Quando te vi pela
primeira vez não acreditei nos meus olhos,
Parecia
um sonâmbulo a seguir-te enfeitiçado pelos teus
muitos encantos.
O
teu rosto cálido e sereno, transmitia-me na
candura dos teus gestos,
O
amor mais belo, ingênuo e faceiro, que um homem
poderia sonhar. Vivia
sempre a pensar em ti, eras a minha
obsessão,
Não
havia outra pessoa para mim, era teu o meu
coração.
Em
tudo eras lembrada, pela manhã, à tarde ou
mesmo na madrugada.
Estava
eu sempre a contemplar os teus longos cabelos
negros,
Que
como um véu, cobria a tua pura e branca
face,
Ocultando
de mim a possibilidade de ver-te
plenamente.
O
meu devaneio continuava, o tempo todo sem cessar,
De
ti quando me aproximava, desfalecia minha alma,
por teu afeto anelar.
Procurava
tuas mãos para me acariciar, buscava os teus
lábios para beijar,
Mas
como entre nuvens, tua silhueta sumia, sem que eu
pudesse alcançar.
Eram
dias de ensaios, preparos, planejamentos e
repetição,
O
que dizer? Como falar? Terei que responder? E se
ela perguntar?
Doce
ilusão, treinava, treinava, mas presente tu não
estavas,
Gritava,
bradava, dizia: Eu te amo! Mas isto, tu
não ouvias,
Era
sempre um sonho, era sempre um bom delírio, cuja
realidade,
Por
mais estímulo que houvesse, nunca se
concretizava.
Enfim,
acordei, sem muita vontade, porém, forcei-me a
despertar,
Por
não poder mais suportar a distância,
Por
não poder mais agüentar a solidão,
Por
não possuir mais forças para sonhar,
Por
te esperar sempre em vão.
Pois
aqui tu não estás, acolá também não!
Somente
nas minhas quimeras te tenho,
Unicamente
nas fantasias te toco,
Singularmente
nas ilusões te cortejo.
Ai
de mim agora que já não posso sonhar,
Ai
de mim agora que já não te vejo passar,
Ai
de mim agora que do leito levantei, o pranto
enxuguei,
E
para a vida despertei,
Para
ver que estou só.
Grandemente
só, sem te ver, nem que fosse uma só vez.
Já
não sonho mais!
Marco
Antonio do Nascimento Sales
|