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EDIÇÃO ESPECIAL Caderno de Ludoterapia

 

ARTIGO

 

VIOLÊNCIA - uma preocupação contemporânea
 
Psicóloga Nina Eiras Dias de Oliveira

É preciso distinguir agressividade de violência.

A agressividade é uma emoção, um meio de comunicação, que se apresenta através de diversos comportamentos na escala evolutiva. Desde cedo, o bebê mostra sua insatisfação quando, por exemplo, ao ser trocado, faz vigorosos movimentos de braços e pernas. Em torno de 2 anos entram em cena as famosas mordidas que tanto desesperam pais e educadores. Nesta idade a mordida não tem intenção de machucar, mas sim, de se livrar do obstáculo que atrapalha na realização de uma vontade. Por exemplo, adquirir um brinquedo ou objeto que está na mão da outra criança. A criança que mordeu normalmente assusta-se com o choro do outro ou punição recebida. Neste momento, é preciso que as crianças envolvidas sejam amparadas. A que mordeu precisa ter sua intenção verbalizada pelo adulto que desta forma, ajuda a criança a iniciar o processo de compreensão dela por seu ato e pelas conseqüências deste. Precisa aprender a lidar com suas possibilidades e limites dentro de cada contexto social. Assim, pode ser que o importante seja ajudá-la a aprender a lidar com a espera, ou então, com o que é dela e o que é do outro, com seus desejos e vontades e as do outro, inclusive com o não querer do outro em emprestar; pode ser que o importante seja ajudar as crianças a aprenderem a filosofia e regras do contexto social que se encontram no que se refere a levar objetos pessoais para um espaço coletivo, por exemplo.

A partir dos três anos inicia a descoberta da força e do impacto das palavras no outro, muitas vezes, o emprego das palavras encontra-se desarticulado de seu significado social. Entram em cena o " boba, feia, chata" ou palavrões.

Os pontapés e chutes, junto com toda ação corporal ainda são importantes.

A partir dos 5, 6 anos, com o aumento do vocabulário, aprendizado da leitura e escrita, inauguram uma fase mais verbal, onde o lutar é tido mais como brincadeira ou contextualizado num esporte. Embora, muitas vezes, com desfecho de briga, pois a criança ainda não tem maturidade de freio e de outros recursos para lidar com os conflitos e emoções. A comunicação de desagrado, de raiva, de desejo vai sofrendo transformações de acordo com a maturidade, influências e vivências que a criança estará sujeita. É preciso ajudar a criança a compreender sua emoção, dando oportunidade para que esta possa ser revelada, estabelecendo limites de ação no contexto social em que se encontra. Limites estes estabelecidos com firmeza, clareza e coerência, criando laços de confiança na relação com ela, nela mesma, nas peferências estabelecidas sem estar sujeita a ordens ou punições por motivos que é incapaz de compreender.

A violência já faz jus a um comportamento onde o respeito e consideração ao outro não são levados em conta. A todo o momento somos atropelados pela violência urbana, doméstica, roubos, assaltos, agressões físicas, sexuais, etc. A mídia ocupa cotidianamente um espaço sobre o assunto. Seja através de debates, pesquisas, opiniões de especialistas, notícias, etc. Gostaria de destacar um tipo de relação que vem sendo objeto de estudo de alguns especialistas. Trata-se de uma relação denominada abuso moral. A doutora Simone Sotto Mayor, membro da Associação Brasileira de Psiquiatra, divulgou um recente artigo alertando a respeito.

Ela aponta para esta relação que advém de uma relação com uma pessoa perversa, cujo perfil é de uma pessoa egocêntrica, que se apresenta para a vítima como alguém a quem a vida lesou e que precisa muito de cuidados e carinho. O perverso sente uma enorme inveja dos que possuem aquilo que ele não tem. Muitas vezes, também não podem ver a felicidade de ninguém.

A vítima por sua vez, normalmente é uma pessoa colaboradora, gosta de ajudar, tem baixa auto-estima e, portanto dificuldades de avaliar sua própria capacidade. Esta encontra no perverso uma oportunidade de ajudar.

A relação é construída através de um processo de desqualificação da vítima marcado por episódios de humilhação do perverso para a vítima.

Desqualificações estas através do ignorar a vítima, risinhos sobre comentários, opiniões, gostos da vítima, denegrir imagem desta socialmente, ataca-la naquilo que lhe for mais peculiar, seja o físico, moral ou emocional. Por exemplo, referir-se ao outro como velho, ou velha, chato, burro, etc. A vítima muitas vezes sente que algo está errado, mas não tem clareza sobre a situação. Até que se dá conta do que realmente acontece nesta relação e, ao tentar romper com o perverso faz com que esterevele toda sua ira. Todos nós estamos sujeitos a atos perversos. Mas o que faz com que uma pessoa se caracterize enquanto perverso é o fato de só saber se relacionar deste jeito. Esta pessoa pode ter diversos projetos de vida, mas o único que realmente a importa é o de destruir o outro principalmente quando o outro quer romper com a relação. A vítima precisa de alguém que acredite nela, para reunir forças e reagir ao massacre. Para que se reorganize emocionalmente é bom que procure um psicólogo.

Psicóloga Nina Eiras Dias de Oliveira
Psicoterapeuta Infantil
Especialista em Psicologia Clínica pelo Conselho Regional de Psicologia do RJ
Membro do GPFE - Grupo Petropolitano de Psicologia Fenomenológica Existencial


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