|
RESENHA
CRÍTICA
Resenha
Crítica , da Obra de ASSMANN, Hugo, MO SUNG Jung - Competência
e sensibilidade solidária: Educar para a Esperança,
como requisito parcial, do processo de avaliação solicitado
pelos Professores Doutores: Betânia de Oliveira Laterza Ribeiro
e Fernando Antônio Leite de Oliveira, docentes - orientadores,
vinculados à área de Concentração - Componentes
psicoeducacionais na prevenção e solução
de conflitos -Programa de Pós-Graduação Strito-sensu
em Direito - da Fundação Educacional de Ituiutaba -
Campus da Universidade do Estado de Minas Gerais.
|
|
|
Resenhista:
Maria Luiza Vieira Andrade
|
UEMG
- CAMPUS FUNDACIONAL DE ITUIUTABA FEIT/ISEPI
ITUIUTABA - MG
2002
I. CREDENCIAIS DA AUTORIA
Os autores são pós-doutores da Faculdade de Educação
da UNIMEP (Universidade Metodista de Piracicaba).
II.
CONCLUSÕES DA AUTORIA
Considerando
a questão de uma educação solidária, os
autores fazem suas conclusões: solidariedade é um termo
polissêmico, é por vezes ambíguo. Para aprofundar
a reflexão sobre ele é necessário distinguir
de um lado os apelos à solidariedade que se referem a situações
emergenciais transitórias e, por outro lado, as questões
da solidariedade como ingrediente ético-político na
busca de soluções estruturais e sustentáveis
para problemas amplos e de caráter persistente. Para enfrentar
a crise civilizacional do mundo de hoje, o tema se transformou em
bandeira também na educação: "Ajudar a transformar
a interdependência real em solidariedade desejada, corresponde
a uma das tarefas essenciais da educação".
Há necessidade hoje, argumentam os autores, de uma visão
sistêmica da realidade social para vencermos a crise de percepção
que existe e, o primeiro passo para uma solidariedade ativa. Daí
a exigência de uma renovação profunda da educação
que hoje tem a tarefa maior: salvar vidas.
Também, parecem concluir que os princípios organizativos
da sociedade e a normatividade efetivamente implantada constituem
as referências práticas para se conferir qual é
o conceito de dignidade humana vigente em uma sociedade: "a defesa
da dignidade (e solidariedade) humana pressupõe que uma sociedade
não queira continuar a mentir a si mesma", logo, faz-se
urgente melhorias concretas, em situações concretas.
Continuam afirmando que a competição substituída
pela solidariedade e cooperação no campo econômico
é a condição necessária para que essa
sociedade com a qual sonhamos e desejamos possa existir.
A redução da realização do desejo humano
de reconhecimento ao campo da economia deve ser superado e, o reconhecimento
do outro deverá ser desenvolvido; é preciso resgatar
as relações de solidariedade e cooperação:
"precisamos desejar um desejo diferente, olhar o ser humano de
um modo distinto e pensar com uma razão diferente". A
escola deve adaptar-se ao mundo de hoje, reorganizando-se em prol
das mudanças que o mundo exige e a fenomenologia auxilia na
construção de uma teoria de Sensibilidade Social. O
pensamento solidário deve ser complacente com os paradoxos.
Esperança. Defendem os autores, implica num sábio uso
da energia humana disponível: sonhar é preciso sempre.
Ter cuidado com os novos riscos de discriminação e desumanização
já que a espécie humana alcançou uma inédita
fase evolutiva, é também uma preocupação
necessária, além do uso adequado das novas tecnologias
para evitar-se um tecnootimismo desvairado, que recai em visões
gnósticas ou platônicas de um mundo soberanamente auto-organizativo.
"Só onde a educação se omitir o desastre
humano pode tornar-se irreversível".
III. DIGESTO
Na
parte um apresenta-se uma espécie de fenomenologia de cenários
variados nos quais se inclui, de maneira bastante diversificada, sonho
de uma humanidade mais solidária e nos quais se empregam linguagens
sobre a solidariedade: diferentes teorias intelectuais, organismos
e militantes sociais, banco Mundial, FMI, empresários, ONGS,
Igrejas.
Em seguida (cap. 2) discute-se os dois sentidos básicos da
palavra solidariedade: o normativo (atitude de respeito e interesse
pelas diferenças) e o descritivo (fato e necessidade de interdependência
na vida social). Também são analisados diferentes razões
que impedem as pessoas de reconhecer a interdependência entre
todas as pessoas, todos os seres vivos e entre todos os corpos celestiais
do universo, como um fato real, e o papel da educação
como veículo de integração ou inclusão
da massa dos/as excluídos/as, enfatizando a valorização
da sensibilidade, o reconhecimento das diferenças, dúvidas,
a empatia, o medo e a esperança como partes da mesma condição
humana indispensável para o reconhecimento mútuo - principal
desafio da época.
O capítulo 3 desta primeira parte faz uma reflexão sobre
o conceito de dignidade humana nos diferentes contextos sócio-espácio-temporal:
tese ontológica.
São levantados em seguida (cap. 4) a questão da complexidade
da sociedade e sua relação ética com a individualidade
apontando-se para a necessidade de uma educação solidária
como resolução para esse problema.
No capítulo 5 temos uma análise reflexiva da influência
da economia na subjetividade/desejo humanos de acordo com os pensamentos
de Adam Smith, Hegel, Fukuyama (megalotymia = desejo de ser reconhecido
como superior) e Marx. O ser humano parece ter a necessidade de ídolos;
ontem o poder da igreja e hoje, o capital econômico; por outro
lado é preciso resgatar a sociedade cooperativa de trás
das relações competitivas e confrontativas - só
será possível se discutir-se as situações
humanas, concretas e efetivamente vivenciáveis.
Na parte II do livro as discussões giram em torno das mudanças
educacionais necessárias para uma escola solidária;
termos como aprender a aprender, pesquisar, superar crenças,
destruir dogmas, competência humana, sensibilidade social são
trabalhados segundo diferentes visões.
A fenomenologia é apontada como contribuição
relevante para a superação do subjetivismo e cognitivismo
mecanicista da educação atual. Compreender a sociedade
ampla e complexa implica em reconhecer que a cultura letrada é
pré-requisito para a habilitação ao trabalho;
e, estar em condições de continuar aprendendo pelo resto
da vida é objetivo fundamental para construir a escola do futuro.
Em seu último capítulo, há uma introdução
compacta aos novos espaços e modalidades do conhecimento ensejados
pelas novas tecnologias da informação e da comunicação
que têm um papel ativo e co-estruturante nas formas de aprender
e do conhecer: Ecologias cognitivas.
Por último, discute-se o tema da neotemia (noção
científica de espesso conteúdo desafiador) e a necessidade
de uma "segunda neotemia" desta vez conscientemente assumida
como desafio da complexidade e solidariedade.
IV. METODOLOGIA DA AUTORIA
O
método de abordagem utilizado pelos autores parece ser o dialético
(avança-se para o mundo dos fenômenos através
da contradição, inerente ao fenômeno).
V. QUADRO DE REFERÊNCIA DA AUTORIA
Os
autores utilizam como referencial teórico um modelo Ecológico-sistêmico
de Educação.
VI. QUADRO DE REFERÊNCIA DO RESENHISTA
Concordando com os autores, o referencial da resenhista é o
modelo Ecológico-Sistemico de Educação.
VII. CRÍTICA DO RESENHISTA
Ao
discutirem a inclusão da sensibilidade solidária na
dinâmica dos desejos das pessoas - o "saber cuidar"
carinhosamente das formas de aprender e do conhecimento - os autores
oportunizam, com grande riqueza de argumentos sócio-histórico-filosóficos,
a reflexão dos leitores sobre a questão das linguagens
pedagógicas que se referem a competências profissionais
necessárias hoje.
Os autores estão sempre questionando as características
que devem permear a educação enquanto formação
para esse mundo em constantes modificações que não
pode se descuidar dos valores éticos e morais fundamentais
para uma sociedade que pretende ser participativa e solidária.
Alertam-nos para o fato de que os discursos sobre solidariedade estão
parcialmente colonizados e que, portanto, a noção de
solidariedade não só não é óbvia,
mas sua serventia para campos dos sentidos abrangentes requer um distanciamento
consciente dos usos reducionistas da noção de solidariedade.
A maneira criativa como foi escrito - múltiplas entradas, como
links - facilita sobremaneira, a leitura que vai acontecendo ludicamente,
segundo os desejos de cada um.
Essa obra exemplar, vem nos revelar que existem novas respostas para
a grande pergunta: Como podemos acreditar (ter esperança) numa
Educação justa e solidária para todos?, sem nos
sentir protagonistas de uma Síndrome de Atlas e/ou um maluco
e solidário idealista-sonhador-.
Em competência e Sensibilidade Solidária, Assmann e Mo
Sung, apresentam aos leitores informações e instruções
de base científica mas eminantemente práticas para equipar
os educadores com os instrumentos essenciais não só
para suas profissões, mas, especialmente, para sua vida. Trata-se
de um livro que vai ajudar a construir o homem do século XXI.
VIII. INDICAÇÕES DO RESENHISTA
O
tema desenvolvido pelos autores assegura a importância desta
obra para todos aqueles que se encontram diante do desafio de EDUCAR,
especialmente os profissionais do magistério superior.
IX. BIBLIOGRAFIA
ASSMANN,
Hugo e MO SUNG Jung. Competência e Sensibilidade Solidária:
educar para a esperança. 2ª ed., Petrópolis: Vozes
Ltda, 2000.
|