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Somos
seres finitos. Mas, finitos em quê? Será que a morte é o nosso ünico
fim? Será que só percebemos a finitude guardo um parente ou amigo
próximo morre? Não. É certo que a finitude nos ronda em qualquer ato
que possamos realizar. Somos seres finitos a cada segundo em nossas
vidas. Se pensarmos na finitude em um sentido amplo, ela significa
toda nossa limitação e fragilidade. E em um sentido restrito ela seria
pré-condição de nossa liberdade de escolha.
Cada escolha dá fim a outras tantas, e isto nos angustia.
Cada projeto que faço põe fim a tantos outros, pois as possibilidades
são infinitas. Isso é uma tremenda crueldade: a escolha é finita e
as possibilidades de escolhas são infinitas. Ora, temos que há todo
momento pensar se fizemos a melhor escolha em detrimento (fim) de
tantas outas. Para cada escolha há infinitas outras que não escolhemos.
Isto é muita responsabilidade! Melhor pensarmos na finitude só na
hora da morte. E enquanto ela não chega, vamos deixando que o acaso
ou o destino escorria por nós. Ai, quando menos agente espera ela
(a morte) bate à nossa porta. Nos desesperamos pelas escolhas que
não fizemos, pelas que poderíamos ter feito, e por aque!as que fizerros.
Um caos total, onde queremos ganhar o tempo perdido, aproveitar o
que nos resta. Se é diante de nossa própria morte isto se dá em relação
a nós mesmos, se diante da morte do outro isto se passa na relação
que temos com ele.
A morte é um aviso do que há fim implícito em tudo
que fazemos. E isto não deve ser entendido com uma visão pessimista,
mas sim com uma visão otimizada de cada escolha que estaremos por
fazer. A morte, segundo Heideger, se repete em cada situação de escolha.
Para ele, assumir a morte como possibilidade presente a cada instante,
é o mais responsável passo na busca de uma existência autêntica e
Criativa. Mais do que finitos, somos livres para escolher, com toda
angústia inerente a esse processo. Quando escolhemos de forma consciente
do que estamos perdendo e ganhando e para quê estamos escolhendo,
somos sujeitos de nossa existência. E, então poderemos morrer e deixar
morrer, dizendo que foram feitas as melhores escolhas até aquele momento.
Psicóloga
Flávia Machado
Psicoterapeuta Existencial
Monitora da SAEP
Autora
dos seguintes artigos publicados no Jornal Existencial:
Laços
ou Nós Afetivos?
Simplesmente
Sexualidade
Nossa
Finitude de Cada Dia
As
Diferenças entre as Pessoas
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