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Nina Eiras Dias de Oliveira
No início de seu aprendizado em lidar com o dinheiro,
minha filha me convida a refletir sobre ele e sobre a importância
que tem em
nossas vidas.
Muitas vezes, transformado em tabu, ele é desejado; perseguido;
responsabilizado por desgraças; transformado em sentido de
vida e fonte de
felicidade; o ganho, quantidade e administração entremeado
de significados
culturais ao feminino e ao masculino; evocador de corrupção,
de degradação
de valores éticos; fonte de poder; motivo de vergonha; solução.
Atribuímos ao dinheiro simbolismos e significados perdendo
de vista nossa
relação com ele. Aliás, como diz Teresinha
Perez, coordenadora do GPFE,:
"nós acostumamos a compreender as pessoas e as coisas
como retratos
permanentes e sempre iguais e, não, inseridos nas relações
e, por isso,
dinâmicas, vivas, impermanentes. "
Que importância tem o dinheiro em nossas vidas, nossos projetos,
no que
queremos da vida?
No Brasil, ter dinheiro ou almejá-lo numa carreira
profissional é, quase sempre, compreendido numa relação
de erro, como se
desejar e ter dinheiro através do seu trabalho fosse errado.
Algo, para
muitos, acompanhado de justificativas, culpa, dificuldade de cobrar
os
honorários. Principalmente, se buscamos uma profissão
que envolva um
trabalho de ajuda a outro ser humano como é o trabalho do
psicólogo, por
exemplo. Alvejamos de críticas altos salários e perdemos
de vista o abismo
entre as diferenças salariais: a distribuição
da renda. Ter dinheiro quase
significa, para muitos, tirar ou dever à alguém. Não
é visto como conquista
pessoal. O dinheiro não constrói ou destrói
nada. No uso que fazemos dele é
que as coisas podem ou não se dar. No dia-a-dia está
presente em nossas
vidas, contextualizado em nossas relações e projetos
e, precisamos aprender
a lidar melhor com ele. Não é só resolver dar
uma semanada ou uma mesada
para que a criança aprenda a administrar seu próprio
dinheiro. É preciso
acompanhá-la e ajudá-la a administrar o que pode,
o que não pode; o que é
conveniente e pertinente; os meios de se alcançar o que se
almeja; o saber
esperar; o preço que tem cada coisa; relação
com projetos; conquista;
perdas; valores éticos; negociações; saber
quando chega e é suficiente.
A complicada relação do dinheiro com a auto-estima
precisa ser muito bem
cuidada por quem representa a criança. Qual a importância
que tem na vida de
cada um ter dinheiro, ter muito ou ter pouco? Que relação
é traçada com
nossos projetos e escolhas ?
Pámela York Klainer, em entrevista a Revista Época,
em dezembro de 2.002,
diz que:" Tomar posse da nossa história financeira é
também assumir as
conseqüências de nossas escolhas".
Livro
recomendado: O sexo oculto do dinheiro de Clara Coria - Editora
Rosa
dos Ventos
*Psicóloga
infantil, especialista clínica pelo Conselho Regional RJ
de
Psicologia, membro do GPFE- Grupo Petropolitano de Psicologia Fenomenológica
Existencial.
nina_oliveira@petronline.com.br
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