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UNESA
- Universidade Estácio de Sá - Rebouças
Disciplina: Estágio Básico em Psicologia Clínica
Profª. Cristina Antunes
Tema:
Existencialismo
Componentes
do grupo:
Cristiana Henriques
Flávia Amélia C. de Freitas
Miriam S. Santos
Vanessa Ribeiro Mussi]
Vanusa F. Chaves Barbosa
Introdução
O objetivo do presente trabalho tem por finalidade apresentar aos
estudantes de psicologia, de uma forma sintetizada a priori, a dinâmica
de uma atuação clínica na Psicoterapia Existencial, onde os profissionais
da área com seus depoimentos esclarecem a implicação desta pratica,
servindo desta como um roteiro básico para o aluno.
Nesse sentido, selecionamos três profissionais que atuam na cidade
do Rio de Janeiro, em consultórios, que se disponibilizaram a colaborar
conosco.
Procuramos durante as entrevistas focalizar as seguintes abordagens:
- o objetivo do trabalho terapêutico;
- o papel do terapeuta
- o conceito que sustenta a prática.
Sendo assim, elaboramos o nosso trabalho com informações teóricas
extraídas de bibliografia específica e com as entrevistas realizadas.
Através deste primeiro contato com a Psicoterapia Existencial, esperamos
poder contribuir para uma escolha de um desenvolvimento profissional.
1. Fundamentos Teóricos
1.1 A Origem do Existencialismo e da Psicoterapia Existencial
O existencialismo é compreendido como doutrina filosófica sobre o
homem ( quem é o homem? ), envolvendo a centralização na pessoa existente
e enfatizando o ser humano em constante evolução. É um movimento filosófico
que dá supremacia à existência e considera o homem como centro de
valores. Vê o homem em contínuo crescimento, em estado constante de
superação de si mesmo. Considera que a existência precede a essência
e que o fundamento da existência é a liberdade de escolha. Contrapondo-se
a qualquer visão forma de determinismo, atribui ao homem total responsabilidade
por sua existência. O homem é o criador de seu próprio destino.
O homem é definido como um conjunto de possibilidades. O homem não
é. Ele apenas pode ser. Ele apenas pode vir a ser. E é a ecolha de
uma dentre muitas possibilidades que vai definindo o ser único em
que vai se tornando. É o esforço para compreender o homem como experimentador
e como aquele a quem aconteceu as experiências.
Dentre os clássicos existencialistas estão Heidegger, Jaspers e Sartre.
Aqui todos os filósofos e escritores procuram valorizar o homem descrevendo
e explicando o modo concreto do homem viver, isto é, refletindo sobre
a morte, a angústia e a liberdade.
As origens mais recentes do existencialismo estão identificadas com
Soren Kierkegaard (1813-1855), que foi um filósofo dinamarquês que
contestava o caráter determinista e intelectual de Hegel, afirmando
o interesse pelo simples e pela vontade. Considerado o pai do existencialismo
moderno. Para ele a existência é o que determina o homem. Diante disto,
grande ansiedade é gerada pela luta do ser vivo contra o não ser.
Dá-se a crise da vida contra a morte.
Martin Heidegger (nascido 1889), filósofo alemão que se preocupou
também com a problemática existencial do ser humano. Dizia que pela
vida ser limitada ela é continuamente ameaçada. A existência humana
está posta diante da morte a todo momento. O ser do homem é pois um
ser para a morte, é um "estar aí", temporal, sujeito a um
movimento fatal. Não reconhece Deus nem a salvação, sendo o seu fim
o NADA.
Outro filósofo existencialista importante é Jean Paul Sartre (nascido
em 1905), que sofreu muita influência de Heidegger. Para Sartre, a
existência precede a essência do homem. Isto é, a criatura humana
está presente ao mundo apenas biologicamente e que só depois, através
de sua convivência neste mundo é que adquire uma essência humana determinada.
Sua filosofia é ateísta. Sendo o final do homem também o NADA.
Karl Jasper (nascido em 1883), é outro filósofo existencialista, psiquiatra,
sendo sua visão existencial de homem diferente da de Sartre por ser
de fundo cristão e religioso.
O existencialismo não é um sistema de terapia mas uma atitude para
com a terapia, necessitando pois de uma teoria embasadora, quanto
de uma técnica especifica.
Dentro dessa abordagem filosófica, a Psicoterapia Existencial, segundo
o psicólogo Jadir Lessa é "a investigação do indivíduo na busca
de lhe fazer sobressair ou revelar, livremente, o que nele há de individual,
particular, único e concreto. É a busca de sua auto-expressão mais
autêntica e do compromisso sincero com as próprias escolhas existenciais".
Segundo Rollo May, em seu livro Existência, "a Psicoterapia Existencial
surgiu espontânea e simultaneamente, no início do século XX, em diversos
países da Europa: Alemanha, França, Suíça e Holanda como tentativa
de superar uma certa insatisfação com relação à Psicanálise, tanto
com os seus resultados clínicos quanto com a sua formulação teórica
e, também, para procurar preencher algumas lacunas sobre a compreensão
humana deixadas por ela".
Os primeiros Psicoterapeutas Existenciais foram Erwin Strauss e V.
E. Von Gebsatell na Alemanha; Eugene Minkowsky na França; Ludwig Binswanger,
A. Storch, Medard Boss, G. Bally, Roland Kuhn e outros na Suíça; e
J. H. van den Berg, F. J. Buytendijk e outros na Holanda.
A prática terá uma variação segundo a fundamentação do Psicólogo,
ou seja, ela terá um caráter diferente em cada maneira de atuar segundo
a concepção de fenomenologia e a concepção de existencialismo que
tiver o Profissional.
A Psicoterapia Existencial centra-se no encontro entre o Psicólogo
e o cliente, utilizando como método a Fenomenologia e, como técnica,
o diálogo socrático. Busca na auto-expressão autêntica o compromisso
do indivíduo consigo mesmo, o sentimento de responsabilidade pela
própria existência e a liberdade para o indivíduo fazer as suas próprias
escolhas, descobrindo quem ele de fato é e construindo quem ele quer
ser.
Os principais temas Existencialistas são:
· Angústia;
· Solidão;
· Crises existenciais;
· Liberdade;
· Escolha;
· Risco;
· Compromisso;
· Encontro;
· Responsabilidade;
· Autenticidade;
· Diferenças individuais e;
· Projetos de vida.
1.2 Os "Mandamentos" Kierkegaardianos do Existencialismo
Kierkegaard, em seu percurso desenvolveu extraordinária obra, que
versa sobre a filosofia do existir, assim denominada para diferenciar-se
das obras de seu precursor Hegel, cuja filosofia consistia na sistematização
do ser. O ser que se enquadraria num sistema abstrato que, tratando
do homem enquanto abstração, distanciava-se do real, na medida em
que se aproximava de um ideal.
O percurso e os meios pelos quais este autor vai promover tal façanha
vêm descritos em seu livro publicado em sua primeira edição em 1846:
Meu ponto de vista. Começa afirmando que o segredo da arte de ajudar
o outro consiste em esforçar-se para encontrá-lo onde ele está e,
então, começar daí. Continua mais adiante descrevendo o processo de
ajuda e afirma: "Ajudar o outro consiste em desembaraçá-lo dos
laços da própria ilusão, a fim de que ele chegue a ser o que é. A
partir do estudo desta obra , pode-se extrair o que aqui se denominou
"Os Mandamentos do Psicoterapeuta Existencial". Mesmo não
se encontrando nenhuma referência a esta produção de Kierkegaard em
Rogers, foi este quem mais se aproximou desta proposta ao desenvolver
estudos sobre a postura mais adequada de um psicólogo humanista, seja
como psicoterapeuta, seja como educador, ou ainda como facilitador
em situações de grupo. E agora, na medida em que se desdobram as recomendações
do filósofo, vai se articular como se deve proceder no processo psicoterápico
sob a ótica existencialista.
Tanto Kierkegaard quanto o psicoterapeuta existencial pretendem ajudar
o homem, a encarar sem temor o seu ser e a enfrentar o paradoxo da
existência humana. Para este filósofo, só através deste percurso é
que se pode arrancar o homem do estágio estético para o religioso,
ou seja, conduzi-lo do estético para a fé, enquanto que o psicólogo
vai se valer destes mesmos recursos, a fim de que o homem se reconheça
a si mesmo, assumindo a responsabilidade de suas escolhas e daquilo
que continua a escolher ser, em cada momento de sua vida, sabendo-se,
ao mesmo tempo, lançado às contingência do mundo.
1.3 Seguem, os "Mandamentos do Psicoterapeuta Existencial",
segundo a psicóloga Ana Maria Feijoo:
1º) Pela impossibilidade de destruir uma ilusão por via direta, deve-se
então fazê-lo por meios indiretos. Só assim a ilusão pode ser arrancada
pela raiz.
2º) O método indireto organiza-se dialeticamente para em seguida retirar-se,
timidamente. Desta forma, aquele que ajuda não presencia o reconhecimento
que o homem faz de si mesmo, por ter vivido uma ilusão.
3º) Quando se pretende ajudar o outro, deve-se promover a aproximação,
permanecendo na situação de acompanhar aquele que está sob a ilusão.
Só desta forma haverá a possibilidade de tirarmos o homem de sua ilusão.
Sabendo-se desde o início que é uma tarefa difícil em qualquer caso.
4º) Aquele que vive na ilusão, em maior parte, vivência a categoria
estético-ética. A fim de atacar com disposição a ilusão, deve-se chegar
até ele, para então poderem caminhar juntos. O escritor religioso,
para entrar em contato com os homens, deve começar com as obras estéticas.
Esta é a estratégia.
5º) É importante ter paciência, pois com impaciência pode-se acabar
fortalecendo a ilusão. Faz-se necessário ser cuidadoso para poder
dissipar a tal ilusão.
6º) Para levar um homem ao seu centro é preciso chegar onde ele se
encontra e começar por aí. "Este é o segredo da arte de ajudar
os demais".
7º) Para se ajudar o outro deve-se entender mais do que ele entende,
mas antes de tudo deve-se entender o que ele entende. Se assim não
for, a ajuda de nada lhe valerá. Tudo começa quando se pode entender
o que o outro entende e a forma como entende.
8º) Se orgulhoso do meu conhecimento, antes de ajudar o outro, o que
desejo é que me admirem. O autêntico esforço para ajudar começa com
uma atitude humilde. O que ajuda deve colocar-se como desconhecendo
mais do que aquele a quem ajuda.
9º) Ajudar não significa ser soberano, e sim criado. Ajudar não significa
ser ambicioso, e sim paciente. Ajudar significa ter que resistir,
no futuro, à imputação de que se está equivocado e, portanto, não
se entende o que o outro entende.
10º) Apenas se chega até aquele que está equivocado, mostrando-se
um ouvinte complacente e atento.
11º) Aquele que está disposto a ajudar carrega consigo a responsabilidade
e também deve despender de todo o esforço, porém sabendo que tudo
isto só vai ter valor em relação ao resultado obtido.
12º) As interpretações poéticas, muitas vezes, ajudam aquele que fala
do seu sofrimento, sem que ele saiba que não se compartilha de sua
paixão e, sim, que se quer livrá-lo dela.
13º) Deve-se ser um ouvinte que senta e escuta o que o outro encontra
mais prazer em contar, sem assombro.
14º) Apresentar-se com o tipo de paixão do outro homem: alegre para
os alegres, em tom menor para os melancólicos, facilita a aproximação.
15º) Não temer fazer tudo isto, mesmo que na verdade não se possa
fazer sem medo e temor.
16º) Chegar a ser o que se é consiste em chegar à interioridade através
da reflexão, ou ainda significa desembaraçar-se dos laços da própria
ilusão, o que também é uma modificação reflexiva.
17º) Quando um homem não quer ser conduzido, resta ainda obrigá-lo
a dar-se conta do ponto em que ele está.
2. Relatório das Entrevistas
Entrevista com o Psicólogo: Jadir Machado Lessa, CRP 05/3021, Preside
a Sociedade de Análise Existencial e Psicomaiêtica - SAEP, Coordenador
dos Cursos de Formação de Psicoterapeutas Existenciais da SAEP, Exerce
a psicoterapia individual e de grupo - Rua Nascimento Silva, 130/202
Ipanema, Tel. 264-8615 - em 23/03/2001.
Pergunta: Qual o objetivo do trabalho terapêutico?
Resposta: Muitas pessoas se colocam diante de outras como se estivessem
vendadas e, no escuro, começam a imaginar como o outro deveria ser,
como elas querem que o outro seja, como elas gostariam que o outro
se transformasse. As pessoas não têm o hábito de se relacionarem com
as outras do jeito que as outras são. Como fica isso para o Psicólogo?
Ele precisa conhecer pessoas, estar com pessoas e estar com a sua
sensibilidade aberta para captar dessas pessoas o que elas são, isso
é uma atitude fenomenológica, ou seja, significa você colocar entre
parênteses, colocar em suspensão, todos os seus valores, conceitos
e teorias. Quando você faz isso, não acaba, porém diminui, a interferência
de sua subjetividade para que possa captar o que de fato revela a
outra pessoa.
Pergunta: Você se torna neutro?
Resposta: Não. Torna-se um percebedor atuante ativo e não um imaginador.
( como Lacan dizia, na psicanálise, " o psicanalista neutro ocupa
o lugar do morto" essa é a diferença vital) É para colocar-se
no lugar do vivo que está percebendo e não do vivo que está imaginando.
Pergunta: O que é Fenomenologia?
Resposta: É uma forma de estudar, é um método mais adequado às ciências
humanas. Nós temos o método cartesiano, aplicado nas ciências naturais
e na Física Mecânica. Ele vê o mundo com se fosse uma máquina, as
partes que compõem o mundo como se fossem engrenagens ou mecanismos.
Essa visão mecanicista é uma visão que nem a Física se interessa mais,
para ela agora temos um novo paradigma que é a Física Quântica. Quando
foi definida a fórmula da relatividade E=mc2, foi desfeito todo imaginário
que a humanidade tinha com relação, como por exemplo, à dualidade
corpo e mente. O que existe é um paralelismo psicofísico, como nos
ensinava Espinosa.
A coisa mais radical que foi destruída com essa fórmula foi a idéia
do mecanismo, para ela esta significa, em última instância, que energia
é igual a matéria, ou seja, a matéria que nós conhecemos densa e completa,
é nada mais nada menos que energia condensada da mesma forma que a
água no estado sólido vira gelo, por exemplo, nós somos Energia/Luz
condensada, não existe diferença entre matéria e a luz que nos ilumina,
isso tudo foi uma revolução no mundo da física . Essa revolução extraordinária
chegou de uma forma global nas outras Ciências, de uma forma impactante.
Essa revolução na Psicologia chega através da fenomenologia. O Existencialismo
está para a Psicologia Clássica, na mesma relação que a Física Quântica
está para a Mecânica. Enquanto a Psicologia se preocupava, até então,
em conhecer o seu objeto de estudo, que é o homem, para prever e controlar,
o existencialismo não considerava o homem como um objeto, porque quando
você tem uma atitude científica, uma atitude fenomenológica tendo
o foco naquilo que você entende como objeto, na realidade você está
coisificando aquilo sobre o qual se está estudando.
Coisificar é transformar em coisa, objeto é uma coisa, chamar de objeto
o teclado do computador é apropriado, mas chamar o ser humano de coisa,
de objeto não é ético, não é apropriado. A psicologia durante anos
sistematizou os constructos teóricos hipotéticos, criou perfis de
personalidade, modelos patológicos, categorias para adequar e categorizar
o homem, ou seja, ela já tinha um modelo pronto, espécimes avulsos
que apareciam no consultório, eram inseridos nesse catálogo. Antes
dele entrar no consultório era uma pessoa, depois que entrava tornava-se
um paciente, um psicótico, um neurótico, etc. O sujeito era coisificado,
catalogado, classificado e isso era usar a imaginação e não a percepção.
Não existe o neurótico, o deprimido, isso tudo é uma abstração, as
pessoas que andam na rua não são nada disso. Elas possuem características.
Ora se parecem com um dos modelos, ora se parecem com outro. Não existe
modelo puro que a categorização nos fornece. Para construção de um
modelo tem que se livrar de uma coisa que o existencialismo considerava
fundamental, que são as diferenças individuais. Para esses teóricos
o que tinha importância não eram as diferenças e sim as igualdades
individuais: tudo o que o indivíduo tem de igual daquela ou outra
categoria. Então, na realidade ele ficava pesquisando a pessoa para
ver em que categoria ela pode ser enquadrada e não para compreender
a pessoa.
O psicoterapeuta existencialista põe as teorias em suspensão, usando
o método fenomenológico, para trabalhar o indivíduo usando ele próprio
como referência e não os modelos teóricos. Isso causa no cliente uma
diferença fundamental, porque ele se sente legitimado, reconhecido,
ele se sente considerado enquanto pessoa. Isso é uma coisa muito boa
no processo de construção da saúde do indivíduo.
Quando você pega esse sujeito e o categoriza, ele passa a fazer parte
de um grupo, deixa de ser ele, perde sua individualidade e passa a
fazer parte de um grupo maior, daqueles que pertencem àquela categoria.
O existencialista olha para ele como sendo único. Ninguém no mundo
é igual a você, por mais parecido que seja com grupos categorizados.
Você é a única pessoa a quem coube a tarefa de ser você mesmo, e é
tão original que as diferenças para outros indivíduos são tão grandes
que, mesmo que você tenha diversas semelhanças com outros, jamais
será outra pessoa. Portanto é impossível você ser outra pessoa além
de você mesmo.
Para fazer com que você se desenvolva a Psicoterapia Existencial se
propõe a reconhecer, legitimar e estimular a auto expressão e auto
realização do cliente. Ou seja, a primeira coisa é você reconhecer
que você é você mesmo, e que você tem o direito à liberdade, uma coisa
que a sociedade se esforça em tirar das pessoas. Nós existencialistas
trabalhamos o processo de individualização, que consiste em retirar
o indivíduo da identificação com as categorias genéricas para identificar-se
consigo mesmo, no sentido de descobrir ou construir a sua própria
individualidade, porque ele é uma pessoa única. Trabalha a liberdade
e a libertação das categorias, das cobranças e das expectativas do
outro. Não que o outro vá deixar de pressionar, pode até continuar,
mas você é livre para atender ou não. Você tem a responsabilidade
pelas suas atitudes. A vida passa a ter um outro sentido. As pessoas,
a princípio, se assustam com a própria idéia de liberdade, mas depois
de experimentar a liberdade nunca mais conseguem viver sem ela.
Pergunta: Qual é o papel do psicoterapeuta?
Resposta: Ele é um libertador.
Pergunta: Qual o conceito que sustenta a prática?
Resposta: Liberdade, autonomia, autenticidade, vontade própria, auto-estima,
aceitação dos nossos limites.
Pergunta: O que é Psicomaiêutica?
Resposta: Maiêutica é o nome que Sócrates deu ao seu método dialógico.
Seu objetivo é fazer o indivíduo pensar por si mesmo. Psicomaiêutica
é uma subespecialização do existencialismo, criada pelo método Miguel
Callile Júnior, o qual ele obteve sua especialização. É a utilização
do método Socrático na Psicoterapia Existencial, ou seja, aplicação
da fenomenologia usando a técnica que Sócrates utilizava com seus
discípulos, sendo um perguntador, dando uma direção a essas perguntas
(a associação com a fenomenologia é muito interessante porque dá uma
direção e um sentido a essas perguntas. Vai do geral para o particular,
do sentido da categorização para o sentido da individualização).
Entrevista com a Psicóloga: Lucyenne Christian Rosas Ferreira, CRP
05/24317, Exerce a psicoterapia individual com adultos e crianças
- Rua Conde de Bonfin, 370/901, Tijuca - Tel. 9229-1072 - em 26/03/2001.
Pergunta: Qual o objetivo do trabalho terapêutico?
Resposta: Fazer com que o homem possa se revelar. As pessoas normalmente
têm medo de se mostrarem, se preocupam muito em deixar transparecer
o que elas têm de único, de particular. Elas têm medo de não serem
aceitas; não demonstram aquilo que sentem. A Psicologia existencial
busca fazer com que o homem se revele no que ele tem de único, de
particular, para que ele possa encontrar o seu caminho, se responsabilizar
por suas escolhas. À partir do momento que ele sabe quem ele é, ele
demonstra quem ele quer ser.
Pergunta: Qual o papel do terapeuta junto ao cliente?
Resposta: Ajudar o cliente na sua busca, através do método da fenomenologia
e através da técnica psicomaêutica (à partir de perguntas) para que
ele possa chegar às respostas, e isto é baseado no diálogo socrático.
As perguntas vão investigando certas questões, através do relato do
cliente. Você terapeuta, não se prende a detalhes do relato, e sim
como ele está se sentindo com referência ao que ele trouxe, para você
poder compreender, porque a idéia não é explicar e sim compreender.
Não se cria a teoria pois perde a riqueza e a beleza do ser humano,
você precisa ajudar para que o cliente se encontre e se revele.
A psicóloga utiliza a ludoterapia como dispositivo para as crianças
trazerem sua questões.
Pergunta: Quais os principais conceitos que sustentam a prática
clínica?
Resposta: São conceitos baseados na filosofia, nos temas existenciais
como: angústia, morte, felicidade, liberdade, sentido da vida, solidão
e autenticidade.
Pergunta: Quais são os clientes?
Resposta: Adultos e crianças (em maior quantidade) através da ludoterapia.
Entrevista com a Psicóloga: Aline Patitucci Lage Tavares, CRP 05/09474,
Exerce a psicoterapia individual com adultos e crianças - Rua Gal.
Roca913/501, Tijuca - Tel. 254-8383 - em 27/03/2001.
Pergunta: Qual o objetivo do trabalho terapêutico?
Resposta: É favorecer ao cliente um auto conhecimento, diferente de
outras linhas, através de uma abordagem filosófica , principalmente
na linha de trabalho Sartriana. Nós damos um enfoque principalmente
na questão de escolha, na liberdade da escolha e da responsabilidade.
É claro que trabalhamos todas as questões que o cliente traz, mas
o enfoque é sempre voltado para a escolha. Para nós não importa a
causa do trauma, mas o que o cliente faz com isso no momento presente.
Acreditamos que não podemos mudar a história, então descobrir um trauma
ou dificuldade acontecido no passado, ajuda mas não resolve. O que
resolve é que a pessoa reflita e se conheça. O que ela está fazendo
com isso, se isso impede de ela ser uma pessoa mais autêntica, e que
faz ela ser inautêntica por conta de não saber lidar com esta dificuldade
que de alguma forma surgiu numa época da vida. Não nos prendemos a
um fato acontecido, e sim ao efeito do fato, o aqui e agora, e como
a pessoa se sente.
Não existe o certo e o errado, existe o certo para aquele cliente.
A terapia basicamente é uma relação. Não tem uma teoria para se encaixar
nos clientes, cada um é cada um. Não temos técnicas pré estabelecidas,
aplicamos técnicas variadas. Para o existencial não existe uma técnica
fechada, ele é fechada enquanto é para aquele cliente, então temos
que conhecer o cliente.
Pergunta: Qual o papel do terapeuta junto ao cliente?
Resposta: Primeiro ele tem que ter uma postura filosófica, no sentido
de encarar o ser enquanto um ser possível.
Uma pessoa tem a consciência das coisas que acontece com ele, ainda
que seja uma consciência de 1º grau (superficial), mas iremos trabalhar
sua consciência de 2º grau a qual ajudamos o cliente encontrar através
de uma introspecção; coisas que ele sabe que existe, mas prefere não
ver.
Associado à isto fazemos um trabalho de redução fenomenológica, nos
isentar das nossas próprias concepções e estar no máximo junto ao
cliente.
A empatia é muito importante. Na 1º seção de contrato, eu pego os
10 minutos finais e pergunto como ele se sentiu comigo como pessoa,
pois além de profissional, eu sou uma pessoa. Características minha
pode ou não agradar ao cliente. Isto é básico.
Não
é questão de transferência, é questão de confiar, de que sou uma pessoa
agradável, isto é um momento de empatia, de relação. Não é criar um
vínculo de amizade com o cliente, mas a gente faz com que ele viva
com a gente algumas situações que talvez não consiga enfrentar lá
fora. Trabalhamos a relação pessoa-pessoa a qual possamos trocar.
Por exemplo: trabalhar uma situação com a cliente que não sabe dizer
"não". Eu vou mandar que ela levante, abra , feche a porta
e volte, repetindo esta cena várias vezes. Para esta técnica dar certo,
esta cliente tem que confiar em mim. Ela obedecendo este meu comando,
mostra que lá fora ela irá agir da mesma maneira.
Não vou contar minha vida particular para ela, é só uma relação profissional.
Pergunta: Quais os principais conceitos que sustentam a prática
clínica?
Resposta: Fenomenologia, empatia, Enfoque na consciência
(tudo é consciente),o Estar com (ser um ser em relação), Responsabilidade,
Liberdade e escolha, encarar a pessoa como um ser com possibilidades.
A terapia procura ampliar o leque de possibilidades dessa pessoa,
desde que ela deseje.
Pergunta: Quais são os tipos de intervenções?
Resposta: A gente tenta fazer com que o cliente saia da consciência
de 1º grau (superficial) para a consciência de 2º grau que é o EU.
Várias intervenções, e não interpretações, que são modelos psicanalíticos.
Você tem que saber o momento do cliente , se ele está pronto ou não
para ouvir certas coisas (como fazer perguntas com ironia). Não podemos
fazer este tipo de intervenção na 1º seção. Cada cliente é diferente
do outro. O terapeuta tem que estar o tempo todo com ele (cliente).
Nada deve ser planejado, não podemos aplicar uma técnica pronta. Por
exemplo: O terapeuta está trabalhando um assunto com o cliente e este
está sempre desviando. Aí você aponta: "Andei reparando que ao
longo de nossas seções, sempre que toco neste assunto, você vem com
uma outra história, acho que está no momento da gente falar disso".
O terapeuta sente o momento certo de fazer as intervenções.
Se o terapeuta não conhece bem o seu cliente, não conseguirá seguir
em frente.
3. Análise Crítica das Entrevistas:
Não identificamos divergência quanto ao objetivo do trabalho terapêutico
existencialista. O discurso das três entrevistas estavam voltados
para a revelação do auto conhecimento do cliente, construindo sua
verdade. Observamos que utilizam o mesmo método fenomenológico, colocando
seus próprios valores em suspensão.
Todos os entrevistados foram bastante acolhedores sempre com a preocupação
de estarem sendo claros e empenharam-se não só com as questões básicas
do trabalho, como também em ampliar os conhecimentos do grupo acerca
da teoria existencialista.
4.Conclusão:
O grupo conclui s que segundo o Existencialismo, todos temos sobre
nós o peso da responsabilidade de sermos livres. Frente a essa liberdade,
o ser humano se angustia porque a liberdade implica em escolha, que
só o próprio indivíduo pode fazer.
Muitos de nós paralisamos, e assim achamos que não somos obrigados
a escolher, mas a " não ação" por si só, já é uma escolha.
A escolha de adiar a existência, adiando os riscos para não errar
e gerar culpa, é uma tônica na sociedade Contemporânea.
Arriscar-se, procurar a autenticidade, é uma tarefa árdua, uma jornada
pessoal que o ser deve empreender em busca de si mesmo.
Concluímos que é assim o encontro Psicoterapêutico Existencialista
: Um descobrir-se, um revelar-se, assumir um compromisso sincero com
as próprias escolhas, um convite que o psicólogo recebe e retribui
para adentrar o mundo do seu cliente, conhecer os significados que
este atribui e clarificar o que ainda está obscuro.
A realização do trabalho propiciou ao grupo uma visão da realidade
prática do trabalho de um Psicoterapeuta Existencial.
Este contato estimulou algumas pessoas do grupo a aprofundar-se no
estudo do Existencialismo, devido a ser um movimento de fazer existir,
estar lançado no mundo, onde o trabalho não é focado e sim no todo
do indivíduo.
Nos chamou atenção a dedicação que nos foi dispensada pelos Profissionais
e em especial o Professor Jadir Lessa que nos apresentou com dedicação
e total atenção a Psicoterapia Existencial de uma forma clara e impolgante.
5. Bibliografia:
ARANHA, M. L. A. Introdução à Filosofia. Ed. Moderna, São Paulo, 1986
GUILES, Thomas Ransom. História do Existencialismo e da Fenomenologia.
E.P.U., São
Paulo, 1989
CAMON, Psicoterapia Existencial. 3 ed. Pioneira, São Paulo, 1998.
CARMO, Raimundo E. Fenomenologia Existencial - Estudos Introdutórios.
Ed. O
Lutador, Belo Horizonte, 1974.
KIERKEGAARD, Soren A. Meu Ponto de Vista, 1846
PENHA, J. O que é Existencialismo. 11 ª ed. Brasiliense, São Paulo,
1992
RÚDIO, Franz Víctor. Diálogo Maiêtico e Psicoterapia Existencial.
Novos Horizontes, São José dos Campos, 1998
Outros
artigos publicados no Jornal Existencial:
A
Origem da Psicoterapia Existencial
Solidão
e Liberdade
Humano,
Simplesmente Humano
A
Felicidade como Possibilidade Existencial
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de Introdução ao Existencialismo
Curso
Diálogo Maiêutico e Psicoterapia Existencial
Estude
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