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atualizada em 28 de junho de 1999
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| A FELICIDADE COMO POSSIBILIDADE EXISTENCIAL |
| A | abelha não pode ser feliz. Ela não pode criar nem recriar a si mesma, ou seja, ela não pode individualizar-se. Ela não é feliz nem infeliz. Ela simplemente é! |
| Ela não é livre e não tem vontade
própria.
Tem uma vida padronizada, igual a das outras abelhas. Dá sempre uma resposta programada. Durante o tempo ela repete um comportamento pré-determinado geneticamente. Não tem a possibilidade de fazer escolhas e de correr riscos. Não tem dúvidas. Não tem consciência da própria existência. Não sente solidão, nem angústia. Não se preocupa com o passado, nem com o futuro. Não fica deprimida, nem ansiosa. Não sabe que tudo na vida é relativo e passageiro. Nem ao menos sabe que vai morrer. O ser humano pode ser feliz quando escolhe ser autêntico e torna-se um indivíduo. O indivíduo não existe naturalmente. Ele tem que ser construído. Somente o indivíduo pode ser feliz. A felicidade não é produto da sorte, do destino, da herança genética ou social, nem de qualquer outra forma de determinação. A felicidade tem que ser conquistada. O homem conquista a felicidade aprendendo a aceitar e a expressar os seus desejos e sentimentos, transformando-os em vontade própria, com ela construindo seus próprios projetos de vida e empenhando-se para realizá-los. O que é preciso para um ser humano tornar-se indivíduo? Desalienar-se! Descobrir que é livre e libertar-se. Apropriar-se do direito de realizar-se enquanto indivíduo. Aceitar que tudo na vida é relativo e passageiro, que está só no mundo e que só conta consigo mesmo para realizar seus desejos, vontades e projetos. Buscar se auto-conhecer e se auto-determinar, transformando seus desejos em vontade e sua vontade em projetos de vida. Tornar-se responsável pelas próprias escolhas. Desenvolver a habilidade de dar respostas criativas e corajosas no sentido de expressar os seus sentimentos e de realizar a sua vontade própria. Conquistar segurança interna através do exercício da afirmação dos próprios desejos, vontades e projetos. Tornar-se autônomo: fazer pessoalmente as suas próprias escolhas e correr seus próprios riscos, assumindo o sofrimento dos erros e fracassos e o sabor dos acertos e vitórias. Criar-se, recriar-se e construir-se enquanto indivíduo, realizar-se e ser feliz! O homem que não escolhe tornar-se indivíduo vive fingindo que é uma abelha, repetindo-se metódica e sistematicamente. Sua vida é previsível, rotineira e monótoma. Este é o homem deprimido e apático. Ele é alienado! Não acredita que é livre ou que possa libertar-se. É dependente! Não conta consigo mesmo. Não sabe que tudo na vida é relativo e passageiro. Tem pouca auto-estima e frágil auto-confiança. É escravizado! Não tem vontade própria. Realiza o desejo e a vontade dos outros e não os seus. Seu projeto de vida é projetado pelos outros. É rebotizado! Dá sempre uma resposta programada pelo outro. Reproduz um rígido modelo determinado socialmente. Segue padrões pré-estabelecidos. É carente e inseguro! Quer que o outro lhe dê garantias, segurança e estabilidade; no casamento, no emprego e nas relações sociais. Não sabe que a garantia que lhe dão é falsa e que a segurança externa e a estabilidade constituem o pior risco, porque têm o preço da própria vida. É acomodado! Escolhe o pouco garantido pelo outro ao muito que dependa de suas próprias conquistas ou que envolva algum risco. Prefere a indiferença da rotina ao dinamismo do amor. É derrotista e derrotado! Não aceita correr riscos. Quer que o outro decida por ele e se arrisque em seu lugar. Quando o outro aceita fica com o lucro. É irresponsável! Não se conhece e não se determina. É ingênuo! Acredita que pode agir como uma abelha e ainda assim ser feliz. É inexistente! Sua vida é uma simulação! Para ele a vida é um teatro! |
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