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Uma publicação da SAEP Sociedade de Análise Existencial e Psicomaiêutica | |
| EDIÇÃO ESPECIAL | Caderno de Psicossomática | |
| ARTIGO |
| Uma Reflexão Sobre as Possíveis Estratégias Ecológicas de Atuação na Área de Saúde | ||
A observação presente de que vivemos numa sociedade cada vez mais adoecida nos leva a perceber também o quanto que as atividades na área de saúde estão eminentemente doentes, a medida que percebemos um total afastamento da origem das práticas curativas que não desvinculavam o Homem do seu contexto e que eram baseadas nos ensinamentos e tinham suas fontes na própria natureza. O homem, afastando-se de suas origens primordiais, a partir de uma socialização cruel, de um crescimento urbano desorganizado, de um avanço tecnológico desenfreado afastou-se de si mesmo, de sua natureza primitiva que contém um curador primordial dentro de si. Houve uma perda de valores e crenças que caracterizavam o patrimônio da Civilização. A onde foi parar este patrimônio? Qual foi o custo benefício desses "avanços" técnico-urbanos? A deflagração deste processo nos levou a valorizar a doença e não a saúde, nos levou a perceber a doença como um sinal de impotência, inadaptação, até mesmo de desqualificação, quando na realidade nada mais é que uma bela manifestação do ser, de algo que precisa ser "olhado", que precisa ser cuidado, sempre visando a saúde e a não-fragmentação do Homem em partes, em corpo ou mente, mas sim colocando-o como um ser indivisível e que se relaciona com um meio ambiente próprio. Essas considerações nos leva a pensar nas questões saúde e doença no contexto do indivíduo que vive na civilização. A explosão das sociedades pode ser vista através da desarmonia social, a crescente violência principalmente urbana, mas que de uma forma menos palpável já chega ao campo, e através também das guerras que acontecem ainda em alguns pontos do globo. Se por um lado nos deparamos com a "explosão social", há que se falar também da implosão representada pelo adoecimento do Homem em todos níveis, inclusive no social e no ambiental. É de interesse geral que possamos refletir sobre estratégias ecológicas na área de saúde, talvez até por ser esta uma das prioridades do homem moderno. Se pensarmos no Universo da Psicossomática Contemporânea que não separa o indivíduo em parte mental, emocional ou física e nem o desvincula de sua história de vida e do seu meio ambiente, uma primeira iniciativa poderia ser a ampliação da visão dos grupos de atuação em saúde no sentido proposto pela Psicossomática, para que se pudesse pensar em conjunto sobre as diversas possibilidades de estratégias de ação. A mobilização de grupos atuantes na política do País talvez fosse interessante, pois algumas regulamentações até mesmo a cerca do papel do profissional de saúde dentro e fora das Instituições pudesse ser norteado por um paradigma semelhante ao da Psicossomática Contemporânea com base em ações também ecológicas. Sabemos que muito do que se percebe na prática do profissional de Saúde, que tem um papel multiplicador de conceitos dentro da sociedade, é de interesse do um Sistema Político -Social vigente que comercializou a saúde a tal ponto que a ética e a bioética foram relegadas a segundo plano. Percebemos isto quando nos deparamos com práticas que visam somente o lucro, seja na venda de medicamentos, na indicação de procedimentos cirúrgicos desnecessários, na prescrição de fórmulas "milagrosas" para emagrecimento e o que é mais alarmante, percebemos a população submissa e/ou conivente com este tipo de prática, então, uma segunda iniciativa, antes de qualquer estratégia é conscientização do indivíduo a respeito da sua saúde da sua indissolubilidade como ser Humano e do seu papel participativo e atuante na Sociedade e no contexto Saúde e não somente um mero objeto de manipulação. Parece que até aqui esta conscientização não tem sido de muito interesse por parte dos sistemas vigentes. Neste panorama, a atuação de profissionais qualificados e realmente interessados na melhoria da qualidade de vida do indivíduo como um todo, pois qualidade de vida é de fato sinônimo de Saúde, é de suam importância. Fóruns populares de Saúde podem ser propostos, até para a reintegração do indivíduo com si mesmo, com o conceito do cuidado próprio e para a sua reintegração com o meio ambiente. Será que já paramos para pensar que quando um indivíduo se propõe a cuidar da natureza e do seu ambiente, por exemplo plantar uma árvore, ele também está cuidando de si, da sua saúde, ele tem a possibilidade de reencontrar a si mesmo e de refletir a respeito do que é bom para ele, do que lhe faz bem, o que é necessário para uma boa qualidade de vida? Através do contato com a natureza, com as suas origens, com a preservação do meio ele se remete a preservação da sua própria essência. Seja quais forem as estratégias ecológicas adotadas, não devem ser desvinculada de uma ação preventiva e sempre contextualizada, por exemplo, por que as campanhas de prevenção contra a AIDS são ainda tão incipientes e pouco eficazes; estamos nos deparando com um quadro de epidemia e por que as campanhas não funcionam? Provavelmente, porque elas orientam sem envolverem-se com questões tão abrangentes que modificam toda uma dinâmica de vida do paciente que envolvem conceitos a respeito de sexo, preconceitos, tabus religiosos e que remete o indivíduo à iminência da morte. Este é um exemplo de como campanhas de prevenção em Saúde podem ser ineficazes quando não consideram o indivíduo como um Universo próprio e dentro de um contexto onde sua realidade e sua história de vida influenciam e muito.
A volta, portanto, do Homem à época em que não era afastado da natureza, a volta a esse equilíbrio perdido, pode ser estudada pelos diversos profissionais de saúde numa ação
transdisciplinar. Por que não propor a visão da Psicossomática nas diversas áreas de atuação social e em saúde, como um elo de resgate do Homem primitivo e do curador natural dentro de cada um e dentro da civilização para que esta se torne saudável interagindo no meio ambiente? Estratégias isoladas em saúde seriam ainda fragmentos de ação. As mudanças devem ser maiores, no âmbito da pesquisa, da saúde, da política e por que não do lazer. Especificamente em saúde, talvez um começo seria uma mudança no olhar sobre a doença por cada um dos diversos profissionais que atuariam especificamente na sua área, mas em conjunto, em integração verdadeira, sem preocupações maiores com os rótulos vinculados à carreira e, principalmente, enxergando o todo do Homem, do seu ambiente e do seu ecossistema. Estes profissionais deveriam atuar diretamente junto à sociedade questionando, através de fóruns de debates, quais seriam suas reais necessidades e através de ações conjuntas com as organizações governamentais e não governamentais, refletir sobre a melhor forma de aplicação. O trinômio ensino-pesquisa e extensão é um eixo polarizador potente de qualquer prática que se deseje realizar junto às comunidades e as Universidades, portanto não devem se alijar deste processo. O ensino é um instrumento multiplicador de ensinamentos que pode ser participativos junto à comunidade, a extensão é fruto desse processo ensino-aprendizagem aplicado a esta comunidade e a pesquisa é um meio de fundamentar este processo e de se alcançar descobertas frutíferas com este fim. Este trinômio no foco da Psicossomática integra o Homem à sua comunidade e também ao meio ambiente e ao seu ecossistema, portanto melhora a sua qualidade de vida e de saúde. Inscreva-se nos Cursos à Distância da SAEP: Curso de Introdução ao Existencialismo |
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