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| Psicóloga
Nina Eiras Dias de Oliveira |
Muitas questões surgem a partir do terrorismo ocorrido recentemente nos Estados Unidos.
Questiona-se como foi e se mantém estabelecido o poder nos Estados Unidos que acreditam ser os donos do mundo. Questiona-se o preço pago por outros países no estabelecimento deste poder; questiona-se a comoção do mundo frente ao sofrimento das vítimas inocentes e seus familiares e o descaso frente à fome e miséria em outros países. Questiona-se o próximo passo; questiona-se o poder de persuasão e manipulação dos povos; questiona-se a subestimação, retaliação e crença na invulnerabilidade; questiona-se o patriotismo; questiona-se a necessidade de atacar um alvo já destruído; questiona-se a publicação de fotos de suspeitos na mídia; questiona-se o posicionamento do líder de uma nação; questiona-se as raízes do ódio; questiona-se os bilhões disponíveis para uma guerra; tenta-se esclarecer a confusão entre fé religiosa e terrorismo...
Muitas são as questões, especulações e emoções que se abrem envolvendo sentimentos de dor, susto, raiva, medo, vazio existencial, arrogância, insanidade.
Nesse momento, muitas vezes difuso e confuso de toda gama de emoções que se revelam, novas possibilidades de reflexões e resignificações de como construímos nossas vidas se fazem necessárias.
Fui assistir a mais recente produção de Spielberg, Inteligência Artificial. Trata-se de um dos melhores filmes que já tive oportunidade de ver. O filme lança várias questões dentro da existência humana, como: o quanto nos robotizamos, nos distanciando de nossos afetos nas relações humanas, a esperança de criar robôs que substituam homens inclusive na relação afetiva; morte e impossibilidade de fazer renascer uma existência, sentido de vida, crença na realização de um sonho, destruição do homem pelo homem, o que venha a ser o amor muitas vezes distinto daquilo que conceituamos, até que ponto realmente podemos ser substituídos pela máquina, etc.
É hora de reavaliar valores essenciais. Como estão as relações entre pais e filhos? Porque muitos saem do filme acima citado com uma enorme vontade de ter um dos personagens robôs, sobretudo, àquele que é capaz de amar? Como estamos lidando com os nossos afetos? Quais são nossos sonhos, nossos projetos? Quem são nossos amigos? Como andam nossas relações? O que fazemos por elas? Quais são nossas insatisfações? Quais são nossos limites e possibilidades na realização de mudanças? É hora de nos aproximarmos mais de nossas realidades, reavaliar prioridades, aprender a transformar nossa perplexidade e indignação em ação, começando por aqueles que estão mais próximos. Cada catástrofe também faz repensar a vida e cada viver.
Psicóloga Nina
Eiras Dias de Oliveira
Psicoterapeuta Infantil
Especialista em Psicologia Clínica
pelo Conselho Regional de Psicologia do RJ
Membro do GPFE - Grupo Petropolitano
de Psicologia Fenomenológica Existencial
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