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| Psicóloga Nina Eiras
Dias de Oliveira |
Rochefucauld dizia que nem o sol nem a mortepodem ser vistos de frente.
Será que tem que ser assim mesmo? Será que não podemos olhar a morte,
refletir sobre ela, seu entrelaçamento com a vida, no jeito que vivemos
e o que fazemos de nossas vidas?
A maioria das pessoas não gosta de tratar
deste assunto. Seja lá como for, todos nós, seres viventes, estamos
sujeitos a ela. Faz parte da vida e da existência. Vamos morrer! Não
dá para mudar este fato, mas dá para mudar a maneira como se lida
e vive o fato.
A tecnologia investe no adiamento, na eternização da juventude, no
reviver seres congelados. Alguns médicos tentam manter a vida a qualquer
preço, mesmo que isto implique num sofrimento absurdo para o enfermo,
penalizando-o muitas vezes com uma sobrevida sem a menor qualidade.
O mundo ocidental transformou a morte em tabu. Normalmente, afastando
a criança deste assunto, ocultando-lhe conversas a respeito e, às
vezes, até mesmo, o conhecimento da morte de pessoas próximas.
Vende-se à criança um mundo de ilusões, ao passo que se esquece de
ajuda-la a lidar com a vida e as pequenas mortes cotidianas. Do brinquedo
que se quebrou; do objeto guardado não se sabe mais onde e se perdeu;
do atraso na chegada à escola; dos pais que se separam; do pai e da
mãe demitidos do emprego; da reformulação no padrão de vida; do amigo
que trocou de escola; da doença ou machucado que traz impedimentos...
As experiências diárias ajudam-nos a compreender, admitir, encarar
nossas possibilidades e finitudes. Uma criança criada no sentido de
perceber, conhecer e reconhecer as responsabilidades e consequências
em suas escolhas pode tornar-se um adolescente, um adulto, com mais
consciência do que quer, dos riscos, do preço de cada escolha, pode
ter mais clareza nas decisões, com menos adiamento daquilo que é possível
e do que se quer realizar.
Olhar a morte de frente, saber que ela existe, encará-la não por morbidez,
não para deixar de viver, mas para poder ter um compromisso com um
viver mais pleno, com mais maturidade e, consciência de nossas possibilidades
e limites a cada gesto, a cada fala, a cada relação.
Psicóloga Nina
Eiras Dias de Oliveira Psicoterapeuta Infantil
Especialista em Psicologia Clínica
pelo Conselho Regional de Psicologia do RJ
Membro do GPFE - Grupo Petropolitano
de Psicologia Fenomenológica Existencial
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