"Tempus fugit.Carpe diem"
Semana Santa. Páscoa. Tempo de um bom descanso
aproveitando o feriado prolongado, comer paçoca,
cangica doce, muito chocolate, peixe...quanta
coisa gostosa aguçando os nossos sentidos_ dos
olhos e do paladar (me lembra até o filme
"A Festa de Babette" que seduziu as
pessoas com um fantástico jantar); pode haver
melhor forma de se festejar? Mas o que
estamosestamos festejando? Comer-morando?!A
tradição cristã re-lembra a vida piedosa de
Jesus, sua paixão e morte, mas também a sua
ressurreição - re-nascer pra vida nova; nascer
de novo pra uma vida diferente. Isso é Páscoa e
deve mesmo ser muito bem festejada, de uma forma
alegre, com muita comida, muita alegria, bem do
nosso jeito, envolvendo familiares, amigos...
Mas
no meio dessa festa - coincidência fantástica
espetacular! - estaremos comemorando os"500
anos de Descobrimento do Brasil !!!" Monte
Pascoal...Páscoa...Novamente a paixão e a morte
de inocentes...E agora, passados tantos anos,
quantos outros ainda sofrem!!... Sem alegria, sem
dignidade, sem possibilidades de vida plena...
Impossível não parar para re-fletir sobre esses
fatos que se repetem na nossa história.
Afinal,
será possível comemorar ?! Sim, é preciso
perseguir com muito otimismo essa possibilidade
de vida a que temos direito; com mudanças,
transformações, possibilidade de re-surgir da
morte para a vida, saindo do chão com a força
da fé e da esperança. É tempo de se deixar
consumir como a vela que chora pra dar luz e
calor ao seu redor, com calma, sabedoria, sua
chama aprumada como que suspensa por um fio
invisível, buscando no alto a sua sustentação
maior.
" Tempus fugit; Carpe diem." O tempo
foge; curta o dia.
Reparto com vocês o poema de Alberto Caeiro prá
nossa reflexão:
" Sejamos simples e calmos
Como os regatos e as árvores,
E Deus amar-nos-á fazendo de nós
Belos como as árvores e os regatos
E dar-nos-á verdor na sua primavera
E um rio aonde ir ter quando acabemos..."
" Tempus fugit; Carpe diem."
" O tempo passa.
Não nos diz nada.
Envelhecemos.
Saibamos, quase maliciosos,
Sentir-nos ir,
Tendo as crianças
Por nossas mestras
E os olhos cheios
De natureza..."
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