| EDIÇÃO ESPECIAL | Caderno de Temas Existencias | |
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Artigo
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O indivíduo toma o mundo social a sua volta como um pressuposto (circunstância ou fato considerado como antecedente necessário de outro), assim como a existência e uso ou recusa dos objetos naturais ou animais encontrados no seu ambiente natural. Esse mundo, então, lhe é dado. Já havia um mundo antes dele, vai continuar havendo depois dele. E o sujeito é dito mesmo antes de saber-se. O total das interpretações dadas pelo mundo forma a "concepção relativamente natural do mundo", que, por sua vez, baseia-se em uma "concepção do mundo". Esta concepção do mundo contém a interpretação mais geral do lugar da comunidade entre outras comunidades, reinos, cosmo e do "sobrenatural", como também a visão dos muitos costumes e normas que regulam a conduta humana, além das receitas de comportamento prático nos campos sociais e técnicos. O sujeito repete para si mesmo o que frequentemente escolhe ouvir dos outros a respeito dele. Como um "papagaio" ou como um ëtagarelaí. No entanto, em lugar de realçarmos o funcionamento de toda esta superestrutura social como um mecanismo determinista e coercitivo, devemos destacar o "significado subjetivo" da participação do sujeito em sua comunidade. Em outras palavras, devemos entender como significado subjetivo, o grau de comprometimento que o sujeito busca ao repetir para si (e para os outros) o que é dito dele desde antes de sua existência. Neste sentido, nossos problemas não começam com as coisas que ignoramos, mas sim, com aquilo que "já conhecemos". Com nosso "horizonte panorâmico". Esse significado é produto do esforço do indivíduo para alcançar uma definição de seu próprio lugar, de seu próprio papel geral dentro da comunidade e, especialmente, dentro dos vários subgrupos a que pertence. Mesmo as idéias culturais mais estereotipadas socialmente (que retratam o maior grau de ignorância) só existem nas mentes dos indivíduos que as absorvem, interpretam-nas em função de suas próprias situações de vida. Neste ponto, cabe recordar o fato de que na Idade Média, quando o mundo conhecido era menor que o pergaminho que o representava, os cartógrafos desenhavam a figura do Dragão na borda do rolo avisando o explorador dos riscos do desconhecido. Hoje fica a pergunta: Onde vemos dragões? Podemos matá-los? Uma questão, portanto, é como as múltiplas interpretações particulares dos que compõem a "concepção relativamente natural do mundo", em qualquer comunidade cultural, convergem para uma "visão comum do mundo". Essa unidade de visão depende, em primeiro lugar, da CRENÇA por parte dos membros da comunidade de que compartilham suas concepções do mundo. Na Cultura do Individualismo, por exemplo, a idéia parece ser: "O mundo seria maravilhoso se todos fossem iguais a mim..." Ou ainda a idéia de que "o que é meu é meu, o que é teu é meu também..." A visão comum do mundo depende, em segundo lugar, do USO DAS MESMAS EXPRESSÕES e formulações padronizadas quando aplicam ou explicam essas concepções. Atribui-se a Henry Ford a expressão: "Você está sempre certo, quer pense que pode, quer pense que não pode". O indivíduo, em seu modo de orientação dentro do mundo da vida, é incitado e guiado por instruções, exortações e interpretações que lhe são dadas por outros. Se ele constrói a sua própria visão do mundo a sua volta, o faz com auxílio das matérias-primas que lhe são oferecidas nessa contínua exposição aos homens, seus semelhantes. Ambos, o fato de estar exposto a essas matérias-primas culturais e a sua aceitação, através de seleção e interpretação, pressupõem uma LINGUAGEM COMUM como meio de comunicação entre pessoas e também como instrumento de conhecimento para o indivíduo. Ao tratar da língua como meio universal de cultura, a Fenomenologia interessou-se principalmente pelo vernáculo, a linguagem cotidiana atual das pessoas dentro de seus grupos e comunidades. Termos, frases e formas sintáticas, em si, constituem já uma espécie de pré-interpretação do mundo designado nesses termos, caracterizado por essas frases e descrito com a ajuda dessas formas gramaticais e sintáticas, imbuídos de significados particulares, que são envolvidos por "auréolas" de associação e emoção. Na prática da Psicoterapia Existencial a preocupação Ética com a visão comum do mundo caracteriza-se pela necessidade, entre outras, de resgate da Autenticidade. A autencidade é inimiga da rotina. O primeiro desafio passa a ser mudar horários, estabelecer percursos diferentes, ouvir outras estações de rádio e canais de tv, cultivar novas amizades, enfim experimentar novas receitas. A
"concepção relativamente natural do mundo", a "concepção
do mundo", o "significado subjetivo",
reunem os ingredientes da fórmula que explica a rotina como o material
básico para o soterramento da existência em escombros de repetição
e, podem ser exemplicadas em situações da vida como
a exposta abaixo: Nas sociedades complexas de hoje a forma mais adequada de existir parece ser existir de formas diversas. As chances de resolver problemas existindo de uma única maneira são mínimas e serão tanto maiores quanto mais idéias sobre si mesmo o sujeito for capaz de pensar. É esta a recomendação do escritor Oscar Wilde: "Você pode fingir, finja sempre, mas não se esqueça nunca de que está fingindo." Max
Weber nos mostrou que não temos condições de sermos radicalmente
racionais, podemos, isto sim, sermos razoáveis,
como nas definições abaixo: Psicólogo
e Sociólogo Maurício Castanheira Conheça os Psicoterapeutas Existenciais na Internet Para incluir seu nome clique aqui Psicólogo, inscreva-se no Curso à Distância: Curso de Introdução ao Existencialismo via Internet ou Correio |
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