 |
| |
| Psicóloga Nina Eiras
Dias de Oliveira |
Em termos de cultura, todos nós recebemos como
herança educacional elementos de autoritarismo,
opressão e repressão. Em algumas famílias não se
podia conversar, falar, olhar, dizer não, perguntar,
referir-se a pai e mãe, que seria considerado falta de
respeito. Na tentativa de não repassar este tipo de
educação para outras gerações, busca-se criar uma
educação mais libertadora. Mas o que seria essa
educação mais libertadora?
Uma educação onde o aprender a conversar seja buscado,
onde o ouvir o outro marque sua presença, onde o
sentimento seja legitimado e lidado, onde haja liberdade
de ser e o respeito, responsabilidade, autoridade sejam
bem definidos e ocupados de acordo com os limites e
contingências de cada papel. Há algum tempo atrás, a
questão dos limites ficou associada à: punição,
castigo e, neste sentido deveria ser evitado ou até
mesmo banido. A psicologia ajudou a repensar esta
questão, ressaltando a importância de que os limites
sejam dados, que pai e mãe ocupem seu papel de
orientadores, de comando na educação dos filhos. Existe
uma certa informação popular que paira e envaidesse
alguns, de serem mais do que pai e mãe dos
filhos: são amigos destes. Claro que o respeito,
consideração, solidariedade presentes na amizade, são
importantes na relação pais e filhos. Mas essa
relação deve ser, principalmente, caracterizada como:
pai, mãe e filho. Não é uma relação de troca, no
sentido de igualdade de papéis, como é a amizade.
Acredito até que quando adultos essa relação pode vir
a ser de amizade; se na infância e adolescência, o
filho recebeu aquilo que precisa receber dos pais:
sentir-se: amado, cuidado, considerado, valorizado,
orientado e muitas vezes comandado.
Quando uma criança sabe onde está pisando e até onde
pode ir, sente-se mais segura. Aprende a lidar com seus
impulsos e emoções. E pode decidir aquilo que tem
maturidade para avaliar. Sentindo-se cuidado, tende a ter
maior estrutura em termos de segurança afetiva. Os
limites também dão noção do outro, de que ele existe
e também deve ser considerado. Atravessamos um período
marcado pelo individualismo, hedonismo, culto ao prazer
desconectado da responsabilidade; do imediatismo.
Eu estou com vontade eu faço, isto me dá prazer
danem-se os outros.
Os limites marcam a realidade de cada relação e
estrutura social, ajudando a criança a compreender e
introjetar valores.
São atitudes que revelam dificuldades em se dar limite:
1- insistência Filho vai tomar banho, filho
vai tomar banho, filho vai tomar banho....
2- perder a paciência e agredir - Dando assim um modelo
de autoritarismo, de desigualdade de condições, de
covardia, de violência;
3- nada fazer, ignorar continuar lendo seu jornal
enquanto a criança sobe em cima do sofá, da mesa...
Fornecendo assim um modelo de abandono.
4- explicações exageradas Mãe, porque eu
preciso escovar os dentes? Você precisa escová-los
porque senão virão umas bactérias comerão o resíduo
alimentar, formarão uma placa chamada placa bacteriana,
fazendo um buraco que é a cárie, você sentirá dor e
teremos que ir a um dentista que irá obturar o
dente.As explicações são importantes, mas devem
ser dadas com simplicidade, objetividade na medida da
curiosidade do outro.
5- zanga prolongada A pessoa que é autoridade
zanga com a criança por fazer algo que não deveria.
Periodicamente, volta ao assunto mesmo que ele não
esteja no contexto, fazendo assim uso da situação para
que a criança se sinta culpada pelo feito, vitimando a
autoridade.
6- nomear entidades utilizando-se de situações que
provoquem medo para frear a criança ou
passar a responsabilidade para o outro O
homem do saco vai te pegar; Quando seu pai
chegar você vai ver; Resolve isto com sua
mãe e me deixa ver televisão, etc; O conflito de
cada relação deve ser resolvido no âmbito desta.
7- chantagear Se você tomar injeção eu te
dou um sorvete. Fortalecendo a insegurança da
criança, reconhecendo que aquilo que ela se submeterá
é tão insuportável, que ela não tem estrutura para
lidar e precisa ser aliviada. Quem ocupa o papel de
comando não consegue segurar a rédea da
situação. Desta forma, a criança não tem a dimensão
real da dor, nem se fortalece conhecendo suas
possibilidades e potencialidades para lidar com a
situação e, sente que a autoridade não ocupa seu
espaço, portanto o trono está vazio e pode
ser ocupado. Abre caminho também para que a criança
utilize a chantagem para obter aquilo que deseja. A
criança pode ser confortada, sentir que o outro está
junto com ela na dor, não negando-a, nem subestimando ou
super valorizando. Assim sendo, sente-se cuidada.
8- ameaçar o filho com a perda do amor ou abandono
Vou embora e vou deixar você aí, vai ficar
sozinho.Nada mais cruel e danoso para a criança
que faz de tudo para obter o amor dos pais e sentir-se
valorizado.
9- comparações ou comentários negativos na presença
de outros O filho do fulano não está
chorando... Reforça a menosvalia e insegurança da
criança, uma vez que além da pessoa não ser clara no
comentário (Eu gostaria que você fosse ou
estivesse quieta como o filho do fulano), faz com
que, a criança sinta-se não aceita, desconsiderada na
sua percepção e muitas vezes sem condições de
defender-se. O ser claro no comentário faz com que a
responsabilidade da situação volte para a relação de
conflito.
A criança pode lidar com os limites de diversas formas.
Ela utilizará as armas que terá em cada relação:
através de choro, raiva, pirraças, dengo;
comportamentos infantilizados; comparações ou tentará
negociar. Muitas vezes nesta situação fazendo com que
os pais ou outras figuras de autoridade, reconsiderem,
reavaliem uma determinada regra. À medida que irá
crescendo é importante que também vá conquistando mais
este espaço, de poder decidir sobre sua vida. Os pais
também vão aprendendo a fazer esta passagem de: fazer
pela criança, serem supervisores, orientadores e amigos.
Educar é um processo difícil, de aprendizagem, de
avaliação constante, de reconstrução de valores, de
acertos e erros, a ser vivido e construído junto com o
outro.
Psicóloga Nina
Eiras Dias de Oliveira
Psicoterapeuta Infantil
Especialista em Psicologia Clínica
pelo Conselho Regional de Psicologia do RJ
Membro do GPFE - Grupo Petropolitano
de Psicologia Fenomenológica Existencial
Conheça os Psicoterapeutas
Existenciais na Internet
Para incluir
seu nome clique aqui
Psicólogo, inscreva-se no
Curso à Distância:
Curso
de Introdução ao Existencialismo via Internet ou
Correio
Estude
sem sair de casa
LIVROS
RECOMENDADOS
Início da página
|