Se no doce brincar dos nossos corpos,
Olhares trocados,
Beijos guardados,
Carícias veladas,
Passos no chão.
As nossas crianças se soltam,
Por que então impedi-las?
Quando de certo queremos,
Com o coração dissemos,
Promessa de amor e paixão.
A represa que foi construída,
Tenta com força conter o oceano,
Mas, o vendaval que a nós assola,
Mostra claramente esse ledo engano.
Com o poder de mil Teseus,
O turbilhão que nos devora,
Arranca portas, muros e paredes,
Gritando, gemendo e cantando,
Tremendo, clamando, querendo sair.
De repente a calmaria,
As águas tornaram-se paradas e frias,
Procurei então entender,
Refletir a razão do malogro,
Mas, não agüentei tanto desgosto,
De ter uma vida só e à mercê.
Foi aí que descobri,
Numa disposição de afeto,
A angústia escondida,
Mas, que originariamente está por perto.
Que perder-te não queria,
Antes, sim preferiria,
Ter o teu amor ainda que incompleto.Marco
Antonio do Nascimento Sales
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