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| Psicóloga Nina Eiras
Dias de Oliveira |
No século XV, a criança era vista como um
adulto em miniatura. Ela era vestida como adulto e a ela
cabiam decisões como se fosse adulto. Na época atual,
em algumas famílias, esta situação não é muito
diferente. A criança ocupa, muitas vezes, o lugar de
centro de decisões: ela é a autoridade e os pais a
obedecem. É ela quem determina a hora e onde irá
dormir; se vai ou não tomar vacina; se vai ou não
escovar os dentes, etc. Existem alguns segmentos da
literatura e segmentos sociais preocupados em
conscientizar os adultos das necessidades, importância e
responsabilidades de cada papel.
Muitos adultos quando referem-se à criança e ao
que lhe é pertinente, referem-se de uma maneira
pejorativa, desqualificada ou desconsiderada. Brincar é
o verbo da criança. Brincar é a maneira como ela
conhece, experimenta, aprende, apreende, vivencia, expõe
emoções, coloca conflitos, elabora-os ou não, interage
consigo e com o mundo.
O corpo é um brinquedo para a criança. Através
dele, ela descobre sons, descobre que pode rolar, virar
cambalhota, saltar, manusear, apertar, que pode se
comunicar.
O mesmo brinquedo pode servir de fonte diferente
de exploração e conhecimento. Uma bola para uma
criança de 02 anos pode ser fonte de interesse com
relação a tamanho, cor e para uma criança de 6 anos o
interesse pode ser mais relacional: jogar e receber a
bola do outro, fazer gol.
É importante que a criança possa brincar sozinha
e em grupo, preferencialmente com crianças de idade
próximas. Desse modo ela tem possibilidade, também, de
ampliar sua consciência de si mesma, pois pode saber
como ela é num grupo que é mais receptivo, num outro
que é mais agressivo, num que ela é líder, num outro
em que é liderada, etc. Lidando com as diferenças, ela
amplia seu campo de vivências.
Alguns cuidados devem ser tomados com esta
relação da criança com o brinquedo. São eles:
. brincar deve ser divertido, prazeroso e não tarefa.
. o brinquedo deve estar de acordo com o interesse da
criança.
Seguem
abaixo algumas sugestões de presentes de acordo com a
faixa etária, que tiveram como fonte o livro: O direito
de brincar, Ed. Fund. Abrinq.
03 meses - Chocalhos, mordedores, figuras enfiadas em
cordão para instalar no berço ou carrinho.
06 meses - Quadros com peças coloridas, de formas
diversas, peças que correm em trilhos.
08 meses - Bolas, cubos em tecido, caixas de música com
alça para puxar.
10 meses - Bonecos em tecido com roupas fixas, animais em
tecido (não pelúcia),
sem detalhes que possam ser arrancados.
01 ano - Cavalinhos de pau, carrinhos de puxar e
empurrar, blocos de construção simples, cadeiras de
balanço.
02 anos - Veículos sem pedais, que se movem pelo impulso
dos pés.
03 anos - Veículos com pedais, triciclos, bonecas com
pés e mãos articulados, jogos de memória.
04 anos - Roupas de fantasia, super-heróis, máscaras.
05 anos - Miniaturas de figuras simples, soldados de
chumbo, maquiagem, bolsas, bijuterias, móveis do tamanho
da criança.
06 anos - Walk talk; aviões, barcos, autoramas.
08 anos - Jogos de xadrez, damas, simulação e
mistério.
Às vezes o adulto "dá" o brinquedo
para a criança na tentativa de que ele adulto possa
brincar. Aí ele passa a conduzir a brincadeira,
bronquear se a criança descobriu outra forma de jogar ou
de brincar que não a formalizada a princípio, não
permitindo muitas vezes a espontaneidade, manipulação
criativa, exploração e o prazer.
Ao se fazer doações dos brinquedos, isto deve
ser realizado com autorização e participação da
criança. O brinquedo pode conter uma série de
significados para a criança, mesmo que ela não o use,
não ligue para ele, ou ele já esteja surrado e
quebrado. Ele pode ser um amigo, um conforto, uma
segurança e desse modo ela pode não ter condições ou
vontade de se desfazer do brinquedo num determinado
momento. O que nada tem a ver com ser ou não ser
egoísta.
Algumas questões polêmicas surgem quando
falamos desta relação do brincar. São elas:
. Menino pode brincar de boneca e menina de bola?
Alguns pais ficam aflitos com esta questão, pois
acreditam que a sexualidade será definida a partir desta
escolha. Neste caso é bom informar que a criança irá
definir sua sexualidade a partir do contexto que
vivencia. Da forma como pai e mãe se relacionam, de como
os papéis masculino e feminino lhe são apresentados no
cotidiano, como estes pais se relacionam com a criança,
de como esta criança vai sendo criada.
. Arma de brinquedo produz agressividade?
Agressividade é um sentimento que todos nós temos e
culturalmente lidamos mal. Normalmente a associamos com
violência, ou a vemos apenas pelo seu aspecto
destrutivo. Não nos damos conta de que precisamos dela
para procurar um emprego, para comermos, para criarmos,
para fazermos um artigo para o jornal, etc. Quando uma
criança diz que está com raiva, logo é atropelada pelo
adulto que diz: "Você não gosta de mim não?"
Como se uma coisa fosse impeditiva da outra.
. O uso de vídeo-game e computador ajuda ou
atrapalha no desenvolvimento da criança? O excesso
atrapalha. Uma criança que passa várias horas na frente
do computador acaba não se relacionando com outras
coisas e pessoas que são importantes para um
desenvolvimento melhor. O bom é que ela possa ter
condições de fazer várias experiências para ter uma
visão de mundo mais ampla. É preciso também que o
adulto esteja atento ao uso dessa criança na internet,
por exemplo, onde ela tem acesso a todo tipo de
informação e de pessoas. O cuidado e avaliação
constantes do adulto devem caminhar no sentido de
auxiliar a criança a desenvolver senso crítico. A
realidade deve ser apresentada à criança aos poucos na
medida de suas possibilidades, necessidades e etapa
evolutiva.
Psicóloga Nina
Eiras Dias de Oliveira Psicoterapeuta Infantil
Especialista em Psicologia Clínica
pelo Conselho Regional de Psicologia do RJ
Membro do GPFE - Grupo Petropolitano
de Psicologia Fenomenológica Existencial
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