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Uma publicação da SAEP Sociedade de Análise Existencial e Psicomaiêutica | |
| EDIÇÃO ESPECIAL | Caderno de Terapias Corporais | |
| Texto de Apoio em Neurociência |
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S-I
- Revisão de Morfologia do Sistema Nervoso
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Prof. Bruno L. Galluzzi da S. Dalcin 1. A vida animal pode ser interpretada de forma dual: um aspecto dito VEGETATIVO, e um dito RELACIONAL. O sistema nervoso vai participar intensamente do controle tanto de um aspecto quanto do outro. 2. A vida vegetativa reflete o funcionamento de órgãos e sistemas que mantêm o indiví-duo biologicamente vivo, como a circulação, a respiração, a digestão, a excreção renal e a regulação hormonal, funções teciduais e sistêmicas que espelham fenômenos observados na célula. 3. O aspecto relacional da vida envolve os vínculos do animal com seu meio circunja-cente, e suas formas de inter-relação. Dizemos que as funções neurais participan-tes da regulação da vida vegetativa são determinadas por estruturas VISCERAIS, enquanto aquelas participantes da vida relacional são estruturas SOMÁTICAS. 4. A estrutura complexa do sistema nervoso nos Chordata (animais dotados de notocorda dorsal) acompanha a filogenia com acréscimos funcionais, que induzem o surgimento de estruturas envolvendo vias neurais mais complexas como resultado de necessida-des adaptativas da espécie animal. 5. O sistema nervoso central deriva-se da PLACA NEURAL, que se diferencia através de CRISTAS NEURAIS para formar o SULCO NEURAL no disco primitivo de ECTODERMA, for-mando então uma GOTEIRA NEURAL, para dar origem ao TUBO NEURAL e a uma VESÍCULA NEURAL mais rostral, de onde originar-se-ão as estruturas encefálicas, através de segmentação em três outras vesículas (prosencefálica, mesencefálica e romben-cefálica). 6. Células da crista neural formarão os neurônios dos gânglios sensitivos espinhais e dos nervos cranianos sensitivos V, VII, VIII, IX e X, assim como todas as células somestésicas do sistema nervoso periférico, e a maior parte das células autonômi-cas periféricas, assim como alguns outros elementos celulares neurais. 7.
O tubo neural originará o sistema nervoso SEGMENTAR (MEDULA ESPINHAL),
e a vesícu-la neural transformar-se-á nos hemisférios cerebrais, estruturas
centrais do encé-falo e do tronco encefálico. Filogeneticamente, a
estrutura do sistema nervoso modificar-se-á pelas necessidades evolutivas. 9. Divisão do sistema nervoso: SISTEMA NERVOSO CENTRAL (porções do sistema nervoso envoltas por arcabouço ósseo: o ENCÉFALO pela caixa craniana, a MEDULA ESPINHAL pela coluna vertebral) e PERIFÉRICO (raízes nervosas, gânglios sensitivos, plexos, divisões, troncos, nervos e receptores periféricos). As raízes, plexos, troncos e nervos periféricos são constituídos por feixes de axônios de neurônios. Gânglios são agrupamentos de corpos celulares neuronais fora do neuroneixo, de função sen-sitiva no sistema nervoso somático; no sistema nervoso autônomo, têm função motora visceral. Nervos periféricos são feixes de feixes de axônios. Receptores periféri-cos são estruturas especializadas em captar estímulos sensoriais. 10. No NEUROEIXO, de localização dorsal e central, é levado a efeito o processamento das funções neurais; o sistema nervoso periférico representa estruturas que perma-neceram na periferia do corpo, fazendo a ligação com o meio circundante. 11. ENCÉFALO: estruturas intracranianas - cérebro, cerebelo e tronco encefálico. O cérebro é constituído pelos hemisférios cerebrais, envolvendo uma porção central, o diencéfalo. O cerebelo exerce controle dos movimentos. O tronco encefálico ou tronco cerebral, responsável por funções de manutenção da vida biológica, é divi-dido em três segmentos - MESENCÉFALO, PONTE ou PROTUBERÂNCIA, e BULBO. 12. Os hemisférios cerebrais constituem o TELENCÉFALO, com uma face externa, lateral ou da convexidade, e uma interna ou medial; na superfície dos hemisférios, identi-ficam-se GIROS ou CIRCUNVOLUÇÕES. O telecéfalo mostra uma região mais externa, a CÓRTEX CEREBRAL, formada por camadas de corpos celulares neuronais (substância cinzenta), e que recobre um grande CENTRO BRANCO MEDULAR, de fibras axonais (subs-tância branca). Em meio a este centro branco, há agrupamentos de corpos celulares neuronais que formam os NÚCLEOS DA BASE ou núcleos basais - CAUDADO, PUTAMEN, GLOBO PÁLIDO e CLAUSTRO, envolvidos no controle do movimento. 13. Entre os hemisférios, estão os VENTRÍCULOS CEREBRAIS (ventrículos laterais e ter-ceiro ventrículo); contamos ainda com um quarto ventrículo, localizado mais abai-xo, a nível do tronco encefálico. São reservatórios do LÍQUIDO CÉFALO-RAQUIDIANO, (LÍQÜOR), participando na nutrição, proteção e excreção do sistema nervoso. 14. As MENINGES são membranas que envolvem todo o neuroeixo: DURA-MÁTER (a paquimenin-ge), PIA-MÁTER e ARACNÓIDE (a leptomeninge). Protegem o tecido nervoso, consti-tuindo uma barreira constantemente banhada pelo líqüor. 15. Os giros ou circunvoluções hemisféricos constituem regiões anátomo-funcionais, os LOBOS CEREBRAIS - na convexidade, FRONTAIS, PARIETAIS, TEMPORAIS e OCCIPITAIS, assim como um LOBO DA ÍNSULA, oculto sob os lobos temporais; na face medial, o LOBO LÍMBICO, formado por estruturas filogeneticamente antigas, ligadas aos pro-cessos comportamentais. Os giros ou circunvoluções são delimitados pelos SULCOS ou CISURAS. 16. Na face medial, fibras interligam os hemisférios : as COMISSURAS BRANCAS INTER-HEMISFÉRICAS (a mais importante é o CORPO CALOSO, pelo intercâmbio de informações neurais entre os hemisférios). 17. No diencéfalo, os tálamos são grupos de núcleos por onde passam as informações destinadas ao telencéfalo, ou que dele partem, sendo processadas. O hipotálamo, de localização mais ventral, é formado por diversos agrupamentos de núcleos cinzen-tos; detém várias funções neurais e endócrinas (controle das funções vegetativas), como a regulação da ingesta de alimentos, do impulso sexual, da temperatura corpo-ral, dos ritmos biológicos, do assim denominado sistema nervoso autônomo, etc. 18. Sistema nervoso SEGMENTAR: constituído pelos níveis anátomo-funcionais da medula espinhal. S.N. SUPRA-SEGMENTAR: tronco encefálico, diencéfalo e telencéfalo, de organização não-segmentar mais complexa. Esta divisão origina-se da estrutura ca-racterística da medula espinhal desde o tubo neural, onde a inervação dos diferen-tes segmentos corporais é dada por níveis medulares somatotópicos. 19. O sistema nervoso periférico serve de intermediário entre o S.N.C. e estruturas periféricas. Estas têm funções AFERENTES (receptores sensitivos periféricos que captam estímulos externos ou internos sobre o corpo e vias neurais) e EFERENTE (neurônios responsáveis pelo comando muscular esquelético, que efetuam os movi-mentos). 20. AFERENTE é o que vai em direção a uma estrutura; EFERENTE, aquilo que se afasta dessa estrutura - respectivamente, CENTRÍPETO e CENTRÍFUGO. 21. Tronco encefálico: agrupamentos nucleares (substância cinzenta), com funções neurais diversas - núcleos motores próprios, núcleos de nervos cranianos e nú-cleos reticulares; envolvendo os núcleos, FEIXES ou TRACTOS de fibras axonais de disposição vertical ou horizontal (conectando a córtex cerebral com as estruturas mais inferiores, ou interligando próximas dentro do próprio tronco encefálico). O aspecto anatômico é RETICULADO, pela intensa ramificação da rede axonal. 22. NERVOS CRANIANOS (doze pares): OLFATÓRIO, ÓPTICO, OCULOMOTOR, TROCLEAR, TRIGÊMEO, ABDUCENTE, FACIAL, VESTÍBULO-COCLEAR, GLOSSOFARÍNGEO, VAGO, ESPINHAL ou ACESSÓRIO, HIPOGLOSSO. 23. Medula espinhal: vai da base do crânio até a região lombar, no interior da coluna vertebral; forma cilindróide achatada no sentido ântero-posterior. A substância cinzenta central forma o "H" medular envolto por substância branca, por onde pas-sam feixes nervosos - FUNÍCULOS anteriores, laterais e posteriores. CORNOS ou PONTAS são dois pares, anteriores e posteriores; de T1 a L2 há mais um par de cornos, de localização LATERAL, relacionados ao sistema nervoso autônomo. Nas superfícies laterais anteriores e posteriores fixam-se raízes que se unem a cada nível para formar os nervos espinhais. A medula espinhal é percorrida em seu com-primento pelo canal ependimário, por onde circula o líquido céfalo-raquidiano, até o quarto ventrículo, a nível da ponte no tronco encefálico. 24. A vida vegetativa (preservação da vida biológica com suas funções de nutrição e excreção) é regulada pelo SISTEMA NERVOSO AUTÔNOMO, uma divisão anátomo-funcional do sistema nervoso central e periférico, com cadeias de neurônios próprias. 25. A arquitetura celular do tecido nervoso mostra inúmeras particularidades. Seu es-tudo é desenvolvido pela microscopia (óptica e eletrônica), permitindo visualizar a forma geral e os elementos subcelulares da célula neuronal, com o uso de subs-tâncias corantes com afinidade por diferentes estruturas neuronais. 26. "Teoria geral do neurônio": "o tecido nervoso, como qualquer outro, é formado por células individuais, que representam unidades morfológicas, funcionais, tróficas e genéticas, únicos elementos do sistema nervoso que conduzem impulsos elétricos". 27. As características únicas das células neuronais permitem estudos "lesionais", onde se verifica a extensão da degeneração dos neurônios após lesão experimental, con-tribuindo para a identificação dos trajetos das vias neuronais. 28. O NEURÔNIO é unidade morfológica e funcional do S.N., dotado de um CORPO CELULAR (SOMA) e de um prolongamento citoplasmático, o AXÔNIO; há expansões citoplasmáti-cas da membrana plasmática formando ramificações (DENDRITOS) tanto a nível do cor-po celular quanto da extremidade distal do axônio, o TELODENDRO. Os neurônios são classificados em tipos Golgi I (axônio longo) ou Golgi II (axônio curto), proje-tando-se os primeiros à distância no neuroeixo; o tipo Golgi I mostra parcas rami-ficações dendríticas somáticas, contrastando com a abundância das mesmas no tipo Golgi II. 29. A bainha de mielina reveste todo axônio com diâmetro superior a 1 mm. A mielini-zação é realizada pelas células de SCHWANN, ou oligodendrócitos, que "enrolam" várias camadas da lipoproteína mielina ao redor do axônio. 30. O neurônio conta com um polo RECEPTIVO (o corpo celular) e um polo EMISSIVO (so-bretudo o telodendro); irá receber e emitir mensagens fisiológicas. O axônio con-duz estímulos provenientes do polo receptivo em direção ao polo emissivo. 31. Os neurônios comunicam-se por junções especializadas entre suas membranas plasmá-ticas - as SINAPSES. Os neurônios interligados formam cadeias ou sistemas, com a passagem dos impulsos nervosos. 32. Os vários tipos morfológicos neuronais são adaptados para funções específicas, apresentando formas e dimensões características do soma, do axônio e dos dendri-tos. O tecido nervoso apresenta homogeneidade na distribuição de suas células, com aspectos anatômicos característicos. Os aglomerados de corpos celulares neuronais (substância cinzenta) são encontrados nos núcleos cinzentos, gânglios somáticos e autonômicos, "H" medular e córtices cerebral e cerebelar. Os núcleos cinzentos são encontrados ao nível do tronco cerebral (motricidade somática, nervos cranianos e projeções corticais específicas); no encéfalo, formando os núcleos da base; no ce-rebelo (núcleos cerebelares). Há diferentes trajetos das fibras axonais a partir dessas populações de corpos celulares, seja em eixos verticais que percorrem o comprimento do neuroeixo, seja em eixos horizontais que atravessam cada nível do neuroeixo. 33. A organização topográfica do tecido nervoso é o substrato do binômio característico estrutura versus função. Prof.
Bruno L. Galluzzi da S. Dalcin Os livros Solidão e Liberdade e A Construção do Poder Pessoal encontram-se a venda exclusivamente nas livrarias do Rio de Janeiro, na sede da SAEP ou pelo Correio, para todo o Brasil, pelos telefones (021-21) 264-8615 ou (021-21) 567-4420, pelo preço de R$10,00 e R$ 12,00, respectivamente. |
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