser que seu filho venha a ser um grande atleta, mas isso vai depender apenas da aptidão e esforço do praticante. Um dos problemas relacionados ao esporte e que envolve pais e filhos é a falta de tempo. Hoje, é comum que pai e mãe trabalhem fora e, com isso, tenham pouco tempo para as crianças. A solução para muitos pais é encher o pequeno de atividades para que ele não fique sozinho e se mantenha ocupado. E uma das atividades é a prática do esporte. Mas cuidado: é fundamental procurar saber o gosto de seu filho, entendê-lo e respeitá-lo. A pior coisa que pode acontecer é a criança ser obrigada a praticar determinado esporte. "É importante um
diálogo franco e aberto, em que os pais se mostrem
realmente curiosos para conhecer e contribuir para o
autoconhecimento de seus filhos", explica Andréa
Miranda, psicóloga especializada em esporte e com
passagens por várias equipes das Forças Armadas,
seleção brasileira de tênis de mesa e divisões
amadoras de futebol do Fluminense. "Ao projetar seus desejos nos filhos, os pais certamente estarão deixando de vê-los como eles realmente são e o que realmente desejam para si", alerta Andréa Miranda. A psicóloga explica que competir também faz parte do esporte, mas os pais devem ver na atividade física de seus filhos não uma maneira de conquistar medalhas, mas "uma forma privilegiada de investir na formação da criança". Coagir uma criança a praticar um esporte contra sua vontade pode ter conseqüências negativas. "Este fato pode causar um profundo desgosto pelo esporte, em alguns casos para toda a vida", explica o psicólogo João Ricardo Cozac, presidente do CEPPE - Centro de Estudo e Pesquisa da Psicologia do Esporte (www.ceppe.com.br), com sede em São Paulo, e professor responsável pelo curso de Psicologia no Esporte do Instituto Mackenzie. Ele conta que muitas
pessoas que não gostam de praticar esporte tiveram pais
que as obrigaram a praticar alguma modalidade na
infância. "Esta atitude, em alguns casos, se deve a
experiências que foram positivas para os pais, que
acabam, então, projetando em seus filhos expectativas
que não fazem parte do mundo das crianças, mas de seu
próprio universo e histórias de vida", diz Cozac. Além disso, a prática
de esportes desde a infância traz benefícios para toda
a vida e evita problemas que podem vir a aparecer somente
na fase adulta. "O esporte é uma fonte rica em
relacionamentos e ótimo para a saúde física e mental.
Distúrbios futuros como altos níveis de colesterol,
problemas de pressão e, em alguns casos, dificuldades de
relacionar-se em grupo podem ser evitados com a prática
de algum esporte pela criança", avisa João Ricardo
Cozac. Para Andréa Miranda, é fundamental que os pais, junto com seus filhos, dediquem o tempo necessário para a escolha não apenas do esporte, mas também de um local adequado e, principalmente, de um profissional de educação física qualificado para contribuir para a boa formação de seus alunos. Além disso, muitas vezes as crianças menores ainda não têm discernimento e precisam muito de ajuda para conhecer as possibilidades e escolher o que será melhor para elas. "Por isso, é importante que os pais propiciem as vivências necessárias ao amadurecimento dessa escolha através da prática de um ou mais esportes", ensina Andréa Miranda. A criança deve
escolher o esporte que vai praticar com total liberdade.
A melhor forma de descobrir qual esporte é o melhor para
seu filho é deixar que a iniciativa pela escolha parta
dele. Nessa hora, o que vale é o gosto pessoal. "É
fundamental que os pais deixem um espaço para que este
gosto possa se manifestar naturalmente, sem que haja
pressões de qualquer nível", explica João Ricardo
Cozac. Não só em casos de
escolha como nos problemas envolvendo pressões por
resultados, a ajuda de um psicólogo pode ser
fundamental. "Neste caso, o profissional pode
prestar um serviço importante, revelando os processos
inconscientes produzidos por pais que projetam seus
ideais não concretizados na figura dos filhos",
ensina Cozac. da Redação do Planeta Vida (www.planetavida.com.br) Conheça os Psicoterapeutas Existenciais na Internet Inscreva-se nos Cursos à Distância da SAEP: Curso de Introdução ao Existencialismo |
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