| EDIÇÃO ESPECIAL | Caderno de Temas Existencias | |
| ARTIGO |
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Entendemos adequada a distinção de três caminhos na evolução do pensamento psicológico contemporâneo: O primeiro caminho, centralizado na investigação da consciência como realidade interior e inacessível, metodologicamente fundamentada na percepção interna com Rene Descartes e Franz Brentano. Mais tarde, tal concepção foi substituída pela análise introspectiva, definida como forma de reflexão concentrada no exame dos fatos isolados. Influenciada por David Hume e pelo Empirismo Inglês. O segundo caminho é a negação do anterior. Voltado para o mundo exterior e aplicado à investigação daquilo que aí se mostra: "a conduta como realidade plena, sem vínculo ou subordinação a qualquer outra de natureza subjetiva". Influenciado por Kant (na Crítica da Razão Prática, do incondicionado, da moral e da lei pela lei), contrário à introspecção e a possibilidade de conhecimento psicológico científico. Revigorado pelo positivismo, expressa-se principalmente no Behaviorismo de Watson. Persistindo em uma nomenclatura dita 'comportamental'. Interessante observar que estes dois primeiros caminhos devem ser considerados filosoficamente 'cartesianos'. O terceiro caminho é a reação ao cartesianismo. Influenciado por Brentano (ainda cartesiano), toma como ponto de partida o abandono do conceito de consciência como realidade fechada sobre si mesma e oposta ao corpo. Rejeita a oposição entre interior e exterior, corrigindo afirmações decorrentes desta posição. Através de afirmações do tipo: "Investigar, não fatos isolados (destituídos de sentido), mas sim, a apreensão da própria 'consciência' da consciência e dos seus modos de organização através dos quais ela se mostra." É o pré-teórico e o essencialmente descritivo do método fenomenológico. Devemos desenvolver mais este terceiro caminho, argumentando que a Psicologia Existencial, influenciada pela Fenomenologia, a partir de Edmund Husserl, mantém a atitude inicial cartesiana, rejeitando, todavia, o conteúdo doutrinário edificado anteriormente. A Fenomenologia apresenta-se então, situada em pelo menos dois pólos de preocupações:
Esta polarização torna-se inquietante quando o debate envolve a prática da psicoterapia. Temos encontrado nos dias de hoje 'sartreanos', 'heideggerianos' e 'rogerianos', para ficar apenas com alguns. Entretanto o desafio, salvo melhor juízo, permanece em torno do conceito de 'realização', da construção do 'real' em cada ser humano. Antes, no mundo mineral, vegetal, animal, nada nos preocupava. É a tranquilidade que sentimos no campo. Porém, já não vivemos em abandono, mas em guarda e com cautela. Nós, os Psicólogos, falamos de seres, - os homens, que se caracterizam porque sabemos que têm uma opinião sobre nós. Nas palavras de Nietzsche: "Sentimo-nos tão tranquilos e tão à vontade na pura natureza, porque esta não tem opinião sobre nós". O surpreendente misterioso é este comportamento do 'outro' que, sendo-nos presente apenas como uma figura e alguns movimentos corporais, permite-nos 'enxergar' nisso, ou através disso, algo por essência invisível, algo que é pura intimidade, algo que cada um somente por si mesmo conhece diretamente: o seu pensar, o seu sentir, o seu querer, operações que, por si mesmas, não podem ser presenças para outros; que são não-externas, nem diretamente se podem exteriorizar, porque não ocupam espaço, nem têm qualidades sensíveis. Guardando para outra ocasião mais argumentos a favor (e contra) a influência do método fenomenológico na Psicologia e, sua utilização por parte do Psicólogo, encerro esta aparção com um argumento de Ortega y Gasset: "O outro diante de nós, quieto ou em movimento, é um abundantíssimo semáforo, que nos envia constantemente os mais variados sinais, indicações daquilo que se passa no 'dentro' que é este outro homem. Psicólogo
e Sociólogo Maurício Castanheira Conheça os Psicoterapeutas Existenciais na Internet Para incluir seu nome clique aqui Psicólogo, inscreva-se no Curso à Distância: Curso de Introdução ao Existencialismo via Internet ou Correio |
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