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1.
O que cada um de nós é em primeira instância?
2. Do que cada um de nós é capaz?
3. Será possível problematizarmos uma maneira de ser que vá além da
dicotomia corpo e alma, mente e corpo?
4. Podemos pensar numa integração corpo e alma, mente e corpo, como
se corpo e alma e mente e corpo fossem uma coisa só?
5. Haverá um Paralelismo Psicofísico?
6. Será que podemos pensar numa prática de si fora dos padrões normativos
da moral, dos comportamentos?
7. Como alguém, qualquer um, se torna o que é?
8. Seu pensamento reflete seu modo de viver ou sua vida reflete seu
modo de pensar?
9. É possível mudar o modo de viver mudando o modo de pensar?
10. Como é seu modelo básico de pensamento?
A questão mais importante na vida é o relacionamento. Tanto o relacionamento
que um indivíduo tem consigo mesmo, quanto a relação que ele estabelece
com os outros. O segmento da filosofia que estuda os relacionamentos
é a moral ou a ética. Spinoza estabelece uma distinção entre moral
e ética. Afirma que a moral é, de certo modo, uma prática do outro,
na medida em que ser moralista consiste em copiar um modelo estabelecido
pelo outro. E que a ética se distingue da moral por se tratar de uma
prática de si.
Spinoza foi um pensador do sec. VII, que viveu em Amsterdã. Descendente
de judeus portugueses, escreveu uma filosofia que causa muita polêmica.
Foi excomungado da religião judaica e demitido da universidade onde
lecionava.
O sec. VII era dominado pela filosofia cristã, onde o homem pensava
sempre a partir de deus. Imagine um filósofo dizendo que deus para
ele é a própria natureza. Deus como matéria, deus como extensão, que
nós existimos em deus, que ele não se encontra separado de nós. Que
o deus que se encontra separado de nós é uma ficção criada pela imaginação
do homem. Ele critica a transcendência cristã a quem acusa de usar
o santo nome de deus em vão. Uns dizem que ele era ateu, outros dizem
que era panteísta.
Ele escreveu um livro, que só foi publicado após sua morte, onde condensa
toda a sua filosofia. Esse livro se chama Ética. A ética que Spinoza
propõe é inseparável do conhecimento, é como se ele não separasse
conhecimento de ação, é como se ele não separasse modo de vida de
conhecimento.
Há idéias na mente que determinam a maneira de ser, aquelas idéias
que são investidas por acréscimo, idéias poderosas, idéias que são
ligadas a sentimentos, e o conjunto dessas idéias ligadas aos sentimentos
constitui um gênero de conhecimento e uma maneira de ser no mundo.
O modo como você conhece a realidade está intimamente ligado ao modo
como você vive a realidade ou seja ao modo como você existe na realidade.
Spinoza parte da idéia que conhecimento e ação são a mesma coisa,
ou conhecimento e maneira de ser.
É possível mudar a maneira de existir ampliando o conhecimento. O
aumento de conhecimento remete a uma mudança na maneira de ser ou
existir.
Ele diz que o homem é capaz de 3 gêneros do conhecimento:
1. O gênero mais baixo do conhecimento é a opinião, a imaginação é
que se encarrega da construção das opiniões porque o primeiro gênero
do conhecimento é o conhecimento por experiência vaga ou conhecimento
por ouvir dizer.
2. O segundo gênero é o conhecimento pela razão, o conhecimento das
causas.
3. O terceiro gênero á a intuição, acima da razão porque a intuição
é um conhecimento mais veloz do que a razão. Intuição é pensamento
imediato sem mediação. O homem nasce e vive no âmbito do primeiro
gênero, poucos se interessam pelas causas, e bem poucos alcançam a
intuição.
Cada gênero de conhecimento corresponde a uma maneira de ser, a maioria
dos homens age em função do ouvir dizer. Aqueles que alcançam a razão,
agem por conta própria, e aqueles que chegam a intuição alcançam o
estado de beatitude. Toda a ética de Spinoza é meio de se chegar a
beatitude. Deus é natureza e beatitude é comunhão com a natureza.
Spinoza tem um conceito chave para pensar a passagem de um gênero
de conhecimento a outro até a beatitude. E esse conceito é o conceito
de potência. Todo o ser humano possui uma essência, mas a essência
do ser humano é um grau de potência. Essa potência existe em ato,
força. Essa potência, esse grau de força pode ser chamado de intensidade.
A essência do homem é uma grau de intensidade. E essa intensidade
pode aumentar ou diminuir.
Levar a intensidade ao grau máximo é alcançar a beatitude. Aquilo
que na vida impede a expressão de uma intensidade é o constrangimento.
Ser ético é buscar o aumento da intensidade e, por outro lado, evitar
os constrangimentos com os quais nos deparamos e que diminuem a nossa
intensidade.
Não confundir potência com poder, para ele poder é constrangimento.
Onde houver exercício de poder haverá constrangimento. O homem pode
usar sua potência para constranger.
Potência como força é afetar e ser afetado. Quando somos afetados
por afetos que estimulam a nossa potência não só a potência é aumentada
mas o conhecimento fica favorecido. Afetos de alegria. Alegria é composição.
Quando somos afetados por afetos que diminuem nossa potência de agir
nos sentimos constrangidos e com a mente obscura. Afetos de tristeza.
Tristeza é constrangimento.
Quando faço um aprendizado de algo que me afeta de alegria eu fico
com a mente mais ampla. Quando me relaciono com algo que me causa
tristeza eu fico com ódio, e o que me causa tristeza domina minha
mente. A paixão triste mobiliza a mente de tal maneira que ela não
tem liberdade para pensar em outras coisas.
Alegria expande, quer sempre mais. A tristeza não agrega. O sofrimento
sempre foi usado pelo poder. Nada mais fácil do que dominar uma humanidade
constrangida. O poder produz sofrimento, medo e terror e traz a boa
nova a esperança. Todas as religiões instituídas usam esse modelo.
Fomos educados a cultuar a tristeza para descobrir a luz no fim do
túnel, a esperança. O pensamento de Spinoza ecoa até hoje. Ele afirma
que o homem interroga a cerca da mente e da consciência, mas passa
ao lado do fundamental: ele não sabe o que pode um corpo.
De todos os animais existentes na face da terra o homem é aquele que
tem maior capacidade de agir, tem inteligência, tem razão, o homem
pode muito mais do que os demais animais. Não obstante ele não vai
ao seu limite. Spinoza afirma que a vida do homem é orientada por
3 afetos: honra, dinheiro e prazeres sexuais. O homem pode muito mais,
mas parece viver aquém do carrapato. O carrapato ensina ao homem,
porque ele vai ao limite do que ele pode.
Ir ao limite do que eu posso é chegar à imanência da minha potência,
expressar minha natureza.
Potência infinita de existir e agir, mas aqui, só aqui. Atributo pensamento:
potência infinita de pensar, pois ação no pensamento é pensar. Potência
infinita de existir e agir e potência infinita de pensar.
Definição de Liberdade
Spinoza diz que um ser é livre quando age por necessidade própria.
Quando não é levado a ação por um outro. Ele não está opondo liberdade
a necessidade ele está opondo liberdade a constrangimento ou seja
quando um ser age pela obrigação que outro lhe impõe, sua ação não
é livre, mas quando age por necessidade própria está expressando a
sua potência. Deus é livre, ninguém o obriga a fazer nada. Ele se
expressa.
A liberdade humana não é dada mas ela pode ser conquistada, se o ser
humano for capaz de expressar a sua natureza. Como no humano ela não
é dada isso se torna um problema ético. O humano não é livre, mas
a liberdade é uma possibilidade humana.
Não é uma necessidade orgânica, é uma necessidade lógica, é a expressão
de sua potência.
Se eu penso deus como potência e como natureza ele não está escolhendo
primeiro para depois fazer, ele age porque a natureza dele é potência,
ele está sempre agindo. Se a essência é potência deus é pura ação.
Ele é o puro dinamismo da natureza.
Por quem essa potência pode de ser afetada? Por ele mesmo, pelo próprio
deus. Deus se auto afeta e nessa auto afetação ele produz os modos.
E o que são os modos? Somos nós, afecções de deus, dobras de deus.
O que é um corpo para Spinoza? Modos do atributo extensão. E o que
é a mente? é um modo do atributo pensamento.
O modo da extensão chama-se corpo e o modo do pensamento chama-se
idéia, nesse caso ele diz que aquilo que nós chamamos de mente não
é outra coisa senão a idéia, idéia de um corpo. A mente representa
o que se passa no corpo, mas ela não é efeito do que se passa no corpo.
Se eu disser que a idéia é uma representação, qual é o representado
dessa representação? É o corpo. Ele está aqui se ressurgindo contra
as religiões da transcendência, que dizem que a alma é imortal e que
sobrevive após a morte do corpo. É uma discussão filosófica e não
semântica. Se a mente é representação do corpo ela é a principio representação
de tudo que afeta o corpo.
A mente do carrapato é luz, suor e sangue quente, a mente do capitalista
é sexo e dinheiro, são representações, são afecções de um corpo.
Quando você amplifica os sentidos é afetado de forma variada, evidentemente
amplifica a mente. Agora o inverso também se dá: quando você se esforça
para perceber mais coisas você quebra couraças no corpo você começa
ser afetado pelas coisas.
Psicólogo
Jadir Lessa
Analista Existencial - Celular: 9323-2129
Autor dos livros "Solidão e Liberdade" e "A Construção do Poder Pessoal"
Presidente da SAEP e Diretor do Jornal Existencial On Line
Autor
dos seguintes artigos publicados no Jornal Existencial:
A
Origem da Psicoterapia Existencial
Solidão
e Liberdade
Humano,
Simplesmente Humano
A
Felicidade como Possibilidade Existencial
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