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| Psicóloga Nina Eiras
Dias de Oliveira |
Inúmeros são os papéis e as relações que
temos em nossas vidas. Somos: pai, mãe, filho, filha,
neto, neta, avô, avó, balconista, cidadão, psicólogo,
educador, contador, médico, policial rodoviário,
condômino, síndico, etc...
A cada um deles estão inseridos atributos,
funções, expectativas, aprendizagens, posturas
culturais. Todos os papéis dentro de um só personagem.
Inúmeras são também as relações que fazemos com
estes papéis. Há momentos em que é preciso que um só
papel se destaque dos outros, como num jogo de figura e
fundo.
Existem também as distorções como: o marido ou
a esposa que referem-se um ao outro como "pai"
ou "mãe". Numa relação conjugal o ser homem
e mulher deveria ser o papel principal. Há os que
dizemos ou pensamos que somos e os que realmente somos e
exercemos.
Que tipo de relação realmente temos? E quem de
fato somos? Há os que embora tendo um grande número de
papéis só sabem exercer um, independente da relação
que estejam. Por exemplo: um policial que o é no seu
trabalho exercendo atitudes pertinentes e necessárias a
este papel mas que não consegue se desvencilhar disto
exercendo estas mesmas atitudes e posturas em casa, com
os amigos, com a família.
Que tipo de relação tem a mãe de uma criança
pequena que diz orgulhosa para ela: "Eu sou mais que
sua mãe, sou sua amiga!" Ora o que uma criança
precisa é que pai e mãe exerçam seu papel. E ele
implica em: comando, autoridade, poder, carinho,
proteção, cuidados. Acredito que esta relação poderá
até vir a ser de amizade quando este filho estiver na
fase adulta e tiver tido quando criança e adolescente
esta relação com os papéis bem definidos, por todos os
membros desta família.
E os papéis destinados ao ser homem e mulher?
Uma mulher não nasce com desejo de lavar pratos e passar
roupa e nem o homem com vontade de sustentar a mulher. Ao
longo de nossas relações vamos sendo criados, muitas
vezes nos distanciando daquilo que realmente somos,
acreditamos e desejamos para nós mesmos. Às vezes sem
nos darmos conta, vamos assimilando, engolindo uma série
de conceitos como: "Homem se vira em qualquer
lugar", "Homem que chora é maricas",
"Menina é amiga da mãe", "Menino é mais
agitado, menina mais calma e boazinha", "Menino
gosta de azul e menina de rosa", Menina ajuda a
lavar a louça e menino ajuda o pai a mexer no
carro", "Homem é o chefe da casa",
"O doutor sabe tudo"...
É claro que as pessoas são diferentes, que há
diferenças entre os sexos, condições físicas
diferentes, mas nem todas as mulheres são do mesmo jeito
e nem todos os homens também o são. Há mulheres:
sensíveis, corajosas, medrosas, espertas indefesas...
assim como homens gordos, magros, medrosos, inteligentes,
fortes, limitados. Além disso as pessoas também podem
ser completamente diferentes dependendo da relação em
questão. As diferenças existem e não deveriam ser
negadas ou valorizadas em termos de superioridade ou
inferioridade. Repetimos e criamos esteriótipos em
nossas relações, sem estarmos às vezes atentos para
esse ser que veste cada personagem, atua em cada papel,
muitas vezes, com rosto desconhecido até para nós
mesmos.
Psicóloga Nina
Eiras Dias de Oliveira
Psicoterapeuta Infantil
Especialista em Psicologia Clínica
pelo Conselho Regional de Psicologia do RJ
Membro do GPFE - Grupo Petropolitano
de Psicologia Fenomenológica Existencial
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