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EDIÇÃO ESPECIAL Página atualizada em 05 de setembro de 2000

 

Caderno de Educação

 

Educação como Prática de Liberdade
Idéias extraídas dos livros de Paulo Freire


A prática da Educação:

A melhor forma de ensinar e defender com seriedade, apaixonadamente, uma e/uma posição, estimulando
e respeitando, ao mesmo tempo, o direito ao discurso contrário. Estará ensinando, assim, o dever de brigar
por nossas idéias e, ao mesmo tempo, o respeito mútuo.

Numa visão progressista, o treinamento puramente técnico não é suficiente. O trabalhador tem o direito de saber a razão de ser do procedimento tecnécio, de refletir sobre as implicações da tecnologia, seus avanços e riscos - não um simples ato de acionar válvulas.

E fundamental para nós, profissionais de várias especialidades, ter uma posição crítica, vigilante, indagadora, em face da tecnologia. O objetivo a atingir e a possibilidade de se exercer o controle sobre a tecnologia e pô-la a serviço dos seres humanos.

Todos os profissionais tem o direito de saber como funciona sua sociedade, de conhecer seus direitos e deveres, de conhecer sua historia e o papel dos movimentos populares. Todos nos profissionais temos que ter uma compreensão de nós mesmos enquanto seres políticos, sociais, culturais.

Uma visão ingênua da pratica educativa é vê-la como prática neutra, a serviço de idéias abstratas. A impossibilidade de ser neutro ou apolítico é que exige do educador uma ética: o que me move a ser ético é saber que a educação é política. Respeitar os educandos e não mentir para eles dizendo que estudar não tem nada a ver com o que se passa no mundo lá fora.

Mas essa intervenção do educador deve ser não a propaganda ideológica mas sim o trabalho através do qual as pessoas vão se assumindo como sujeitos curiosos, indagadores, como sujeitos em processo permanente de busca, de descoberta da razão de ser das coisas.

Ensinar não é uma simples transferência de "conteúdo" ao aluno passivo. E considerar - e não subestimar - os saberes de experiência, o saber de senso comum, o saber popular. Partir sim desse saber - o que não significa "ficar nele". É um direito de todos descobrir a razão de ser das coisas não deve ser privilégio de elites.

É necessário entender como os grupos de trabalhadores fazem sua leitura do mundo, entender sua "cultura de resistência", entender o sentido de suas festas, ver a riqueza de sua fala e de seus símbolos. Compreender o movimento contraditório entre rebeldia e acomodação.

Outra responsabilidade nossa e a coerência entre o pensar e o falar, entre o falar e o fazer. Mas a coerência não é imobilizante: posso mudar de posição no processo agir/pensar. Minha coerência, necessária, se faz então com novos parâmetros.

Sonhar faz parte da natureza humana - um sonho possível, uma utopia. Denunciar um presente cada vez mais intolerável, colocar um futuro a ser construído por nós.

Mudar a linguagem faz parte do processo de mudar o mundo: não é preciso esperar que o mundo mude para se mudar a linguagem. A incontinência verbal, o palavreado irresponsável são um equívoco, não tem nada a ver com uma compreensão correta da luta. Suas conseqüências apenas retardam as mudanças necessárias.

O processo de educação não se completa na etapa de desvelamento de uma realidade, mas só com a prática da transformação dessa realidade. Estas duas praticas - conhecimento e transformação - formam uma unidade dialética.


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