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EDIÇÃO ESPECIAL Página atualizada em 15 de junho de 2000

 

ARTIGO

 

Psicossomática Contemporânea: Um Novo Paradigma
Psic. Maria Beatriz Breves Ramos  
 

   

A nossa concepção da natureza do homem foi falsificada, degradada.  
Foi arrancada a base do universo humano, a estrutura não pode manter-se;  
alguma coisa há de quebrar-se.  
Dos fragmentos dispersos do moderno saber  
deve ser construído um novo mundo,  
e cabe ao Oriente e ao Ocidente, juntos, construí-lo.  Lin Yutang

 Barker, em vídeo , relata que ao abrirmos um dicionário, a palavra paradigma é definida como padrão. Ele propõe que um novo paradigma, muito mais que um novo padrão, é um ponto zero, onde tudo se inicia novamente, obrigando o indivíduo a abandonar o seu antigo modelo de conhecimento, comportamento, visão, etc para começar tudo de novo e, assim, aderir a um novo padrão. Segundo a sua redefinição, um novo paradigma traz um começar de novo, onde tudo o que aprendemos situa-se no passado e, esta, seria a causa da dificuldade presente nas pessoas para aderirem a um novo paradigma. 

Um exemplo de um novo paradigma como um ponto zero é a informática. O simples ato de retirar dinheiro em um banco, vem obrigando a todos, a abandonar um paradigma (padrão) antigo, o de ir ao caixa, para lidar com um paradigma novo, as máquinas computadorizadas.  

Certa vez, em um hospital geral, fui chamada para atender um paciente internado na enfermaria de ortopedia, que, segundo a equipe técnica, “estava deprimido, pois quase não falava e não se alimentava”.  

Ao me aproximar do paciente, apresentei-me e quando perguntei o que acontecia,  respondeu que estava com uma grande dificuldade. Contou-me, que por não ter um pedaço do estômago, comia em várias vezes, em pequenas quantidades, e não sabia como fazer porque a comida, no hospital, vinha em grande quantidade e na hora convencionada. Perguntei se havia falado sobre o seu problema com alguém e ele disse que não, porque as pessoas ali não lhe davam muita chance para falar. Não é necessário dizer que, depois deste atendimento, foi feita uma dieta adequada para aquele paciente e, consequentemente, a “depressão” passou. 

Pensar que, este exemplo, foi um descaso, por parte de uma equipe técnica, é simplificar a questão, pois todos estavam preocupados com o paciente. A falha, neste caso, adveio do paradigma que cada um carregava dentro de si, ou seja, o médico cuidaria somente de sua especialidade, a enfermagem executaria a assistência prescrita e a nutricionista receitaria a dieta de acordo com a problemática que levou o paciente a se internar. Por outro lado, manter-se passivo era um paradigma dos pacientes internados naquele hospital público.  

No entanto, pensar em um outro paradigma, obrigaria, a equipe e ao paciente, a um trabalho interno, dentro de cada um, pois significaria mexer com valores pessoais, anular padrões antigos, suportar a ignorância, ir ao ponto zero e, isto, é muito complexo e difícil; e diria ainda mais, para algumas pessoas é impossível. 

Através de um processo de evolução, no século VI a.C., na Grécia antiga, com a polis, surgiu a cultura ocidental junto com a filosofia. O homem fez a passagem do pensamento mítico para o pensamento filosófico. “A pólis se faz pela autonomia da palavra, não mais a palavra mágica dos mitos, palavra dada pelos deuses e, portanto, comum a todos, mas a palavra humana do conflito, da discussão, da argumentação” . O homem começou a pensar o Ser através da filosofia. No entanto, vale assinalar que isto não significou a extinção dos mitos, pois, até hoje, no mundo ocidental, existem os mitos em oposição a razão. 

Com o cristianismo, se o homem era feito à imagem e semelhança de Deus, os padres, em sua maioria filósofos, antes de se converterem, tentaram conciliar, primeiro, com a filosofia Patrística e, depois, com a Escolástica, a fé com a razão. E assim a Igreja foi apropriando-se da filosofia e acabou por conduzir o pensamento racional ao domínio do pensamento mítico. A inquisição foi a grande expressão deste domínio.  

No século XVII, com o método científico, introduzido por Galileu como um novo paradigma de investigação, a ciência rompeu com a filosofia. Todavia, vale observar que a ciência não rompeu com o paradigma maior da filosofia, ou seja, o caminho para o saber continuava sendo a razão e não o mito. O saber científico ocidental não é regulado por leis divinas, mas é regulado pelas leis do pensamento lógico.  

Faz-se curioso que o pensamento filosófico, que surgiu com a finalidade de oferecer ao homem a faculdade de governar-se por si mesmo, ao tornar-se “propriedade” da Igreja, tornou-se inquestionável, ou seja, a Igreja, transformou a “razão” em um mito.  

No entanto, mais curioso ainda é perceber que a ciência, que surgiu como a libertação da Igreja e seus mitos, nos dias de hoje, dita as regras do “verdadeiro” saber, onde, na comunidade acadêmica, o que não está previsto dentro do paradigma científico é desqualificado como saber. Ironia ou não, mais uma vez, através da ciência, a “razão” foi transformada em um mito. 

A parábola “Medidas para Sapatos”  de Hanfeitse , expressa, em minha opinião, com sabedoria, o que vem predominando no saber do mundo ocidental. 
Certo homem de Cheng ia comprar um novo par de sapatos. Primeiro tomou as medidas dos pés, e deixou-as na cadeira. Quando foi para a rua, esqueceu-se de levá-las, e depois de entrar numa sapataria, disse consigo mesmo: “Oh, esqueci-me de trazer as medidas e tenho de voltar para buscá-las”. E assim fez ele. Mas, ao regressar, a loja já estava fechada e ele deixou de comprar os sapatos. Disse-lhe alguém: "Por que não fizeste provar os sapatos mesmo nos pés"? E o homem respondeu: "Eu confiava mais nas medidas que em mim mesmo".  

A fim de evoluir este trabalho, penso ser importante citar a compreensão do pensamento chinês, apresentada por Lin Yutang :  
(...) possui a China uma filosofia (...) do conhecimento da realidade ou do universo (...) logicamente construída (...) a resposta é um altivo não (...) Quando se trata de epistemologia ou metafísica sistemáticas, a China tem de importá-las da Índia (...) (Por outro lado) podem os chineses formular (...): “Tem o ocidente uma filosofia?”. A resposta é (...) “Não”.  (...) O ocidental possui toneladas de filosofia escritas (...) mas ainda não obteve uma filosofia quando precisa dela (...) O mundo das idéias positivamente faz-se em pedaços porque os nossos valores tradicionais se perderam. Isso nos conduz à segunda diferença entre a filosofia oriental e a ocidental: a diferença no modo de tratar e avaliar as questões. Dir-se-ia que o que possuímos hoje em dia são apenas fatos cuidadosamente observados e rigorosamente dispostos em quadros; os nossos valores morais desapareceram (...) Há entre a filosofia chinesa e a ocidental uma diferença definida no modo de tratar as questões: uma encara os valores, outra os fatos (...) É trabalho perdido querer que dois chineses concordem quanto à distância entre duas aldeias vizinhas (...) E o chinês também não chega a compreender porque não seja bastante uma idéia aproximada (...) Para mostrar como os chineses ignoram os fatos, houve um letrado da China que escreveu com absoluta seriedade que o coração humano estava do lado direito do peito (um parêntese para lembrar que esta citação foi retirada de um livro editado em 1945); era abominável a sua técnica... talvez nem sequer tivesse ele apalpado o coração com a mão. Por outra parte, podem os chineses refletir e responder: “Que importa que o coração seja do lado direito ou do esquerdo? Se o cortardes em bocados, sereis forçado a vê-lo de qualquer forma, e se não cortardes, nada podereis fazer com ele. Geralmente nada podeis fazer com ele quer o corteis, quer não”. O Ocidente replicará: “Ah sim, mas precisamos seguir a ciência e ser exatos, descobrindo onde fica o coração.” E os chineses responderão de novo: “Nada importa o lado em que acheis o coração; vale muito mais que coloqueis o vosso coração no lugar justo”. Isto representa sumariamente a diferença entre considerar os fatos e considerar os valores. 

O grande desafio talvez seja o de poder saber onde está o coração e, simultaneamente, colocar os nossos corações no lugar justo. 

Os físicos, até o século passado, faziam uma distinção entre matéria e energia: “matéria era tudo o que ocupasse o espaço e que possuísse massa (...) Quanto à energia, não ocupava espaço e era desprovida de massa (...)” . Nos dias de hoje, não se concebe mais descrever massa e energia como dois fenômenos distintos, “massa é energia e energia é massa” ; não se concebe mais espaço e tempo absolutos e separados, eles formam o contínuo espaço-tempo; não se concebe mais ser possível a determinação e a precisão dos fenômenos estruturais da natureza, estamos diante do Princípio da Incerteza; e mais, não se concebe mais como com sentido aquilo com que não se interage. 

Muito mais do que novos paradigmas restritos ao campo da ciência física, estas descobertas apresentam uma nova concepção de natureza e, portanto, do ser humano.  

Pela evolução do universo, nós, humanos, formamos um complexo que, em conseqüência dos limites da nossa percepção, só tem acesso direto a alguns aspectos da natureza, que, em função disto, foi dividida em dois níveis: o nível macrocósmico que, podemos simplificar, traduz os aspectos da natureza que os nossos sentidos alcançam; e o nível microcósmico que, podemos simplificar, traduz os aspectos da natureza que os nossos sentidos não alcançam, o não imaginável o interior atômico. 

Assim, verificamos que a natureza não é macrocósmica ou microcósmica, mas sim macromicro. Algo que não temos acesso direto devido à nossa limitada condição humana. O seu acesso faz-se através da nossa percepção que o divide, ilusoriamente, em macro e micro. 

Da natureza macromicro, chegamos ao complexo macromicro humano que, também, pode ser denominado de psicossomática.  

A Ciência do Sentir, inicialmente, partiu do princípio de que assim como a estrutura da natureza é o átomo, que em seu interior possui um enorme potencial de energia, as células, situadas no nível macrocósmico, como qualquer natureza, são constituídas de átomos. Aperfeiçoando o princípio, se não faz mais sentido falar em matéria e energia como fenômenos distintos, não faz mais sentido falar em corpo material e ser psicológico, assim como também não faz mais sentido falar em saúde física e saúde mental. Soma é psíquico e psíquico é soma, o psicossomático, que, em nível microcósmico, é percebido como um ser psicológico  e, em nível macrocósmico, é percebido como um ser somático. Assim, a psicossomatologia é o estudo do complexo macromicro humano. 

Nos dias de hoje, pensar em psíquico como efeito ou causa do soma, como duas coisas que se interligam, como duas coisas que se interagem, é estar em um paradigma antigo, é estar, a beira do século XXI, dentro de uma concepção de natureza do século XIX.  

A psicossomática, como é compreendida no curso de especialização em Psicossomática da Universidade Gama Filho, e que deu origem ao Movimento da Psicossomática Contemporânea, faz-se um novo paradigma, pois possui uma concepção do ser humano uno, inteiro e indivisível, que, como autora da Ciência do Sentir, identifico como a mesma do complexo macromicro humano e, por isto, são sinônimos. 

Não é possível haver uma doença manifestada no nível somático que também não se manifeste no nível psíquico ou vice-versa. Um exemplo clássico, seria a descrição de um enfarto após uma forte emoção. No paradigma antigo, esta situação seria explicada como alguém que recebendo uma notícia, que provocou uma forte emoção, fez um enfarto. De acordo com o paradigma novo, a explicação seria outra. Alguém interagiu vibratoriamente com um outro e, nesta interação, o que foi atingido foi o complexo macromicro humano, provocando assim, através da ressonância, um desequilíbrio no complexo macromicro humano (no psicossoma) que se manifestou, para a nossa percepção, em nível psicológico, como uma forte emoção e, em nível somático, como um processo de enfarto. 

O sentir faz-se na vibração. Ninguém consegue explicar, por exemplo, como é a cor. Para compreendê-la é preciso sentir através da visão. 

O sentir é o elemento universal do ser humano. Desde que o homem se conhece como homem, ele sente, o que pode variar é a expressão do sentir. O sentir ultrapassa os tempos, as culturas, as raças, as religiões, etc. Sabemos muito bem a que um autor do século passado referia-se quando escrevia a palavra amor, raiva, tristeza, frio, calor, pânico, etc. Ao contrário, a construção intelectual não pode ser compreendida como universal, esta varia com os tempos e com as culturas (...) O sentir precede o intelecto.  

Através da ressonância faz-se a comunicação humana. Qualquer corpo capaz de vibrar possui uma freqüência natural e, assim, será capaz de transferir energia sempre que encontrar em um outro corpo a capacidade para vibrar a sua mesma freqüência.  

Através de estudos mais aprofundados foi demonstrado que:  
A nossa consciência por ser passível de capacidade simbólica está inserida no contexto de três dimensões. E tudo o mais do psiquismo que tem seus efeitos, mas não são passíveis de construção simbólica estaria inserido no contexto de quatro dimensões. O aparelho psíquico estaria então em quatro dimensões, onde o tempo é variável e é a quarta dimensão. Portanto, é impossível criarmos um modelo simbólico para o aparelho mental; ele é inimaginável. A consciência seria apenas um instante desta totalidade em que o tempo se torna fixo, dando condições à capacidade simbólica.  

Portanto, o pensamento faz-se no sentir e forma-se através de um conjunto de vibrações com tensão e direção definidas no instante da consciência e, é importante sinalizar, não seria a linguagem que determinaria a noção de temporalidade, mas, o contrário, a linguagem seria resultado da noção de temporalidade que se origina pela fixação do eixo do tempo.  

Em qualquer trabalho, que envolva relações humanas, ocorrerá dois momentos: 1) o primeiro momento é o da vivência do sentir; 2) o segundo momento é o da versão dada ao sentir. 

A estrutura das nossas teorias humanas iniciam-se no segundo momento. O primeiro momento, aquilo que o psicossomatologista sente para encaminhar seu trabalho, esta base, as teorias existentes não atendem e foi a este momento que a Ciência do Sentir se propôs. 

Quando observamos, um outro ser humano, o fazemos: “1) sempre do referencial de nosso sistema perceptivo; 2) sempre processando em nosso complexo macromicro a voz (onda mecânica), a visão (onda eletromagnética) e outras vibrações captadas do outro observado; 3) sempre não isolados, até porque fazemos parte, do meio que observamos” .  

Portanto, um ser humano macromicro não pode observar um outro ser humano macromicro sem interferir e ser interferido. Assim, por princípio, a Ciência do Sentir demonstra que o psicossomatologista estará sempre regido pelo Princípio da Interação, válido para qualquer qualidade de relação, sejam elas, psicológicas, médicas, etc  

Apesar de todos vivermos o primeiro momento, arrisco dizer que, influenciados pelas teorias existentes, muitos profissionais o ignoram. Como o homem da parábola “Medidas para Sapatos”, citada anteriormente neste trabalho, eles confiam mais nas medidas que em si mesmos e, assim, iniciam seus trabalhos a partir do segundo momento, ignorando o Princípio da Interação. Isto, além de gerar grandes equívocos de compreensão, não possui utilidade benéfica para o indivíduo, pois resulta em um eruditismo altamente improdutivo ou, então, em um ato invasivo, onde, em ambos, a pessoa não é assistida. 

Para exemplificar estes momentos, utilizarei fragmentos de uma sessão de psicanálise.  

S., aos prantos, diz que sofre muito e que não achava a medida para chegar ao outro. 

No primeiro momento, sentia algo estranho na comunicação. Escutava um ruído, sentia-me dispersa e com uma certa irritação interna.  

Antes de trabalhar o segundo momento faz-se necessário a afinação da comunicação. Entre nós estava ocorrendo uma desafinação e, enquanto não a encontrasse, era prudente permanecer, neste caso, em silêncio. Tentando assimilar o que estava sentindo percebi, como sinal, que havia um tom de auto-piedade. 

O silêncio foi quebrado quando ela disse que ficava tentando chegar até a mim e não conseguia. Com esta fala, ficou demonstrado que a interação estava ocorrendo. Através da ressonância, sentíamo-nos longe uma da outra. Não importava quem não estava conseguindo chegar a quem pois, o fenômeno da interação, é sempre de mão dupla. Nós duas não estávamos conseguindo nos aproximar de forma afinada.  

E foi quando se iniciou o segundo momento. Pude compreender que ela, como em um teatro, representava uma pessoa que chorava, mas, de fato, não havia lágrimas. Eu estava dispersa diante de um não choro e irritada pela inverdade daquela situação. 

Começamos assim, a tentar nomear o sentir que se passava naquela interação. 

O segundo momento, assim como o primeiro, irá variar de profissional para profissional, do seu tipo de trabalho e dos objetivos da dupla e, ainda, mesmo em se mantendo a dupla, cada encontro nunca será repetido, poderá sim, produzir-se várias vezes, mas, sempre será único, pois nada se repete em um universo em permanente expansão e evolução.  

Falei que ela havia dito que não achava a medida para chegar ao outro e eu estava pensando, que antes de achar esta medida, teria uma outra medida que não achava: a medida de estar fora da posição de auto-piedade. Acrescentei que não estava chorando o sofrimento dela, mas sim, estava em uma posição de auto-piedade diante de si e de seu sofrimento.  

S. concordou e disse que não sabia sofrer diferente. 

Penso ser importante assinalar que se faz fundamental o outro poder ou não confirmar de alguma forma, o que dizemos; e, se não confirmar, devemos continuar buscando a nomeação do sentir na interação, caso contrário, como já foi dito, realizaremos o eruditismo ou o ato invasivo, o que será altamente improdutivo.  

Prosseguindo com a sessão, S., em um determinado instante, disse que estava com muita vontade de ir ao banheiro e foi. Ao retornar, disse que estava com vontade de vomitar e que isto, a estava fazendo se dar conta do quanto ela tinha dificuldade para sentir o seu sofrimento.  

Ao trabalhar-se o nível psíquico esta se trabalhando a totalidade macromicro, assim como também, ao trabalhar-se o nível somático esta se trabalhando a totalidade macromicro, o psicossomático, e, por isto, ao trabalharmos o nível psíquico, S. sentiu, no nível somático, vontade de ir ao banheiro e de vomitar. 

Com o evoluir da sessão, conseguimos, através do que a Ciência do Sentir chama de Consonância, ou seja, soando juntas, chegar a afinação. 

Adiante na sessão, S. volta a chorar e, este choro sim, transmitia um sentimento de tristeza e de uma profunda dor. Ela estava podendo encontrar-se consigo e seus sofrimentos e eu não estava mais dispersa e irritada. 

Como um exercício de reflexão, pergunto como teria transcorrido esta sessão se a tivéssemos começado a partir do segundo momento? Provavelmente, visto que não temos como saber o que não aconteceu, S. continuaria com o teatro que estava impossibilitando um encontro consigo mesma e eu, dispersa e irritada, ficaria em silêncio ou realizaria um eruditismo.  

Penso que nada mais apropriado para concluir este trabalho do que a citação de uma sabedoria milenar, expressa em torno de 500 a.C., sobre o Humanismo: “Confúcio disse: ‘A verdade não pode separar-se da natureza humana. Se o que é considerado como verdade se separar da natureza humana, não pode ser considerada como verdade’” . 


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 

1.ARANHA, M.L.de A. & MARTINS, M.H.P, Filosofando æ Introdução à Filosofia. Editora Moderna. SP. 1986. 
2.ASIMOV, I. Asimov Explica. 4 ed.. Francisco Alves. RJ. 1986. 
3. BARKER, J. A. Discovering the Future (The Business of Paradigms), vídeo. Siamar, Versão Portuguesa. 
4. CONFÚCIO. in: Lin Yutang, a Sabedoria da China e da Índia, Irmãos Pongetti Editores. RJ. 1945.  
5.EINSTEIN, A & INFELD, L.. A Evolução da Física. 3ª Edição. Zahar Editores. RJ. 1976. 
6.HANFEITSE, in: Lin Yutang,  a Sabedoria da China e da Índia. Irmãos Pongetti Editores. RJ. 1945.  
7.RAMOS, M.B.B.  Macromicro æ A Ciência do Sentir (uma visão revolucionária do ser humano, a partir da física quântica, da teoria da relatividade, da psicanálise, da biologia e das artes). Editora Mauad. RJ. 1998.  
8. ______________. Uma Introdução ao Macromicro æ A Ciência do Sentir æ publicado no Boletim do Instituto n* 3, p:139-146, da Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro æ SBPRJ em outubro de 1998; 
9.YUTANG, L. História da Sabedoria da China e da Índia. Irmãos Pongetti Editores. RJ. 1945. 


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