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EDIÇÃO ESPECIAL Caderno de Ludoterapia

 

ARTIGO

 

Adoção - Filhos do Coração
 
Psicóloga Nina Eiras Dias de Oliveira

No processo de adoção, um dos primeiros passos a ser investigado deve ser o motivo pelo qual se deseja adotar. Muitos assim escolhem pela impossibilidade de ter filhos, medo da solidão, necessidade de serem importantes, na esperança de "salvar" casamentos, para sentirem-se mais incluídos numa sociedade que cobra filhos das relações, no desejo de aplacar ausências ou "impedir" sofrimentos causados por outras perdas, etc. Na maioria das vezes estes desejos não são considerados e aprofundados. Somente são checados entre outros aspectos: padrão de vida e idoneidade dos envolvidos. A forma como a criança será criada dependerá muito do lugar que se tem reservado para ela em termos de expectativas. Muitos são, portanto, os fantasmas que norteiam esta relação. Medos com relação à hereditariedade dos bebes, ausência de responsabilidade dos adotantes com relação ao que se constrói junto com a criança em termos de personalidade. Quem adota fica com uma imagem social de salvador, aquele a quem o adotado deve favor e, em alguns momentos, é lembrado da conta. Acredito que se as expectativas fossem melhor esclarecidas muitos sofrimentos e frustrações seriam poupados e, quem sabe, caminhos mais saudáveis seriam construídos nestas relações.

Outro momento difícil na adoção é a questão de revelar ou não ao adotado sua condição. Muitos adiam esta situação por não saber como lidar com ela, por acharem que a criança não tem condições de compreensão ou por medo do impacto desta notícia no outro. Alguns têm medo de serem rejeitados por aqueles que criaram, de serem menos amados do que os pais biológicos, de lidar com o possível sofrimento da situação.Em geral, a história da adoção envolve sofrimentos. É preciso respeitar e considerar o direito da criança de saber sua história. Em todas as crianças adotadas que tive a oportunidade de trabalhar até o momento, quando desconhecem sua história, de alguma forma sentem que há algo esquisito. São histórias intercortadas, assuntos proibidos, segredos, perguntas sem respostas, revelações não confirmadas, mal-estar, sensação de vazio, desconfortos, etc. É importante não só que a história seja revelada como também a maneira e o momento como isto se dará. Um acompanhamento psicológico ajuda muito a construir parâmetros, a minimizar sofrimentos e estruturar a relação.

Psicóloga Nina Eiras Dias de OliveiranadaPsicoterapeuta Infantil
Especialista em Psicologia Clínica pelo Conselho Regional de Psicologia do RJ
Membro do GPFE - Grupo Petropolitano de Psicologia Fenomenológica Existencial


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