MIME-Version: 1.0 Content-Type: multipart/related; boundary="----=_NextPart_01C6E246.20742AF0" Este documento é uma Página da Web de Arquivo Único, também conhecido como Arquivo da Web. Se você estiver lendo esta mensagem, o seu navegador ou editor não oferecem suporte a Arquivos da Web. Baixe um navegador que ofereça suporte a Arquivos da Web, como o Microsoft Internet Explorer. ------=_NextPart_01C6E246.20742AF0 Content-Location: file:///C:/2F29B0C1/comunidadeutopica.htm Content-Transfer-Encoding: quoted-printable Content-Type: text/html; charset="us-ascii"
COMUNIDADE UTÓPICA WALDEN TWO ENQUANTO COMUN= IDADE TERAPÊUTICA:
EXPERIÊNCIA
GRUPAL E CONSTRUÇÃO EXISTENCIAL DE MUNDO DO USUÁRIO1
=
&nb=
sp; =
&nb=
sp; =
=
&nb=
sp; =
Luis
Ernesto Rodriguez. Tapia2
RESUMO
Estudo de compreens&atild= e;o e interpretação de itens estruturais da comunidade utópi= ca descrita na obra skinneriana traduzida como Walden II: uma sociedade do fut= uro. Formula-se a tese de que a experiência grupal na comunidade utópica WT tem o senti= do de construção existencial de mundo do usuário. Procede-se à descriç= ão e interpretação de itens essenciais da estrutura e funcioname= nto da comunidade utópica descrita na obra, numa perspectiva analítico existencial. Conc= lui-se que a tese do estudo apresenta fundamentação teórica e fatual adequadas.
Unitermos: comunidade terapêutica; saú= de mental; grupoterapia; existencialismo; behaviorismo; utopia.
WALDEN TWO UTOPIAN COMMUNITY AS A
THERAPEUTIC COMMUNITY: GROUP EXPERIENCE AND EXISTENTIAL RECONSTRUCTION OF THE =
WORLD
OF THE CLIENT
SUMMARY:
Study of comprehension and
interpretation about structur=
al
itens of the utopian community described in the Skinnerian book translated =
as
Walden Two: a society in the future. It is formulated the thesis that the g=
roup
experience in WT utopian community has the meaning of an existential
reconstruction of the world of the client. It proceeds to describe and interpret essential itens of Walden Two utopian
community’s structure
and functioning from an=
existential analytic view . It is concluded th=
at the
study thesis exhibits theoret=
ical
and factual adequate bases. Uniterms: therapeutic community; mental health;
grouptherapy; existentialism; behaviorism; utopia.
1 INTRODU&Cced=
il;ÃO
E JUSTIFICATI VA
Estudo de compreensão e interpretaçã=
;o
de itens estruturais da comunidade utópica descrita na obra skinneri=
ana
traduzida como Walden II: uma sociedade do futuro.
O estudo
visa estimular a
reflexão sobre princípios de comunidade terapêutica
enquanto campo de atuação&nb=
sp;
em psicologia e/ou saúde mental numa perspectiva interdisciplinar de trabalho=
.
O estudo situa-se numa linha terapêutica de pesquisa e reflexão em
saúde mental já iniciada na orientação
analítico existencial; dá-se continuidade a estudos anteriore=
s.
2 &=
nbsp; PROBLEMA
E TESE DO ESTUDO
O estudo restringe-se à pergunta: Qual é o
sentido da experiência grupal na comunidade utópica WT?
&=
nbsp; Formula-se
a tese de que a experiência grupal na comunidade utópica WT
A fundamentação teórica da tese
inspira-se na concepção analítico existencial de mundo,
vista no que segue.
A ilustração fatual consiste da
apresentação de resultados de estudos realizados em hospital-dia psiqui&=
aacute;trico
com modelo de tratamento de comunidade terapêutica.
Numa descrição conceptual prévia
“mundo existencial” significa a maneira de ser própria do
ser humano em relação: 1) mundo ambiente ou circundante, 2) m=
undo
das inter-relaçoes sociais, 3) mundo próprio, mundo interno. =
Por sua vez, a idéia original de “comunidade
terapêutica” enfatiza: que: 1) equipe e pacientes funcionam em
comunidade organizada; 2) as atividades e interações objetivam reeducar e reabilitar
socialmente os indivíduos; 3) a equipe oferece feedback imediato sobre comportamentos observados. (JONES, 1953;
MAIN, 1946 apud KERNBERG 2000).
3 &= nbsp; FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA CONCEPÇÃO ANALÍTICO EXISTENCIAL DE <= o:p>
=
MUNDO
Em estudo anterior (TAPIA; CONTEL, 1996) em hospital-dia=
psiquiátrico
com modelo de tratamento de comunidade terapêutica formulou-se a tese=
de
que a experiência terapêutica grupal tem o sentido de
reconstrução existencial de mundo do paciente.
Na fundamentação teórica da tese do
estudo utilizou-se a concepção analítico existencial de
mundo (HEIDEGGER, 1962 ; MAY,=
1977
apud TAPIA; CONTEL, 1996) que inclui três itens ou significados
indissociáveis entre si, vistos a seguir.
1) “Mundo ambiente”, ou “mundo circundante”
2) “Mundo público”, do
“nos” ou “mundo-com” das inter-relaçõ=
es
sociais, a família, o =
grupo
de pertença, os outros pacientes, a equipe hospitalar incluem-se nes=
te
item de mundo do paciente.
3) “Mundo próprio” das
relações pessoais do indivíduo consigo mesmo;
corresponderia ao mundo interno de cada pessoa. Fantasias,
aspirações, crenças, valores, compreensão de si
próprio, sentido da própria vida estariam incluídos ne=
ste
item de mundo.
Com base na experiência desse estudo ora utiliza-s=
e a
concepção analítico existencial de mundo para a
fundamentação da atual tese de estudo de que a experiên=
cia
grupal na comunidade utópica WT a tem o sentido de
construção existencial de mundo do usuário.
Naturalmente que uma perspectiva teórica e/ou
metodológica em psicologia pressupõe uma concepç&atild=
e;o
de homem em sociedade enquanto principal objeto ao qual está
direcionada. Objeto este, que por sua vez certamente não se exaure n=
este
ou naquele pressuposto
teórico a seu respeito.
O estudo ora proposto de compreensão e
interpretação analítico existencial de itens estrutura=
is
da comunidade utópica descrita na obra skinneriana Walden II: uma
sociedade do futuro visa promover um diálogo possível a parti=
r de
uma preocupação em comum em relação ao ser huma=
no
de interesse em psicologia e/ou saúde mental.
4 &=
nbsp; PERSPECTIVA
METODOLÓGICA
&=
nbsp; Em
estudo anterior (TAPIA; CONTEL; CAMPOS, 1997) em hospital-dia
psiquiátrico com organização de comunidade
terapêutica focalizou-se a visão de mundo expressa em textos
científicos da equipe terapêutica. Formulou-se a tese de que a
visão de mundo expressa nos textos científicos da equipe
terapêutica teria tendência humanista. Procedeu-se à
interpretação existencial ou exegese de textos científ=
icos
da equipe terapêutica.
&=
nbsp; Nesse
estudo foi citado (HEIDEGGER, 1954 apud TAPIA; CONTEL; CAMPOS, 1997) que to=
da
interpretação ou exegese para extrair das palavras o que estas
querem dizer, deve recorrer necessariamente à força. Mas esta
força não pode ser uma mera divagação. A exegese
deve estar animada e orientada pela força de uma idéia
iluminadora. Unicamente esta força permite que uma
interpretação se decida a empreender o que será sempre=
uma
audácia, qual seja confiar-se à secreta paixão de uma
obra, para penetrar até o que ficou sem dizer e tratar de
expressá-lo.
Também foi citado (BINSWANGER, 1961 apud TAPIA;
CONTEL; CAMPOS, 1997) que no procedimento de compreensão e
interpretação psicológica ter-se-ia: 1) a
interpretação começa com o agrupamento sistemát=
ico
do material de experiência segundo temas racionais ou coerência=
s de
sentido; 2) a seguir viria a interpretação psicológica=
ao
colocar-se vida anímica no material da experiência; 3) o mater=
ial
precisa de um complemento da experiência mediante conclusões,
analogias, pressupostos e teorias.
Com base na experiência desse estudo procede-se
à atual descrição e interpretação de ite=
ns
essenciais da estrutura e funcionamento da comunidade utópica descri=
ta
na obra sob análise.
5 &=
nbsp; DESCRIÇÃO
DA OBRA LITERÁRIA WALDEN TWO
&=
nbsp; Obra
analisada: livro SKINNER, B.F. Walden II: uma sociedade do futuro.
Tradução de Rachel Moreno e Nelson Raul Saraiva. 2 ed. S&atil=
de;o
Paulo: EPU, 1978. 316p.
&=
nbsp; Obra
de gênero literário ficção científica com=
a
participação dos principais personagens: Rogers graduado em
psicologia, seu amigo Steve c=
olega
no serviço militar, o professor de psicologia Burris, o professor de
filosofia Castle, Bárbara namorada de Rogers e Mary namorada de Stev=
e.
&=
nbsp; O
enredo consiste basicamente
&=
nbsp; Em
poucos dias vem a resposta de Frazier convidando a visitar a comunidade por ele fundada. Os casais de jove=
ns
Rogers e Bárbara, Steve e Mary e os professores Burris e Castle viaj=
am
de ônibus até WT. A permanência foi programada para 05 (cinco) dias; nesse tempo =
os
visitantes ficam impressionados com: a) estrutura, organizaçã=
o,
funcionalidade ambiente em WT; b)
natureza e estrutura das relações sociais e interpesso=
ais;
c) atitudes, padrões de comportamento, valores e ética vigentes ne=
ssa
comunidade.
O casal Steve e Mary decide ficar para morar em WT; os demais visitantes
retornam à cidade inicial; o professor Burris que permanecera indeci=
so
resolve por último deixar a atividade docente e voltar a WT e tornar=
-se
um integrante da comunidade. =
&=
nbsp; Na
atribuição de papéis aos principais personagens destac=
a-se
a função da crítica distanciada de Castle o professor =
de
filosofia. A função de entusiastas e idealistas coube princip=
almente
aos casais de jovens. A Frazier, fundador da comunidade coube o papel talvez
mais árduo de justificar e defender integralmente princípios,
diretrizes e normas estabelecidas em WT, além de incansável
cicerone.
&=
nbsp; A
Burris, professor de psicologia coube o papel do equilíbrio ou
síntese entre envolvimento emocional e distanciamento intelectual na
dinâmica experienciada pelos
vários personagens. Burris faria alusão a Burrhus Fred=
eric Skinner.
&=
nbsp; A
estrutura da obra analisada consta de 36 (trinta e seis) capítulos
numerados, mas sem títulos; em função disso, ora faz-se
adaptação à terminologia usada pela COMUNIDAD LOS HORCONES (2006).
&=
nbsp; Nos
primeiros 10 (dez) capítulos tem-se: 1) Rogers e Steve visitam Burri=
s;
2) Burris, Castle, Roger, Steve, Bárbara e Mary viajam até WT=
; 3)
Frazier recepciona os visitantes e mostra o ambiente da comunidade; 4) Fraz=
ier
faz descrição de aplicação da engenharia
comportamental no serviço de chá e cozinha; 5) explicaç=
;ão
sobre o manejo do impacto da moda em WT; 6) explicação de como
evitar a formação de multidões no uso de locais
públicos; 7) explicação sobre a aplicaçã=
o da
engenharia comportamental no uso das cantinas; 8) explicação
sobre sistema econômico, uso de créditos de trabalho e
redução de carga horária em WT; 9) visitantes limpam
janelas; 10) visita à unidade leiteira e oficina de
confecção de roupas.
&=
nbsp; Nos
segundos 10 (dez) capítulos tem-se: 11) Frazier explica sobre a
criação de condições para o nascimento de
crianças com dotes artísticos; 12) descrição do
cuidado de crianças do nascimento ao primeiro ano de vida; 13)
descrição do cuidado de crianças de
&=
nbsp; Nos
seguintes 10 (dez) capítulos tem-se: 21) Steve e Mary querem ficar
para morar em WT; 22) Steve e=
Mary
incentivados a ficar na comunidade visitam centro médico; 23) Frazier
explica opinião preponderante em WT sobre governos, política e
religião; 24) explicação sobre métodos das pess=
oas
permanecerem nas comunidades; 25) Burris faz observação
sistemática em campo visando conferir argumentos de Frazier; 26) Bur=
ris
continua em estudo de seguimento visando contradizer Frazier; 27)
explicação sobre planos de ampliação de comunid=
ades
Walden; 28) Frazier faz revelações pessoais a Burris; 29) Cas=
tle
o professor de filosofia critica e discute com Frazier sobre engenharia
comportamental e conceito de liberdade; 30) passeio pelo ambiente interior =
de
WT.
Nos últimos 06 (séis) capítulos tem=
-se:
31) Castle mantem postura cética, Burris reflete sobre tornar-se ou
não um integrante da comunidade; 32) Frazier conversa com Burris sob=
re
planos a longo prazo em WT; 33) conversa sobre controle e liberdade do ser
humano; 34) explicação sobre o método do reforço
positivo no controle do comportamento; 35) o casal Rogers e Bárbara,=
e
os professores Burris e Castle iniciam retorno à cidade inicial; 36)
Burris resolve deixar a atividade docente e tornar-se integrante da comunid=
ade,
Frazier faz sugestões sobre o final do livro baseado no relató=
;rio
de Burris sobre a finalizada visita a WT.
6 &=
nbsp;
O MUNDO EXISTENCIAL DO USUÁRIO EM WT
&=
nbsp; Em
estudo anterior (TAPIA; CONTEL, 1998) em hospital-dia psiquiátrico c=
om modelo
de tratamento de comunidade terapêutica, formulou-se a tese de que a
experiência terapêutica num HD psiquiátrico tem um legit=
imo
sentido existencial. Utilizou-se como material de pesquisa
transcrições textuais de sessões de grupos operativos =
de
agenda. O procedimento de análise das transcrições
consistiu em: 1) lista exaustiva de assuntos; 2) identificaçã=
o de
temas invariantes; 3) hierarquização dos temas; 4)
interpretação e categorização dos temas face aos
itens da concepção existencial de mundo.
&=
nbsp; Com
base na experiência desse estudo procede-se à atual tentativa =
de
compreensão e interpretação de itens estruturais da
comunidade utópica WT descrita na obra Walden II: uma sociedade do
futuro.
&=
nbsp; A
obra em estudo desenvolve sua temática estruturada em 36 (trinta e seis) capítulo=
s que
tratam de assuntos diversos. Cada capítulo em função da
significação mais preponderante pode ser correlacionado a um =
ou
outro dos três itens da concepção existencial de mundo
antes explicitada. Ter-se-ia a situação seguinte.
1) “Mundo ambiente” ou “mundo
circundante” das coisas, entes e/ ou instrumentos, neste item ter-se-=
iam
os capítulos: 3) Frazier recepciona os visitantes e mostra o ambient=
e da
comunidade; 4) Frazier faz descrição de aplicaçã=
;o
da engenharia comportamental no serviço de chá e cozinha; 7)
explicação sobre a aplicação da engenharia
comportamental no uso das cantinas; 9) visitantes limpam janelas; 10) visita
à unidade leiteira e oficina de confecção de roupas; 27) explicação sobre
planos de ampliação de comunidades Walden; 30) passeio pelo ambiente interior=
de
WT.
2) “Mundo público”, do
“nos” ou “mundo-com” das inter-relaçõ=
es
sociais, neste item ter-se-iam os capítulos: 5) explicaç&atil=
de;o
sobre o manejo do impacto da moda em WT; 6) explicação de como
evitar a formação de multidões no uso de locais
públicos; 8) explicação sobre sistema econômico,=
uso
de créditos de trabalho e redução de carga horá=
ria
em WT; 12) descrição do cuidado de crianças do nascime=
nto
ao primeiro ano de vida; 13) descrição do cuidado de crian&cc=
edil;as
de
&=
nbsp; 3)
“Mundo próprio” das relações pessoa=
is
do indivíduo consigo mesmo, neste item ter-se-iam os capítulo=
s:
11) Frazier explica sobre a criação de condições
para o nascimento de crianças com dotes artísticos; 14) progr=
amas
de autocontrole aplicados às crianças; 16)
explicação sobre o
adiantamento da adolescência e do amadurecimento precoce das
crianças em WT; 20) Frazier explica sobre a ética comportamen=
tal
em WT; 28) Frazier faz revelações pessoais a Burris; 29) Cast=
le o
professor de filosofia critica e discute com Frazier sobre engenharia
comportamental e conceito de liberdade; 31) Castle mantém postura
cética, Burris reflete sobre tornar-se ou não um integrante da
comunidade; 32) Frazier conversa com Burris sobre planos a longo prazo em W=
T.
&=
nbsp; Os
capítulos: 1) Rogers e Steve visitam Burris; 2) Burris, Castle, Roge=
r,
Steve, Bárbara e Mary viajam até WT e 35) o casal Rogers e
Bárbara, e os professores Burris e Castle iniciam retorno à
cidade inicial, não foram incluídos em função da
temática preponderante=
considerada
não estritamente vinculada à experiência comunitá=
;ria
em WT.
&=
nbsp; A
correlação entre a temática da obra analisada e os ite=
ns
da concepção existencial de mundo também pode ser
representada na seguinte Tabela 1.
Tabela 1. Estrutura
temática da obra Walden II: uma sociedade do futuro
|
Itens
de mundo |
Capítulos |
&nbs=
p;
% |
Posto |
|
“mundo
ambiente” |
07 |
21,21 |
3° |
|
“mundo
público” |
18 |
54,55 |
1° |
|
“mundo
próprio” |
08 |
24,24 |
2º |
|
Total |
33 |
100 |
|
&= nbsp;
Na Tabela 1 na
hierarquia de postos destaca
no 1º lugar o item
“mundo público” com 18 (dezoito) capítulos ou 54,55% (cinqüenta e quatro vi=
rgula
cinqüenta e cinco por
cento) da quantia de 33 (trin=
ta e
três) capítulos ora considerados da obra
&=
nbsp; O
2º lugar na hierarquia corresponde ao item “mundo
próprio” com 08 (oito) capítulos ou 24,24% (vinte e qua=
tro
vírgula vinte e quatro por cento) da quantia considerada. A segunda
prioridade estaria centrada nas relações do indivíduo
consigo mesmo, na compreensão de si próprio no mundo.
&=
nbsp; O
3º lugar corresponde ao “mundo ambiente” com 7
capítulos ou 21,21% (vinte e um vírgula vinte e um por cento)=
. A
terceira prioridade estaria centrada no lidar com as coisas, entes e/ou
instrumentos.
&=
nbsp; Então,
o expresso em termos quantitativos na Tabela 1 também teria o sentido
qualitativo de vir tornar explícito=
que a temática =
da
obra em estudo trata em essência dos itens do mundo existencial do
usuário da comunidade<=
span
style=3D'mso-spacerun:yes'> WT.
Nisto ter-se-ia um primeiro passo em direçã=
;o
à fundamentação da tese de que a experiência gru=
pal
na comunidade utópica WT tem o sentido de construção
existencial de mundo do usuário.
7 &=
nbsp; SENTIDO
EXISTENCIAL DA EXPERIÊC=
IA
GRUPAL EM WT
Em estudo antes mencionado (TAPIA; CONTEL, 1996) sobre experiência terapêutica
grupal e reconstrução existencial de mundo do paciente em
hospital-dia psiquiátrico, utilizou-se como material de pesquisa dad=
os
da rotina diária de atividades terapêuticas e logísticas
coordenadas pela equipe multiprofissional. Registrou-se o seguinte rol de
atividades semanais: 1) desjejum; 2) evolução de enfermagem; =
3)
reunião de equipe fixa; 4) reunião de equipe geral; 5)
sessão de grupo operativo; 6) reunião comunitária; 7)
ginástica; 8) reunião de pré-admissão; 9)
comissão de decoração e manutenção; 10)
atendimento de pós-alta; 11) terapia ocupacional grupal; 12)
almoço; 13) comissão de recepção e despedida; 1=
4)
atividade livre; 15) comissão de recriação; 16)
recriação livre; 17) ioga; 18) reunião de famíl=
ia;
19) lanche especial; 20) saída.
A partir da descrição e análise des=
se
complexo de atividades terapêuticas e logísticas constatou-se =
três
linhas operacionais de ação em relação ao m=
undo
existencial do paciente.
1) Na linha voltada para o ”mundo ambiente&=
#8221;
destacam-se as atividades das comissões de decoração, =
de
manutenção, de recriação de recepç&atild=
e;o
e despedida integradas por técnicos e pacientes.
2) Na linha operacional voltada para o “mundo
público” destacam-se: sessões de grupos operativos e
reunião comunitária. Os grupos operativos diários prom=
ovem
a reintegração social e articulação verbal; uti=
liza-se
o interpessoal como fator terapêutico. A reunião
comunitária semanal inclui técnicos e usuários visa:
desenvolver a comunicação e cooperação
comunitária; estabelecer um padrão de franqueza,
transparência e honestidade; confrontar problemas do paciente; manter o sistema.
3) Na linha centrada no “mundo próprio=
u>”
de cada paciente destacam-se: sessão de grupo operativo; reuni&atild=
e;o
de pré-admissão; atendimento de pós-alta. Há uma
preocupação centrada na história e projeto de vida,
potencialidades, limites e vicissitudes de cada paciente “antes”=
; e
“pós” tratamento.
A tese desse estudo era de que a experiência
terapêutica grupal tem o sentido de reconstrução
existencial de mundo do paciente. A evidência dessas linhas operacion=
ais
permitiu a ilustração fatual da tese.
Com base na
experiência desse estudo ora procede-se à descriç&atild=
e;o
e análise do complexo de atividades na comunidade utópica WT.
Também se constata =
linhas
operacionais de ação&=
nbsp;
que podem ser correlacionadas aos itens do mundo existencial do
usuário.
1) “Mundo ambiente”, no caso das
crianças: atividades nos cubículos para bebês, nos
compartimentos à prova de som e quartos climatizados das crian&ccedi=
l;as
pequenas; atividades no manejo de roupas de treinamento, roupas e camas,
beliches; arrumar pequenos dormitórios e mobília dos quartos;
treinamento e manejo das terrinas de sopa e/ou pirulitos escapulário=
s;
atividades com brinquedos, materiais e espaços educativos;
utilização de móveis liliputianos, caixas de areia e
balanços.
Isso pode ser exemplificado nos capítulos: 12)
descrição do cuidado de crianças do nascimento ao prim=
eiro
ano de vida; 13) descrição do cuidado de crianças de <=
st1:metricconverter
ProductID=3D"2 a" w:st=3D"on">2 a 3 anos de idade; 15)
cuidado e educação de crianças de
Noutras faixas etárias esta linha operacional de
ação pode ser exemplificada nos capítulos: 4) Frazier =
faz
descrição sobre aplicação da engenharia
comportamental no serviço de chá e cozinha; 7) explicaç=
;ão
sobre a aplicação da engenharia comportamental no uso das
cantinas; 8) explicação sobre sistema econômico, uso de
créditos de trabalho e redução de carga horária=
em
WT.
2) “Mundo público”,
“mundo-com” das
inter-relações sociais, no caso das crianças:
atividades desenvolvidas com grupos de bebês, com grupos de crian&cce=
dil;as
por faixa etária;
interação e
relação das crianças com o grupo dos pais
comunitários, com as equipes técnicas e com os pais
biológicos.
Isso pode ser exemplificado nos capítulos: 12)
descrição do cuidado de crianças do nascimento ao prim=
eiro
ano de vida; 13) descrição do cuidado de crianças de <=
st1:metricconverter
ProductID=3D"2 a" w:st=3D"on">2 a 3 anos de idade; 15)
cuidado e educação de crianças de
Noutras faixas etárias esta linha operacional de
ação pode ser exemplificada pelos capítulos: 5)
explicação sobre o manejo do impacto da moda em WT; 6)
explicação de como evitar a formação de
multidões no uso de locais públicos; 23) Frazier explica a
opinião preponderante em WT sobre governos, política e
religião; 24) explicação sobre métodos das pess=
oas
permanecerem nas comunidades.
Neste último sentido destaca que para manter a
lealdade grupal em WT há encontros semanais da comunidade aos doming=
os.
Lê-se ou encena-se um texto filosófico, poético ou
religioso (capitulo 23). Depois, há uma breve lição; t=
emas
geralmente escolhidos tratam do autocontrole ou tipos de
articulação social. “A lição semanal &eac=
ute;
uma espécie de terapia de grupo”. (SKINNER, 1978, p.202).
Manifestamente, na comunidade utópica WT ter-se-ia
uma atividade de fato equivalente à=
reunião comunitária numa comunidade terapêutica =
em
hospital-dia antes mencionado (TAPIA; CONTEL, 1996).
3) “Mundo próprio”, no caso das
crianças: atividades de controle de sentimentos de
frustração, ansiedade e medo, inveja e ciúme extintos ou reduzidos com a
aplicação de protocolos, sistemas de aborrecimento e programas de autocontrole
(capítulo 14).
Exemplos de protocolos: a) dá-se o pirulito &agra=
ve;
criança, mas não pode ser lambido dizendo-lhe que mais tarde
poderá ser comido; crianças são orientadas a examinar o
próprio comportamento enquanto olha o pirulito, isto as auxilia a
reconhecer a necessidade de autocontrole;&=
nbsp;
b) esconde-se o pirulito pede-se às crianças que relat=
em o
ganho em felicidade ou qualquer redução de tensão,
então arranja-se uma distração e mais tarde são
lembradas do pirulito e encorajadas a examinar suas reações; =
c)
pendura-se o pirulito no pescoço da criança como se fosse
escapulário, por algumas horas.
Também há protocolos grupais de controle do
ambiente social, visando a
formação ética. Isto pode ser exemplificado nos
capítulos: 11) Frazier explica sobre a criação de
condições para o nascimento de crianças com dotes
artísticos; 14) programas de autocontrole aplicados às
crianças; 16) explicação sobre o adiantamento da adolescênc=
ia e
do amadurecimento precoce das crianças em WT.
Noutras faixas etárias esta linha operacional de
ação pode ser exemplificada pelos capítulos: 20) Frazi=
er
explica sobre a ética comportamental em WT; 28) Frazier faz
revelações pessoais a Burris; 29) Castle o professor de filos=
ofia
critica e discute com Frazier sobre engenharia comportamental e conceito de
liberdade; 31) Castle mantem postura cética, Burris reflete sobre
tornar-se ou não um integrante da comunidade; 33) conversa sobre con=
trole
e liberdade do ser humano; 34) explicação sobre o méto=
do
do reforço positivo no controle do comportamento.
Constata-se, pois, um manifesto sentido operativo
construtivo e interacional das três linhas operacionais de
ação em relação a cada um dos itens do mundo
existencial do usuário em WT.
Nisto ter-se-ia um segundo passo em direção
à fundamentação da tese de que a experiência grupal na
comunidade utópica WT tem o sentido de construção
existencial de mundo do usuário.
8 &=
nbsp; PARTICIPAÇÃO
DA FAMÍLIA EM WT
&=
nbsp; Estudo
anterior (TAPIA; RIBEIRO; CONTEL, 2000) em hospital-dia psiquiátrico=
com
organização de comunidade terapêutica focalizou a experiência de grupo de ap=
oio
multifamiliar. Formulou-se a
tese de que é
possível otimizar o processo de reintegração social dos
pacientes em tratamento pela participação simultânea dos
familiares em grupo de apoio multifamiliar.
&=
nbsp; Na
fundamentação teórica utilizou-se o princípio d=
os
11 (onze) fatores terapêuticos
de Yalom (VINOGRADOV; YALOM, 1992 apud TAPIA; RIBEIRO; CONTEL, 2000): 1) instilaç&=
atilde;o
de esperança; 2) universalidade; 3) oferecimento de
informações; 4) altruísmo; 5) desenvolvimento de
técnicas de socialização; 6) comportamento imitativo; =
7)
catarse; 8) reedição corretiva do grupo familiar primá=
rio;
9) fatores existenciais; 10) coesão de grupo; 11) aprendizagem
interpessoal.
&=
nbsp; Fatores esses, assim exemplificados (TAPIA; RIBEIRO; CONTEL, 2000): 1) fé e esperança dos
familiares ante os relatos ou
testemunhos de progressos dos pacientes em casa, e/ou observaç&otild=
e;es
clínicas dos terapeutas sobre os pacientes; 2) sensaçã=
o de
alívio dos familiares ao perceberem não estarem sós, c=
ada
um com os problemas do seu paciente; mas de poderem compartilhar entre si; =
3)
aconselhamento entre familiares; assimilação de
informações e instruções dos terapeutas; 4)
experiência desses familiares serem úteis pelo encorajamento a
outro familiar desmoralizado; 5) orientação sobre habilidades
sociais, reconhecer problemas, rever soluções; 6)
sugestões de familiares mais habilidosos a serem seguidas pelos mais
reticentes; 7) descrições emocionais de transtornos provocados
pela doença no funcionamento familiar; 8) indícios de
rivalidades, desafios; 9) infortúnio da doença, vicissitudes e
incertezas, reformulação de projeto de vida; 10)
preocupações e sentimentos comuns face às
situações semelhantes vividas; e 11) influências
recíprocas entre familiares, aprendizagem uns com outros,
importância de relacionamentos interpessoais adequados.
&=
nbsp; Então,
o grupo de apoio multifamiliar também caracteriza uma experiên=
cia
de reconstrução de mundo do paciente, centrada nos familiares,
naturais aliados terapêuticos (TAPIA; RIBEIRO; CONTEL, 2000).
&=
nbsp; Esses
fatores terapêuticos em parte também se aplicam nos grupos de
orientação comportamental e/ou cognitivo comportamental, conf=
orme
visto no que segue.
Por sua vez, na comunidade utópica WT, na era da
ciência do comportamento ulterior à era
pré-científica atual, a situação da famí=
lia
dá-se de modo diferente.
&=
nbsp; Na
obra sob estudo (capítulo 17) tem-se: 1) o cuidado comunitário
às crianças é considerado melhor que o dos pais; 2) a
primeira educação não é mais deixada ao seu critério; 3) evita-s=
e uma
dependência pessoal forte entre pais e filhos; 4) suprime-se a
família como unidade econômica e em parte como unidade
psicológica e social; 5) objetiva-se que cada membro adulto consider=
e as
crianças como suas e que cada criança considere os adultos co=
mo
seus pais; 6) surge a figura =
dos
pais comunitários.
&=
nbsp; Aos
pais comunitários, sucessores da estrutura familiar atual cabem o papel de aliados na
construção
existencial de mundo do usuário da comunidade WT.
Nisto ter-se-ia um terceiro passo em direçã=
;o
à fundamentação da tese de que a experiência grupal na
comunidade utópica WT =
tem o
sentido de construção existencial de mundo do usuário.=
9.1 Aplicabilid=
ade de
estratégias
comportamentais e/ou cognitivo comportamentais
=
O autor da obra em estudo (SKINNER, 1978) originalmente escrita em 1=
945
descreve que a aplicação da análise experimental do co=
mportamento
preocupa-se com as conseqüências. O comportamento poderia ser
modificado, modificando-se suas conseqüências (condicionamento
operante).
Segundo o autor, psicóticos e deficientes poderiam
levar uma vida melhor; as pessoas trabalhariam mais eficientemente gostando=
do
que estariam fazendo. Esse tipo de realização na comunidade WT
estaria ao alcance da ciência do comportamento; comunidade na qual são reso=
lvidos
os problemas da vida diária,
economia e a administração.
Atualmente há ampla aplicação de
estratégias comportamentais e/ou cognitivo comportamentais no tratam=
ento
em grupos (ROSE, 1996). Exemplos: 1) treinamento assertivo; 2)
reestruturação cognitiva; 3) treinamento de habilidades de
enfrentamento e relaxamento; 4) aprendizagem social; 5) treinamento de
habilidades sociais grupais; 6) solução de problemas; 7)
redução do estresse; 8) redução dos efeitos da
depressão; 9)
redução da ansiedade geral; 10) refinamento de habilid=
ades
parentais, dentre outros.
Segundo esse autor, desde 1985 o interesse na
dimensão grupal aumentou por
causa do número de vantagens presumidas se o terapeuta grupal souber
aproveitá-las. Na interação grupal dá-se: feedback e aconselhamento,
desenvolvimento de habilidades, altruísmo, reforçamento posit=
ivo,
confrontação de percepções distorcidas ou
autoderrotantes, aprendizagem, discriminação,
generalização, recondicionamento e/ou modelagem, dentre outro=
s.
Nota-se manifesta semelhança com algum dos fatores terapêutico=
s de
Yalom (VINOGRADOV; YALOM, 1992 apud TAPIA; RIBEIRO; CONTEL, 2000) como: oferecimento de
informações, altruísmo, desenvolvimento de técn=
icas
de socialização, comportamento imitativo, coesão de grupo, aprendizag=
em
interpessoal
Na saúde mental as estratégias comportamen=
tais
e cognitivas comportamentais representam um efetivo instrumento teórico
metodológico na implementação/ efetivaçã=
o de
políticas públicas face às demandas sociais populacion=
ais,
conforme visto a seguir.
9.2 Polí=
ticas
públicas em saúde mental
&=
nbsp; No
Brasil dentre a legislação oficial em saúde mental
destacam-se:
1) Lei n&o=
rdm;
10216 de 06/04/2001 (BRASIL, 2001) que dispõe sobre a
proteção e os direitos das pessoas portadoras dos transtornos
mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental; lei que
resultara dos anteriores projetos de lei nº 3657/89 da Câmara dos
Deputados encaminhado ao Senado em 14/12/90 (TAPIA; CONTEL, 1996; TAPIA; CO=
NTEL
CAMPOS, 1997);
2) Portaria
nº 224 de 29/01/1992 do Ministério da Saúde (BRASIL, 200=
0)
que dispõe diretrizes e normas sobre a organização de
serviços de atendimento à saúde mental;
3) Portaria nº 336 de 19/02/2002 do Ministér=
io
da Saúde, (BRASIL, 2002) que atualiza anterior Portaria nº 224 =
de
29/01/92 e estabelece o funcionamento e modalidades dos Centros de
Atenção Psicossocial (CAPS). Dispositivos comunitários
tipicamente organizados com modelo de tratamento de comunidade
terapêutica.
&=
nbsp; Conforme
o número de habitantes por município e modalidade do serviço prest=
ado
tem-se: CAPS I, CAPS II, CAPS III,
CAPSi (atendimento a crianças e adolescentes) e CAPSad
(atendimento relacionado ao u=
so e
dependência de substâncias psicoativas).
Até março de 2004 tinha-se a seguinte
distribuição de número por tipo de CAPS no País, mostrada na
Tabela 2.
Tabela 2. Número de CA=
PS
por tipo no Brasil
|
CAPS I |
CAPS II |
CAPS III |
CAPSi |
CAPSad |
Total |
|
181 |
214 |
24 |
38 |
59 |
516 |
FONTE:
Coordenação de Saúde Mental do Ministério da
Saúde, Março 2004 (esse total de CAPS teria 2006 um
acréscimo em torno de 75%).
&=
nbsp;
Nos CAPS, prevêem-se atividades de atendimento
individual e de atendimento grupal, desenvolvidas por equipes
multiprofissionais de composição básica: médico psiquiatra, médico
clínico, psicólogo, enfermeiro, assistente social e terapeuta
ocupacional.
Atividades típicas: 1) atendimento individual
(medicamentoso,
psicoterápico, de
orientação, &nbs=
p;
dentre outros); 2) atendimento grupal (psicoterapia, grupo
operativo, oficina
terapêutica, atividades socioterápicas); visitas domiciliares;
atendimento à família; atividades comunitárias.
Nessas várias atividades as estratégias
comportamentais e/ou cognitivo comportamentais tem ampla
aplicação; assim como
as estratégias analítico existenciais, psicanalíticas,
psicodramáticas, teoria sistêmica, dentre outras.
Nesse complexo de atividades, e estratégias
teórico metodológicas podem reaparecer os personagens
simbólicos vistos na comunidade WT nos seus respectivos papéi=
s.
Castle, na função crítica distanciada ou cética=
; os
entusiastas e idealistas Stev=
e e
Mary que logo aderem à
proposta; Frazier,
líder no papel de just=
ificar
e defender os princípios, diretrizes e normas estabelecidas; al&eacu=
te;m
de demonstrador prático.
Burris, líder no papel do equilíbrio ou síntese
entre envolvimento emocional e distanciamento intelectual na dinâmica
vivenciada pelo grupo de trabalho. Grupo, onde, pode dar-se conflito e/ou
colaboração.
9.3 Aspectos
críticos ou dilemáticos.
Foi antes citado (VINOGRADOV; YALOM, 1992 apud TAPIA 200=
2)
que quem trabalha em
profissões de ajuda <=
span
style=3D'mso-spacerun:yes'> (medicina, psicologia, enfermag=
em,
serviço social) e/ou em ambientes clínicos
carrega consigo a carga adicional de enfrentar questões contí=
nuas
de perda, cronicidade, deformações e morte.
Esses profissionais ao lidarem com ambientes estressante=
s,
apresentam queixas típ=
icas:
1) frustração acerca de cargas de trabalho excessivas e
número inadequado de profissionais ou de apoio administrativo; 2) ra=
iva
quanto à distribuição do poder real ou percebido; 3)
sentimentos de insegurança derivado de enormes responsabilidades e p=
ressão
constante para o desempenho sob estresse; 4) atritos pessoais entre os cole=
gas.
Face a esses problemas formula-se a pergunta:
Qual é a estratégia teórico
metodológica adequada: a) comportamental e/ou cognitivo comportament=
al;
b) analítico existenci=
al; c)
psicanalítica; d) psicodramática; e) teoria sistêmica? A
resposta pode não ser imediata.
Em estudo anterior (TAPIA,1999) em hospital-dia
psiquiátrico com modelo de tratamento de comunidade terapêutica formu=
lou-se
a pergunta:
“Psicoterapias, psicofarmacol=
ogias,
e técnicas psicossociais: conflito ou colaboração?R=
21;
Sustentou-se a tese de que é possível a
superação do sentido dilemático da expressão.
Procedeu-se a: 1) análise da estrutura lógico formal da
expressão dilemática: “conflito ou colaboraç&ati=
lde;o”;
2) ilustração histórico fatual pelo exemplo de una
instituição, dentre congêneres, onde a equipe
terapêutica manteve conduta adequada face a alternativas de tratamento
superando na prática um dilema teórico.
Evidenciou-se, assim a necessidade da superaç&ati=
lde;o
do sentido comum de dilema e da recuperação do significado de
“di-lema” enquanto duas
possibilidades, proposições ou lemas a serem seguidos.=
Evidência análoga obteve-se e a respeito do
dilema quantidade ou qualidade na ciência psiquiátrica (TAPIA; OLIVEIRA, 1991).
Com base na experiência desses estudos, ora
acredita-se que estraté=
;gias
teórico metodológicas: a) comportamental e/ou cognitivo
comportamental; b) anal&iacut=
e;tico
existencial; c) psicanalítica; d) psicodramática; e) teoria
sistêmica, dentre outras, possam ser vistas como possibilidades
complementares entre si e que também neste caso seja possível
superar o significado habitua=
l de
dilema.
Isto faz sentido no trabalho em equipes, onde o
princípio da complementaridade torna-se uma necessidade. Um exemplo
típico seria o grupo operativo de reflexão, onde a tarefa do grupo é a
indagação pelo
próprio grupo.
&=
nbsp; Isso
poderia ser exemplificado na experiência de interconsulta
psiquiátrica com grupo de
apoio para profissionais numa unidade de transplante de medula óssea=
com
excesso de estresse. Uma das tarefas do líder é encorajar os
membros a dividir seus pontos de vista e focar a atenção nos
problemas do dia-a-dia da unidade (CONTEL; SPONHOLZ JÚNIOR; TAPIA, 1=
999).
Noutro estudo (TAPIA, 2002) formulou-se a hipótes=
e de
que existe compatibilidade conceptual entre aspectos teóricos dos gr=
upos
de reflexão e os conceitos fenomenológico existenciais aplica=
dos
à assistência em saúde mental. O estudo visava o di&aac=
ute;logo
conceptual.
A atual te=
se de
estudo que a experiência
grupal na comunidade utópica WT&nbs=
p;
tem o sentido de construção existencial de mundo do
usuário, também visa o diálogo conceptual.
9.4 &n=
bsp; Registros
observacionais
No dia-a-dia em
reuniões de equipes técnicas em saúde mental, s=
eja
na reflexão sobre um tema atual, ou na reflexão a partir da
discussão de casos de pacientes, constata-se que as equipes est&atil=
de;o
preocupadas com as
problemáticas prementes na assistência à saúde mental.
Ouvem-se opiniões do tipo: 1) “há
profissionais ou figuras de autoridade que dificultam a reinserção social =
de
pacientes com potencialidades”; 2) “há famílias q=
ue
depositam o paciente na instituição e esquecem dele”; 3=
) “foi
um avanço ter implementado as políticas de
desospitalização do doente mental; 4) “decisões
políticas errôneas forçaram a implementaçã=
;o
da desospitalização, faltaram critérios
técnicos”; 5)
“equipamentos comunitários não dão conta de
procedimentos de alta complexidade”; 6) “a
desinstitucionalização psiquiátrica deu alta hospitalar
aos pacientes; mas criou fila=
s para
a internação”; 7) “a solução seria
acabar com os manicômios, mas não com os hospitais”; 8)
“a Itália e o Canadá enfrentam grandes dificuldades
pós-reforma psiquiátrica”; 9) “no suporte
comunitário institucional ainda enfrenta distância entre servi=
ços
de reabilitação psicossocial e o mundo externo” 10)
“o doente mental não é um pobre coitado, é um
cidadão com seus direitos”; 11) “tem havido avanç=
os
no trabalho de oficinas terapêuticas visando a
profissionalização envolvendo empresas”; 12) “as =
instituições
ainda trabalham isoladas, os profissionais não se comunicam entre
si”.
Essas opiniões típicas independem da
opção por uma estratégia teórico
metodológica comportamental e/ou cognitivo comportamental,
analítico existencial, psicanalítica, psicodramática,
teoria sistêmica ou outra. A preocupação em comum seria=
de
fato com um ideal de condições sequer satisfatórias de
trabalho onde colocar em prática essas opções.
&=
nbsp; Essa
preocupação obviamente não se dá no dia-a-dia n=
uma
comunidade utópica tipo WT. Onde, tampouco há ambientes
estressantes, paranoigenia
institucional, mal entendidos ou conflitos.
Contudo, deve-se valorizar a necessidade existencial de
utopias tipo WT. A reflexão sobre o ideal e perfeição
permite visualizar possibilidades e empenhar-se na sua efetivaç&atil=
de;o
no aqui-e-agora.
Declarações de princípios, diretriz=
es
oficiais, protocolos de intenções e legislação
oficial, nos seus preâmbulos e/ou considerandos comumente invocam os =
mais
altos ideais éticos e/=
ou
valores sociais supremos como fonte de inspiração. Idealidade
essa, que envolve uma inequívoca significação
utópica, tipo a comunidade WT.
Coloca-se, então o desafio de operar na
prática a ultrapassagem de W=
alden
Two para Walden True.
10 CONCL=
USÃO
&=
nbsp; Conclui-se
que a tese de que a experiência grupal na comunidade utópica
WT tem o sentido de
construção existencial de mundo do usuário apresenta
fundamentação teórica e fatual adequadas.
&=
nbsp; Possíveis
considerações:
&=
nbsp; 1)
as estratégias comportamentais e/ou cognitivo comportamentais tem
&=
nbsp; 2)
desde o início este estudo de compreensão e
interpretação analítico existencial de itens estrutura=
is
da comunidade utópica descrita na obra skinneriana Walden II: uma
sociedade do futuro visa promover um diálogo possível a parti=
r de
uma preocupação em comum em relação ao ser huma=
no
de interesse em psicologia e/ou saúde mental, faz-se ora
necessário o prosseguimento;
3) no prosseguimento desse diálogo, coloca-se o
desafio de operar a ultrapassagem de Walden
Two para Walden True na prática da assistência à
saúde mental empenhando-se, por exemplo, na efetivação=
no
aqui-e-agora dos altos ideais éticos e/ou valores sociais supremos
expressos no discurso oficial;
4) há a necessidade de uma formação
ético humanística em psicologia e/ou em saúde mental, adequada à operação dos
equipamentos comunitários ou instituições de assistência à
saúde mental do cidadão usuário dos serviços;
inclusive preparação para o&=
nbsp;
trabalho em equipes multiprofissionais.
11 &nbs=
p;
REFER&Ecir=
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1 A= presentado ao Curso de Psicologia da Faculdade de Ciências Aplicadas/UNIMINAS, Uberlândia/MG, agradecimento especial à Profa. Mestra Simone Rodrigues Neves e à Profa. Dra. Paula Mariza Zedu. Allipradini, pelas observações críticas.
2 D=
outor
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