|
Professor Dr. Leosino Bizinoto Macedo
Quem vive, hoje, no frenesi de cidade grande convive diuturnamente
com agentes estressores de ordens diversas (trânsito, trabalho,
barulho, corre-corre, compromissos) e tais pessoas sofrem na carne
e no espírito as graves conseqüências disso. Não
é, porém, a respeito desses agentes estressores da cidade
grande que pretendo falar nesse artigo. Provavelmente, não
são eles, ainda, problemas para grande parte da população
de porte pequeno e médio de nosso país..
Quero refletir um pouco sobre aquelas pessoas estressantes, que encontramos
ao longo de nossa caminhada por essa vida, e sobre os rastros terríveis
que elas deixam em nós. Sugiro, então, que o leitor
pare um pouquinho a leitura e pense nas pessoas de sua convivência
diária.
Parou? Pensou? Então, como são essas pessoas?
É possível que tenha identificado, em pessoas de sua
convivência íntima, uma ou algumas das seguintes características:
falam o tempo todo de uma forma descontrolada, invadem a todo momento
a esfera de nossa liberdade, são habitualmente "do contra",
dependem dos outros para quase tudo, julgam-se superiores a todos,
são incapazes de se concentrar no que fazem, empurram para
os outros responsabilidades por elas assumidas, querem sempre saber:
quem fez isso? quem fez aquilo?, entram nas conversas dos outros,
confundem os limites de sua pessoa com os limites das outras pessoas,
são megalomaníacas. Em suma, adotam uma conduta esquisofrênica.
Pois bem, são essas pessoas que estou chamando de "pessoas
estressantes".
O que é o stress? Os dicionários definem Stress como
um conjunto de reações do organismo de uma pessoa em
face de situações ameaçadoras ou incomuns. Nessas
situações se incluem doença, a perda do emprego
ou até uma promoção ou a eleição
para a chefia de um grupo. O stress pode ser causado por qualquer
solicitação exagerada a que se submeta o corpo ou a
mente de uma pessoa. Tais solicitações podem advir de
pessoas estressantes que atuam sobre nós como agentes estressores
acarretando sérios danos a nosso corpo e a nosso espírito.
Para tentar explicar melhor o que ocorre, lanço mão
de um conceito que não sei se é corrente em Psicologia
ou se estou inventando: é o conceito de "espaço
psicológico". Cheguei a ele por analogia a dois outros
conceitos consagrados: o conceito de espaço físico e
o conceito de espaço social. Cartesianamente falando, nosso
corpo, enquanto res extensa, ocupa o espaço físico,
espaço que não pode ser ocupado simultaneamente por
nenhum outro corpo. Assim também, em virtude do status que
possuímos na sociedade, ocupamos um espaço, que chamamos
"social" e que é só nosso. De modo que o conceito
de distância social representa a diferença de posição
ocupada no espaço social. Do mesmo modo, falo aqui de um espaço
psicológico e entendo por essa expressão a esfera daquele
"eu" íntimo de cada um, onde deve haver uma segura
porta onde somente entrará a quem for concedida a chave.
As pessoas, que chamei de estressantes, por algum distúrbio
mental, de personalidade ou de educação comprazem-se
em arrombar constantemente a porta de nosso espaço psicológico
e invadir a esfera sagrada de nosso "eu". Essa invasão
psicológica é, às vezes, tão colonizadora
de nosso "eu" que reagimos não de conformidade com
nossa personalidade, mas sob a influência da personalidade estressora,
que acaba por explodir nosso espaço psicológico.
Há pessoas mais e pessoas menos suscetíveis ao stress
provocado por pessoas estressantes. A meu ver, as mais suscetíveis
são as pessoas conciliadoras, com tendência a ceder ao
invés de tentar imporem-se sobre as demais. As menos suscetíveis
são as pessoas de personalidades mais fortes. Nesse caso, não
há stress porque acaba havendo guerra.
Se queremos manter nosso equilíbrio físico e mental,
precisamos encontrar formas de preservar nosso espaço psicológico
das maléficas influências de pessoas estressantes.
Um bom remédio costuma ser a distância, no espaço
físico. Mas, só conseguimos dar esse salto quando o
stress já quase nos explodiu por dentro pelo rompimento de
todos os limites de nosso espaço psicológico.Às
vezes, fazer as malas e ir embora é o último remédio...
Fica-se curado! Mas, nem sempre podemos agir com essa radicalidade,
porque feriremos pessoas íntimas, que não têm
culpa da situação. Tal gesto pode implicar em outras
perdas. Nesse caso, devemos ponderar. Precisaremos, então,
aprender a conviver com pessoas estressantes...
Não me recordo bem, mas parece-me que no filme "Sissi
e seu destino" um senhor resolveu fazer de conta que era surdo.
De repente, é uma saída: só ouvir dessas pessoas
o que interessa... Eu denominaria isto de "audição
seletiva". Outra saída, é robustecer nossa personalidade,
ter firmeza de convicções, e, sobretudo, exercitar a
franqueza dizendo sem rodeios como vejo alguns adolescentes dizerem
para as próprias mães: "mãe, não
me estressa, não, tá? Outros assoviam e fazem muchochos,
enquanto as pessoas estressantes falam...
Será que é possível ser pais e mães cumpridores
das obrigações "do ofício" sem se tornar
agentes estressores dos próprios filhos? Será que é
possível o relacionamento não estressante entre esposas
e respectivos maridos? Acho que sim; acho que é possível
quando, pais e mães, esposas e maridos refletem antes de falar
e falam apenas o que antes foi pensado.
Evidentemente, há limites para a tolerância por parte
de quem recebe a ação estressora e os agentes estressores
devem saber quais são esses limites através de alguma
forma de reação: às, vezes, é preciso
a guerra; às vezes, a deserção; outras tantas
consiste simplesmente em ignorar a existência do agente estressor
por uma espécie de surdez de mentirinha...
LIVROS
RECOMENDADOS
|