| EDIÇÃO ESPECIAL | Caderno Temas Existenciais | |
| ARTIGO |
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O
Movimento Existencialista como Quebra de Paradigma
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Na
Arte e na Literatura Na
Filosofia Kierkegaard combate energicamente o pensamento racionalista de Hegel, que identificava verdade abstrata com realidade, vendo o homem como um sujeito que só adquiria realidade enquanto ser pensante. O indivíduo tornava-se objeto de controle, não estava mais em devir . Previsível, encaixava-se passivamente em teorias e hipóteses científicas. O termo "existência" vem do latim ex-sistere, que significa emergir, impor-se, aflorar, sobressair. Essa é a proposta filosófica e psicológica desse movimento que se rebela contra o aprisionamento do homem em mecanismos, esquemas e pré-conceitos. A ciência tradicional ocupa-se das essências (substância), deseja conhecê-las, defini-las e catalogá-las. Com isso realizado, trata de apontar leis, desenvolver teorias e criar sistemas que se articulam na intenção de uma previsibilidade racional supostamente perfeita. Dentro das ciências, inclusive a Psicologia, o importante era selecionar fenômenos que pudessem ser classificados e controlados para daí chegar a explicar e prever a realidade. A grande questão é que se abre um abismo imenso entre a verdade matemática e a lógica das ciências e a realidade existencial das pessoas. A existência humana não pode ser reduzida à definição e classificação da substância orgânica que compõe o corpo do homem e do seu comportamento aparente. O homem é emergente, pulsante. Seu ritmo é o devir. O Existencialismo não nega os fatores biológicos e sociais, porém coloca o homem como ser responsável e livre para lidar com estes aspectos que também fazem parte de sua realidade. O Existencialismo passa principalmente por três fases: a primeira com a oposição de Kierkegaard a Hegel; a segunda com a oposição de Karl Marx a Hegel. Nietzsche também pode ser incluído neste bloco, caracterizando uma filosofia de contestação, assistemática e com fortes traços emocionais, nos depoimentos dos filósofos. A terceira fase (contemporânea) ocorre após a Primeira Guerra Mundial com a utilização do método fenomenológico de Husserl por Heidegger, Jaspers, Sartre e outros. Heidegger, especialmente com sua obra Ser e Tempo , dá contribuição decisiva para o crescimento do movimento existencialista. O movimento filosófico existencialista e a Psicoterapia Existencial, na visão de Rollo May, ocupam-se dos indivíduos em crise. A proposta que segue é a de buscar a verdade por pior que seja, pois a verdade sempre deixa o sujeito mais sólido e íntegro. Aponta ainda para uma identificação entre o Zen Budismo (filosofia oriental) e o Existencialismo, quando ambas ocupam-se de uma ontologia: a filosofia oriental nunca sofreu cisões entre sujeito e objeto e o Existencialismo busca superar esta fragmentação ocidental através de uma visão integrada do homem. Dentro de uma perspectiva histórica, vários fatos contribuíram para o surgimento deste movimento. As características mais marcantes do século XIX situam-se, principalmente, num estado de falência do controle racional do homem. Suas emoções adestradas através de um processo de negação dos sentimentos e da descaracterização da espiritualidade resultaram numa desintegração pessoal e social, manifestando-se em várias formas de expressão cultural como, por exemplo, um excesso de romantismo nas artes, em contraste com a realidade dos acontecimentos; a religião como ritual a ser cumprido sem o envolvimento da fé; a separação entre a Filosofia e a Psicologia e etc. O homem desta época curvava-se para o deus razão. Esta meta dirigia seu comportamento, norteava suas escolhas. A razão e a vontade agiam sobre a emoção, e a irracionalidade era o fim. A capacidade de condicionar-se coloca o homem numa condição de objeto útil aos meios de produção. Surge o homem-máquina cuja desumanização serviu ao processo de industrialização. Em
relação ao progresso das ciências isto não se deu de forma muito diferente.
Estas cresceram isoladamente, tentando entrosar-se posteriormente,
porém a tecnologia dificultou a junção das inúmeras subespecializações
que surgiram. Na
Ciência Segundo Albert Einstein "...não nos deve portanto surpreender o fato de todos os físicos do século passado terem encarado a mecânica clássica como uma fundação sólida e definitiva de toda a física - na verdade, de toda a ciência natural..." Portanto, durante muitos anos nos acostumamos a entender o universo, a natureza e o próprio homem como sendo máquinas, mais ou menos complexas, que estariam no mundo à nossa inteira disposição. Além disso alimentamos a pretensão de acreditar que todo o universo obedeceria às leis da Mecânica clássica proposta por Newton. Caso assim fosse, bastar-nos-ia conhecer as leis da Mecânica para podermos controlar todo o universo, incluindo o homem. Mas é o próprio Einstein quem nos esclarece como os cientistas abandonaram esta crença quando afirma: "O que levou finalmente os físicos, após longa hesitação, a abandonar a crença na possibilidade de toda a física ter como base a mecânica de Newton foi a eletrodinâmica de Faraday e Maxwell." Para
complementar, despede-se de Newton quando diz: Heidegger, utilizando a Fenomenologia de Husserl, demonstra a impropriedade da utilização do método cartesiano no estudo das questões humanas, criando assim, um novo paradigma. Deixa-se de buscar as explicações e as relações mecânicas de causa e efeito. Passa-se à investigação descritiva, analisando o sentido que o próprio indivíduo atribui aos fatos, buscando assim a sua compreensão. Este processo de mudança de paradigma não se deu apenas na Física, como vimos acima, mas em toda a ciência. Por isso, o Existencialismo provocou forte reação nos meios acadêmicos. Mas na atualidade vem sendo absorvido gradualmente. Por tudo isso, a meu ver, a Psicologia não pode mais explicar o homem como um ser possuidor de um mecanismo psíquico determinado por forças inconscientes, nem reduzi-lo apenas ao comportamento aparente determinado e condicionado por estímulos e respostas. O homem não é uma máquina psíquica nem um organismo determinado pelas leis naturais, necessárias e universais. Temos que resgatar não apenas sua singularidade e originalidade, mas acima de tudo sua individualidade. Indivíduo quer dizer indivisível. O conceito cartesiano do homem dividido em corpo e mente é tão superado quanto dividir a natureza em matéria e energia. Einstein nos ensinou a relatividade de todas as coisas quando nos disse: E = m.c2 . Ou seja, tudo é uma coisa só: matéria e energia. O universo não está dividido. O homem também não. No lugar de dividir é preciso somar, integrar. Nas duas últimas décadas deixamos de ser só a nossa mente e conseguimos resgatar o nosso corpo. Resta-nos agora resgatar o entusiasmo e a alegria de viver. Psicólogo
Jadir Lessa jadirlessa@easyline.com.br
Autor dos seguintes artigos publicados no Jornal Existencial: A Origem da Psicoterapia Existencial A Felicidade como Possibilidade Existencial Inscreva-se nos Cursos à Distância: Curso de Introdução ao Existencialismo Curso Diálogo Maiêutico e Psicoterapia Existencial Os livros Solidão e Liberdade e A Construção do Poder Pessoal são vendidos exclusivamente pelo Correio para todo o Brasil, pelo preço de R$ 20,00, cada exemplar. Encomendas pelo e-mail jadir@existencialismo.org.br ou pelos telefones (21) 3813-9613, (21) 2264-8615 ou (21) 9323-2129. |
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