EDIÇÃO ESPECIAL Caderno de Psicoterapia Existencial

 

ARTIGO

 

O Mundo Conectado Deve Ser Autêntico
Marcelo Corrêa Paes
31 de janeiro de 2001

No início do livro "As Maiores Invenções dos Últimos 2000 Anos", o organizador John Brockman cita um comentário de Marshall McLuhan, que dizia: "ao inventarmos o computador, havíamos externalizado nossos sistemas nervosos centrais - ou seja, nossas mentes"; e mais: "pela primeira vez tornáramos visível o consciente".

Observando a diversidade dos temas de sites e home-pages e, comparando os temas com os noticiários em TV, com as edições diárias de jornais, revistas semanais e mensais, periódicos especializados, podemos comprovar a extensão desta diversidade.

Simplificadamente, consciência pode ser entendida como o que concebemos ao receber informação, e o entendimento que criamos com este conteúdo. Acumulamos informações que vêm da percepção, da razão, da emoção, da intuição e delas formamos idéias: geramos conhecimento.

Para entender este conteúdo, para raciocinar, para comunicar, precisamos nos expressar, precisamos ser inteligíveis.
"O que distingue cada um de nós não é apenas o modo como cada um pensa, mas também o modo pessoal de sentir e de expressar os próprios sentimentos", afirma o psicólogo Jadir Lessa em "A Construção do Poder Pessoal".

Para Heidegger, a linguagem é a forma como o homem integra seu pensamento e seus sentimentos, para afirmar sua existência, comunicar-se. O filósofo em sua obra "Ser e Tempo" qualificava a existência humana em autêntica e inautêntica: em relação aos sentimentos e em relação aos pensamentos. E inferimos que também poderá ser em relação ao conhecimento.

Ao utilizarmos a Internet como veículo de propagação do conhecimento, por e-mail (caixa postal) ou em nosso próprio domínio (endereço virtual), temos a oportunidade de apresentar o conteúdo de nossa consciência ao "mundo conectado". Formado pelos nossos computadores interligados pela Internet, leva a afirmação de MacLuhan a proporções globais.

A qualidade com a qual nos expressamos será diretamente proporcional à nossa habilidade em utilizar a linguagem, adequada e corretamente.

Assim, penso que a Literatura será o porto seguro onde iremos buscar o retrato da época em que vivemos, e frente a qual temos que nos posicionar; o repositório histórico onde iremos confrontar a nossa própria consciência, e revisar o nosso conhecimento; a inspiração para nosso pensar e nosso sentir.
Mas principalmente, a Literatura será a escola onde encontraremos meios para o refinamento e atualização da linguagem.

A linguagem será o nosso cartão de visita para o mundo conectado, exprimindo nosso conhecimento, portando o conteúdo de nossas consciências. Precisamos ser autênticos.

Engenheiro Químico Marcelo Corrêa Paes
Especializado em Administração de Empresas
Chefe de Departamento de Propaganda
Consultor de Gestão pela Qualidade Total
cpmarcelo@uol.com.br


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