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EDIÇÃO ESPECIAL Página atualizada em 15 de junho de 2000

 

ARTIGO

 

Papéis que Exercemos no Dia a Dia
 
Psicóloga Nina Eiras Dias de Oliveira


Inúmeros são os papéis e as relações que temos em nossas vidas. Somos: pai, mãe, filho, filha, neto, neta, avô, avó, balconista, cidadão, psicólogo, educador, contador, médico, policial rodoviário, condômino, síndico, etc...

A cada um deles estão inseridos atributos, funções, expectativas, aprendizagens, posturas culturais. Todos os papéis dentro de um só personagem. Inúmeras são também as relações que fazemos com estes papéis. Há momentos em que é preciso que um só papel se destaque dos outros, como num jogo de figura e fundo.

Existem também as distorções como: o marido ou a esposa que referem-se um ao outro como "pai" ou "mãe". Numa relação conjugal o ser homem e mulher deveria ser o papel principal. Há os que dizemos ou pensamos que somos e os que realmente somos e exercemos.

Que tipo de relação realmente temos? E quem de fato somos? Há os que embora tendo um grande número de papéis só sabem exercer um, independente da relação que estejam. Por exemplo: um policial que o é no seu trabalho exercendo atitudes pertinentes e necessárias a este papel mas que não consegue se desvencilhar disto exercendo estas mesmas atitudes e posturas em casa, com os amigos, com a família.

Que tipo de relação tem a mãe de uma criança pequena que diz orgulhosa para ela: "Eu sou mais que sua mãe, sou sua amiga!" Ora o que uma criança precisa é que pai e mãe exerçam seu papel. E ele implica em: comando, autoridade, poder, carinho, proteção, cuidados. Acredito que esta relação poderá até vir a ser de amizade quando este filho estiver na fase adulta e tiver tido quando criança e adolescente esta relação com os papéis bem definidos, por todos os membros desta família.

E os papéis destinados ao ser homem e mulher? Uma mulher não nasce com desejo de lavar pratos e passar roupa e nem o homem com vontade de sustentar a mulher. Ao longo de nossas relações vamos sendo criados, muitas vezes nos distanciando daquilo que realmente somos, acreditamos e desejamos para nós mesmos. Às vezes sem nos darmos conta, vamos assimilando, engolindo uma série de conceitos como: "Homem se vira em qualquer lugar", "Homem que chora é maricas", "Menina é amiga da mãe", "Menino é mais agitado, menina mais calma e boazinha", "Menino gosta de azul e menina de rosa", Menina ajuda a lavar a louça e menino ajuda o pai a mexer no carro", "Homem é o chefe da casa", "O doutor sabe tudo"...

É claro que as pessoas são diferentes, que há diferenças entre os sexos, condições físicas diferentes, mas nem todas as mulheres são do mesmo jeito e nem todos os homens também o são. Há mulheres: sensíveis, corajosas, medrosas, espertas indefesas... assim como homens gordos, magros, medrosos, inteligentes, fortes, limitados. Além disso as pessoas também podem ser completamente diferentes dependendo da relação em questão. As diferenças existem e não deveriam ser negadas ou valorizadas em termos de superioridade ou inferioridade. Repetimos e criamos esteriótipos em nossas relações, sem estarmos às vezes atentos para esse ser que veste cada personagem, atua em cada papel, muitas vezes, com rosto desconhecido até para nós mesmos.

Psicóloga Nina Eiras Dias de Oliveira
Psicoterapeuta Infantil
Especialista em Psicologia Clínica pelo Conselho Regional de Psicologia do RJ
Membro do GPFE - Grupo Petropolitano de Psicologia Fenomenológica Existencial


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