Uma publicação da SAEP Sociedade de Análise Existencial e Psicomaiêutica logo SAEP
EDIÇÃO ESPECIAL Página atualizada em 01 de agosto de 2000

 

ARTIGO

 

MEDO
 
Psicóloga Nina Eiras Dias de Oliveira


O medo faz parte do cotidiano e da vida de todos nós. Para entender alguns medos infantis é preciso reconhecer o que cada um representa na etapa evolutiva e história individual de cada criança. Alguns medos devem ser combatidos outros ajudam a criança a crescer e amadurecer mais saudavelmente. Em torno dos 8 meses de idade, por exemplo, a criança pode começar a temer pessoas e objetos estranhos. Às vezes até mesmo alguns familiares com quem não têm um contato muito frequente. Em torno dos três anos alguns têm medo do escuro (alguns carregam este medo até para a vida adulta). Na escuridão ela imagina seres aterrorizantes. Um estalo ou um ruído intensificam mais ainda o terror. Qualquer objeto no mundo exterior, devido ao escasso controle visual, pode ganhar formas aterrorizantes... uma blusa numa cadeira pode parecer uma pessoa sentada, por exemplo. Não há porque insistir com a criança para que se acostume a ficar no escuro com seus medos. Nem todo medo deve ser tratado da mesma forma. Muitas vezes o melhor a fazer é conversar com a criança sobre o que a preocupa. Não há mal em se permitir algumas vezes manias como uma luzinha acesa, arrumar as cortinas de outro jeito etc. Algumas vezes será necessário ficar com ela até que adormeça, avisando-a que você ficará ali um pouco com ela, no quarto dela. De preferência não a leve para outro cômodo. Isto poderá além de desencadear outros problemas reforçar nela a idéia de que não é capaz de lidar com aquilo que a assusta, fortalecendo seus medos, ao invés de ir ajudando-a a construir esta confiança dentro dela.
Uma criança poderá ter seus medos reforçados dependendo da maneira como são tratados.

Uma péssima maneira de ajudar uma criança que tem medo de piscina é jogá-la na água. Isto poderá gerar sérios conflitos. Querer negociar com a criança na base do "Se você dormir aqui eu te dou um sorvete", além de estimular um relacionamento na base da chantagem, aumenta na criança a idéia de que está se submetendo a algo tão penoso que merece recompensa.

Os pais devem procurar mostrar-lhe que a experiência pode ser desagradável e confiar na capacidade da criança poder lidar com as situações. Tomar uma vacina não é nada agradável, muitas vezes é dolorido, mas normalmente necessário e incontornável. A recompensa será sair fortalecido pela sensação de ter vencido o obstáculo. A ajuda consiste em proporcionar a criança adquirir confiança na capacidade de sair-se bem em situações difíceis. O mentir "Não vai doer nada", ou o impedimento de sentir: "Já passou, quieto", ou "Não, ele não tem medo ele é forte, né?", ajudarão apenas a aumentar o receio de enfrentar situações semelhantes, medo de externar o que sente, perda da confiança naqueles que o cercam. Uma criança estimulada e amada vai tendo vontade de aprofundar suas descobertas sem que seu desenvolvimento seja perturbado. Agora se os medos se prolongarem, pertubando o bem estar da criança e da família é aconselhável que se procure um psicólogo.

Psicóloga Nina Eiras Dias de Oliveira
Psicoterapeuta Infantil
Especialista em Psicologia Clínica pelo Conselho Regional de Psicologia do RJ
Membro do GPFE - Grupo Petropolitano de Psicologia Fenomenológica Existencial


Inscreva-se nos Cursos à Distância da SAEP:

Curso de Introdução ao Existencialismo

Curso Diálogo Maiêutico e Psicoterapia Existencial

LIVROS RECOMENDADOS

 Volta para o Índice


Existencialismo - SAEP - Jornal Existencial - Psicologo Jadir Machado Lessa - Psicoterapeutas Existenciais

Copyright ©1999 - Todos os direitos reservados à SAEP - Sociedade de Análise Existencial e Psicomaiêutica. Webmaster: Jadir Lessa jadirlessa@easyline.com.br   

SAEP: Rua Conde de Bonfim, 370 Sala 1004 - Tijuca - Rio de Janeiro - RJ - CEP 20520-054 - Tel. (021) 567-4420 e Telefax (021) 264-8615