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EDIÇÃO ESPECIAL Caderno de Cidadania e Mediação Social

 

Resenha

 

Para onde vai o Professor? Resgate do Professor como Sujeito de Transformação

 

RESENHA CRÍTICA


Resenha Crítica , da Obra de Celso dos Santos Vasconcelos - Para onde vai o Professor? RESGATE DO PROFESSOR COMO SUJEITO DE TRANSFORMAÇÃO, como requisito parcial, do processo de avaliação solicitado pelos Professores Doutores: Betânia de Oliveira Laterza Ribeiro e Fernando Antônio Leite de Oliveira, docentes - orientadores, vinculados à área de Concentração - Componentes psicoeducacionais na prevenção e solução de conflitos -Programa de Pós-Graduação Strito-sensu em Direito - da Fundação Educacional de Ituiutaba - Campus da Universidade do Estado de Minas Gerais.

Resenhista: Evandro Martins Tomé

ITUIUTABA - MG
2002

1 - OBRA

a) Autoria: Celso dos Santos Vasconcelos
b) Para Onde Vai o Professor? Resgate do Professor como Sujeito de Transformação
c) Comunidade onde foi publicada: São Paulo - SP
d) Firma publicadora: Liberdad - Centro de Pesquisa, Formação e Assessoria Pedagógica
e) Ano de publicação: 1995
f) Edição: 8ª edição 2001
g) Número de páginas: 205
h) Tabelas: pág. 138 e 139

II - CREDENCIAIS DA AUTORIA

Nasceu em Jaú - SP, em 12-02-56. É doutor em Didática pela USP, mestre em Filosofia da Educação pela PUC/SP, formou-se em Filosofia e Pedagogia pela Faculdade de Filosofia N.S. Medianeira, cursou até o terceiro ano de Engenharia Eletrônica da Escola Politécnica da USP. Formou-se Técnico em Eletrônica pela Escola Técnica Industrial Lauro Gomes. Tem também o curso de Teologia para leigos. Trabalhou como professor na ETI Lauro Gomes, no Instituto Pentágono na UNESP-FATEC. Foi orientador Educacional e Pedagógico no Colégio São Luis. É pesquisador em Educação.

III - CONCLUSÕES DA AUTORIA

A perspectiva que o autor defende para o professor como sujeito de transformação aplica-se às várias dimensões da sua existência e realidade, desde a pessoal até a social mais ampla. O resgate da dignidade profissional passa pela análise da formação do professor. Passa também pela questão salarial. A relação entre o ser e ter, para ser é preciso ter um mínimo. A qualidade do trabalho pedagógico é decisiva como o resgate da dignidade profissional. O apoio da comunidade que é a sensibilização da comunidade para a ação educativa, a ser realizada pelos professores, é premente. O professor precisa do apoio da população para as justas reivindicações.
O autor conclui que quem transforma a realidade não é um sujeito isolado, mas um conjunto de homens, num determinado contexto histórico, com uma determinada organização. Quanto maior o número de sujeitos empenhados na mesma transformação, maior a possibilidade de se alterar a realidade. O professor tem como tarefa fundamental ser portador da esperança, de um projeto de futuro, recusando-se, portanto, a aceitar que a configuração do mundo que está ai é a única possível, recusando-se a amesquinhar sua existência, negando-se a abrir mão de seu sonho de uma vida melhor para todos.

IV - DIGESTO

Celso dos S. Vasconcelos, autor da obra em epígrafe, denota problemas em relação aos professores e até mesmo do próprio sistema educacional. Seu texto em questão tem como objetivo visar reformulações na democrática sociedade pós-moderna que vivemos.
É público e notório o desgaste que vem sofrendo o sistema educacional, não é fato novo, porém, trata-se de uma crise antiga que leva a frustração dos docentes cada dia mais sem esperanças.
Aponta o sapientíssimo autor que os desgastes, os problemas que ocorrem hoje, são problemas que na realidade é de tempos atrás. Que além da desestruturação das instituições cada dia mais falidas, existem também que os professores devem mudar não só concepções objetivas, mas também as subjetivas diante da realidade social.
O melhor desempenho do sistema educacional, não resulta apenas na mudança do professor, pois é compreensível que o que se deve mudar não é tão somente, trabalhar novas formas e métodos pedagógicos. O profissional necessita de aparatos, de motivações, mas estas estão suprimidas por um arruinado sistema que também necessita de reestruturação, reestruturação por exemplo quanto a qualidade desses profissionais, mas também de outros dados importantes como: resgatar a valorização do professor, seja em âmbito sócio econômico, político e até mesmo enquanto ser humano digno de sua profissão.
A deterioração da qualidade tem motivos que exigem mudanças. Se fixarmos por exemplo a questão financeira, logo vimos que a remuneração que deveria sempre valorizar o trabalho, tem pelo contrário sofrido diminuições consideráveis, causando um desânimo, uma desesperança ao professor. Conseqüentemente o status social do professor que antigamente era tido como um referencial, hoje não deixa de ser um "mero professor". Não podemos neste momento deixar de referenciar as recentes palavras do nosso Presidente da República: - ..., quem não se dedica ao estudo para fazer algo "Melhor", não passará de professor. Ora se não vejamos "um mero professor?"
Como resgatar esse valor social, qualitativo, moral, social? Coloca o autor que estamos diante de uma sociedade pluralista e que o professor está sujeito a críticas, independentemente de "sua opção metodológica".
O que deixa sem muitas alternativas no concernente a mudanças.
A necessidade do professor não é vista mais como era vista sob a ótica de nossos antepassados, esse achavam de extrema necessidade o professor, o respeito, a admiração e a remuneração para com os professores, era dotada de credibilidade, que não mais se vê.
Do ponto de vista da população, a escola é necessária para representar a esperança e ainda para suprir lacunas tais como: ver a escola como assistência social, como fonte de merenda, vacina, material escolar etc.
Do ponto de vista da classe dominante: há pontos favoráveis que visam apenas que a escola e o professor são fontes de ensino e conseqüentemente fonte de renda, pois os filhos da classe dominante materializam mais, e pontos desfavoráveis que defendendo a escola podem estar criando problemas para esta classe, porque escola e ideologia podem ser um risco, já que pode surgir uma desvantagem ao ser cidadão, que aprende a ler, escrever, que é instruído, pois passa este a pleitear direitos perante as instituições que tem direito, causando para a classe dominante certo prejuízos, diante do exposto, é claro que o governo não tem o interesse em educar.
O autor traz a tona a questão da responsabilidade da escola e do professor, essa tem elementos psicológicos, éticos, morais jurídicos e sociais. Deve existir a conscientização de quem é o problema, da escola ou do professor, e o correto é que assuma a responsabilidade sem atribuir a terceiros a falha.
Ética e o professor; deve o profissional ter ciência do que deve ou não fazer e com responsabilidade, não é só deixar de fazer algo, é também fazer o que for preciso, de forma segura e moral.
A responsabilidade para que ocorra uma mudança no sistema educacional se faz necessário não apenas para os professores, mas também a coordenadores, diretores, supervisores, pais, alunos, todos os que envolvam a estrutura do sistema educacional.
A educação do educador, a questão da formação deve ser não só durante o tempo de vida acadêmica, deve o profissional estar sempre atento às mudanças que envolvam sua área e até mesmo ser dinâmico, entender não somente de sua especialidade, está é uma iniciativa interessante, quanto a questão da formação, pois o efetivo trabalho se dá pelo conhecimento. Existe um abismo muito grande entre ser professor e ser educador, e esta é a transformação que se faz necessária, que nossa sociedade tenha mais educadores do que professores.
Sou o que tenho? Não, não se trata disso, porém a profissão mais estressante que existe comprovada cientificamente é a de professor, a dedicação deve ser quase integral. Portanto nada mais justo que a remuneração faça jus ao esforço e dedicação deste ser, sim, de preferência "ser", mas para alcançar este patamar, "ser" é preciso como aborda o autor "ter". esse reconhecimento é uma das formas de o professor recuperar sua auto-estima e até mesmo se dedicar mais, se desdobrar mais para assumir mais postura; a de colaboração que assume compromissos perante a instituição e a sociedade e ainda promove junto a essas a recuperação do fragmento sistema educacional.
Existe um falso dilema ou uma falsa imagem na retratação do que seja o professor e o educador, e para que não haja confusão quanto às suas funções, faz-se necessário saber que:
Professor é meramente mecânico, é uma profissão que na maioria das vezes não se empenha a desenvolver com preocupação a formação intelectual.
Educador é o contrário, pois este se dedica à formação intelectual por vocação, é um ser político desde sua formação técnico-pedagógica.
É de caráter intelectual a ação do educador. Existe dificuldade da análise relacional entre política e a educação, devendo se retomada e revisada as reflexões sobre alguns elementos como o intelectual e sua visão, tendo em vista que a parte intelectual é pressuposto e não tido como suficiente. Existe um erro no método que é distinguir intrisecamente no que tange às atividades intelectuais, deve-se porém no âmbito social, buscar as relações das atividades, sua função é também de organização social.
Existe o educador tradicional, que procura manter-se distante de suas funções sociais, já o novo intelectual desempenha um papel mais social e mais político nas consciências gerais.
O intelectual dirigente valoriza vários âmbitos, o sócio, político, cultural e ideológico, estão sempre em processo de conscientização e levam como exemplo a doutrina marxista; como práxis revolucionária, ou seja, ação consciente,
Temos os grandes intelectuais e os subalternos, os intelectuais acompanham às evoluções e a cientificidade e os subalternos apenas articulam ou desempenham sua função com aceitação, sem acompanhar a inteligência, prática e política de massa.
A função de intelectualização do educador deve contar com uma perspectiva globalizada, deve ser um ser político como ação imediata, a parte política ameaça a integridade epistemológica, e como especialista deve ser trabalhador intelectual da educação. O professor como criador e defensor da ciência; não pode consistir o educador em apenas variedades de títulos, deve ater-se a prática social revolucionária, deve o professor procurar sempre a verdade, o subalterno não deve simplesmente reproduzir sem saber o fundo de verdade, não pode confundir como privilegio de alguns criadores especialistas ou intelectual e ser professor, os dois devem equilibrar-se em suas funções. A escola não é o melhor lugar para formação de intelectuais, por isto a crise do programa de educação escolar, de orientação geral, política de formação dos modernos quadros intelectivos, é um complexo orgânico amplo e geral. Separando ai funções especialistas e políticas. Os intelectuais não podem confundir serem intelectuais e formados à luz da classe dominante.
O dirigente e educador como tal função integra de forma inseparável sua atividade pedagógica de especialista inseparável de seu papel político.
Os cursos de formação do educador escolar estão com visão muito estreita e a educação, por isso, precisa de uma reformulação, deve haver um firmamento quanto ao conteúdo e na prática política, e diante disso é necessário uma grande consciência do educador, um compromisso que exige total dedicação e confiança, não se deve ser saudosista, nem utopista, não se deve ser meramente romântico, a recuperação pode se dar de forma objetivista.
Existe orientadores contudo que acreditam na prática pedagógica como assimilação dos conteúdos, o estado romântico é variável e é insuficiente para caracterizar a formação do educador.
Quanto à consciência sindical e profissional dos educadores temo-nos como "proletários" da classe média que vêem suas perspectivas de vida como condições do seu trabalho, isto é visto negativamente, pois a qualidade do seu trabalho pode distanciar-se do educador.
A consciência deve abranger todos os âmbitos, o sócio, político, econômico, etc., e ela se desenvolve em meio aos perigos vencidos e a maior tentação a vencer é a "descentralização" profissional. É necessário também atingir a plenitude política como uma ação consciente e transformadora, não esgotando em suas lutas pelos direitos e deveres, em específico no campo pedagógico.
Decidir-se politicamente é tomar partido de algo e interferir como papel mediador.
Precisa-se então na formação intelectual um envolvimento do educador dirigente, com a técnica e a formação política, o partido é assim uma inserção do educador na luta política, é difícil de se compreender um educador em que sua consciência não esteja voltada para a prática revolucionária. A efetiva formação pelo partido tem problemas tanto na prática e na atuação, por isto a educação sob partido deve ser bem definida pelas características da função.
Deve haver uma harmonia no âmbito das lutas políticas com as lutas da classe trabalhadora, não uma sobrepondo a outra, porém inter-relacionado-as por mais que exista o conflito.

V. QUADRO DE REFERÊNCIA DA AUTORIA
A corrente de pensamento da autoria, evolucionismo e historicismo, modelo teórico crítico-dialético.

VI. QUADRO DE REFERÊNCIA DO RESENHISTA
Teoria da ação social e teoria da dinâmica cultural.

VII. CRÍTICA DO RESENHISTA
a) Julgamento da obra do ponto de vista metodológico.:
Apresenta coerência entre a posição central e a explicação, discussão e demonstração.
b) mérito da obra:
Trata-se de uma obra didática, e seu mérito se concentra na objetividade e clareza de linguagem.


VIII. INDICAÇÃO DO RESENHISTA
Para profissionais da educação, aluno de graduação e pesquisadores na área de educação.


IX. BIBLIOGRAFIA
VASCONCELOS, Celso dos S. Para Onde vai o Professor? RESGATE DO PROFESSOR COMO SUJEITO DE TRANSFORMAÇÃO. 8ª edição. Subsídios pedagógicos do Libertad. Centro de Pesquisa. Formação e acessória

 

 

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