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EDIÇÃO ESPECIAL Caderno de Cidadania e Mediação Social

 

Resenha

 

Competência e Sensibilidade Solidária: Educar para a Esperança

 

RESENHA CRÍTICA


Resenha Crítica, da Obra de ASSMANN, Hugo, MO SUNG Jung - Competência e sensibilidade solidária: Educar para a Esperança, como requisito parcial, do processo de avaliação solicitado pelos Professores Doutores: Betânia de Oliveira Laterza Ribeiro e Fernando Antônio Leite de Oliveira, docentes - orientadores, vinculados à área de Concentração - Componentes psicoeducacionais na prevenção e solução de conflitos -Programa de Pós-Graduação Strito-sensu em Direito - da Fundação Educacional de Ituiutaba - Campus da Universidade do Estado de Minas Gerais.

Resenhista: Maria Inez Gonçalves Pimenta

UEMG - CAMPUS FUNDACIONAL DE ITUIUTABA FEIT/ISEPI
ITUIUTABA - MG
2002

I. OBRA

a) Autoria: Hugo Assmann e Jung Mo Sung
b) Título: Competência e Sensibilidade Solidária: Educar para a esperança
c) Comunidade onde foi publicada: Petrópolis - RJ
d) Firma publicadora: Editora Vozes
e) Ano de publicação: 2000
f) Edição: 2ª - 2001
g) Número de páginas: 331
h) Tabela: cenário de previsões: pág. 306


II. CREDENCIAIS DA AUTORIA

1. Hugo Assmann: Brasileiro, filosofo, sociólogo e teólogo; lecionou na Alemanha, Chile e Costa Rica.
2. Jung Mo Sung: Coreano, Administrador de Empresas, formado em Filosofia e Teologia, Doutor em Ciências da Religião.


III. CONCLUSÕES DA AUTORIA

O autor prefere não fazer conclusões, mas vislumbrar horizontes, o que ele pretende com o texto é a continuidade da reflexão sobre a gravidade e beleza do desafio de participar numa verdadeira virada civilizatória, que garanta a preservação da qualidade de vida no planeta Terra.
Segundo o autor, as regras de funcionamento do conjunto tecnologia, econômico e político, usurpam para si a definição dos mundos do sentido. E será a partir da reconstrução de nossos mundos do sentido que poderemos perceber o caráter histórico dessa usurpação.
A grande crise civilizatória, a que ele se refere, é a crença muito enraizada em grande parte da cultura mundial de hoje, de que esse é um sistema de coerências dificilmente desmontável.
Neste sentido o argumento avança citando as diversas ações de facções que usam alternativas para a concretização de flexibilização dos campos dos sentidos, que se coadunam com as propostas apresentadas no sentido da tomada de consciência, mas a própria possibilidade de visualizá-las, provavelmente depende de nossa maneira de olhar o mundo e encarar o futuro.
O autor remete para reflexão, 3 questionamentos:
1 - As consciências não existem, como responsáveis ou inculpáveis, se não forem concebidas como vetores dependentes de seus campos de sentido e falta de sentido.
2 - Que é que se nos afigura como atratores benéficos para vislumbrar o que realmente faça sentido para a humanidade de hoje?
3 - Quais são as nossas convicções pessoais sobre atratores sinistros da ausência ou negação do sentido do mundo de hoje?
Embora não tendo respostas para os questionamentos, ele como educador atribui à educação a missão de criar acessos para a construção de campos de sentido para a vida e o desmantelamento dos campos do sem-sentido da antivida. A educação é chamada a ser a fronteira avançada do salvamento concreto de vidas humanas concretas. É a frente de avançada mais relevante do engajamento social solidário.
A educação para a sensibilidade social significa, ao mesmo tempo, aquisição de hábitos, comportamentos pró-sociais e desenvolvimento da capacidade de prestar atenção na alteridade que nos interpela desde nossos contextos, e até o próprio interior de nossas vibrações neuronais.
Conclui que é fundamental que reconheçamos, em nós e nos outros, a nossa fome comum do sentido e que lutemos para que a educação seja reconhecida como um desejo que virou necessidade.


IV. DIGESTO

O objetivo geral da obra é abrir um leque de questões relacionadas com a sensibilidade social solidária, com o propósito de motivar um otimismo pedagógico quanto às possibilidades de criar as competências sociais que devem dar suporte prático a essa sensibilidade ética.
O autor divide a obra em três partes. Na primeira parte ele analisa os aspectos da sensibilidade e solidariedade, inseridos no contexto econômico, político e cultural. Inicia dedicando-se ao estudo das idéias de grande personalidades que se dedicam ao estudo do tema como Kohlberg, Habermas, Rorty, Emile Durkheim e as instituições não governamentais que exercem influência no contexto analisado.
Trata da interdependência e sensibilidade solidária, considera o conhecimento da interdependência e o problema da coesão social, uma condição de possibilidade para uma atitude pessoal e social de solidariedade, mas não conduz necessariamente a essa atitude. Pois, entre o conhecimento e a nova atitude há desejos e interesses. Em seguida trata do assunto da dignidade humana - acesso a capacidades básicas. Discute a dignidade humana sob os aspectos ontológico, socioeconômico, biológico e antropológico. Na modernidade há, duas tradições bastante diferentes e contrapostas, enquanto atributo historicamente atribuível aos seres humanos. Uma tradição mais política e outra mais econômica. Na tradição política se inscrevem todas as lutas pela liberdade, direitos humanos e democracia como valores universais. A tradição econômica é menos explícita e mais restritiva quanto ao reconhecimento pleno e universal de direitos básicos de todos. Pois reconhece direito de quem chega a ser um agente econômico produtivo.
A sensibilidade Solidária e Princípios Organizativos são distintos em três níveis: o nível dos dinamismos básicos da solidariedade, como a sensibilidade solidária e desejo; nível dos princípios éticos; e o nível dos princípios institucionais. Logo em seguida complementa com o capítulo relacionado com o alcance social do desejo; Segundo o autor o que nós os seres humanos desejamos concretamente está delimitado pela nossa natureza biológica e pela forma como a nossa cultura interpreta e constrói a noção primordial de desejo. A redução da realização do desejo humano de reconhecimento ao campo da economia é um caminho sem fim e sem saída. A forma de superação dessa concepção humana é o reconhecimento do/a outro/a enquanto outro/a no desejo solidário, desejo de cooperação e de inclusão dos/as excluídos/as, dos/as perdedores/as.
Na segunda parte do livro o autor introduz os conceitos de educação para a esperança solidária, discorre o assunto em cinco capítulos, igualmente inseridos no âmbito cultural. No capítulo 6, o autor discute os novos contextos da educação, igualmente inseridos no âmbito cultural. Contempla a formação da sociedade humana, e a responsabilidade da escola como instituição que desenvolverá as competências relacionadas com os quatro pilares da educação para o século XXI. Aborda as competências humanas, sociais, a aprendizagem social e inteligência social.
No capítulo sétimo, discorre sobre o papel cognitivo e social da sensibilidade. Historicamente o cultivo da sensibilidade humana é efetivamente bastante recente, pois ainda hoje se pratica a tortura e existem massacres coletivos, a cultura do mercado tende a invisibilizar a pobreza. Alerta para o perigo de introduzirem exigências éticas de conversão social sem acentuar ao mesmo tempo a dimensão de busca da felicidade nessa conversão ao social.
No capítulo oitavo - epistemologia solidária - O objetivo deste capítulo foi mostrar que precisamos transformar aspectos fundamentais em nossas maneiras de aprender e de pensar para podermos dar a guinada em direção a cultura solidária, que o próprio futuro da espécie humana e a saúde do planeta Terra exigem de nós.
No capítulo nono - impacto sociocognitivo das novas tecnologias - Introduz sumamente, de forma compacta, os novos espaços e às novas modalidades do conhecimento ensejados pelas novas tecnologias da informação e da comunicação. As tecnologias do passado serviam como instrumentos para aumentar o alcance do sentido e ações mais externas. As novas tecnologias ampliam o potencial cognitivo do ser humano e possibilitam mixagens cognitivas complexas e cooperativas. As redes funcionam como estruturas cognitivas interativas pelo fato de terem características hipertextuais e pela interferência possível do conhecimento que outras pessoas construíram ou estão construindo.
No capítulo dez - mínima pedagogia - Objetiva ajudar a discussão do papel da educação numa perspectiva animadora, mas ao mesmo tempo reflexiva e crítica. Propões uma mudança que ocorra na maneira de criar as estrutura de sentido ou campos de significação, que precisam ter nexos e interfaces com o que os aprendentes percebem como algo que faz sentido para a sua vida.. Precisa haver esse elo entre os campos de significação daquilo que se ensina e os campos de sentido da vida dos envolvidos. Reencontrar a educação significa, também, vivenciar as implicações pedagógicas dos avanços científico-tecnológicos, o fato de que os processos cognitivos e os processos vitais são no fundo a mesma coisa.
Na terceira parte, discorre sobre os horizontes da reconstrução, nossos campos do sentido, o autor apresenta conclusão, faz propostas de continuidade da reflexão sobre a gravidade e beleza do desafio de participar numa verdadeira virada civilizatória.


V. METODOLOGIA DA AUTORIA

A autoria utiliza o método Hipotético-dedutivo e dialético, método de procedimento histórico.


VI. QUADRO DE REFERÊNCIAS DA AUTORIA

Teoria filosófica existencial humanista da solidariedade.


VII. QUADRO DE REFERÊNCIA DO RESENHISTA

Teoria da ação social e teoria da dinâmica cultural.
VIII. CRÍTICA DO RESENHISTA

a) Julgamento da obra do ponto de vista metodológico:
Sobre o aspecto metodológico, a obra concentra sua abordagem no tema proposto, mas analisa profundamente sobre diversas vertentes do pensamento científico, o que a torna extensa e não conclusiva.

b) Mérito da obra
A obra é original pelo fato de concentrar vários assuntos. Apesar de ser um tema já debatido dentro da educação, o autor consegue exemplificar e sugerir reflexões inovadoras, que dão substancial valor à obra.

c) Estilo empregado
Apresenta um estilo simples, porém requer análise profunda, necessitando de concentração e disponibilidade de tempo para reflexão.


IX. INDICAÇÃO DO RESENHISTA

Esta obra apresenta especial interesse para estudantes e pesquisadores em educação, sociologia e antropologia. Pode ser utilizada em nível de pós-graduação


 

 

 

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