EDIÇÃO ESPECIAL - Nº 6 Caderno de Ludoterapia

 

ARTIGO

 

O DINHEIRO EM NOSSAS VIDAS

* Nina Eiras Dias de Oliveira


No início de seu aprendizado em lidar com o dinheiro,
minha filha me convida a refletir sobre ele e sobre a importância que tem em
nossas vidas.
Muitas vezes, transformado em tabu, ele é desejado; perseguido;
responsabilizado por desgraças; transformado em sentido de vida e fonte de
felicidade; o ganho, quantidade e administração entremeado de significados
culturais ao feminino e ao masculino; evocador de corrupção, de degradação
de valores éticos; fonte de poder; motivo de vergonha; solução.
Atribuímos ao dinheiro simbolismos e significados perdendo de vista nossa
relação com ele. Aliás, como diz Teresinha Perez, coordenadora do GPFE,:
"nós acostumamos a compreender as pessoas e as coisas como retratos
permanentes e sempre iguais e, não, inseridos nas relações e, por isso,
dinâmicas, vivas, impermanentes. "
Que importância tem o dinheiro em nossas vidas, nossos projetos, no que
queremos da vida?
No Brasil, ter dinheiro ou almejá-lo numa carreira
profissional é, quase sempre, compreendido numa relação de erro, como se
desejar e ter dinheiro através do seu trabalho fosse errado. Algo, para
muitos, acompanhado de justificativas, culpa, dificuldade de cobrar os
honorários. Principalmente, se buscamos uma profissão que envolva um
trabalho de ajuda a outro ser humano como é o trabalho do psicólogo, por
exemplo. Alvejamos de críticas altos salários e perdemos de vista o abismo
entre as diferenças salariais: a distribuição da renda. Ter dinheiro quase
significa, para muitos, tirar ou dever à alguém. Não é visto como conquista
pessoal. O dinheiro não constrói ou destrói nada. No uso que fazemos dele é
que as coisas podem ou não se dar. No dia-a-dia está presente em nossas
vidas, contextualizado em nossas relações e projetos e, precisamos aprender
a lidar melhor com ele. Não é só resolver dar uma semanada ou uma mesada
para que a criança aprenda a administrar seu próprio dinheiro. É preciso
acompanhá-la e ajudá-la a administrar o que pode, o que não pode; o que é
conveniente e pertinente; os meios de se alcançar o que se almeja; o saber
esperar; o preço que tem cada coisa; relação com projetos; conquista;
perdas; valores éticos; negociações; saber quando chega e é suficiente.
A complicada relação do dinheiro com a auto-estima precisa ser muito bem
cuidada por quem representa a criança. Qual a importância que tem na vida de
cada um ter dinheiro, ter muito ou ter pouco? Que relação é traçada com
nossos projetos e escolhas ?
Pámela York Klainer, em entrevista a Revista Época, em dezembro de 2.002,
diz que:" Tomar posse da nossa história financeira é também assumir as
conseqüências de nossas escolhas".

Livro recomendado: O sexo oculto do dinheiro de Clara Coria - Editora Rosa
dos Ventos

*Psicóloga infantil, especialista clínica pelo Conselho Regional RJ de
Psicologia, membro do GPFE- Grupo Petropolitano de Psicologia Fenomenológica
Existencial.
nina_oliveira@petronline.com.br


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