![]() |
Uma publicação da SAEP Sociedade de Análise Existencial e Psicomaiêutica | |
| EDIÇÃO ESPECIAL | Página atualizada em 08 de agosto de 2000 | |
| ARTIGO |
| Morte - um Assunto Adiado | |||
Rochefoucauld dizia que nem o sol nem a morte podem ser olhados de frente. A
morte faz parte da vida, é algo que acontece ao ser que
vive. O homem é responsável pelo que lhe ocorre e este sentido da responsabilidade é ao mesmo tempo assustador e sublime. É assustador na medida que, estando aberto para
infinitas possibilidades, o homem é livre para escolher
seu modo de agir. O homem faz o seu caminho e pode decidir cada situação através de sua verdadeira intenção. O homem, existencialmente falando, de acordo com suas escolhas e contingências da vida escolhe como quer estar no mundo. Mas
como reagem as crianças diante da morte? Quando a criança recebe apoio e permissão gosta de conversar sobre a pessoa morta, sobre episódios que passaram juntas, com o objetivo de afirmar e ampliar a figura guardada na memória. Alguns gostam de ver fotos ou objetos que pertenceram ao morto. No início, algumas podem chorar muito ou não ter nenhuma reação, outras adquirem comportamento pouco sociáveis. Pode ficar temerosa com relação ao afastamento de outras pessoas que lhe são significativas, com medo que este afastamento também signifique um desaparecimento. Pode se sentir culpada achando que foi responsável pela morte do falecido ou pelo que não fez por ele ou com ele. É muito comum que o adulto, na dificuldade de lidar com a situação, crie histórias que acredita serem amenizadoras e ajude a criança a lidar com ela, histórias como: "Papai do céu chamou a titia para ajudá-lo na arrumação da casa dele, e daí ela foi até lá para ajudá-lo, ou vovô foi fazer uma longa viagem, ou está dormindo..." Por ter menos conhecimento a respeito da vida e da morte, a criança passa a ter esperanças de que o morto possa retornar, fica aguardando o avô que não volta nunca, a tia que nunca acaba a arrumação, ou o outro que não acorda, além de poder fazer outras associações, como viajar é ruim, ir arrumar a casa e dormir também, pois fazem com que as pessoas desapareçam e não voltem mais. O trabalho em consultório com as crianças têm demonstrado que, quando uma criança tem uma relação afetiva segura e estável com as pessoas que lhe são significativas, a probabilidade de que sejam criadas situações patológicas com relação a perda do ente querido é menor. Embora a morte seja um golpe terrível, esta criança já pode trazer dentro dela uma profunda crença na possibilidade de amar e de ser amada, de ser capaz de fazer laços afetivos com outras pessoas. Todos nós temos nossas crenças. Acredito que a melhor maneira de lidar com a criança com relação a este assunto seria informando-a com clareza que a pessoa está morta, não vai mais voltar e o corpo dela foi enterrado. Dependendo das necessidades da criança, podemos acrescentar ainda que não sabemos se ocorre algo com a gente depois que se morre, cada pessoa acredita numa coisa e que você acredita em ... Neste sentido você a ajuda a se situar mais um pouco, esclarecendo seu ponto de vista e sua crença, não fechando oportunidades para a criança vir a conhecer outros pensamentos para um dia poder decidir qual será, de fato, o dela. É importante nesse caminho, para lidar com a dor que a criança encontre abertura e disponibilidade para conversar sobre o morto, falar e expor sua tristeza, dividir sua dor com relação à saudade, pois normalmente ela encontra um adulto que, com dificuldade de lidar com sua própria dor, esconde-a, muda de assunto, dificultando ou impossibilitando a expressão da criança. Nesse caso, num
processo ludoterápico de filosofia existencialista, ela encontra,
através da relação de confiança e segurança com o terapeuta, oportunidade
para se expressar, relatar, partilhar sua dor, raiva, culpa, etc,
e com isto superar e elaborar este momento tão doloroso. Inscreva-se nos Cursos à Distância da SAEP: Curso de Introdução ao Existencialismo |
|||

Existencialismo - SAEP - Jornal Existencial - Psicologo Jadir Machado Lessa - Psicoterapeutas Existenciais
Copyright ©1999 - Todos os direitos reservados à SAEP - Sociedade de Análise Existencial e Psicomaiêutica. Webmaster: Jadir Lessa jadirlessa@easyline.com.br
| SAEP: Rua Conde de Bonfim, 370 Sala 1004 - Tijuca - Rio de Janeiro - RJ - CEP 20520-054 - Tel. (021) 567-4420 e Telefax (021) 264-8615 |