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QUE MEDO!
NINA EIRAS DIAS DE OLIVEIRA- CRP 05/09409
Psicóloga existencial, Especialização Clínica
pelo CRP/RJ e Hospitalar pela FGV/RJ.
Seqüestros, assaltos, furtos, ônibus incendiados, carros
blindados, balas perdidas, vidros escurecidos, grades vão entrando
no nosso cotidiano criando condições cada vez mais privadas
e de isolamento. A mídia é apontada como uma das grandes
vilãs da cultura do medo, uma vez que qualquer editor de jornal
sabe que a violência vende. Todos nós queremos estar
bem informados sobre os perigos que nos rondam, os novos tipos de
assaltos ou sobre o que pode acontecer com nossos filhos nas ruas.
Nas grandes cidades a falta de brincadeiras de rua e dos quintais
faz com que as crianças convivam mais intensamente com os adultos
e assimilem suas preocupações. Hoje é grande
o número de crianças que assistem e acompanham novelas.
Até algum tempo atrás esse era um entretenimento destinado
apenas aos adultos. As crianças absorvem as conversas dos adultos
que acabam comentando muito sobre a violência e, isto termina
por interferir em seu comportamento. Percebem que o mal não
está só nos desenhos, filmes e jogos, mas, também,
na vida real e são pessoas comuns como tantas que vêem
nas ruas.
O medo faz parte do cotidiano e da vida de todos nós. Trata-se
de um sentimento que aponta para uma situação, normalmente,
definível e que é percebida como ameaçadora.
A percepção deste sentimento pode ser vital no sentido
da própria preservação da vida e do aprendizado
daquilo que nos é apresentado no cotidiano. Para entender alguns
medos infantis é preciso reconhecer o que cada um representa
na etapa evolutiva, história individual e relacional de cada
criança e no contexto em que ele se apresenta. Alguns medos
devem ser combatidos outros ajudam a criança a crescer e amadurecer
mais saudavelmente.
Eis alguns tipos de medos:
? Ambientes novos - Em torno dos oito meses
de idade, por exemplo, a criança pode começar a temer
pessoas e objetos estranhos. Às vezes até mesmo alguns
familiares com quem não têm um contato muito freqüente.
Trata-se de um estranhamento natural nessa fase devido a um maior
reconhecimento e discernimento da mãe e das pessoas mais próximas.
Porém quando esta atitude se torna mais freqüente no decorrer
da história de vida da criança, pode estar associado
à não querer perder a afetividade da mãe –
pode se mostrar vigilante a possibilidade de afastamento da mãe.
Muitas vezes desenvolvendo um apego ansioso em relação
a esta que a impede de aproveitar outras possibilidades de relações
com o mundo e com outros.
? Medo do escuro - Em torno dos três anos alguns tem medo do
escuro (algumas pessoas carregam este medo até a vida adulta).
Na escuridão ela imagina seres aterrorizantes. Um estalo ou
um ruído intensifica mais ainda o terror. Qualquer objeto no
mundo exterior, devido ao escasso controle visual, pode ganhar formas
aterrorizantes: uma blusa numa cadeira pode parecer uma pessoa sentada,
por exemplo. Não há porque insistir com a criança
para que se acostume a ficar no escuro com seus medos. Nem todo medo
deve ser tratado da mesma forma. Muitas vezes o melhor a fazer é
conversar com a criança sobre o que a preocupa. Não
há mal em se permitir algumas manias como uma luzinha acesa
ou arrumar as cortinas de outro jeito. Algumas vezes será necessário
ficar com ela até que adormeça, avisando–a que
você ficará ali um pouco, no quarto dela. De preferência
não a leve para outro cômodo. Isto poderá além
de desencadear outros problemas, reforçar nela a idéia
de que não é capaz de lidar com aquilo que a assusta,
fortalecendo seus medos, ao invés de ajudá-la a construir
essa confiança.
? “Não posso nem ir ao banheiro.
E se for e ele chorar?”
- Os olhos da mãe são o passaporte por onde a criança
vê as primeiras imagens do mundo. Pelos seus olhos, voz e gesto
a criança aprende o nome dos objetos, pessoas e o papel de
cada uma delas na sua vida. Assim ela começa a se conhecer
como ser-no-mundo-com-outros. Se ela sente amor e carinho no olhar
e nas palavras da mãe sente-se aceita e querida. A presença,
afastamento e retorno da mãe são pilares importantes
no balizamento da estrutura emocional da criança. A permanência
em apenas um desses focos cria impedimentos e afunilamento nas possibilidades
de existir.
> Medo de palhaço – Até
os seis anos prevalece, na criança, o mundo imaginário
sobre o real. Nesta fase, os temores estão mais relacionados
à perda dos pais, monstros, palhaços, insetos e outras
fantasias. Dos seis aos dez a capacidade de elaboração
e compreensão aumentam e as crianças misturam os universos
real e imaginário. Nesse período elas estão mais
antenadas e são bastante influenciadas pelo que vêem
e ouvem na mídia e nas conversas dos adultos. Ao mesmo tempo,
a imaginação ainda está a todo vapor e, por isso,
ainda acreditam em fantasmas e monstros. Depois dos dez anos a criança
já elabora e compreende bem o que acontece ao seu redor e tende
a ter medo de riscos concretos, como o medo do desemprego dos pais
e do assalto, por exemplo.
Uma criança poderá ter seus
medos reforçados dependendo da maneira como são tratados.
Por este motivo o modo como o adulto lida com àquilo que a
criança mostra é fundamental para instrumentá-la
ou não em relação a possíveis recursos.
Alguns comportamentos que fortalecem o medo são:
- Incentivo e estimulação para que ela seja sempre boazinha:
“Não ele não tem medo de nada ele é forte,
não é?”. Este comentário muitas vezes impositivo
ajuda a criança a ter medo de externar o que sente, distorcer
o conhecimento daquilo que sente, da sua imagem e, não confiar
naqueles que a cercam.
- Dar limites através de ameaças e atitudes de violência;
- Desamparo, recusa em ajudar e dar apoio;
- Atitudes de superproteção que implicam em se fazer
pela criança àquilo que ela já pode fazer por
ela, impedindo-a de ter experiências, ensaios, erros e aprendizagens.
E, também, impedi-la de conhecer e aprender a lidar com limites
e alcances próprios.
E, alguns comportamentos que ajudam a lidar
com o medo são:
- Entrar no jogo da imaginação
das crianças – “Vamos fazer um desenho bem feio
para assustar a bruxa e impedi-la de entrar pela janela?”
- Firmeza do adulto com explicações simples e sinceras
- Centralizar na realidade. Os pais devem procurar mostrar-lhe que
a experiência pode ser desagradável e confiar na capacidade
da criança poder lidar com as situações mostrando-se
disponível e próximo a ela. Tomar uma vacina não
é nada agradável, muitas vezes dolorido, mas necessário.
A recompensa será sair fortalecida pela sensação
de ter vencido o obstáculo. O mentir “Não vai
doer nada”, ou o impedimento de sentir: “Já passou,
quieto”, só aumentam a insegurança e desamparo
da criança.
As crianças também têm
prazer em sentir alguns medos dependendo da circunstância como:
brincadeira de pegar ou assustar e provocar medo no outro, por exemplo.
No lúdico o prazer, muitas vezes, está associado à
sensação de superação e controle do medo.
Agora se os medos se prolongarem, perturbando
o bem estar e o cotidiano da criança e da família é
aconselhável que se procure um (a) psicólogo (a).
Psicóloga
Nina
Eiras Dias de Oliveira
Psicoterapeuta
Infantil
Especialista
em Psicologia Clínica pelo Conselho Regional de Psicologia
do RJ
Membro do GPFE - Grupo Petropolitano de Psicologia Fenomenológica
Existencial
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