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RESENHA
CRÍTICA
Resenha Crítica , da Obra de VASCONCELOS, Celso dos Santos.
Para onde vai o Professor? Resgate do Professor como sujeito de transformação.
São Paulo, SP: Libertad - Centro de Pesquisa, Formação
e Assessoria Pedagógica. 205 p., como requisito parcial, do
processo de avaliação solicitado pelos Professores Doutores:
Betânia de Oliveira Laterza Ribeiro e Fernando Antônio
Leite de Oliveira, docentes - orientadores, vinculados à área
de Concentração - Componentes psicoeducacionais na prevenção
e solução de conflitos -Programa de Pós-Graduação
Strito-sensu em Direito - da Fundação Educacional de
Ituiutaba - Campus da Universidade do Estado de Minas Gerais.
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Resenhista:
Marcelo Balli Cury
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I-OBRA
VASCONCELOS, Celso dos Santos. Para onde vai o Professor? Resgate
do Professor como sujeito de transformação. São
Paulo, SP: Libertad - Centro de Pesquisa, Formação e
Assessoria Pedagógica. 205 p.
II-
CREDENCIAIS DA AUTORIA
Prof. Celso dos Santos Vasconcellos é Doutor em Didática
pela USP, Mestre em História e Filosofia da Educação
pela PUC/SP, Pedagogo, Filósofo, pesquisador, escritor, conferencista,
professor convidado de cursos de graduação e pós-graduação,
responsável pelo Libertad - Centro de Pesquisa, Formação
e Assessoria Pedagógica.
Obras publicadas pelo autor:
1. Planejamento: Projeto de Ensino-Aprendizagem e Projeto Político-Pedagógico
-elementos metodológicos para elaboração e realização
2. Construção do Conhecimento em Sala de Aula
3. Avaliação: Concepção Dialética
- Libertadora do Processo de Avaliação Escolar
4. Disciplina: Construção da Disciplina Consciente e
Interativa em Sala de Aula e na Escola
5. Avaliação: Superação da Lógica
Classificatória e Excludente - do "é proibido reprovar"
ao é preciso garantir a aprendizagem
6. Avaliação da Aprendizagem: Práticas de Mudança
- por uma práxis transformadora
III- CONCLUSÃO DA AUTORIA
Apesar da determinação mais geral ser a mesma, encontramos
hoje escolas e educadores com formas de trabalho e posturas bastante
diferentes; isto reflete o grau de autonomia relativa que o sujeito
tem em relação à sociedade e reforça a
possibilidade de mudança. A prática tem demonstrado
que com as mesmas condições macro, tem havido mudanças
muito positivas no micro, à medida que seus agentes assumem
um compromisso com a transformação do cotidiano do trabalho
escolar (cf. Vasconcellos, 2000a:51). Algumas mudanças dependem
de instâncias superiores ao professor ou à escola; nestes
casos, a luta é mais longa e exige um conjunto maior de mediações.
Mas outras estão, muito objetivamente, ao alcance do professor
e da escola; estas mudanças devem ser feitas, se queremos construir
algo novo(cf. Vasconcellos, 2000a:54). Reiteramos que sempre existem
espaços para avançar; onde não há espaço,
há formas de resistência, de denúncia, de luta.
Não podemos perder de vista também que quem transforma
a realidade não é um sujeito isolado, mas um conjunto
de homens, num determinado contexto histórico, com uma determinada
organização; apesar de nossa história estar marcada
pelo culto à personalidade, a transformação nunca
é resultado de apenas uma pessoa. Os acontecimentos podem até
ser desencadeados e liderados por um sujeito, mas este por si nada
poderia se não tivesse sido formado pela história de
todas as gerações passadas e não tivesse a participação
dos demais. Como pode acontecer de tão poucos dominarem a tantos?
É que falta uma ação contrária desses
tantos(servidão voluntária). Quanto maior o número
de sujeitos empenhados na mesma transformação, maior
a possibilidade de se alterar a realidade.
Insistimos que a luta precisa ser articulada nos vários níveis
de intervenção:
. Pessoal
. Escolar (sala de aula, equipe, companheiros)
. Comunidade Escolar (alunos, pais, vizinhança)
. Associativa (órgãos de classe, sindicatos)
. Sistema de Ensino (órgãos intermediários, centrais,
dirigentes)
. Social como um todo (meios de comunicação, partidos,
igrejas, Estado, movimentos, etc)
Deve, pois, ser simultânea: no cotidiano e na perspectiva mais
ampla. A dimensão mais geral implica desde nossa organização
enquanto categoria profissional e classe social, até o votar
adequadamente nos nossos representantes e governantes, bem como em
acompanhar e cobrar atitudes políticas transparentes e coerentes.
No dia-a-dia, temos que mostrar à sociedade o valor do nosso
trabalho, não tanto através de discursos, mas através
de um trabalho sério, competente, comprometido com a qualificação
da cidadania dos meninos e meninas que estão desde já
sob nossa responsabilidade.
É preciso que o professor se comprometa e busque, por exemplo,
formar um coletivo, pequeno que seja, com outros educadores, desenvolver
um trabalho alternativo em sala de aula, procurar reciclagem, constituir
grupos de estudo, enfim, não se acomodar, não se demitir.
Tratar-se-ia de uma postura voluntarista? Seria no caso de ficar restrita
ao nível pessoal, mas se há, ao mesmo tempo, o compromisso
e a luta por uma educação democrática e de qualidade
e por uma sociedade justa e solidária, esta é uma postura
revolucionária do educador. É importante que o trabalho
de cada um, aquilo que está assumindo, que está lhe
cabendo historicamente, seja articulado com a totalidade para não
reduzir, distorcer ou fragmentar a ação (dialética
parte-todo).
Por falta de posicionamento mais firme e de coragem de lutar, pode
acontecer de prevalecer, no dia-a-dia da escola, o clima necrófilo,
do "deixa disso": os demissionários acabam dando
o tom, reagindo, diante de qualquer tentativa de mudança, com
ironia e sarcasmo imobilizador - senão for enfrentado -: "você
não é pago para isto", " Está querendo
agradar a direção". É preciso lutar, não
deixar o clima predominante na escola caminhar por aí. O grupo
comprometido com uma perspectiva de trabalho inovadora não
pode se deixar dominar por esta influência nefasta; ao contrário,
precisa mostrar a possibilidade de práticas alternativas concretas.
Se quisermos formar o aluno para poder interferir na transformação
da realidade, para a solução de problemas de seu tempo,
também nós educadores temos que procurar interferir
na nossa realidade e resolver os problemas postos. Ao enfrentarmos
novos obstáculos é que o compromisso político
vai se firmar(esmorecer); o que até então era apenas
uma vontade, um despertar, tem agora que amadurecer.
O autêntico professor não é auto - centrado, não
se perde num narcisismo cego e exacerbado. Pelo contrário,
sabe-se fazendo parte de um movimento muito maior, que articula a
tradição (passado), engajamento(presente) e horizonte(futuro);
pelo acesso ao conhecimento, percebe cada vez mais a extraordinária
complexidade do mundo, o que o remete à humildade. Não
se trata, pois, de formar "discípulos" fiéis
e admiradores da sua - eventual - capacidade de explicitar a rede
de relações do real. Trata-se, isto sim, de convidar
o outro (o aluno, o colega, etc.), consciente, a fazer parte da rede,
seja no sentido da inserção crítica na realidade,
quanto no fortalecimento dos laços de competência, solidariedade
e compromisso com a transformação.
O professor tem como tarefa fundamental ser portador da esperança,
de um projeto de futuro, recusando-se, portanto, a aceitar que a configuração
do mundo que está aí é a única possível,
recusando-se a amesquinhar sua existência, negando-se a abrir
mão de seu sonho de uma vida melhor para todos.
Nunca é demais relembrar que este é o horizonte desejado,
que este novo professor não está pronto, mas em permanente
construção. Como nos alertava Sócrates (sábio
dos mais antigos do Ocidente), um dos grandes inimigos da verdade
é a arrogância daqueles que não reconhecem sua
necessidade de saber mais. O que importa é estar a caminho.
É decisivo acreditar que o mundo pode ser melhor do que é;
e não só acreditar em termos pessoais, mas se comprometer
a trabalhar esta visão com as novas gerações,
abrindo novas perspectivas, um horizonte novo de vida e de esperança
para todos.
O professor é o coordenador do processo de ensino - aprendizagem.
Deve assumir seu papel de sujeito histórico de transformação
da realidade escolar, articulado à realidade social mais ampla.
IV)
DIGESTO
Não nos demos conta suficientemente das radicais conseqüências
da profunda mudança na relação Escola-Sociedade.
A então pós-modernidade (crise da racionalidade, fim
das utopias, subjetivismo, mudanças no ordenamento mundial,
revolução tecnológica, exacerbação
religiosa, etc.), tem gerado um estado de perplexidade que não
é exclusivo do professor, mas tem nele uma especial repercussão,
justamente por trabalhar com a produção de sentidos.
O professor precisa ir além, procurando resgatar a tecitura
que compõe o real.
O professor é intelectual por ser humano (embora esta obviedade
seja, não raras vezes, ignorada ou negada), e deve ser intelectual
também por exercer o papel de formador das novas gerações.
Não pode ficar na manifestação imediata das coisas,
no fenômeno.
O sistema educacional brasileiro, já se encontra em processo
de desmonte há décadas, aliado à crise de referenciais
que estamos vivendo em termos de civilização. Todavia,
temos de levar em conta esta realidade, reconhecer sua existência.
Ter percepção mais global para poder re-significar sua
ação, é essencial ao professor, até porque
não serão poucas as resistências que provavelmente
encontrará na sua tentativa de realizar uma prática
transformadora. Seu trabalho envolve escolhas metodológicas,
que não são imunes de condicionamentos, nem são
politicamente neutras, devendo, pois, ser contextualizadas historicamente.
Uma verdadeira crise de identidade tem sido provocada, passando a
ocorrer uma desvalorização social do professor, a ponto
dele mesmo assumir, autodepreciando-se pessoal e profissionalmente.
A situação do professor tem, obviamente, uma relação
intrínseca com a percepção social do valor da
escola. Do ponto de vista da classe dominante, a necessidade seria
para a formação de mão-de-obra; inculcação
ideológica; seleção de "aptos"; estação
de espera; interesses eleitoreiros e Comércio.
Para a população, a formação vai garantir:
maior escolaridade; ascensão social; exigência social;
assistência social; sociedade do tempo livre; campo de trabalho;
escola como agência socializadora.
Existe o tecno professor (livros didáticos, apostilas, vídeos
educativos, etc.); existem outros canais de inculcação
ideológica; O professor é descartável do ponto
de vista da classe dominante, pois houve a diminuição
da necessidade da escola como "Formação de mão-de-obra.
Sonho impossível; não atinge objetivo; não vinculação
com a realidade; reprodução do sistema; há a
queda do mito de ascensão social através da escola.
A tendência é aprofundar cada vez mais as contradições.
Para que haja mudança, e na direção desejada,
é preciso, pois, qualificação, passando pelo
conhecimento. Daí a contribuição específica
da escola, enquanto território característico da dialética
ensino-aprendizagem.
A escola começa a não responder mais ao anseio de ascensão
social. Um dos grandes problemas para a escola hoje é a falta
de um objetivo político, de um projeto, de um sentido assumido
socialmente. Há a afirmação genérica de
formação da cidadania, porém não se define
com exatidão o que isto quer dizer.
Necessidade de Mudança de Paradigma: Novos valores e Democratização
(social e econômica)
Sentido para o estudo - Educar é humanizar
O que vai dar a direção de superação das
questões postas inicialmente pelo professor é também
o que vai dar sentido, horizonte, para o aluno: a esperança
de poder construir uma realidade diferente e de que a escola pode
contribuir para a concretização desta sociedade mais
humana.
O mesmo movimento que recupera o sentido do trabalho do professor
é o que dá sentido ao estudo para o aluno.
Não é o professor que deposita o conhecimento na cabeça
do educando. Por outro lado, sabe também que não é
deixando o educando sozinho que o conhecimento brotará de forma
espontânea.
Quem constrói é o sujeito, mas a partir da relação
social, mediada pela realidade.
A negação é um dos mais avançados mecanismos
de defesa do professor frente à realidade. A importância
do reconhecimento está em superar as desculpas e assumir a
sua realidade.
Cabe ao professor desembaraçar-se de uma posição
reativa, defensiva e partir para a autocrítica e (re)construção
de sua proposta política-pedagógica
O poder do professor não é algo estático, que
está dado de uma vez para sempre. Pode ser ampliado, mantido
ou reduzido; pode ser redirecionado, etc.
As denúncias do autoritarismo dos mestres em relação
aos alunos, são clássicas, onde a utilização
da nota como arma é uma das mais visíveis e de conseqüências
drásticas tanto do ponto de vista pedagógico, quanto
psicológico, social, econômico, etc.
O poder do professor é concreto, ainda que reduzido (ou negado)
num primeiro momento. Assim sendo, atuar onde lhe é possível
tem sentido.
Nossa convicção, pois, é que, não obstante
os diversos condicionantes, é possível desde logo, o
professor/escola ter uma prática de mudança em relação
à educação alienada, exercendo o seu poder no
sentido de que seja garantida a efetiva aprendizagem e desenvolvimento
de todos, tendo como referência um projeto de libertação
humana.
A reserva ética vai precisar ser usada pelo professor, para
se engajar e buscar alternativas, ainda que nas condições
iniciais mais desfavoráveis. Há uma carga de energia
adicional liberada quando se faz algo que se acredita. Este é
o alimento, o combustível do revolucionário: esperar
contra todas as desesperanças. Isto é necessário
numa fase de transição, até que se consiga conquistar
algumas condições melhores de trabalho (onde não
seja requerida tanta determinação pessoal).
Pode ser que de imediato dê para mudar muito pouco em termos
objetivos (salário, número de aulas, etc.), mas, na
medida em que o professor faz um trabalho mais significativo, que
acredita, pode se sentir melhor, se realizar mais, aumentar a auto-estima,
e até ter mais energia para lutar pela transformação
das condições objetivas e poder contagiar (ao invés
de afastar) outras pessoas para a mesma causa.
O desgaste não é apenas a carga de trabalho, mas também
a falta de sentido do mesmo. Assim, o enfrentamento da questão
pedagógica na sua especificidade acaba contribuindo para o
enfrentamento de outras questões, na medida em que o professor
vai resgatando sua condição de agente de intervenção.
Vislumbramos a perspectiva de superação, pois, é
a co-responsabilização dos diversos agentes educativos
(professores, coordenadores, orientadores, funcionários, direção,
supervisão, pais, alunos, comunidade local, dirigentes, sistema
de ensino, sistema social), apelando a que os diferentes atores mobilizem
criticamente as suas energias, em vez de se refugiarem em teorias
defensivas e de justificação. (Nóvoa, 1992a:24),
tendo clareza que assumir responsabilidade significa qualificar-se,
colocar-se na posição de sujeito histórico.
Mais dia, menos dia, os educadores acabam divisando certas contradições
que fazem parte desta realidade Depois de um certo tempo de experiência,
os professores vão se apercebendo que a realidade é
um tanto mais complicada do que inicialmente imaginavam, qual seja,
seus esquemas explicativos começam a não dar conta das
várias manifestações da prática educativa.
Analisando as posturas dos educadores frente a estas contradições,
podemos reuni-las em três grandes grupos, a dicotômica,
a média e a dialética.
A dicotômica trabalha por extremos, é tudo ou nada. A
média caracteriza-se pela tentativa de conciliação,
de busca de harmonia, de consenso artificial: face às manifestações
contraditórias do real, pega-se um pouco de cada pólo
a fim de chegar a um "equilíbrio". É muito
prejudicial também, tendo em vista o esvaziamento do caráter
motor das contradições para a mudança da realidade,
já que não são reconhecidas nem trabalhadas.
Marcada por uma forma de pensar ligada ao movimento, totalidade, que
percebe os opostos se exigindo mutuamente é a dialética,
que tenta assumir a contradição como fazendo parte da
realidade e trabalhar a partir dela, visando a superação
por incorporação. Gramsci já alertava para a
dificuldade do pensar dialeticamente, uma vez que vai de encontro
ao vulgar senso comum, que é dogmático, ávido
de certezas peremptórias, tendo a lógica formal como
sua expressão (1984a: 159).
Um dos fatores fundamentais numa nova concepção de educação
é a perspectiva da tensão dialética. Como dizia
Álvaro Vieira Pinto (1909-1987), o comportamento dialético
não consiste em pensar a contradição (1979:211).
O alerta no sentido de dialetizar o enfoque dialético, dado
o risco permanente de cairmos no dogmatismo.
Podemos abstrair as dificuldades para a mudança (caindo no
voluntarismo), absolutizá-las (caindo no determinismo), ou
trabalhar na contradição dialética do já
e do ainda não: já se pode superá-las, todavia
ainda não integralmente.
O único jeito de se fazer história. É a dialética
de continuidade-ruptura.
O desafio, portanto, é viver o jogo tenso entre aquilo que
desejamos e os limites que estão colocados pela realidade.
Alimentar esta tensão, a nosso ver, é o grande segredo.
Por outro lado, é Diante disso, o autor aborda o espaço
de reflexão coletiva e contínua da prática, demonstrando
a necessidade do espaço, onde a tarefa do professor é
extremamente importante e complexa; um dos macroprocessos mais perversos
que se instalou em nossa civilização é justamente
a divisão social do trabalho; o espaço de reflexão
coletiva contínua sobre a prática pedagógica
deve ser acompanhado por uma dinâmica gerencial-administrativa
coerente com o processo de transformação com o qual
se está comprometido.
Uma nova linha de trabalho, um dos maiores consensos é justamente
essa necessidade do professor rever sua atitude, mudar a mentalidade.
No processo de transformação da prática pedagógica,
o essencial é a mudança de postura do educador.
A Postura é uma predisposição do sujeito para
sentir/perceber, pensar, valorar e agir de determinada forma; é
uma atitude frente à realidade, que revela a maneira de ser,
a cosmovisão, a concepção de fundo; corresponde
à expressão do enraizamento de uma certa intencionalidade.
Compreende, portanto, componentes cognitivos, afetivos e comportamentais.
O que vai dar os critérios para a direção da
mudança é o conjunto de valores e compromissos assumidos
pelos educadores, pessoal e coletivamente.
Os estudos sobre mudanças educacionais indicam que se deve
imprimir ênfase inicial à mudança de atitudes
e somente mais tarde à mudança de métodos e práticas,
isto para diminuir o risco das inovações se tornarem
pseudo-superações.
É pertinente a preocupação dos professores em
buscarem novas metodologias, novas técnicas, necessárias
para objetivar a nova postura e não ficar só na novidade
do discurso. Não adianta só mudar a concepção,
cabe encontrar práticas que incorporem estes novos princípios;
tomar a elaboração como referência e tentar intervir,
refletindo sobre isto.
Neste sentido, no campo da postura, da atitude, é talvez onde
encontremos o maior espaço de liberdade do sujeito. Enquanto
que determinado fazer pode depender muito das condições
objetivas, a postura depende mais do sujeito, da maneira como se posiciona
frente à realidade.
A própria visão de mundo depende, não significa
autonomia absoluta, dado que do meio também (desde a possibilidade
de acesso à informação até de colocar
em prática). Isto, naturalmente, interfere na construção
da postura.
O que mudou, então? Num primeiro momento, mudou a postura do
professor em relação à realidade em que estava
inserido; mudou, portanto, a articulação entre a (antiga-nova)
concepção e a (antiga-nova) prática; e isto é
decisivo para desencadear o processo de mudança.
Em muitas práticas efetivas de mudança, constata-se
que vários dos fatores colocados como obstáculos (legislação,
materiais, etc) não foram alterados e, no entanto, avanços
substanciais foram conseguidos (melhor rendimento dos alunos, clima
democrático na escola, etc.). O que se visa é criar
um clima na instituição em que a postura equivocada
não tenha espaço para se repetir, uma vez que, de alguma
forma, e aliada à transformação das condições,
se consiga fazer emergir a consciência da contradição
e dos mecanismos que a sustentam (cf. Adorno, 1995a:123).
O professor, como se vê, deve ser um lutador. Mas isto, obviamente
não é privilégio dele; qualquer cidadão
neste país precisa se mobilizar e se mexer, se quer se comprometer
com a democratização.
Paralelamente, e isto também é decisivo, o professor
deve estar engajado na melhoria de sua condição de trabalho.
Ao mesmo tempo ainda, tem de estar lutando por uma sociedade mais
justa e solidária.
A perspectiva é iniciar um processo de descondicionamento,
de resistência, de modificações paulatinas, investindo
deliberadamente na continuação da mudança, pois,
caso contrário, as forças de inércia levarão
ao seu enfraquecimento e extinção.
A formação do professor é um ponto básico
e de seríssimas repercussões para o trabalho do educador
e ponto de partida para o resgate da dignidade profissional.
Essa formação deverá dar conta do conjunto das
questões que envolvem a atividade docente.
A falta de condições de trabalho, o não-reconhecimento
social da tarefa educativa, a percepção da fragilidade
da formação, etc. têm se constituído, com
efeito, até em causa de abandono do magistério. Reverter
esse quadro é decisivo.
Em relação à formação inicial,
é preciso superar certas visões parciais tais como a
do educador nato, ou a visão meramente instrumental.
A colocação do estágio durante o curso e não
mais no final, oportunizando a reflexão crítica e coletiva
sobre a realidade vivenciada, são algumas das alternativas;
bem como; a introdução da disciplina Teoria do Conhecimento,
a atividade de pesquisa durante todo o curso e não apenas na
disciplina de metodologia científica e no trabalho de conclusão
do curso; etc.
Visando a formação permanente, embora ainda embrionária
em relação ao conjunto das redes de ensino, e muitas
vezes com uma série de equívocos, têm crescido
as práticas de programas de capacitação continuada,
da mesma forma que para os alunos.
Há que se contemplar na formação do professor
tanto os conteúdos conceituais (relativos a informações,
fatos, conceitos, imagens, etc.), quanto os procedimentais (habilidades,
hábitos, aptidões, procedimentos, etc.) e atitudinais
(disposições, sentimentos, interesses, posturas, atitudes,etc).
A questão de sobrevivência com um mínimo de dignidade
leva em conta o salário: poder morar, se transportar, comer,
vestir, cuidar da saúde, Ter um pouco de lazer, Ter acesso
a bens culturais, até como instrumento de trabalho.
Melhorar os salários dos educadores não garante mecanicamente
a melhoria da qualidade do ensino. À luta pelas melhorias salariais
deve corresponder a luta por procedimentos pedagógicos compatíveis
com a aprendizagem do aluno.(Franco, 1986:53).
A recuperação salarial é uma necessidade premente.
Temos de considerar que não há, como analisamos, interesse
de grande parcela da classe dirigente na escola de qualidade para
a população.
Em função de um projeto de vida, de um compromisso assumido
com uma causa, a mobilização das forças e energias
da pessoa vem, de um lado, da necessidade de sobrevivência;
mas a melhor qualidade de si, a pessoa dá e isto não
tem preço!
Sensiblizar a comunidade para a causa da educação de
qualidade democrática e desencadear um processo de recuperação
salarial por aproximações sucessivas e recuperar sua
auto-estima, devendo se unir e se organizar.
O resgate da dignidade profissional vai depender do trabalho pedagógico,
que é o campo de atuação por excelência
do professor, sendo que a qualidade é decisiva.
Manejar meios, instrumentos, formas, técnicas, procedimentos
diante dos desafios do desenvolvimento faz parte da qualidade formal.
Qualidade política quer dizer a competência do sujeito
em termos de se fazer e de fazer história, diante dos fins
históricos da sociedade humana. É condição
básica da participação. Dirige-se a fins, valores
e conteúdos. A qualidade dos meios está em função
da ética dos fins. A qualidade dos fins depende da competência
dos meios.(Demo, 1994:14-15)
Exigências em relação aos vários aspectos
do trabalho do professor, numa perspectiva de emancipação
humana:
.Planejamento: Instrumento de transformação da prática.
Pela superação do dogma de "cumprir o programa".
A tarefa fundamental é ajudar o educando a desenvolver-se e
compreender a realidade, sendo o programa um meio para isto e não
um fim em si mesmo.
.Objetivo: É fundamental a clareza da finalidade da educação,
numa perspectiva democrática, almeja-se que haja compromisso
com a transformação social e com a aprendizagem de todos
os educandos, trabalho consciente.
.Conteúdo: significativo; crítico; não - fragmentado;
superação da dependência em relação
ao livro didático; busca de fontes alternativas de informação;
que veicule valores humanos fundamentais- justiça, liberdade,
solidariedade, verdade, paz, etc.
.Metodologia: participativa; construção do conhecimento;
problematizadora; que sem se fechar de forma preconceituosa, não
se iluda com os modismos dos recursos, das tecnologias como se fossem
a solução para o problema pedagógico.
. Avaliação: para ajudar o aluno aprender mais e melhor;
como processo e não como momento isolado; avaliação
de todos os elementos envolvidos no processo e não apenas o
aluno.
.Relação Professor-Aluno/Disciplina: baseada na afirmação
da dignidade do outro como ser humano; respeito, atenção,
comunicação autêntica, estímulo, acreditar
no outro; entendimento da disciplina como condição de
trabalho coletivo; saber trabalhar situações de conflito.
.Vestibular
Convém lembrar que considerando que a tarefa docente corresponde
a uma delegação social, temos clareza de que sem pressão
da comunidade não podemos ter esperança de que haja
uma alteração substancial no quadro da educação,
nem que o professor venha a ter revertida sua situação
em termos de formação, salário.
É preciso explorar a contradição entre as exigências,
de um lado, e a falta de condições de outro. A partir
dela, o professor terá elementos para sua afirmação
diante da sociedade, à medida que mais do nunca ele é
necessário.
O apoio da comunidade é decisivo tanto em termos da conquista
de uma adequada política educacional, quanto do próprio
aproveitamento escolar.
O que se espera da família é o respeito, o apoio, a
valorização de tal atividade profissional.
A interferência na realidade da educação, visa
melhorar a qualidade de ensino desenvolvendo a contradição
na direção que seja favorável à maioria
da população.
O eventual apoio de setores progressistas e nacionalistas da classe
dominante, é sutil, devemos contar basicamente com a organização
democrática e de qualidade: movimentos sociais, associações,
ONG's, sindicatos, partidos, igrejas,etc.
Os dirigentes precisam compreender a especificidade da educação,
onde a pessoa do professor entra muito intensamente (disposições
afetivas, valores, crenças, visão de mundo), sendo,
portanto, absolutamente imprescindível que o docente participe
na condição de sujeito, e não de mero executor
de mudanças intempestivas, arbitrárias, impostas autoritariamente.
Os professores precisam ter clareza que, da mesma forma que não
podem ser objetos das decisões caprichosas ou idiossincráticas
dos mantenedores, não podem ser objeto de uma lógica
histórica desumana instalada no seio da escola.
Acaso um meio cidadão poderá formar um cidadão
inteiro?
V-
METODOLOGIA DA AUTORIA
O método utilizado pelo autor é o indutivo, de procedimento
estruturalista, a modalidade empregada técnica e intensiva,
as técnicas utilizadas foram de observação, entrevistas,
formulários, questionários, bibliográfica.
VI-
CRÍTICA DO RESENHISTA
Numa época social complexa e confusa como a que vivemos de
despersonalização individual e coletiva, de relações
humanas caracterizadas pelo poder de uns sobre os outros e de uma
percepção de realidade muitas vezes falseada ideologicamente,
humanizar e resgatar o professor como sujeito de transformação,
representa um desafio, e ao mesmo tempo uma iniciativa coletiva a
ser tomada pelo governo/sociedade em benefício de todos.
O autor conseguiu alinhavar brilhantemente a situação
atual do professor, os aspectos mais relevantes e estudá-los
minuciosamente em busca "desse" resgate/transformação.
Diante disso, cabe a tomada de consciência de todos e "mãos-à-obra",
para dar o "realce" necessário à transformação
de fato.
No início da obra, o autor apresenta os fatores favoráveis
e desfavoráveis ao resgate do professor, tais como ações
coletivas de empenho pela vida; retomada do valor social da educação;
ampliação da produção teórica crítica;
busca de alternativas; professor voltando a estudar; remuneração
injusta; autolimitação; desânimo; transferência
de responsabilidades; etc.
Demonstra que para que venham a ocorrer a mudança das condições
objetivas, vai depender da mudança subjetiva do professor,
da sua atitude, da sua postura face à realidade, mas não
de forma isolada; está relacionada a um movimento social de
resgate da cidadania para todos.
A abordagem da profunda mudança na relação Escola-Sociedade,
a chamada pós-modernidade(crise da racionalidade, fim das utopias,
subjetivismo, mudanças no ordenamento mundial, revolução
tecnológica), tem repercussão especial no professor,
pois ele trabalha com a produção de sentidos; porém,
muito bem colocado por Vasconcellos, ele é o coordenador do
processo de ensino-aprendizagem; devendo assumir seu papel de sujeito
histórico de transformação da realidade escolar,
articulado à realidade social mais ampla.
A reflexão sobre o seu papel, a clarificação
dos conceitos de conhecimento, ciência e ensino, a apreciação
de suas motivações primeiras, expressas na experiência
do ser, na vivência dos sentidos da vida, poderão se
constituir numa contribuição para dar continuidade a
este trabalho magnifíco de resgate do professor como sujeito
de transformação.
VII-
INDICAÇÕES DO RESENHISTA
A obra de Celso dos S. Vasconcellos deve ser indicada a todos os alunos
do magistério, do mestrado, àqueles que exercem atividades
na área da educação e, principalmente aos professores,
desacreditados de si e do sistema educacional. Proporcionará
uma reavaliação de suas funções, uma perspectiva
otimista de transformação, visando o resgate de si mesmo
e de sua dignidade, sem esquecer da responsabilidade coletiva da sociedade.
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