EDIÇÃO ESPECIAL  Caderno de Temas Existenciais

 

ARTIGO

 

Nossa Finitude de Cada Dia

Psicóloga Flávia Machado

Somos seres finitos. Mas, finitos em quê? Será que a morte é o nosso ünico fim? Será que só percebemos a finitude guardo um parente ou amigo próximo morre? Não. É certo que a finitude nos ronda em qualquer ato que possamos realizar. Somos seres finitos a cada segundo em nossas vidas. Se pensarmos na finitude em um sentido amplo, ela significa toda nossa limitação e fragilidade. E em um sentido restrito ela seria pré-condição de nossa liberdade de escolha.

Cada escolha dá fim a outras tantas, e isto nos angustia. Cada projeto que faço põe fim a tantos outros, pois as possibilidades são infinitas. Isso é uma tremenda crueldade: a escolha é finita e as possibilidades de escolhas são infinitas. Ora, temos que há todo momento pensar se fizemos a melhor escolha em detrimento (fim) de tantas outas. Para cada escolha há infinitas outras que não escolhemos. Isto é muita responsabilidade! Melhor pensarmos na finitude só na hora da morte. E enquanto ela não chega, vamos deixando que o acaso ou o destino escorria por nós. Ai, quando menos agente espera ela (a morte) bate à nossa porta. Nos desesperamos pelas escolhas que não fizemos, pelas que poderíamos ter feito, e por aque!as que fizerros. Um caos total, onde queremos ganhar o tempo perdido, aproveitar o que nos resta. Se é diante de nossa própria morte isto se dá em relação a nós mesmos, se diante da morte do outro isto se passa na relação que temos com ele.

A morte é um aviso do que há fim implícito em tudo que fazemos. E isto não deve ser entendido com uma visão pessimista, mas sim com uma visão otimizada de cada escolha que estaremos por fazer. A morte, segundo Heideger, se repete em cada situação de escolha. Para ele, assumir a morte como possibilidade presente a cada instante, é o mais responsável passo na busca de uma existência autêntica e Criativa. Mais do que finitos, somos livres para escolher, com toda angústia inerente a esse processo. Quando escolhemos de forma consciente do que estamos perdendo e ganhando e para quê estamos escolhendo, somos sujeitos de nossa existência. E, então poderemos morrer e deixar morrer, dizendo que foram feitas as melhores escolhas até aquele momento.

Psicóloga Flávia Machado
Psicoterapeuta Existencial
Monitora da SAEP

Autora dos seguintes artigos publicados no Jornal Existencial:

Laços ou Nós Afetivos?

Simplesmente Sexualidade

Nossa Finitude de Cada Dia

As Diferenças entre as Pessoas


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