Uma publicação da SAEP Sociedade de Análise Existencial e Psicomaiêutica logo SAEP
EDIÇÃO ESPECIAL Caderno de Ludoterapia

 

Artigo

 

Calçando o Futuro!

 

"Calçando o Futuro!" diz o anúncio da liquidação da sapataria infantil, no panfleto que me foi entregue na rua. Imediatamente, lembro do texto escrito por Maria Beatriz Cytrynowicz, na revista Daseinsanalyse, sobre: O Mundo da Criança.

Bia, como é carinhosamente conhecida, nos fala sobre o lugar contemporâneo ocupado pela criança na relação com o adulto.

Bia destaca duas atitudes comuns, hoje, do adulto com relação à criança:
Uma a de lidar com esta como ser que ainda não é adulto e neste sentido de uma maneira que desconsidera e desqualifica a criança. Ouvimos: " A gente pode falar que ela não vai entender nada", ou "Criança não tem que querer", ou ainda " Criança não tem que falar" e, outra atitude a de exigir posturas, comportamentos, sentimentos e decisões da criança como se esta já fosse adulto. Neste sentido ouvimos: "Quem é seu namorado?" "Ela não quer e não vai tomar o remédio, pois disse que tinha gosto ruim" ou ainda "Ele decidirá se irá ou não à escola, eu não falo mais nada". Ambas atitudes têm como referência: o adulto. Não se lida com a criança como ser inteiro, como ser que já é. O primeiro passo para quem quer conhecer a criança é se aproximar dela e neste envolvimento, aprender a ouví-la através do que fala, do como brinca e do que revela nas relações com as pessoas e com o mundo.

Criança precisa do cuidado do adulto, precisa na relação com o adulto que este olhe por ela, que ocupe seu lugar de adulto nesta relação, daquele que alcança o que ela ainda não pode, para que ela possa ter suas necessidades orientadas, assistidas e fornecidas pelo adulto. Bia destaca duas características principais nesta relação: " ... A dependência não deveria ser vista como característica isolada da criança, mas sim, como traço desta relação". Criança tem a visão do imediato, por isso, também, não tem condições de decidir.

Nós, enquanto adultos, temos a visão de contexto e do futuro. É no acompanhamento desta relação que vamos desvendando o segredo do quê e como cuidar. Desta forma, representamos a criança, nos diferentes modos em que o cuidado vai sendo compartilhado e construído junto a esta. A criança que é privada desta representação cresce sem um referencial que lhe proporcione confiança e acolhimento.

A representação e o apoio oferecidos através desta dizem respeito, segundo Bia, a não só "o reconhecimento das necessidades e caminho para satisfazê-las", mas também, "o apoio e encorajamento para descobrir o ainda novo".

Psicóloga Nina Eiras Dias de Oliveira
Psicoterapeuta Infantil
Especialista em Psicologia Clínica pelo Conselho Regional de Psicologia do RJ
Membro do GPFE - Grupo Petropolitano de Psicologia Fenomenológica Existencial

 

 

©1999 - Todos os direitos reservados à SAEP - Sociedade de Análise Existencial e Psicomaiêutica Webmaster: Jadir Lessa: jadirlessa@msm.com.br

 

 Rua Conde de Bonfim, 370 Sala 1005 - Tijuca - Rio de Janeiro - RJ - CEP 20520-054 - Tel. (021) 2567-4420, Telefax (021) 2264-8615 e Celular (021) 9323-2129