MIME-Version: 1.0 Content-Type: multipart/related; boundary="----=_NextPart_01C6E246.20742AF0" Este documento é uma Página da Web de Arquivo Único, também conhecido como Arquivo da Web. Se você estiver lendo esta mensagem, o seu navegador ou editor não oferecem suporte a Arquivos da Web. Baixe um navegador que ofereça suporte a Arquivos da Web, como o Microsoft Internet Explorer. ------=_NextPart_01C6E246.20742AF0 Content-Location: file:///C:/2F29B0C1/comunidadeutopica.htm Content-Transfer-Encoding: quoted-printable Content-Type: text/html; charset="us-ascii" COMUNIDADE UTÓPICA WALDEN TWO EM BASES GRUPOTERAPÊUTICA= S: UMA HIPÓTESE DE TRABALHO

COMUNIDADE UTÓPICA WALDEN TWO ENQUANTO COMUN= IDADE TERAPÊUTICA:

EXPERIÊNCIA GRUPAL E CONSTRUÇÃO EXISTENCIAL DE MUNDO DO USUÁRIO1

 

        =             &nb= sp;            =             &nb= sp;            =            =             &nb= sp;            = Luis Ernesto Rodriguez. Tapia2 

RESUMO

Estudo de compreens&atild= e;o e interpretação de itens estruturais da comunidade utópi= ca descrita na obra skinneriana traduzida como Walden II: uma sociedade do fut= uro. Formula-se a tese de que a experiência grupal na comunidade utópica WT  tem o senti= do de construção existencial de mundo do usuário.  Procede-se à descriç= ão e interpretação de itens essenciais da estrutura e funcioname= nto da comunidade utópica descrita na obra, numa perspectiva  analítico existencial. Conc= lui-se que a tese do estudo apresenta fundamentação teórica e fatual adequadas.

Unitermos: comunidade terapêutica; saú= de mental; grupoterapia; existencialismo; behaviorismo; utopia.

 

WALDEN TWO UTOPIAN COMMUNITY AS A THERAPEUTIC COMMUNITY: GROUP EXPERIENCE AND  EXISTENTIAL RECONSTRUCTION OF THE = WORLD OF THE CLIENT

 

SUMMARY:

Study of comprehension and interpretation about  structur= al itens of the utopian community described in the Skinnerian book translated = as Walden Two: a society in the future. It is formulated the thesis that the g= roup experience in WT utopian community has the meaning of an existential reconstruction of the world of the client. It proceeds to describe and  interpret essential itens of  Walden Two utopian community’s  structure and   functioning from an=   existential  analytic view . It is concluded th= at the study thesis  exhibits theoret= ical and factual adequate bases. Uniterms: therapeutic community; mental health; grouptherapy; existentialism; behaviorism; utopia.

 

1          INTRODU&Cced= il;ÃO E JUSTIFICATI VA

 

Estudo de compreensão e interpretaçã= ;o de itens estruturais da comunidade utópica descrita na obra skinneri= ana traduzida como Walden II: uma sociedade do futuro.

O estudo  visa  estimular a reflexão sobre princípios de comunidade terapêutica enquanto campo de atuação&nb= sp; em psicologia e/ou saúde mental numa perspectiva   interdisciplinar de trabalho= .

O estudo situa-se numa linha terapêutica  de pesquisa e reflexão em saúde mental já iniciada na orientação analítico existencial; dá-se continuidade a estudos anteriore= s.

 

2        &= nbsp; PROBLEMA E TESE DO ESTUDO

 

O estudo restringe-se à pergunta: Qual é o sentido da experiência grupal na comunidade utópica WT? <= /o:p>

        &= nbsp;   Formula-se a tese de que a experiência grupal na comunidade utópica WT  tem o sentido de construç&a= tilde;o existencial de mundo do usuário.

A fundamentação teórica da tese inspira-se na concepção analítico existencial de mundo, vista no que segue.

A ilustração fatual consiste da apresentação de resultados de estudos  realizados em hospital-dia psiqui&= aacute;trico com modelo de tratamento de comunidade terapêutica.

Numa descrição conceptual prévia “mundo existencial” significa a maneira de ser própria do ser humano em relação: 1) mundo ambiente ou circundante, 2) m= undo das inter-relaçoes sociais, 3) mundo próprio, mundo interno. =

Por sua vez, a idéia original de “comunidade terapêutica” enfatiza: que: 1) equipe e pacientes funcionam em comunidade organizada; 2) as atividades e interações  objetivam reeducar e reabilitar socialmente os indivíduos; 3) a equipe oferece feedback imediato sobre comportamentos observados. (JONES, 1953; MAIN, 1946 apud KERNBERG 2000).

 

3        &= nbsp; FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA  CONCEPÇÃO  ANALÍTICO   EXISTENCIAL   DE <= o:p>

        =    MUNDO

 

Em estudo anterior (TAPIA; CONTEL, 1996) em hospital-dia= psiquiátrico com modelo de tratamento de comunidade terapêutica formulou-se a tese= de que a experiência terapêutica grupal tem o sentido de reconstrução existencial de mundo do paciente.

Na fundamentação teórica da tese do estudo utilizou-se a concepção analítico existencial de mundo  (HEIDEGGER, 1962 ; MAY,= 1977 apud TAPIA; CONTEL, 1996) que inclui três itens ou significados indissociáveis entre si, vistos a seguir.

1) “Mundo ambiente”, ou  “mundo circundante”  mais próximo (domést= ico) das coisas, entes e/ ou instrumentos. Espaço físico do estabelecimento hospitalar, instalações ou equipamentos e obj= etos de uso pessoal estariam incluídos no “mundo ambiente” do paciente internado; tipo de  moradia, o ambiente rural ou urbano de procedência da pessoa, também estariam incluídos.

2) “Mundo público”, do “nos” ou “mundo-com” das inter-relaçõ= es sociais, a  família, o = grupo de pertença, os outros pacientes, a equipe hospitalar incluem-se nes= te item de mundo do paciente.

3) “Mundo próprio” das relações pessoais do indivíduo consigo mesmo; corresponderia ao mundo interno de cada pessoa. Fantasias, aspirações, crenças, valores, compreensão de si próprio, sentido da própria vida estariam incluídos ne= ste item de mundo.

Com base na experiência desse estudo ora utiliza-s= e a concepção analítico existencial de mundo para a fundamentação da atual tese de estudo de que a experiên= cia grupal na comunidade utópica WT a tem o sentido de construção existencial de mundo do usuário.=

Naturalmente que uma perspectiva teórica e/ou metodológica em psicologia pressupõe uma concepç&atild= e;o de homem em sociedade enquanto principal objeto ao qual está direcionada. Objeto este, que por sua vez certamente não se exaure n= este ou  naquele pressuposto teórico a seu respeito.

O estudo ora proposto de compreensão e interpretação analítico existencial de itens estrutura= is da comunidade utópica descrita na obra skinneriana Walden II: uma sociedade do futuro visa promover um diálogo possível a parti= r de uma preocupação em comum em relação ao ser huma= no de interesse em psicologia e/ou saúde mental.

 

4        &= nbsp; PERSPECTIVA METODOLÓGICA

 

        &= nbsp;   Em estudo anterior (TAPIA; CONTEL; CAMPOS, 1997) em hospital-dia psiquiátrico com organização de comunidade terapêutica focalizou-se a visão de mundo expressa em textos científicos da equipe terapêutica. Formulou-se a tese de que a visão de mundo expressa nos textos científicos da equipe terapêutica teria tendência humanista. Procedeu-se à interpretação existencial ou exegese de textos científ= icos da equipe terapêutica.

        &= nbsp;   Nesse estudo foi citado (HEIDEGGER, 1954 apud TAPIA; CONTEL; CAMPOS, 1997) que to= da interpretação ou exegese para extrair das palavras o que estas querem dizer, deve recorrer necessariamente à força. Mas esta força não pode ser uma mera divagação. A exegese deve estar animada e orientada pela força de uma idéia iluminadora. Unicamente esta força permite que uma interpretação se decida a empreender o que será sempre= uma audácia, qual seja confiar-se à secreta paixão de uma obra, para penetrar até o que ficou sem dizer e tratar de expressá-lo.

Também foi citado (BINSWANGER, 1961 apud TAPIA; CONTEL; CAMPOS, 1997) que no procedimento de compreensão e interpretação psicológica ter-se-ia: 1) a interpretação começa com o agrupamento sistemát= ico do material de experiência segundo temas racionais ou coerência= s de sentido; 2) a seguir viria a interpretação psicológica= ao colocar-se vida anímica no material da experiência; 3) o mater= ial precisa de um complemento da experiência mediante conclusões, analogias, pressupostos e teorias.

Com base na experiência desse estudo procede-se à atual descrição e interpretação de ite= ns essenciais da estrutura e funcionamento da comunidade utópica descri= ta na obra sob análise.

 

5        &= nbsp; DESCRIÇÃO DA OBRA LITERÁRIA WALDEN TWO

 

        &= nbsp;   Obra analisada: livro SKINNER, B.F. Walden II: uma sociedade do futuro. Tradução de Rachel Moreno e Nelson Raul Saraiva. 2 ed. S&atil= de;o Paulo: EPU, 1978. 316p.

        &= nbsp;   Obra de gênero literário ficção científica com= a participação dos principais personagens: Rogers graduado em psicologia,  seu amigo Steve c= olega no serviço militar, o professor de psicologia Burris, o professor de filosofia Castle, Bárbara namorada de Rogers e Mary namorada de Stev= e.

        &= nbsp;   O enredo consiste basicamente em que Rogers e Steve visitam o professor Burris no seu escritório para perguntar-lhe se tem conhecimento de uma comunidade = de nome Walden Two que existiria num lugar impreciso do Estado da Indiana (USA= ). Burris consegue lembrar de Frazier, um ex-colega de faculdade interessado em comunidades utópicas; após consultar catálogo de nomes= de profissionais descobre endereço e escreve para contatá-lo.

        &= nbsp;   Em poucos dias vem a resposta de Frazier convidando a visitar a comunidade  por ele fundada. Os casais de jove= ns Rogers e Bárbara, Steve e Mary e os professores Burris e Castle viaj= am de ônibus até WT. A permanência foi programada  para 05 (cinco) dias; nesse tempo = os visitantes ficam impressionados com: a) estrutura, organizaçã= o, funcionalidade ambiente em WT; b)  natureza e estrutura das relações sociais e interpesso= ais; c) atitudes, padrões de comportamento,  valores e ética vigentes ne= ssa comunidade.

O casal Steve e Mary decide ficar para  morar em WT; os demais visitantes retornam à cidade inicial; o professor Burris que permanecera indeci= so resolve por último deixar a atividade docente e voltar a WT e tornar= -se um integrante da comunidade.  =

        &= nbsp;   Na atribuição de papéis aos principais personagens destac= a-se a função da crítica distanciada de Castle o professor = de filosofia. A função de entusiastas e idealistas coube princip= almente aos casais de jovens. A Frazier, fundador da comunidade coube o papel talvez mais árduo de justificar e defender integralmente princípios, diretrizes e normas estabelecidas em WT, além de incansável cicerone.

        &= nbsp;   A Burris, professor de psicologia coube o papel do equilíbrio ou síntese entre envolvimento emocional e distanciamento intelectual na dinâmica experienciada pelos  vários personagens. Burris faria alusão a Burrhus Fred= eric  Skinner.

        &= nbsp;   A estrutura da obra analisada consta de 36 (trinta e seis) capítulos numerados, mas sem títulos; em função disso, ora faz-se adaptação à terminologia usada pela  COMUNIDAD LOS HORCONES (2006).

        &= nbsp;   Nos primeiros 10 (dez) capítulos tem-se: 1) Rogers e Steve visitam Burri= s; 2) Burris, Castle, Roger, Steve, Bárbara e Mary viajam até WT= ; 3) Frazier recepciona os visitantes e mostra o ambiente da comunidade; 4) Fraz= ier faz descrição de aplicação da engenharia comportamental no serviço de chá e cozinha; 5) explicaç= ;ão sobre o manejo do impacto da moda em WT; 6) explicação de como evitar a formação de multidões no uso de locais públicos; 7) explicação sobre a aplicaçã= o da engenharia comportamental no uso das cantinas; 8) explicação sobre sistema econômico, uso de créditos de trabalho e redução de carga horária em WT; 9) visitantes limpam janelas; 10) visita à unidade leiteira e oficina de confecção de roupas.

        &= nbsp;   Nos segundos 10 (dez) capítulos tem-se: 11) Frazier explica sobre a criação de condições para o nascimento de crianças com dotes artísticos; 12) descrição do cuidado de crianças do nascimento ao primeiro ano de vida; 13) descrição do cuidado de crianças de 2 a 3 anos de idade; 14) programas de autocontrole aplicados às crianças; 15) cuidado e educação de crianças de 4 a 13 anos de idade; 1= 6) explicação sobre  o adiantamento da adolescência e do amadurecimento precoce das crianças em WT; 17) explicação sobre o sistema familia= r; 18) conversa entre Rogers e Burris sobre ficar ou não na comunidade;= 19) discussão sobre experiências noutras comunidades; 20) Frazier explica sobre a ética comportamental em WT.

        &= nbsp;   Nos seguintes 10 (dez) capítulos tem-se: 21) Steve e Mary querem ficar para  morar em WT; 22) Steve e= Mary incentivados a ficar na comunidade visitam centro médico; 23) Frazier explica opinião preponderante em WT sobre governos, política e religião; 24) explicação sobre métodos das pess= oas permanecerem nas comunidades; 25) Burris faz observação sistemática em campo visando conferir argumentos de Frazier; 26) Bur= ris continua em estudo de seguimento visando contradizer Frazier; 27) explicação sobre planos de ampliação de comunid= ades Walden; 28) Frazier faz revelações pessoais a Burris; 29) Cas= tle o professor de filosofia critica e discute com Frazier sobre engenharia comportamental e conceito de liberdade; 30) passeio pelo ambiente interior = de WT.    

Nos últimos 06 (séis) capítulos tem= -se: 31) Castle mantem postura cética, Burris reflete sobre tornar-se ou não um integrante da comunidade; 32) Frazier conversa com Burris sob= re planos a longo prazo em WT; 33) conversa sobre controle e liberdade do ser humano; 34) explicação sobre o método do reforço positivo no controle do comportamento; 35) o casal Rogers e Bárbara,= e os professores Burris e Castle iniciam retorno à cidade inicial; 36) Burris resolve deixar a atividade docente e tornar-se integrante da comunid= ade, Frazier faz sugestões sobre o final do livro baseado no relató= ;rio de Burris sobre a finalizada visita a WT.

 

6        &= nbsp; O MUNDO EXISTENCIAL  DO  USUÁRIO EM WT

 

        &= nbsp;   Em estudo anterior (TAPIA; CONTEL, 1998) em hospital-dia psiquiátrico c= om modelo de tratamento de comunidade terapêutica, formulou-se a tese de que a experiência terapêutica num HD psiquiátrico tem um legit= imo sentido existencial. Utilizou-se como material de pesquisa transcrições textuais de sessões de grupos operativos = de agenda. O procedimento de análise das transcrições consistiu em: 1) lista exaustiva de assuntos; 2) identificaçã= o de temas invariantes; 3) hierarquização dos temas; 4) interpretação e categorização dos temas face aos itens da concepção existencial de mundo.

        &= nbsp;   Com base na experiência desse estudo procede-se à atual tentativa = de compreensão e interpretação de itens estruturais da comunidade utópica WT descrita na obra Walden II: uma sociedade do futuro.

        &= nbsp;   A obra em estudo desenvolve sua temática estruturada em  36 (trinta e seis) capítulo= s que tratam de assuntos diversos. Cada capítulo  em função da significação mais preponderante pode ser correlacionado a um = ou outro dos três itens da concepção existencial de mundo antes explicitada. Ter-se-ia a situação seguinte.<= /span>

1) “Mundo ambiente” ou “mundo circundante” das coisas, entes e/ ou instrumentos, neste item ter-se-= iam os capítulos: 3) Frazier recepciona os visitantes e mostra o ambient= e da comunidade; 4) Frazier faz descrição de aplicaçã= ;o da engenharia comportamental no serviço de chá e cozinha; 7) explicação sobre a aplicação da engenharia comportamental no uso das cantinas; 9) visitantes limpam janelas; 10) visita à unidade leiteira e oficina de confecção de roupas;  27) explicação sobre planos  de  ampliação  de   comunidades   Walden;      30) passeio pelo ambiente interior= de WT.

2) “Mundo público”, do “nos” ou “mundo-com” das inter-relaçõ= es sociais, neste item ter-se-iam os capítulos: 5) explicaç&atil= de;o sobre o manejo do impacto da moda em WT; 6) explicação de como evitar a formação de multidões no uso de locais públicos; 8) explicação sobre sistema econômico,= uso de créditos de trabalho e redução de carga horá= ria em WT; 12) descrição do cuidado de crianças do nascime= nto ao primeiro ano de vida; 13) descrição do cuidado de crian&cc= edil;as de 2 a 3 anos de idade; 15) cuidado e educação de crianças de <= st1:metricconverter ProductID=3D"4 a" w:st=3D"on">4 a 13 anos de idade; 1= 7) explicação sobre o sistema familiar; 18) conversa entre Roger= s e Burris sobre ficar ou não na comunidade; 19) discussão sobre experiências noutras comunidades; 21) Steve e Mary querem ficar para morar em  WT; 22) Steve e Mary incentivados a ficar na comunidade visitam centro médico; 23) Frazier explica opinião preponderante em WT sobre governos, política e religião; 24) explicação sobre métodos das pess= oas permanecerem nas comunidades; 25) Burris faz observação sistemática em campo visando conferir argumentos de Frazier; 26) Bur= ris continua em estudo de seguimento visando contradizer Frazier; 33) conversa sobre controle e liberdade do ser humano; 34) explicação sobr= e o método do reforço positivo no controle do comportamento; 36) Burris resolve deixar a atividade docente e tornar-se integrante da comunid= ade, Frazier faz sugestões sobre o final do livro baseado no relató= ;rio de Burris sobre a finalizada visita a WT.

        &= nbsp;   3) “Mundo próprio” das relações pessoa= is do indivíduo consigo mesmo, neste item ter-se-iam os capítulo= s: 11) Frazier explica sobre a criação de condições para o nascimento de crianças com dotes artísticos; 14) progr= amas de autocontrole aplicados às crianças; 16) explicação sobre  o adiantamento da adolescência e do amadurecimento precoce das crianças em WT; 20) Frazier explica sobre a ética comportamen= tal em WT; 28) Frazier faz revelações pessoais a Burris; 29) Cast= le o professor de filosofia critica e discute com Frazier sobre engenharia comportamental e conceito de liberdade; 31) Castle mantém postura cética, Burris reflete sobre tornar-se ou não um integrante da comunidade; 32) Frazier conversa com Burris sobre planos a longo prazo em W= T.

        &= nbsp;   Os capítulos: 1) Rogers e Steve visitam Burris; 2) Burris, Castle, Roge= r, Steve, Bárbara e Mary viajam até WT e 35) o casal Rogers e Bárbara, e os professores Burris e Castle iniciam retorno à cidade inicial, não foram incluídos em função da temática  preponderante= considerada não estritamente vinculada à experiência comunitá= ;ria em WT.

        &= nbsp;   A correlação entre a temática da obra analisada e os ite= ns da concepção existencial de mundo também pode ser representada na seguinte Tabela 1.

 

Tabela 1. Estrutura temática da obra Walden II: uma sociedade do futuro

Itens de mundo

Capítulos

       &nbs= p; %

Posto

“mundo ambiente”

    07=

      21,21

 

“mundo público”

    18=

      54,55

 

“mundo próprio”

    08=

      24,24

 

Total

    33=

    100

 

   &= nbsp;       

Na Tabela 1  na hierarquia de postos destaca   no 1º lugar  o item “mundo público” com 18 (dezoito) capítulos ou  54,55% (cinqüenta e quatro vi= rgula cinqüenta e  cinco por cento)  da quantia de 33 (trin= ta e três) capítulos ora considerados da obra em análise. Isto estaria a indicar a prioridade significativa atribuída às relações interpessoais na experiência comunitári= a em WT.

        &= nbsp;   O 2º lugar na hierarquia corresponde ao item “mundo próprio” com 08 (oito) capítulos ou 24,24% (vinte e qua= tro vírgula vinte e quatro por cento) da quantia considerada. A segunda prioridade estaria centrada nas relações do indivíduo consigo mesmo, na compreensão de si próprio no mundo.

        &= nbsp;   O 3º lugar corresponde ao “mundo ambiente” com 7 capítulos ou 21,21% (vinte e um vírgula vinte e um por cento)= . A terceira prioridade estaria centrada no lidar com as coisas, entes e/ou instrumentos.

        &= nbsp;   Então, o expresso em termos quantitativos na Tabela 1 também teria o sentido qualitativo de vir tornar explícito=   que  a temática = da obra em estudo trata em essência dos itens do mundo existencial do usuário  da comunidade<= span style=3D'mso-spacerun:yes'>  WT.

Nisto ter-se-ia um primeiro passo em direçã= ;o à fundamentação da tese de que a experiência gru= pal na comunidade utópica WT tem o sentido de construção existencial de mundo do usuário.

 

7        &= nbsp; SENTIDO EXISTENCIAL  DA EXPERIÊC= IA GRUPAL EM WT

 

Em estudo antes mencionado (TAPIA; CONTEL, 1996) sobre  experiência terapêutica grupal e reconstrução existencial de mundo do paciente em hospital-dia psiquiátrico, utilizou-se como material de pesquisa dad= os da rotina diária de atividades terapêuticas e logísticas coordenadas pela equipe multiprofissional. Registrou-se o seguinte rol de atividades semanais: 1) desjejum; 2) evolução de enfermagem; = 3) reunião de equipe fixa; 4) reunião de equipe geral; 5) sessão de grupo operativo; 6) reunião comunitária; 7) ginástica; 8) reunião de pré-admissão; 9) comissão de decoração e manutenção; 10) atendimento de pós-alta; 11) terapia ocupacional grupal; 12) almoço; 13) comissão de recepção e despedida; 1= 4) atividade livre; 15) comissão de recriação; 16) recriação livre; 17) ioga; 18) reunião de famíl= ia; 19) lanche especial; 20) saída.

A partir da descrição e análise des= se complexo de atividades terapêuticas e  logísticas constatou-se = três linhas operacionais de ação em relação ao m= undo existencial do paciente.

1) Na linha voltada para o ”mundo ambiente&= #8221; destacam-se as atividades das comissões de decoração, = de manutenção, de recriação de recepç&atild= e;o e despedida integradas por técnicos e pacientes.

2) Na linha operacional voltada para o “mundo público” destacam-se: sessões de grupos operativos e reunião comunitária. Os grupos operativos diários prom= ovem a reintegração social e articulação verbal; uti= liza-se o interpessoal como fator terapêutico. A reunião comunitária semanal inclui técnicos e usuários visa: desenvolver a comunicação e cooperação comunitária; estabelecer um padrão de franqueza, transparência e honestidade; confrontar problemas do paciente;  manter o sistema.

3) Na linha centrada no “mundo próprio” de cada paciente destacam-se: sessão de grupo operativo; reuni&atild= e;o de pré-admissão; atendimento de pós-alta. Há uma preocupação centrada na história e projeto de vida, potencialidades, limites e vicissitudes de cada paciente “antes”= ; e “pós” tratamento.

A tese desse estudo era de que a experiência terapêutica grupal tem o sentido de reconstrução existencial de mundo do paciente. A evidência dessas linhas operacion= ais permitiu a ilustração fatual da tese.

 Com base na experiência desse estudo ora procede-se à descriç&atild= e;o e análise do complexo de atividades na comunidade utópica WT. Também se constata  = linhas operacionais de ação&= nbsp; que podem ser correlacionadas aos itens do mundo existencial do usuário.

1) “Mundo ambiente”, no caso das crianças: atividades nos cubículos para bebês, nos compartimentos à prova de som e quartos climatizados das crian&ccedi= l;as pequenas; atividades no manejo de roupas de treinamento, roupas e camas, beliches; arrumar pequenos dormitórios e mobília dos quartos; treinamento e manejo das terrinas de sopa e/ou pirulitos escapulário= s; atividades com brinquedos, materiais e espaços educativos; utilização de móveis liliputianos, caixas de areia e balanços.

Isso pode ser exemplificado nos capítulos: 12) descrição do cuidado de crianças do nascimento ao prim= eiro ano de vida; 13) descrição do cuidado de crianças de <= st1:metricconverter ProductID=3D"2 a" w:st=3D"on">2 a 3 anos de idade; 15) cuidado e educação de crianças de 4 a 13 anos de idade, d= a obra sendo analisada.

Noutras faixas etárias esta linha operacional de ação pode ser exemplificada nos capítulos: 4) Frazier = faz descrição sobre aplicação da engenharia comportamental no serviço de chá e cozinha; 7) explicaç= ;ão sobre a aplicação da engenharia comportamental no uso das cantinas; 8) explicação sobre sistema econômico, uso de créditos de trabalho e redução de carga horária= em WT.

2) “Mundo público”, “mundo-com” das  inter-relações sociais, no caso das crianças: atividades desenvolvidas com grupos de bebês, com grupos de crian&cce= dil;as por faixa etária;  interação  e relação das crianças com o grupo dos pais comunitários, com as equipes técnicas e com os pais biológicos.

Isso pode ser exemplificado nos capítulos: 12) descrição do cuidado de crianças do nascimento ao prim= eiro ano de vida; 13) descrição do cuidado de crianças de <= st1:metricconverter ProductID=3D"2 a" w:st=3D"on">2 a 3 anos de idade; 15) cuidado e educação de crianças de 4 a 13 anos de idade; 1= 7)  onde o cuidado comunitário às crianças é considerado melhor que o dos pais; a primeira educação não é mais deixada  ao seu critério; evita-se u= ma dependência pessoal forte entre pais e filhos.  Mais ainda, suprime-se a fam&iacut= e;lia como unidade econômica e em parte como unidade psicológica e social.

Noutras faixas etárias esta linha operacional de ação pode ser exemplificada pelos capítulos: 5) explicação sobre o manejo do impacto da moda em WT; 6) explicação de como evitar a formação de multidões no uso de locais públicos; 23) Frazier explica a opinião preponderante em WT sobre governos, política e religião; 24) explicação sobre métodos das pess= oas permanecerem nas comunidades.

Neste último sentido destaca que para manter a lealdade grupal em WT há encontros semanais da comunidade aos doming= os. Lê-se ou encena-se um texto filosófico, poético ou religioso (capitulo 23). Depois, há uma breve lição; t= emas geralmente escolhidos tratam do autocontrole ou tipos de articulação social. “A lição semanal &eac= ute; uma espécie de terapia de grupo”. (SKINNER, 1978, p.202).=

Manifestamente, na comunidade utópica WT ter-se-ia uma atividade de fato equivalente à=   reunião comunitária numa comunidade terapêutica = em hospital-dia antes mencionado (TAPIA; CONTEL, 1996).

3) “Mundo próprio”, no caso das crianças: atividades de controle de sentimentos de frustração, ansiedade e medo, inveja e ciúme  extintos ou reduzidos com a aplicação de protocolos, sistemas de aborrecimento e  programas de autocontrole (capítulo 14).

Exemplos de protocolos: a) dá-se o pirulito &agra= ve; criança, mas não pode ser lambido dizendo-lhe que mais tarde poderá ser comido; crianças são orientadas a examinar o próprio comportamento enquanto olha o pirulito, isto as auxilia a reconhecer a necessidade de autocontrole;&= nbsp; b) esconde-se o pirulito pede-se às crianças que relat= em o ganho em felicidade ou qualquer redução de tensão, então arranja-se uma distração e mais tarde são lembradas do pirulito e encorajadas a examinar suas reações; = c) pendura-se o pirulito no pescoço da criança como se fosse escapulário, por algumas horas.

Também há protocolos grupais de controle do ambiente social, visando  a formação ética. Isto pode ser exemplificado nos capítulos: 11) Frazier explica sobre a criação de condições para o nascimento de crianças com dotes artísticos; 14) programas de autocontrole aplicados às crianças; 16) explicação sobre  o adiantamento da adolescênc= ia e do amadurecimento precoce das crianças em WT.

Noutras faixas etárias esta linha operacional de ação pode ser exemplificada pelos capítulos: 20) Frazi= er explica sobre a ética comportamental em WT; 28) Frazier faz revelações pessoais a Burris; 29) Castle o professor de filos= ofia critica e discute com Frazier sobre engenharia comportamental e conceito de liberdade; 31) Castle mantem postura cética, Burris reflete sobre tornar-se ou não um integrante da comunidade; 33) conversa sobre con= trole e liberdade do ser humano; 34) explicação sobre o méto= do do reforço positivo no controle do comportamento.<= /p>

Constata-se, pois, um manifesto sentido operativo construtivo e interacional das três linhas operacionais de ação em relação a cada um dos itens do mundo existencial do usuário em WT.

Nisto ter-se-ia um segundo passo em direção à fundamentação da tese de  que a experiência grupal na comunidade utópica WT tem o sentido de construção existencial de mundo do usuário.

 

8        &= nbsp; PARTICIPAÇÃO DA FAMÍLIA EM WT

 

        &= nbsp;   Estudo anterior (TAPIA; RIBEIRO; CONTEL, 2000) em hospital-dia psiquiátrico= com organização de comunidade terapêutica focalizou  a experiência de grupo de ap= oio multifamiliar. Formulou-se a  tese  de que é possível otimizar o processo de reintegração social dos pacientes em tratamento pela participação simultânea dos familiares em grupo de apoio multifamiliar.

        &= nbsp;   Na fundamentação teórica utilizou-se o princípio d= os 11 (onze) fatores terapêuticos  de Yalom (VINOGRADOV; YALOM, 1992 apud TAPIA; RIBEIRO;  CONTEL, 2000): 1) instilaç&= atilde;o de esperança; 2) universalidade; 3) oferecimento de informações; 4) altruísmo; 5) desenvolvimento de técnicas de socialização; 6) comportamento imitativo; = 7) catarse; 8) reedição corretiva do grupo familiar primá= rio; 9) fatores existenciais; 10) coesão de grupo; 11) aprendizagem interpessoal.

        &= nbsp;   Fatores  esses, assim exemplificados  (TAPIA; RIBEIRO;  CONTEL, 2000):  1) fé e esperança dos familiares ante os  relatos ou testemunhos de progressos dos pacientes em casa, e/ou observaç&otild= e;es clínicas dos terapeutas sobre os pacientes; 2) sensaçã= o de alívio dos familiares ao perceberem não estarem sós, c= ada um com os problemas do seu paciente; mas de poderem compartilhar entre si; = 3) aconselhamento entre familiares; assimilação de informações e instruções dos terapeutas; 4) experiência desses familiares serem úteis pelo encorajamento a outro familiar desmoralizado; 5) orientação sobre habilidades sociais, reconhecer problemas, rever soluções; 6) sugestões de familiares mais habilidosos a serem seguidas pelos mais reticentes; 7) descrições emocionais de transtornos provocados pela doença no funcionamento familiar; 8) indícios de rivalidades, desafios; 9) infortúnio da doença, vicissitudes e incertezas, reformulação de projeto de vida; 10) preocupações e sentimentos comuns face às situações semelhantes vividas; e 11) influências recíprocas entre familiares, aprendizagem uns com outros, importância de relacionamentos interpessoais adequados.

        &= nbsp;   Então, o grupo de apoio multifamiliar também caracteriza uma experiên= cia de reconstrução de mundo do paciente, centrada nos familiares, naturais aliados terapêuticos (TAPIA; RIBEIRO;  CONTEL, 2000). <= /p>

        &= nbsp;   Esses fatores terapêuticos em parte também se aplicam nos grupos de orientação comportamental e/ou cognitivo comportamental, conf= orme visto no que segue.

Por sua vez, na comunidade utópica WT, na era da ciência do comportamento ulterior à era pré-científica atual, a situação da famí= lia dá-se de modo diferente.

        &= nbsp;   Na obra sob estudo (capítulo 17) tem-se: 1) o cuidado comunitário às crianças é considerado melhor que o dos pais; 2) a primeira educação não é mais deixada  ao seu critério; 3) evita-s= e uma dependência pessoal forte entre pais e filhos; 4) suprime-se a família como unidade econômica e em parte como unidade psicológica e social; 5) objetiva-se que cada membro adulto consider= e as crianças como suas e que cada criança considere os adultos co= mo seus pais; 6) surge a  figura = dos pais comunitários. 

        &= nbsp;   Aos pais comunitários, sucessores da estrutura familiar atual  cabem o papel de aliados na construção  existencial de mundo do usuário da comunidade WT.<= /span>

Nisto ter-se-ia um terceiro passo em direçã= ;o à fundamentação da tese de  que a experiência grupal na comunidade utópica WT  = tem o sentido de construção existencial de mundo do usuário.=

 

9      &n= bsp;   DISCUSSÃO

 

9.1      Aplicabilid= ade  de  estratégias  comportamentais  e/ou  cognitivo comportamentais

 

        =    O autor da obra em estudo (SKINNER, 1978) originalmente escrita em 1= 945 descreve que a aplicação da análise experimental do co= mportamento preocupa-se com as conseqüências. O comportamento poderia ser modificado, modificando-se suas conseqüências (condicionamento operante).

Segundo o autor, psicóticos e deficientes poderiam levar uma vida melhor; as pessoas trabalhariam mais eficientemente gostando= do que estariam fazendo. Esse tipo de realização na comunidade WT estaria ao alcance da ciência do comportamento;  comunidade na qual são reso= lvidos os problemas da vida diária,  economia e a administração.

Atualmente há ampla aplicação de estratégias comportamentais e/ou cognitivo comportamentais no tratam= ento em grupos (ROSE, 1996). Exemplos: 1) treinamento assertivo; 2) reestruturação cognitiva; 3) treinamento de habilidades de enfrentamento e relaxamento; 4) aprendizagem social; 5) treinamento de habilidades sociais grupais; 6) solução de problemas; 7) redução do estresse; 8) redução dos efeitos da depressão; 9)  redução da ansiedade geral; 10) refinamento de habilid= ades parentais, dentre outros.

Segundo esse autor, desde 1985 o interesse na dimensão grupal aumentou  por causa do número de vantagens presumidas se o terapeuta grupal souber aproveitá-las. Na interação grupal dá-se: feedback e aconselhamento, desenvolvimento de habilidades, altruísmo, reforçamento posit= ivo, confrontação de percepções distorcidas ou autoderrotantes, aprendizagem, discriminação, generalização, recondicionamento e/ou modelagem, dentre outro= s. Nota-se manifesta semelhança com algum dos fatores terapêutico= s de Yalom (VINOGRADOV; YALOM, 1992 apud TAPIA; RIBEIRO;  CONTEL, 2000) como: oferecimento de informações, altruísmo, desenvolvimento de técn= icas de socialização, comportamento imitativo,  coesão de grupo, aprendizag= em interpessoal

Na saúde mental as estratégias comportamen= tais e cognitivas comportamentais representam um efetivo  instrumento teórico metodológico na implementação/ efetivaçã= o de políticas públicas face às demandas sociais populacion= ais, conforme visto a seguir.

 

9.2      Polí= ticas públicas em saúde mental

 

        &= nbsp;   No Brasil dentre a legislação oficial em saúde mental destacam-se:

 1) Lei n&o= rdm; 10216 de 06/04/2001 (BRASIL, 2001) que dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras dos transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental; lei que resultara dos anteriores projetos de lei nº 3657/89 da Câmara dos Deputados encaminhado ao Senado em 14/12/90 (TAPIA; CONTEL, 1996; TAPIA; CO= NTEL CAMPOS, 1997);

 2) Portaria nº 224 de 29/01/1992 do Ministério da Saúde (BRASIL, 200= 0) que dispõe diretrizes e normas sobre a organização de serviços de atendimento à saúde mental;

3) Portaria nº 336 de 19/02/2002 do Ministér= io da Saúde, (BRASIL, 2002) que atualiza anterior Portaria nº 224 = de 29/01/92 e estabelece o funcionamento e modalidades dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Dispositivos comunitários tipicamente organizados com modelo de tratamento de comunidade terapêutica.

        &= nbsp;   Conforme o número de habitantes por município e  modalidade do serviço prest= ado tem-se: CAPS I, CAPS II, CAPS III,  CAPSi (atendimento a crianças e adolescentes) e CAPSad (atendimento  relacionado ao u= so e dependência de substâncias psicoativas).

Até março de 2004 tinha-se a seguinte distribuição de número por tipo  de CAPS no País, mostrada na Tabela 2.

 

Tabela 2. Número de CA= PS por tipo no Brasil

CAPS I

CAPS II

CAPS III

CAPSi

CAPSad

Total

   181

   214

     24<= /span>

     38<= /span>

     59<= /span>

 516

FONTE: Coordenação de Saúde Mental do Ministério da Saúde, Março 2004 (esse total de CAPS teria 2006 um acréscimo em torno de 75%).

        &= nbsp;  

Nos CAPS, prevêem-se atividades de atendimento individual e de atendimento grupal, desenvolvidas por equipes multiprofissionais de composição básica:  médico   psiquiatra,    médico clínico, psicólogo, enfermeiro,  assistente social e terapeuta ocupacional.

Atividades típicas: 1) atendimento individual (medicamentoso,  psicoterápico, de   orientação, &nbs= p; dentre outros); 2) atendimento grupal (psicoterapia, grupo operativo,  oficina terapêutica, atividades socioterápicas); visitas domiciliares; atendimento à família; atividades comunitárias.

Nessas várias atividades as estratégias comportamentais e/ou cognitivo comportamentais tem ampla aplicação; assim como  as estratégias analítico existenciais,  psicanalíticas, psicodramáticas, teoria sistêmica, dentre outras. <= /span>

Nesse complexo de atividades, e estratégias teórico metodológicas podem reaparecer os personagens simbólicos vistos na comunidade WT nos seus respectivos papéi= s. Castle, na função crítica distanciada ou cética= ; os entusiastas e idealistas  Stev= e e Mary que logo aderem à  proposta;  Frazier, líder no papel  de just= ificar e defender os princípios, diretrizes e normas estabelecidas; al&eacu= te;m de demonstrador prático.  Burris, líder no papel do equilíbrio ou síntese entre envolvimento emocional e distanciamento intelectual na dinâmica vivenciada pelo grupo de trabalho. Grupo, onde, pode dar-se conflito e/ou colaboração.

 

9.3      Aspectos críticos ou dilemáticos.

 

Foi antes citado (VINOGRADOV; YALOM, 1992 apud TAPIA 200= 2) que quem trabalha em  profissões de ajuda <= span style=3D'mso-spacerun:yes'> (medicina, psicologia, enfermag= em, serviço social) e/ou em ambientes clínicos carrega consigo a carga adicional de enfrentar questões contí= nuas de perda, cronicidade, deformações e morte.

Esses profissionais ao lidarem com ambientes estressante= s, apresentam queixas  típ= icas: 1) frustração acerca de cargas de trabalho excessivas e número inadequado de profissionais ou de apoio administrativo; 2) ra= iva quanto à distribuição do poder real ou percebido; 3) sentimentos de insegurança derivado de enormes responsabilidades e p= ressão constante para o desempenho sob estresse; 4) atritos pessoais entre os cole= gas.

Face a esses problemas formula-se a pergunta:=

Qual é a estratégia teórico metodológica adequada: a) comportamental e/ou cognitivo comportament= al; b)  analítico existenci= al; c) psicanalítica; d) psicodramática; e) teoria sistêmica? A resposta pode não ser imediata.

Em estudo anterior (TAPIA,1999) em hospital-dia psiquiátrico com modelo de tratamento de  comunidade terapêutica formu= lou-se a pergunta:

 “Psicoterapias, psicofarmacol= ogias, e técnicas psicossociais: conflito ou colaboração?R= 21;

Sustentou-se a tese de que é possível a superação do sentido dilemático da expressão. Procedeu-se a: 1) análise da estrutura lógico formal da expressão dilemática: “conflito ou colaboraç&ati= lde;o”; 2) ilustração histórico fatual pelo exemplo de una instituição, dentre congêneres, onde a equipe terapêutica manteve conduta adequada face a alternativas de tratamento superando na prática um dilema teórico.

Evidenciou-se, assim a necessidade da superaç&ati= lde;o do sentido comum de dilema e da recuperação do significado de “di-lema” enquanto duas  possibilidades, proposições ou lemas a serem seguidos.=

Evidência análoga obteve-se e a respeito do dilema quantidade ou qualidade na ciência psiquiátrica  (TAPIA; OLIVEIRA, 1991).

Com base na experiência desses estudos, ora acredita-se que  estraté= ;gias teórico metodológicas: a) comportamental e/ou cognitivo comportamental; b)  anal&iacut= e;tico existencial; c) psicanalítica; d) psicodramática; e) teoria sistêmica, dentre outras, possam ser vistas como    possibilidades complementares entre si e que também neste caso seja possível superar  o significado habitua= l de dilema.

Isto faz sentido no trabalho em equipes, onde o princípio da complementaridade torna-se uma necessidade. Um exemplo típico seria o grupo operativo de reflexão,  onde a tarefa do grupo é a indagação  pelo próprio grupo.

        &= nbsp;   Isso poderia ser exemplificado na experiência de interconsulta psiquiátrica com grupo  de apoio para profissionais numa unidade de transplante de medula óssea= com excesso de estresse. Uma das tarefas do líder é encorajar os membros a dividir seus pontos de vista e focar a atenção nos problemas do dia-a-dia da unidade (CONTEL; SPONHOLZ JÚNIOR; TAPIA, 1= 999).

Noutro estudo (TAPIA, 2002) formulou-se a hipótes= e de que existe compatibilidade conceptual entre aspectos teóricos dos gr= upos de reflexão e os conceitos fenomenológico existenciais aplica= dos à assistência em saúde mental. O estudo visava o di&aac= ute;logo conceptual.

A atual  te= se de estudo  que a experiência grupal na comunidade utópica WT&nbs= p; tem o sentido de construção existencial de mundo do usuário, também visa o diálogo conceptual.<= /span>

 

9.4  &n= bsp;   Registros observacionais

 

No dia-a-dia em  reuniões de equipes técnicas em saúde mental, s= eja na reflexão sobre um tema atual, ou na reflexão a partir da discussão de casos de pacientes, constata-se que as equipes est&atil= de;o preocupadas  com as problemáticas prementes na assistência  à saúde mental.=

Ouvem-se opiniões do tipo: 1) “há profissionais ou figuras de autoridade que dificultam  a reinserção social = de pacientes com potencialidades”; 2) “há famílias q= ue depositam o paciente na instituição e esquecem dele”; 3= ) “foi um avanço ter implementado as políticas de desospitalização do doente mental; 4) “decisões políticas errôneas forçaram a implementaçã= ;o da desospitalização, faltaram critérios técnicos”;  5) “equipamentos comunitários não dão conta de procedimentos de alta complexidade”; 6)  “a desinstitucionalização psiquiátrica deu alta hospitalar aos pacientes; mas  criou fila= s para a internação”; 7) “a solução seria acabar com os manicômios, mas não com os hospitais”; 8) “a Itália e o Canadá enfrentam grandes dificuldades pós-reforma psiquiátrica”; 9) “no suporte comunitário institucional ainda enfrenta distância entre servi= ços de reabilitação psicossocial e o mundo externo” 10) “o doente mental não é um pobre coitado, é um cidadão com seus direitos”; 11) “tem havido avanç= os no trabalho de oficinas terapêuticas visando a profissionalização envolvendo empresas”; 12) “as = instituições ainda trabalham isoladas, os profissionais não se comunicam entre si”.

Essas opiniões típicas independem da opção por uma estratégia teórico metodológica comportamental e/ou cognitivo comportamental, analítico existencial, psicanalítica, psicodramática, teoria sistêmica ou outra. A preocupação em comum seria= de fato com um ideal de condições sequer satisfatórias de trabalho onde colocar em prática essas opções.

        &= nbsp;   Essa preocupação obviamente não se dá no dia-a-dia n= uma comunidade utópica tipo WT. Onde, tampouco há ambientes estressantes,  paranoigenia institucional, mal entendidos ou conflitos.

Contudo, deve-se valorizar a necessidade existencial de utopias tipo WT. A reflexão sobre o ideal e perfeição permite visualizar possibilidades e empenhar-se na sua efetivaç&atil= de;o no aqui-e-agora.

Declarações de princípios, diretriz= es oficiais, protocolos de intenções e legislação oficial, nos seus preâmbulos e/ou considerandos comumente invocam os = mais altos  ideais éticos e/= ou valores sociais supremos como fonte de inspiração. Idealidade essa, que envolve uma inequívoca significação utópica, tipo a comunidade WT.

Coloca-se, então o desafio de operar na prática a ultrapassagem de W= alden Two para Walden True.<= /o:p>

 

10       CONCL= USÃO

 

        &= nbsp;   Conclui-se que a tese de que a experiência grupal na comunidade utópica WT  tem o sentido de construção existencial de mundo do usuário apresenta fundamentação teórica e fatual adequadas.

        &= nbsp;   Possíveis considerações:

        &= nbsp;   1) as estratégias comportamentais e/ou cognitivo comportamentais tem  ampla aplicação em saúde mental; assim como  as estratégias analítico existenciais,  psicanalíticas, psicodramáticas, teoria sistêmica, dentre outras;

        &= nbsp;   2) desde o início este estudo de compreensão e interpretação analítico existencial de itens estrutura= is da comunidade utópica descrita na obra skinneriana Walden II: uma sociedade do futuro visa promover um diálogo possível a parti= r de uma preocupação em comum em relação ao ser huma= no de interesse em psicologia e/ou saúde mental, faz-se ora necessário o prosseguimento;

3) no prosseguimento desse diálogo, coloca-se o desafio de operar a ultrapassagem de Walden Two para Walden True  na prática  da assistência à saúde mental empenhando-se, por exemplo, na efetivação= no aqui-e-agora dos altos ideais éticos e/ou valores sociais supremos expressos no discurso oficial;

4) há a necessidade de uma formação ético humanística em psicologia e/ou em saúde  mental, adequada  à operação dos equipamentos comunitários ou instituições  de assistência à saúde mental do cidadão usuário dos serviços; inclusive preparação para o&= nbsp; trabalho em equipes multiprofissionais.

 

11          &nbs= p;    REFER&Ecir= c;NCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

BACCHIN, M. I. Literatura biomédica: etapas da pesquisa bibliográfica e aspectos técnicos da redação de trabalho científico.  In: MINEO,= J. R. et al.  Pesquisa biomédica: do planejamento à publicação.  Uberlândia: EDUFU, 2005.  p.33-57.

 

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TAPIA, L. E. R.;  CONTEL, J. O. B.; C= AMPOS, M. A.  Visão de mundo em hospital dia  psiquiátr= ico: exegese existencial de textos científicos da equipe terapêutica.  Jornal Brasileiro de Psiquiatria, Rio de Janeiro, v.46, n.4, p.223-6, 1997.

 

TAPIA, L.E.R.; OLIVEIRA, C. M.  Quali= dade ou quantidade: dilema da ciência psiquiátrica.   Jornal Brasileiro de Psiquiatria, Rio de Janeiro, v.40, n.5, p.263-6, 1991.

 

TAPIA, L. E. R.; RIBEIRO, B. O. L.; CONTEL, J. O. B.  Grupo de apoio multifamiliar e  avaliação do funcion= amento social de pacientes em hospital-dia psiquiátrico universitário.  Jornal Brasileiro de Psiquiatria, Rio de Janeiro, v.49, n.10-12, p.395-8, 2000.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



1 A= presentado ao Curso de Psicologia da Faculdade de Ciências Aplicadas/UNIMINAS, Uberlândia/MG, agradecimento especial à Profa. Mestra Simone Rodrigues Neves e à Profa. Dra. Paula Mariza Zedu. Allipradini, pelas observações críticas.  

2 D= outor em Psicologia Cl&iac= ute;nica (PUC-SP),  Pós-Doutorad= o em Psiquiatria (Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto-USP), Professor Titular Depto. de Clínica Médica/Faculdade de Medicina, Universidade Federal de Uberlândia.

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